Capítulo 02: Dia de Stress

1883 Palavras
Wanderson dá partida em sua moto, em arrancada veloz pela estrada de terra indo na direção da rodovia, uma vez na mesma o motoqueiro acelera ainda mais, cortando à frente dos carros e das outras motos. O homem parece estar com pressa, é como se estivesse atrasado para algo importante, Wanderson está vestindo uma jaqueta de couro na cor preta, calça jeans azul claro, seu capacete preto e um par de botas de couro marrom escuro; em alta velocidade o homem continua seu trajeto por mais meia hora de relógio até chegar em um edifício à beira da estrada, o local está cheio de carros e motos abertos e com peças faltando, o local parece ser um tipo de borracharia ou loja de veículos. - Pensei que não viria hoje! - Diz um homem de cabelos grisalhos e corpo definido, vestindo uma regata azul e uma calça jeans folgada na cor preto, suas mãos e corpo estão sujos de graxa. - Acabei dormindo demais! - Retruca ao descer da moto e tirar o capacete, sua voz soa séria e impaciente, dificilmente o homem tem paciência para alguém além de si. - Pode compensar o atraso concertando esses dois carros a sua esquerda! - Diz o grisalho de forma seca, ignorando completamente o fato de que algo está incomodando seu funcionário. Impaciente Wanderson apenas se direciona até os carros para analisar o problema, sem dizer uma palavra se quer. - Esse daqui está com o motor danificado, vamos precisar de outro! - Diz ao se afastar de um maverick preto. - É, parece que você tem razão! – Retruca o homem de cabelos grisalhos ao se aproximar e olhar o carro. – Mas, no momento estamos sem motores, o que quer dizer que você vai ter que deixar esse daí para depois ou então vai ter que sair para comprar motores novos! - Completa ao dar um tapa forte no ombro de Wanderson que suspira impaciente pelo contato exagerado. - Vou deixar isso para depois então, já estou atrasado, se eu sair agora para comprar motores quando eu voltar já vai ser muito tarde para continuar o serviço! - Retruca de forma seca e séria. - Você é quem sabe, apenas adiante o seu serviço! - Ordena o homem de cabelos grisalhos, Wanderson bufa em indignação e começa a andar em direção ao interior da oficina, uma vez dentro do local, deixa seu capacete sob uma mesa e pega as ferramentas necessárias para consertar o outro carro, voltando em seguida para onde estava. *** Do outro lado de Porto Azul está Joey, caminhando com pressa, atrasado mais uma vez; seu trabalho na livraria do senhor Osmar está lhe custando bastante tempo, o rapaz tivera que virar a noite reescrevendo os assuntos que lhe foram passados em classe no dia anterior. - Essa não... – Sussurra para si mesmo ao tirar seu celular do bolso e olhar as horas, faltam apenas dois minutos para o início de suas aulas, Joey terá de andar por mais meio quilômetros até chegar na escola, com certeza levará uma bela reclamação, de novo. O rapaz acelera o passo ainda mais, suor começa a escorrer por sua linda face morena, Joey pisca seus orbes verdes, estressado por saber que o dia m*l começou e terá que se virar para dar conta de uma imensa lista de afazeres. O moreno adentra sua escola a passos rápidos, o corredor está cheio de adolescentes e professores andando e conversando por todos os lados, sem diminuir o ritmo o moreno vai cortando caminho entre a multidão até chegar à porta de sua classe, Joey adentra a sala e se direciona a mesma mesa do dia anterior, Andréia sorri ao ver Joey vir em sua direção, suado e cansado da caminhada o rapaz apenas acena positivo com sua cabeça para sua amiga. - Tudo isso é suor?! – Pergunta Andréia ao apoiar os braços na mesa, seu visual permanece o mesmo do dia anterior, com exceção de suas madeixas cor de violeta que estão soltas e onduladas. - Sim, tive que me apressar ainda mais que ontem. Estou morrendo de sono, virei a noite repassando suas anotações para o meu caderno... – Diz o rapaz ofegando entre as palavras. – Muito obrigado! – Completa ao estender um caderno rosa na direção de Andréia. - Por nada! – Retruca ao pegar o caderno e colocá-lo sob a mesa. – Não quero estragar seu dia, mas... – Fala a garota fazendo uma pausa dramática. – Fiquei sabendo que haverá um evento hoje à tarde, aqui mesmo na escola! – Completa fazendo Joey lhe olhar com uma carinha de cansaço. - Vale pontos em que matéria? – Pergunta o moreno ao jogar a cabeça para trás e fechar os olhos, seu dia claramente ficará mais estressante, sua lista de afazeres está crescendo conforme o dia vai passando. - Todas! – Diz Andréia ao encolher sua cabeça sob seus ombros, sorrindo como se tivesse dito algo inadmissível, Joey choraminga com sua voz soando meiga, abaixa a cabeça e a apoia sob a mesa, ficando deitado em cima de seus braços. - Será que consigo tirar um cochilo antes da aula começar!? – Diz soando abafado, sem sair da posição em que está. - Te acordo quando o professor chegar! – Retruca Andréia, sorrindo ao perceber que Joey adormeceu um segundo depois de parar de falar. *** Na rodovia sob o penhasco aberto, do outro lado da cidade, a Triumph Sprint ST 1050 cinza de Wanderson produz um barulho voraz ao percorrer a estrada em alta velocidade, o motoqueiro está indo em direção ao centro da cidade comprar os motores