Pré-visualização gratuita A conversa
TRÊS ANOS DEPOIS
Três anos haviam se passado desde que Otávio decidira abrir mão do cargo de delegado e da liderança da força tática da Polícia Federal. Foram anos de paz, amor e sucesso. Anos em que a vida desacelerou o suficiente para que ele vivesse intensamente cada momento ao lado de Kelly e das crianças, sem pressa, sem fardas, sem o peso de decisões difíceis.
A casa era viva. Recheada de risos, brinquedos espalhados e vozes infantis ecoando pelos cômodos. Os gêmeos Hugo e Heitor estavam com três anos e dois meses — uma dupla arteira e adorável que parecia determinada a transformar qualquer canto da casa em uma aventura. Noah, com seus nove anos, era um irmão mais velho cuidadoso, atento, já demonstrando o coração justo e firme herdado do pai. Lara, com seis aninhos, era a princesinha da casa: doce, sensível e cheia de personalidade.
Kelly prosperava. Sua força como mulher, mãe e profissional crescia a cada dia, sendo inspiração para todos ao seu redor. E Otávio? Ele respirava sua família. Cada manhã ao lado deles era uma dádiva.
Mas o chamado veio.
Uma operação especial. Complexa. Urgente.
Aqueles que um dia haviam sido seus irmãos de farda — Tark, Sombra, Amaral, Peixoto, Julis e Caio — precisavam dele. E Otávio, mesmo afastado há anos, não pensou duas vezes. O senso de justiça, a coragem que ainda queimava em seu peito e o respeito pelos companheiros o fizeram aceitar.
— É só uma missão. Quinze dias. — disse, olhando nos olhos de Kelly.
Ela sentiu o coração apertar. Mas respirou fundo. Sabia quem era o homem com quem havia escolhido viver. Sabia da lealdade, da entrega e da honra que ele carregava. Mesmo com o peito sufocado, ela assentiu.
— Vai. Eu confio em você. E estarei aqui... esperando por você.
Durante os quinze dias fora, Otávio ligava por chamada de vídeo a cada três dias. A operação era delicada, cheia de riscos. Mas ver o rosto da mulher que amava lhe dava força. E para Kelly, mesmo com a saudade cortando a alma, o sorriso dele era a certeza de que tudo ficaria bem.
— Tá tudo bem por aqui. Os meninos tão sapecas como sempre. Lara fez um desenho pra você. Noah tá com saudade. — ela dizia, segurando as lágrimas.
— E eu morrendo de saudade de vocês. Você é meu alicerce, Kelly. — ele respondia com a voz embargada, mas firme.
Quando os quinze dias chegaram ao fim e Otávio voltou pra casa, foi recebido como um herói. As crianças pularam sobre ele, os olhos brilhando de alegria. Kelly o abraçou com força, como se quisesse colar de volta cada parte do coração que ficou em pedaços durante aqueles dias.
A missão havia sido cumprida. A família estava reunida. E mais uma vez, o amor deles mostrava sua força: capaz de resistir à distância, à saudade, aos perigos.
Ali, naquele abraço apertado no hall de entrada, Kelly soube — mais uma vez — que o homem que tinha ao seu lado era único. E que, acontecesse o que acontecesse, eles sempre voltariam a ser um só.
A VOLTA PARA CASA
As crianças não conseguiam conter a euforia. Assim que Otávio cruzou a porta de casa, os gritinhos tomaram conta da sala.
— Papaaaai! — foi o coro mais alto e mais sincero que ele já ouvira.
Hugo e Heitor se penduraram em suas pernas, Lara correu e se jogou em seus braços, e Noah o abraçou pelas costas, forte, como se quisesse garantir que ele nunca mais partiria.
— Eu senti tanto a sua falta, pai... — Noah disse com os olhos marejados.
Otávio se ajoelhou, envolveu os quatro com os braços largos e fechou os olhos por um instante, respirando aquele momento com gratidão. Era por eles que tudo valia a pena. Era por eles que ele precisava voltar.
Depois do reencontro, ele se sentou à mesa com a família. O jantar foi simples, mas cheio de vida: risadas, histórias, perguntas das crianças, Lara mostrando um desenho que fez especialmente para ele. Kelly sorria, mas seus olhos ainda carregavam a marca da saudade.
