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O Traficante que me Escolheu

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Sinopse

Juliana sempre viveu no limite. Balconista durante o dia, ela m*l consegue pagar os remédios da mãe doente e sustentar o pai preso, que depende dela para sobreviver na cadeia. Sem saída, Juliana passa a se vender nas noites do Rio.Tudo muda na noite em que ela é chamada para um hotel de luxo na zona sul. O cliente é Sombra, o homem mais poderoso e temido do Rio de Janeiro, chefe do tráfico, comanda no morro e no asfalto.Acostumado a mandar e possuir, Sombra não faz pedidos. Ele escolhe.E Juliana chama sua atenção como nenhuma outra mulher antes.Uma proposta perigosa é feita. Um jogo de poder começa.Agora, Juliana precisa decidir: fugir, ou aceitar ser escolhida pelo homem que controla vidas, destinos e pode mudar o dela para sempre.Desejo, perigo e sobrevivência se misturam em uma história onde amar pode ser tão fatal quanto irresistível.

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01 - Juliana
Olá Meus amores, mais uma história começando. QUER FICAR POR DENTRO DE TUDO? Fotos dos personagens, spoiler e falar diretamente comigo? Na bio do meu Instägram @autora.viihfelix tem o link do grupo de leitoras e no grupo tem os meus números. fiquem a vontade e é só me chamar. BOA LEITURA AMORAS ❤️ Juliana Narrando O relógio marca oito da noite quando encaro meu reflexo no espelho rachado do quarto. O vidro devolve uma imagem que eu mäl reconheço. A lâmpada amarela pisca duas vezes antes de firmar, iluminando olheiras profundas que a base insiste em esconder. Passo o corretivo com cuidado, como se cada batidinha fosse uma tentativa desesperada de apagar tudo o que eu vivi até aqui. Como se maquiagem pudesse esconder medo, culpa e cansaço. O pincel desliza pelas pálpebras, espalhando um tom marrom discreto. Nada exagerado. Nada chamativo demais. O batom vermelho vem depois. Não porque eu goste. Nunca gostei. Mas porque chama atenção. Porque vende. Porque paga contas, compra remédio, mantém gente viva. Minhas mãos tremem levemente. Paro. Apoio os cotovelos na penteadeira improvisada, fecho os olhos e respiro fundo. Um… dois… três. Sempre faço isso antes de sair. Um ritual bobo, talvez. Mas é o que me mantém de pé. É o que me dá a falsa sensação de controle, como se eu ainda tivesse escolha. No quarto ao lado, minha mãe dorme. Ou tenta. O som da respiração dela atravessa a parede fina do apartamento, irregular, arrastada, frágil demais para alguém que sempre foi tão forte. Meu peito aperta. Hoje eu consegui comprar o remédio. O caro. O que o médico disse, com todas as letras, que ela não pode ficar sem. O alívio vem rápido. Mas vai embora mais rápido ainda. Minha mãe teve um AVC no dia em que meu pai foi preso. Como se o corpo dela tivesse decidido quebrar exatamente no momento em que nossa família se despedaçou. Como se não fosse possível suportar tanta coisa de uma vez. O lápis preto escorrega da minha mão e cai no chão com um estalo seco. Me abaixo para pegá-lo, mas quando volto a encarar o espelho, não sou mais a mulher maquiada às oito da noite. Sou a filha apavorada daquela madrugada. Lembranças... O barulho da porta sendo arrombada ainda ecoa na minha cabeça como um pesadelo que se recusa a acabar. Era madrugada. Tudo escuro. Silêncio quebrado por gritos, passos pesados, botas batendo no chão. — Polícia! Ninguém se mexe. Lembro do frio que senti. Um frio que não vinha de fora, mas de dentro. Meu pai foi arrancado da cama como se não fosse nada. Como se não fosse meu pai. Como se não fosse humano. — Para! — eu gritava, desesperada. — Para, pelo amor de Deus. Ele não fez nada. Mentira. Eu sabia que ele tinha feito. Sempre soube. Mas naquele momento, eu só queria que parassem. Eles não