Rotina do Primeiro dia

4586 Palavras
Pov Camila Cabello Tirei minhas roupas e joguei-as em cima da cama. Caminhei em direção ao banheiro optando o chuveiro pela banheira. Entrando no box liguei o chuveiro deixando a água quente, mas que não fazia diferença para mim escorrer pelo meu corpo. Em poucas horas as aulas começaria e a presença dos Jauregui estaria por toda a parte. Por um lado seria bom eu vou conhecer a personalidade de cada um com o tempo e suas atitudes. Olhar em suas mentes seria mais fácil, mas vou ficar por uns tempos aqui, isso não me deixaria no completo tédio. Eu espero realmente que Lauren não me irrite novamente já perdi muita paciência com ela. O que seria bom nisso tudo é a presença de Ally, será ótimo ter sua companhia novamente, só que por enquanto decidi não contar nada para ela, quero que ela goste de mim de novo por vontade própria, mas assim que for a hora eu recolocaria suas lembranças e a baixinha me falaria o motivo por ter me feito esse pedido. Ouvi Sofi batendo na porta antes de abrir e entrar no banheiro. Ela já estava vestida incrivelmente como sempre, sabia tudo sobre moda e sempre se vestia perfeitamente bem. Não que eu não soubesse me vestir, pelo contrario eu comprava minhas roupas e Sofia sempre aprovava. A questão é que ela era apaixonada por moda e gostava de se vestir perfeita o tempo todo, diferente de mim que só em determinadas horas que eu gostava de me vestir bem. – Vai demorar muito aí? - Ela perguntou. – Terminei. – Desliguei o chuveiro e saí do box para pegar a toalha de dentro do armário embaixo da pia. – Já esta pronta? – Sim, só esperando você e dar a hora. – Eu me secava enquanto Sofi falava. – Mais uma vez no ensino médio, pelo menos dessa vez vai ser interessante. Me enrolei na toalha e segui para o closet escolhendo roupas simples para me vestir. – Concordo, vamos ver como os Jauregui reagem com a nossa presença. – Terminei de vestir e penteei os cabelos. – Vai ser muito engraçado. – Sofi riu. – Eles estão intimidados com a gente. Virei para ela e sorri zombeteira. – Não é para menos, todos sempre se intimidam conosco. – Ela acenou. Saímos do quarto e fui até a cozinha pegar a chave do carro. Olhei em volta e a cozinha estava vazia sem nenhum alimento, acho melhor comprar algo para manter as aparências. – Está mesmo pensando o que eu acho que está pensando? – Ri do jeito que ela falou. – Sim. – Olhei para ela que estava encostada na soleira da porta com as mãos nas costas. – Acho bom colocar alimentos de humanos nos armários e geladeira. – Você sabe que não precisa fazer isso, geralmente não fazemos. – Mas aqui é diferente, tudo bem que as pessoas que entrarem em casa não faria diferença, mas fora daqui as pessoas tem que nos ver agindo normalmente. A cidade é pequena e provavelmente bisbilhotaram tudo sobre nós. – Expliquei. – Hum, você está certa. Depois da aula passamos no mercado. Antes de sairmos pegamos o material e nos dirigimos ao meu carro. Sofi como sempre ligou o rádio e colocou em uma estação que gostava. Ela foi o caminho todo cantarolando a música. Revirei os olhos e sorri, pelo menos hoje não estava tão quieta como ontem. Ainda vamos falar muito sobre Shawn. Chegamos ao colégio e muitos alunos estavam no estacionamento ou em frente à entrada. A maioria dos carros ali são antigos só um carro se destacava entre eles um Volvo... Hum, já imagino de quem seja esse carro. Pelo visto os únicos que podem comprar um carro de valor alto. Assim que desliguei o carro, olhei em volta e todos os alunos encaravam o carro. O vidro fume os impediam de nos enxergar. – É agora! A mesmo rotina de sempre ou não. – Minha filha se virou para trás e pegou nossos materiais. – Vamos? – Sorriu debochada antes de sair do carro. Eu saí logo em seguida e para confirmar sobre o Volvo senti o cheiro fresco dos Jauregui no ar, pois é eles já chegaram. Quando aparecemos no campo de visão dos alunos, todos ofegaram e um burburinho começou a surgir. – Esse povo não tem mais o que fazer não? – Sofia estava com uma expressão serena. – Não finja que não gosta. – A olhei pelo canto do olho. – Não disse isso. – Sorriu. – Fazer o que? Somos lindas mesmo mamãe. Só você não se interessa. Não pude deixar de sorrir. – Você não tem jeito mesmo. – Neguei com a cabeça. Fomos caminhando pelo estacionamento ignorando a todos e seus comentários. – Eu morri e vim para o paraíso? Porque se sim, não me importo nenhum pouco. – Cara, se você morreu vim junto, porque se não for isso é só uma ilusão. – Acho que não sou capaz de criar uma imagem de gostosas tão incríveis assim em minha mente. Escutei a conversa de dois garotos que tinha acabado de passar por eles. Ao lado da entrada os Jauregui estavam lá nos encarando. – Olhe só para elas tá na cara que são vadias... – Ah, doido... você vai ver eu vou pegar a morena de jeito... – p***a, aquele carro é o mesmo que to pensando?... – Elas não têm namorados pelo menos não a vista, isso!... – Não bastavam Dinah, Normani e Ally. Agora elas também?! – Impossível aquele carro não está à venda, como elas conseguiram??... – Temos que incluir elas em nossa turma, ficaremos mais populares... Eram vários cochichos por todos os lados, ali só davam interesseiros e idiotas. Ignorei os humanos, era a melhor coisa a se fazer em uma situação dessas. Ficamos cara a cara com os Jauregui, não pude deixar de notar mas Lauren estava bem apresentável. – Bom dia, garotas. – Falou Ally empolgada. – Bom dia, Allyson. – Olhei para todos. – Como vão? – Estamos ótimos, sejam bem-vindas! Sorri com sua empolgação. – Eu não acredito, eles se conhecem?... – Mais que merda... – Temos que afastá-las de Lauren Jauregui! Lauren sorriu acho que escutou esse comentário, lógico ela era a única da família solteira e com sua beleza não há como evitar os humanos caírem em cima dela como um bando de carnívoras. Acontece geralmente o mesmo comigo e com Sofi sempre foi assim conosco. – Hum... temos que pegar nossos horários. – Sorri de canto. – Nos vemos por aí. – Tchauzinho, Jauregui's. – Sofi acenou para eles e me acompanhou. Entramos na secretária assim que a encontramos e paramos em frente ao balcão. Apoiei meus braços nele. Uma mulher sentada na cadeira atrás do balcão levantou os olhos e nos encarou. – Posso ajudá-las? – Perguntou nos olhando curiosa. – Sim, viemos pegar os nossos horários. – Oh... vocês são as Cabello? – Seus olhos se arregalaram e um sorriso surgiu em seus lábios. – Somos. – O sinal tocou me interrompendo por três segundos. – Não gostaríamos de chegar atrasadas na aula então... – Claro. Aqui estão seus horários com o mapa. – Ela nos entregou um papel. – E peça para seus professores assinarem esse formulário e no fim da aula nos entreguem. Agradeci e saí com Sofi ao meu lado, quase todos os alunos tinham entrado na sala, alguns corriam pelos corredores para chegar a tempo. Peguei o mapa e localizei rapidamente nossas salas. A maioria das aulas tínhamos juntas só uma ou outra que não fora o máximo que Haille conseguiu para nós, por sorte estaríamos na mesma turma agora. Quando chegamos em frente a porta o corredor estava vazio era incrível que em minutos nenhuma pessoa se encontrava ali fora. “Filha, Você se lembra da história?” falei com Sofi por pensamento. “Claro” e revirou os olhos “A mesma de sempre, não?” assenti. Bati na porta e ouvi passos em nossa direção. Um professor baixinho com cabelos brancos arrepiados abriu a porta. Ele nos encarou de boca aberta. – Quem são vocês? – Perguntou passando a mão em seus cabelos deixando mais arrepiados ainda. – Somos as novas alunas. Desculpe o atraso. – Falei sorrindo ingênua. – Sem problemas, sou o professor Mr. Seggal. Entrem, por favor. – Nos deu passagem. Assim que entramos todos os alunos nos encaravam com raiva, abobalhado, inveja ou admirados. Ignorei fingindo não perceber, voltando