Mais tarde, ele ficou assistindo os filhos da janela da sala, enquanto brincavam com almofadas e inventavam músicas estranhas. Aquela visão preenchia seu coração. Ainda assim, algo em seu olhar parecia pesado. Ele sabia o que vinha depois. Sabia que precisava enfrentar mais do que apenas a missão que ficou para trás.
Com carinho, ele levou cada um dos filhos aos seus quartos. Hugo e Heitor adormeceram em seus braços enquanto contava uma história. Lara pediu um beijo duplo e abraçou o travesseiro com o desenho do pai estampado. Noah só sorriu, deitado, com o olhar de quem dizia “obrigado por voltar”.
Então, finalmente, Otávio subiu as escadas e foi para o quarto. Ao entrar, ele já sabia o que o esperava. Kelly estava ali, deitada sobre a cama, com o cabelo solto, uma camisola leve que moldava cada curva, o olhar sereno… mas carregado de algo que ele conhecia muito bem: amor e cobrança.
Ele sorriu. Seus olhos brilharam.
Aproximou-se da cama devagar, pegou a mão dela e beijou com doçura.
— Saudade da minha mulher linda, meu Deus…
E sem esperar resposta, trancou a porta atrás de si, tirou a camisa, os sapatos, depois a calça... e se deitou sobre ela.
Os beijos começaram devagar, carinhosos, como se ele quisesse redescobrir cada pedaço da pele dela. As mãos deslizavam por suas curvas com reverência, enquanto ela tocava os ombros dele com os dedos trêmulos de saudade.
Os corpos se encaixaram como se nunca tivessem se separado. Aquele momento foi avassalador. As carícias cresceram em intensidade. Os sussurros entre beijos se tornaram gemidos abafados. Ele a dominava com o peso do corpo, e ela o puxava com as pernas, querendo mais, querendo tudo. Foi uma explosão de desejo contido, um reencontro de alma, suor e amor. Nada ali era apenas físico — era pertencimento.
Depois, enquanto ele ainda beijava suas coxas com devoção e carinho, ela tocou o rosto dele com delicadeza e murmurou:
— Amor… essa foi a ultima missao . Certo.
Ele parou. Os olhos se encontraram.
— Eu… — hesitou. — Kelly, eu não posso dizer…
Ela se virou de lado, com o rosto sério, a respiração ainda acelerada.
— Otávio… você disse que não ia mais voltar. Você prometeu. E agora, depois de três anos… você volta? — a voz dela começou a tremer. — Você sabe muito bem o que acontece toda vez que você volta pra essas missões. Você sabe o risco que a nossa família corre!
Ele fechou os olhos. Aquela dor era conhecida.
— Eu sei. Eu sei, Kelly.
— Você prometeu, Otávio! Prometeu que ia se manter fora disso. Que sua vida era aqui… com a gente. — as lágrimas começaram a rolar pelo rosto dela.
Ele a puxou para mais perto e segurou o rosto dela entre as mãos.
— E é. A minha vida é aqui. Mas você se lembra do que eu te disse? Que se meus irmãos precisassem de mim… eu iria. Eles estavam em perigo. Eu fui. Eu ajudei. Agora eu estou aqui. Voltei. E não pretendo sair de novo.
— Mas como eu vou saber disso? Como eu vou confiar que não vai acontecer de novo daqui a um mês, ou dois? Que você não vai olhar pra mim, prometer e depois sair?
Otávio respirou fundo. Seu rosto estava sério. O olhar firme.
— Porque agora… eu estou te dando minha palavra. Não como policial. Mas como seu homem. Seu marido. Pai dos nossos filhos. Eu volto, Kelly. Mas é pra você que eu fico.
Ela o olhou em silêncio por alguns segundos. Depois, pousou a mão sobre o peito dele.
— Então me prova… todos os dias… que você é meu. Que a sua vida é aqui.
— Eu já comecei — ele sussurrou, e voltou a beijá-la com intensidade.
E, naquela noite, eles se amaram como se fosse a primeira vez. Como se, entre o medo e a incerteza, a única certeza possível fosse aquela: eles eram um do outro. Para sempre.