que estão faltando na oficina. - Desgraçado i****a! – Esbraveja por debaixo do capacete, apertando o acelerador com força, o músculo do seu antebraço fica tenso com o movimento que fizera, Wanderson sabe que seu chefe fez de propósito, ele poderia muito bem ter comprado as peças e tê-las deixado guardadas desde o dia anterior, isso lhe dá nos nervos, as veias salientes em seu corpo pulsam de raiva; o homem e sua Triumph Sprint adentram a cidade, passam em frente à escola de Joey em alta velocidade e seguem na direção do centro. Dentro do prédio, Joey desperta ao ouvir o ronco da moto que passara em frente ao prédio, sem entender o porquê e ainda atordoado o rapaz apenas olha para a janela a alguns centímetros ao lado de Andréia, se perguntando que sensação é essa apertando seu peito. Wanderson para sua Triumph Sprint em frente a uma loja de peças e itens para veículos, adentra o local a passos calmos e se direciona ao balcão, do outro lado do mesmo está uma mulher linda com um corpo deslumbrante. A mulher traja um vestido azul escuro médio colado ao corpo, possui cabelos ruivos, olhos verdes afiados e um lenço vermelho em volta do pescoço. - Oi Wanderson... – Diz continuamente ao retirar um pirulito pops de sua boca, comendo Wanderson com seus lindos olhos verdes, tão intensos que parecem esmeraldas, o homem sorri ao fitar o decote da mulher, admirando seus s***s fartos. – Em que posso ajudar? – Diz finalmente, fazendo com que Wanderson erga seu olhar, o homem parece estar babando por dentro e nem se quer está disfarçando seu interesse pelas curvas exuberantes da mulher. - Preciso de uns motores novos, e umas peças! – Retruca fazendo suas expressões ficarem serias, sua voz máscula e sedutora engrossa ao pronunciar as palavras. - Mais?! O movimento lá está bom hein!? Meus parabéns. - Diz ao pegar um caderno com várias páginas marcadas que está sob o balcão. - Como assim mais? – Pergunta ao apoiar suas mãos fortes sob o balcão e inclinar-se na direção da mulher. - Tem uma hora de relógio que teu chefe saiu daqui, veio comprar as mesmas coisas que você pediu! – Diz antes de pôr o pirulito novamente em sua boca. - Aquele filho da.... - Ei... – Diz a mulher ao interromper Wanderson, impedindo-o de completar sua ofensa. – Isso aqui é um estabelecimento descente! – Completa ao guardar o caderno, Wanderson se vira com os punhos cerrados, seu sangue está fervendo de raiva; o homem monta em sua Triumph Sprint e dá partida, saindo da loja com velocidade. - Filho da p**a desgraçado! – Esbraveja ao apertar o acelerador, as veias de seus braços estão salientes em meio a emoção ardente do motoqueiro. Wanderson para sua moto em frente a oficina, desce da mesma com passos rápidos e ferozes, entra no estabelecimento e vai direto até seu chefe que está atrás do balcão preenchendo uns papeis. – Por que não me avisou que iria comprar os itens que estavam faltando? – Brada com sua voz grossa emanando raiva e indignação. - Eu sou o chefe aqui, não preciso avisar nada! – Retruca sem erguer o olhar, ignorando Wanderson completamente, o mesmo cerra os dentes e se segura para não dar um soco no homem à sua frente; Canalha! Pensa Wanderson. – Ei, ei... – Diz o homem grisalho ao ver Wanderson lhe dar as costas e caminhar até a porta de saída. – Tá pensando que vai aonde?! Ainda tem serviço para você aqui! – Completa ao pôr as mãos sob o balcão, falando com autoridade, Wanderson sente a raiva tomar conta de seu corpo, seus músculos enrijecem conforme aperta os punhos; Wanderson se vira e anda até seu chefe, dá a volta no balcão e o encara de perto. - Vai se ferrar seu merda! – Cospe cada palavra com o máximo de raiva possível, revoltado com tamanha provocação. - Como é? – Indaga o grisalho um segundo antes de receber um soco forte em seu maxilar, caindo para trás do balcão. - o****o! – Brada Wanderson ao andar para fora do local, pegar sua moto e sair velozmente pela rodovia. No horizonte o sol está se pondo, colorindo o céu com sua luz alaranjada; Wanderson passa direto pela estrada que leva a sua cabana, seguindo rumo a cidade, o homem está uma pilha de nervos e não sabe o que fazer ou pra onde ir, tudo o que sente é que deve continuar em direção a cidade. Wanderson faz uma curva com sua Triumph Sprint em uma rua pouco iluminada, a cidade fica cada vez mais escura conforme o homem avança pela mesma, em um beco dessa mesma rua alguém pede por ajuda, parece ser um garoto, Wanderson para sua moto em cima da calçada e tenta ouvir melhor o que está acontecendo. Sem saber quem está em apuros ou o porquê de estar se metendo em algo que não lhe diz respeito, o homem simplesmente desce de sua Triumph Sprint e trava a mesma, em seguida adentra o beco, sem tirar o capacete e andando com fúria até duas pessoas no beco m*l iluminado; Wanderson simplesmente avança em cima do assaltante e lhe desfere vários socos forte, o bandido perde a consciência logo no primeiro soco, o garoto que estava sendo assaltado olha a cena pasmo e sem saber o que fazer. Ainda sentado no chão o garoto só observa um homem de capacete espancar o homem que estava lhe assaltando, se perguntando o porquê de tanta raiva e o porquê de estar lhe ajudando...
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