pararam. Socos. Chutes. Xingamentos. Arrastaram meu pai pelo corredor estreito do apartamento, o rosto dele batendo na parede, o corpo pesado sendo puxado como um saco velho. Minha mãe tentou levantar. — Não… não… Ela caiu. Levou a mão ao peito. O rosto ficou torto. Os olhos perdidos, vazios, como se ela tivesse sido arrancada de si mesma. O mundo girou. — Mãe. — gritei, caindo de joelhos ao lado dela. — Mãe, fala comigo. Ela não falou. Um vizinho ouviu meus gritos. Foi ele quem veio nos socorrer. Foi ele quem me ajudou a levar minha mãe para o hospital enquanto meu pai era empurrado para dentro da viatura, algemado, a cabeça baixa. Ele não olhou para trás. Ou talvez não tenha tido coragem de olhar para situação. No hospital, a palavra caiu como sentença: — AVC. Internação. Exames. Médicos falando rápido demais. Remédios caros demais. Eu dormia em cadeiras duras, acordava com o coração disparado, atendia ligações de advogado, de delegacia, de números desconhecidos. Meu celular não parava. Minha vida também não. Naquela época, eu era recepcionista em um hotel em Ipanema. Turno diurno. Uniforme impecável. Cabelo preso. Sorriso treinado. — Bom dia, seja bem-vindo. Mas eu chegava atrasada. Saía mais cedo. Faltava quando não tinha com quem deixar minha mãe. Até que um dia me chamaram na sala da gerência. — Juliana, entendemos sua situação. — o gerente começou, com voz ensaiada. — Mas precisamos de alguém mais disponível. Disponível. A palavra doeu mais do que a demissão. Quando minha mãe teve alta, nada estava como antes. Ela falava com dificuldade, andava arrastando o pé, precisava de ajuda para tudo. Consegui outro emprego, de balconista. Paga menos. Bem menos. Minha tia passou a cuidar da minha mãe durante o dia. Eu trabalhava feito louca e ainda assim o dinheiro não fechava. Meu pai, sempre foi problema. Estelionatário. Eu sabia. Negócios estranhos, promessas vazias, dívidas que apareciam do nada. Gente errada batendo à porta. Eu só não sabia o tamanho do buraco em que ele estava. Descobri na primeira visita à cadeia. Um homem me puxou pelo braço no pátio, apertou forte demais, perto demais. — Teu pai deve — ele disse, baixo. — E não é pouco. — Eu não tenho nada a ver com isso — respondi, com a voz tremendo. Ele riu. Um riso sem humor. — Agora tem. Mil reais por mês. Se quiser manter ele vivo. Mil reais, Todo mês. Ou eu enterrava meu pai antes do tempo. E a minha mãe também. Saí dali sem sentir as pernas. Chorei no ônibus, chorei no banho, chorei em silêncio para não assustar minha mãe. Fiz contas. Refiz. Rasguei papel. Somei, subtraí, dividi. Não dava. Emprego noturno? Difícil. Mäl pago. Duas jornadas não resolviam. Eu precisava de dinheiro rápido. Constante. Sem perguntas. Foi assim que a ideia deixou de ser ideia. Foi assim que a necessidade venceu a vergonha. Foi assim que eu entrei na vida das noites cariocas. Fim da lembrança... O batom está no lugar. A maquiagem, perfeita. Por fora, eu pareço segura. Por dentro, sou um emaranhado de medo, culpa e sobrevivência. — Desculpa, mãe — murmuro, olhando para a parede que nos separa. Ela não sabe. Nunca vai saber. E eu vou carregar isso comigo. Pego a bolsa. Confiro o celular. Uma mensagem. Um endereço. Hotel de luxo na zona sul. Cache alto. Alto demais para ser comum. Meu estômago se contrai. Respiro fundo mais uma vez. Olho para o espelho pela última vez antes de sair. Não vejo a balconista. Nem a recepcionista de Ipanema. Vejo a mulher que aprendeu a andar na beira do abismo sem cair. Ou quase sem cair. Abro a porta devagar para não acordar minha mãe. Tranco. Desço as escadas do prédio com o salto ecoando baixo, como um aviso. A noite me espera. E eu vou. Porque, no Rio de Janeiro, sobreviver também é uma forma de coragem.

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