45 - Juliana

1145 Palavras

Juliana Narrando A porta ainda nem tinha parado de tremer quando minha mãe levantou o rosto devagar. Os olhos vermelhos, a boca tremendo. — Isso é verdade? — a voz saiu arrastada, embargada pelo choro. — Você é prostïtuta? Você tava se vendendo pra homem casado? Eu senti como se alguém tivesse arrancado o ar dos meus pulmões. Abaixei a cabeça. As lágrimas começaram a cair antes mesmo que eu conseguisse organizar qualquer resposta. As imagens vieram todas de uma vez. O primeiro dia, O medo. Os homens. Os quartos frios. As mãos pesadas. Já apanhei na cara de cliente que dizia que o fetiche era bater. Já ouvi que eu não valia nada. Já fui tratada como objeto, como coisa descartável. Tudo isso passou pela minha mente em segundos. Levantei a cabeça, o rosto molhado. — Sim. Minha

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR