— narrado por Matheus (Bala) Eu fiquei ali. Sentado naquele sofá que cheira a cigarro velho e passado que nunca morre. O café esfriando na minha mão, o olhar perdido entre o azulejo rachado e a lembrança que insiste em sangrar. Fabrício tava certo. Ele sempre tenta ser. E às vezes consegue. Mas o que ele não entende… é que tem dor que não passa nem com irmão por perto. Tem ausência que grita mais alto que qualquer presença. A Patrícia. Eu não queria raiva dela. Nem culpa. Só queria saber se ela ainda tinha o mesmo sorriso de quando eu era criança. Aquele sorriso que me fazia acreditar que o mundo podia ser menos c***l do que era. Mas o tempo apagou tudo. E hoje... se ela olhar pra mim, vai ver o quê? Um homem com o olhar vazio e a alma manchada de sangue? Um irmão esquecido? Ou