assim minha atenção ao professor. – Alunos, essas são as novas alunas as senhoritas Cabello. Não encarei os alunos eu prestei apenas atenção na sala, não era muito grande as carteiras estavam alinhadas e em duplas alguns lugares vazios, no fundo da sala tinha armários e alguns mapas. Ouvi um pigarro e me virei em direção ao som. Era o professor chamando a nossa atenção. – Poderiam se apresentar? – Ele pediu sorrindo. – Com prazer. – Foi minha filha quem respondeu. – Eu me chamo Sofia Isabela mais podem me chamar de Sofia. Essa – Apontou para mim. – É Karla Camila, mas ela prefere que chamem-na de Camila. Somos irmãs, eu tenho 17 e ela 18. – Alguns alunos nos olharam um pouco surpresos. – Eu sei, vocês devem estar se perguntando como estamos no mesmo ano? Papai e mamãe nos queriam criaram juntas desde sempre, então esperaram eu ter idade suficiente para começar a escola e colocaram Camila comigo, para nunca ficarmos sozinhas. – Arqueei uma sobrancelha em sua direção. Ela iria nos apresentar sozinha? – Vocês vieram de onde? – Perguntou o professor. – Nós viemos de Québec-Canadá, assim que Camila completou seus 18 anos, nos mudamos, porque morávamos com nossa tutora que acabou nos adotando. Nossos pais morreram em um acidente quando éramos crianças. E queríamos muito começar uma vida nova, sabe sofríamos muito lá. – Enquanto ela falava fez um beicinho e cara de choro, pois é ela falou tudo. Agora o que eu podia fazer é só atuar. Coloquei uma expressão de triste no rosto, encenando que estava muito m*l. Emocionando algumas pessoas. Os alunos não falaram nada depois da história “trágica” que Sofi contou. O professor nos mandou sentar em qualquer lugar. Infelizmente não tinha lugar para sentamos juntas. Enquanto eu caminhava em direção a alguns lugares vagos, os meninos sentados sozinhos com a mochila ao seus lado desocuparam os lugares pegando as mochilas e jogando-as ao chão em seus pés. Revirei os olhos. Procurei um lugar e me sentei ao lado de um garoto meio desajeitado, alto, com problemas de pele parecia um daqueles nerds. Sofi sentou em minha frente ao lado de um outro garoto secando ela. O menino ao meu lado não parecia acreditar no que estava vendo olhei para ele e vi uma babinha escorrendo no canto da sua boca. Credo! Humanos tem que ser mais nojentos? Fiz careta de desgosto na frente dele e acho que ele percebeu que estava babando, pois passou a mão na boca e limpou o resquício da baba. Achei que ele se envergonharia e não olharia mais para mim, mas grande engano meu, ele simplesmente me olhou e voltou para a expressão boba de segundos atrás. – Oi! – Ele falou voltando a babar. Mais essa agora! [...] A segunda aula tinha acabado, dessa vez consegui sentar ao lado de Sofi então não tive nenhum problema com ninguém. Ela se despediu de mim e seguiu seu caminho para a próxima aula, nessa turma infelizmente eu não a teria comigo. Caminhava sozinha pelos corredores e todos me olhavam enquanto passava por eles. Eu estava entediada ficaria naquele inferno sem companhia. Entrei na sala que estava parcialmente cheia e o professor pediu para que me apresentasse. Fiz o que pediu. Virei em direção para a turma e comecei a me apresentar. Enquanto falava eu olhei para a turma em busca de um lugar vazio torcendo para que não sentasse ao lado de alguém tão chato como aquele garoto que me ficou na mesma posição da primeira aula inteira, foi quando meus olhos se fixaram em um par de olhos dourados que me encaravam. Sorri brilhantemente ao ver quem era ouvi vários suspiros e ofegares de alguns garotos, eles até encenavam desmaios que absurdo. A baixinha me olhava toda sorridente e o lugar ao seu lado estava vazio, seria agora que eu começaria a me aproximar dela. Assim que terminei de falar, andei em sua direção e sentei ao seu lado. Ela se virou em minha direção empolgada. – Mila, finalmente. – Ela sorria. – Como está sendo seu primeiro dia? – Vai indo