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O CEO é (literalmente) um gato

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Sinopse

Cauã Langer, um jovem playboy, milionário, CEO e gênio. É um solteiro cobiçado que é o terror de seus funcionários graças sua beleza ser igualável e a sua personalidade amofinada. Extremamente exigente e completamente focado no trabalho. acredita plenamente na ciência e para ele sentimentos são apenas hormônios. Mas a logica que governa seu mundo está se perdendo fazendo com que o mesmo questione as bases solidas de sua ideologia. Talvez não sejam apenas hormônios afinal.

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            Quando as portas de metal se abrem revelando o interior moderno do corredor do último andar. Caminho despreocupado em direção ao meu escritório. Existe ali apenas a mesa da minha secretária e a porta de mogno da minha sala. O significava que aquele andar era terminantemente proibido. Ainda sim vejo ali parada a figura desconhecida de uma jovem. Está que por sua vez me aparenta ser jovem demais para trabalhar aqui. Tenho consciência que aos olhos alheios essa mesma frase se aplica a minha persona. Porém geralmente não dou atenção a comentários do tipo. Afinal o gênio que construiu esta empresa fui eu.   — Sra. Souza diga-me, o que está criança faz no meu lobby? — fui direto sem perder tempo observando qualquer uma das duas. —Sr. Lange está é Maria Eduarda Rodrigues Alves, sua nova assistente— a senhora que beirava os 50 anos disse enquanto movia as palmas indicando a garota.               Desta vez a avaliei com mais atenção. A tal da Alves tinha os cabelos lisos em um loiro escuro, os olhos castanhos eram grandes e arredondados, o nariz pequeno era levemente empinado, não o suficiente para lhe dar um ar esnobe, apenas de forma a deixá-la com cara de boneca. Os lábios desenhados chamavam bastante atenção, seu corpo era pequeno e magro. Ela vestia um vestido simples porém elegante. Ainda assim, o que me alarmava era o fato evidente dela ser muito jovem.   —Qual sua idade garota? — disse a encarando como se ela fosse uma menininha perdida. O que talvez realmente seja. — Eu tenho 24— ela disse sorrindo largo demostrando grande empolgação. —Muito nova, tire-a daqui— disse diretamente a minha secretária. Em seguida seguindo meu caminho para o meu escritório. — O que? Como assim? Você tem a mesma idade que eu — Alves perdeu a postura e se pôs a minha frente parecendo não acreditar em minhas palavras e ainda demostrava uma certa irritação. — Existe uma grande diferença entre nós dois. Eu sou o chefe aqui e estou dizendo para sair do meu caminho— Disse afastando-a para fora da minha frente pelos ombros, esquecendo completamente a postura também. Se existe algo que odeio é as pessoas que levantam a voz em minha presença, principalmente as que se sentem de alguma forma a minha altura. — Você não vai ao menos me dar uma chance? — ela questionou os olhos brilhando, a garotinha estava a ponto de chorar e isso me faz revirar os olhos. — Não tenho paciência para lidar com crianças— verbalizei irritado. Não sei o que havia com esta garota, mas algo nela me incomodava. Além de tudo como uma garota da idade dela conseguiu o cargo de assistente? Devo rever com mais atenções os requisitos preliminares que estamos exigindo em contratações. Porque aparentemente os critérios estão muito baixos. — Temos a mesma idade e além de que já assinei o contrato de 3 meses de experiência. Por que não pode simplesmente me dar uma chance? — ela disse com súplica no olhar.   Três meses. Hm?!   — Recite os números de pi — ordenei esperando sua resposta. A mesma pareceu ficar confusa, mas ainda sim me respondeu. —3,141592653589793— respondeu ainda sem me compreender. 15 casas decimais, bom. Nada extraordinário entretanto. — Quais as características principais e diferenças entre ITIL e COBIT?— questionei a encarando ainda sem paciência. —O COBIT se preocupa principalmente em orientar as organizações na implementação, operação e melhoria dos processos de governança e gestão de TI. O ITIL oferece orientações de boas práticas para gestão e execução de serviços de TI, sob a perspectiva da geração de valor ao negócio— ela respondeu prontamente desta vez mais confiante. Provavelmente compreendeu que eu estava testando-a. — Ok, três meses de experiência, não se iluda garotinha, eu não terei pena de você — disse finalmente atravessando a porta de mogno. Sendo seguido pela moça.               Acomodei-me em minha cadeira e percebi que a mesma permaneceu parada no meio da minha sala. Seu olhar atento a cada detalhe do local. Era fácil perceber seu espanto com, primeiro o luxo dos moveis minimalistas de designer famosos que custavam um absurdo para qualquer pessoa com sanidade e segundo a provável percepção de que provavelmente o que viu sobre mim em múltiplas mídias sociais na verdade se trata de uma absurda e descabida mentira. A imagem de jovem gala divertido é bem contrastante do escritório milimetricamente organizado graças ao meu TOC.  Além disso no canto esquerdo do cômodo próximo a ampla janela de vidro se encontrava um mural que continha diversas anotações que apesar de distribuídas de forma harmônica eram um belo exemplo de confusão mental. Que é um clara demonstração do choque de ideias pela qual minha mente viajava corriqueiramente. Percebi a mesma olhando o mural com atenção. Passei meus olhos pelo mesmo buscando informações confidenciais. Para caso, o que eu duvidava muito, ela entendesse uma pequena parte do conteúdo ali disposto. Não havia nada relevante. Apenas ideias prematuras. Após poucos segundos sua voz ressoou pela sala.   — O Senhor, poderia simplificar o código fonte e encontraria uma interface muito mais pratica para leigos — ela disse por fim ainda analisando o objeto.               Talvez tenha subestimado suas capacidades. Ela realmente compreendeu minha genialidade expressão pela maneira dinâmica de meus pensamentos? Bem, pelo menos parte dela. O resultado disso foi uma pequena raiva da minha parte. Ela com certeza não compreendeu nem metade do conteúdo do quadro. Está apenas fazendo um comentário padrão como a maioria dos funcionário que tentam esconder suas limitações através de comentários genéricos. Irritante!   — Não está aqui como mente criativa e não me lembro de ter lhe pedido sua opinião— disse por fim alinhando a caneta preta a dois centímetros do bloco de anotações ao lado do meu teclado. — Desculpe-me senhor pensei que ... — ela começou. — Pensou errado. Faça algo útil e traga-me uma xicara de café expresso puro — a interrompi e prossegui antes que a mesma verbalizasse a pergunta na ponta de sua língua — a máquina fica no fim do corredor por onde acabamos de vir — pelo jeito a mesma não é assim tão observadora ou teria notado a máquina vermelha que dividia o ambiente com a mesa da minha secretaria. — Eu ia dizer que como sua assistente está função não cabe a mim — ela disse petulantemente. — Conforme imagino que tenha lido em seu contrato, o artigo nº356 deixa claramente explicito que as suas funções são designadas pelo CEO da empresa contratante e que é seu dever executa-las dês que não estejam em contradição com os direitos legais trabalhistas — disse sem encara-la. Ligando o computador que se encontrava na minha frente. Mesmo sem olha-la consegui perceber que esta ficou sem palavras e sem mais objeções seguiu para fora da minha sala.               Abro meu e-mail conferindo o mesmo novamente. Afinal o chequei minutos atrás pelo celular, mas olhá-lo assim que abro o computador é um hábito. Mudo de tela para o bloco de notas. Digito algumas considerações, enquanto rodo um teste do novo aplicativo. Escuto uma batida suave na porta.   —Sr. Lange— a secretária chama do outro lado da porta. —Entre— resmungo impaciente. —O senhor tem uma visita— ela informou. Meus olhos deslizaram pela minha mesa até meu celular, notei que não havia nada marcado para agora em minha agenda eletrônica. —Sem horário marcado, mande embora— ordenei. —Senhor, É o seu irmão mais velho— ela informou receosa.               Bufei. O dia de hoje está se mostrando um teste para minha, finita, paciência. —Deixe-o entrar— disse sem tirar os olhos da tela enquanto reavaliava o código fonte. — Sim senhor— ela disse.               Logo o mesmo atravessou a porta e ocupou uma das duas cadeiras dispostas a minha frente.   — Olá, irmãozinho — a voz alta e enérgica fez ecoo. — De quanto dinheiro precisa Emanuel? — questionei, querendo encurtar a incomoda conversa e seguir com meu atarefado dia. — Vi a nova assistente, interessante a garota. O que aconteceu com o velho, quero dizer o Senhor Barbosa? — ele disse e o encarrei com uma face interrogatória, essencialmente por não compreender o que ele pretendia com essa afirmação — Sabe, o programador, aquele que sempre se gabava de ter anos de experiência na google— completou como se minha face afirmasse que eu não compreendia a quem ele se referia. Um equívoco estranho dele cometer. Já que Emanuel está mais que acostumado com minha memória quase que fotográfica. Eu não esqueço nomes ou rostos. — Ele se demitiu. Teve um ataque quando insultei sua capacidade cognitiva. Porém apenas fez isso porque não queria ter em suas palavras “o desaforo de ser demitido por um moleque”. Não é minha culpa que pela idade tenha perdido parte significativa de seus neurônios. De qualquer forma ele não conseguia me acompanhar — disse enquanto rescrevia parte do código fonte base. — E alguém consegue? — ele questionou de maneira cômica. O que não achei nem minimante divertido. — Por que levantou o assunto? O que está insinuando? — disse por fim repousando meu olhar sobre o mesmo apenas para observar se suas micro expressões faciais entregavam sua motivação. — Nunca vi você contratar ninguém com menos de muitos, muitos anos de experiência. É apenas curioso que logo quando contrata alguém que beira sua idade se trate de uma garota bonita — ele disse dando de ombros. — Está insinuando interação s****l entre nós? Pois saiba que não possuo tal interesse. A criança já estaria fora daqui se seu contrato já não tivesse sido assinado previamente sem meu consentimento — disse voltando minha intenção a algo de real relevância, o novo produto. — Qual é? Você não pensa em s**o, ok. Então sei lá algo romântico, seria engraçado ver meu pequeno gênio apaixonado — ele disse. — Paixão é uma reação química hormonal. Nada que deva ser tão exaltado pela nossa espécie. Qualquer ser racional compreende que não é nada muito distante do vício em drogas, por exemplo— disse desinteressado quando escuto um pequeno som eletrônico que indica uma notificação. Emanuel retira de seu bolso seu celular e dá uma rápida olhada no mesmo. — Tanto faz. Pode depositar para mim uns 3 milhões— ele disse finalmente. — Posso saber para o que? — questionei. — Estava querendo uma lamborghini — ele disse e revirei os olhos. Peguei meu celular fazendo a transferência. Quando o mesmo som de antes soou, ele sorriu largo para mim. — Você é o melhor irmão do mundo— ele disse. — Tanto faz. Suma da minha frente— disse.               Assim que ele abandou o cômodo a garota retornou com meu café. Pelo jeito, terei muito trabalho hoje.

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