bem, tirando todos essas pessoas prestando atenção em nossa conversa. Os alunos que me ouviram rapidamente viraram o rosto fingindo copiar a matéria que o professor começou a passar na lousa ou fingindo que conversava com a pessoa ao seu lado. – Não ligue para eles. Sempre são assim, só sinto em dizer que isso não acaba. Muito menos você e Sofia sozinhas aqui. Suspirei. Sempre é assim. – Tudo bem, estou acostumada. – Dei de ombros. – Então está sentada sozinha hoje? – Me virei para frente e ela fez o mesmo. – Sempre que não tenho aula com Lauren, sento sozinha. Ninguém se senta comigo ou minha família. No começo foi bem r**m tentavam a todo custo fazer amizade com a gente, mas sempre por segundas intenções. – Sua voz soava tranquila e mais baixa evitando as pessoas a nossa volta ouvirem. – Depois que viram que não queríamos nada com eles pararam de pegar em nossos pés. Me virei para olhá-la e seu rosto demonstrava que não se importava. O professor começou a explicar a matéria, mas o ignorei, estava muito bom conversar com Ally. – Eu entendo, humanos geralmente não valem nada. É raro, mas ainda existe um ou outro que valem a pena de serem dignos de serem salvos. – Eu não tenho dúvidas que valem. – Disse ela. Não pude deixar de notá-la ela ainda tinha aquele coração bom e puro quando ainda humana. – Então no mesmo ano só está você e Lauren? – Perguntei mudando de assunto. – Sim! Minhas outras irmãs e Troy estão no último ano. Escutamos um pigarro era o professor chamando nossa atenção. Nos viramos e prestamos atenção nele. O professor passou alguns minutos explicando a matéria e mandou a turma fazer os exercícios, abri o livro e comecei a fazer. Durante um bom tempo senti o olhar de Ally em mim. Ela queria perguntar algo, mas não tinha certeza se deveria ou não. – Pode perguntar. – Falei enquanto escrevia no livro. Ela ficou mais alguns minutos pensando, porém a curiosidade foi maior. – Nós nos conhecemos? – Parei de escrever na hora e fiquei olhando para o livro. Eu imaginava que ela iria fazer essa pergunta mais cedo ou mais tarde, mas não imaginei que seria tão cedo assim. Eu devia imaginar a pequena sempre foi direta pensando nisso dei um pequeno sorriso e levantei a cabeça para olhá-la. – É claro que nos conhecemos. – Falei me fazendo de desentendida. Ela bufou. Soltei um risinho. – Não estou falando de agora, estou falando de antes... Bem, antes de ontem. –Por que você acha isso? – Por causa do jeito que me tratou ontem. – Estreitei os olhos para ela olhando-a séria. Esperei-a prosseguir. – Ah Mila, não faça essa cara você sabe do que estou falando. – E sobre o que exatamente está falando? – Sobre o sorriso que você me mandava, a forma que me olhava, a maneira que você me escutou quando pedi para você não matar a minha família e o jeito que reagiu sobre isso. – Eu não sou lésbica se é isso que está se referindo, quer dizer... – Zombei e dessa vez foi a vez de Ally revirar os olhos. – Você me entendeu! Fiquei intrigada no seu motivo, não era possível que ela sabia sobre os meus sentimentos. A culpa que me consumiu ou a felicidade de ver que ela havia me perdoado naquele mesmo instante, tinha conseguido disfarçar com minha mascara no rosto, talvez nem tanto a culpa. O sinal tocou para sair, peguei minhas coisas e me levantei sem falar nada. Segui em direção à saída da sala, mas assim que cheguei à porta me virei para olhá-la e ela ainda me encarava sentada. Meu semblante ainda era sério. – Sim. Há muito tempo. – Sussurrei essas palavras respondendo sua pergunta e me virei para ir embora. Fui para minha próxima aula e assisti normalmente com Sofia, sentamos ao fundo evitando o máximo dos olhos humanos. A hora passou relativamente rápida e como sempre a matéria fácil demais. Esqueci a conversa que tive com Ally, me focando nas conversas com minha filha. Quando deu a hora da saída esperamos os alunos saírem para não termos que enfrentar aquela multidão pelos corredores se já íamos enfrentá-los no refeitório. Alguns deles se arriscaram a vir conversar com a gente em nossa direção antes de sumir pela porta. – Vamos, mamãe? – Perguntou Sofia. Assenti e seguimos para o refeitório, assim que chegamos à entrada do refeitório todos pararam para nos olhar, revirei os olhos diante da situação sempre agiam da mesma maneira. Fomos caminhando até a fila e seus olhares ainda nos seguiam. Agora isso estava começando a me irritar, nunca fui muito paciente e ficar o tempo todo nos encarando era falta de educação. Suspirei indignada. – Você está suportando muito bem. – A encarei interrogativa sobre o que falava, ela olhou em volta e disse. – Os olhares. – Voltou a me olhar “Você não está mais com muita paciência, por que não fez nada ainda em relação à sobre isso?” questionou. – Estou esperando, não será para sempre assim. – Olhei-a séria “Não posso usar meus dons com os Jauregui aqui, pelo menos não agora. Eles vão desconfiar e não confio neles ainda”. Respondi sua pergunta. “Ainda?” ela fingia prestar atenção na fila que andava devagar. “Com Ally fazendo parte da família vou descobrir sobre eles com o tempo, não estou com pressa para saber tudo sobre eles de uma vez, temos bastante tempo, e você sabe que ainda preciso falar com ela". Falei mentalmente. “É compreensível!” – Eca, olha só para essas coisas, como conseguem comer isso? – Mudou de assunto. Pegou o pedaço de pizza na ponta dos dedos e colocou próximo ao nariz cheirando. – Que cheiro horrível! – E fez uma careta, jogando a pizza no prato limpando os dedos na calça. Eu não acredito que ela estava fazendo, as pessoas ao nosso lado nos olharam por sorte eles não entendiam o que Sofi queria realmente dizer. – Por favor, Sofi. Aqui não! – Falei séria. – Esta bem, esta bem! – Murmurou. Saímos da fila e nos viramos para as mesas, tinha umas duas desocupadas e os Jauregui estavam sentados ao fundo próximos a uma janela olhando atentamente para nós. Ally até podia gostar de mim, mas duvido que seus irmãos compartilhem do mesmo sentimento. Ia dar o primeiro passo quando meu celular começou a vibrar. Olhei no visor e vi o número do meu irmão. – Alô. – Falei assim que atendi. – Kaki, que saudades de você! – Ele disse. – Você não me liga, me deixou de coração partido. – Para de melodrama, Christopher. Não nos vemos só faz uns quatro dias. – Ouvi sua risada do outro lado da linha. – Você sabe que não sou capaz de ficar sem falar com você muito tempo! – Eu também, pode ter certeza disso. – Sorri. – Sei. E Sofi como esta minha pirralhinha? – Falou com a voz alegre. – Dá pra parar de me chamar assim. – Bufou. – Estou ao lado de Kaki escutando tudo. Ele gargalhou do outro lado da linha. – Kaki? – Perguntou interessado. – Estão em um lugar em público? – Sim. – E dá para conversamos ou vou atrapalhá-las? – Claro que dá. – Quem respondeu foi Sofi um pouco desesperada. – Salvas pelo celular. Arqueei uma sobrancelha a olhando. – Não me olhe assim, eu gosto de atenção. – Ela levantou a mão balançando-a como um gesto para eu parar. – Mas depois daquele pivete enchendo meu saco na primeira aula e na segunda uma tagarela que não calava a boca me estressei mesmo sendo normal, e sempre que começa a ficar chato você dá um jeito. – Pois bem, era você que queria cursar o ensino médio de novo ficou me enchendo durante dias, agora aguente. Escutei as gargalhadas de Chris. – Eu sei. – Ela disse emburrada. – Espere só um segundo Christopher, não gosto que fiquem prestando atenção em nossa conversa. – Eu sabia que os Jauregui estavam escutando então eu os encarei e eles desviaram os olhares no mesmo segundo, mas não foram tão rápidos e foram pegos no flagra. Sofi soltou um risinho. – Eu realmente espero ter privacidade. – Falei séria. Na mesma mão que eu estava com o celular segurei a bandeja e com a outra puxei Sofi arrastando-a comigo para fora do refeitório. Assim conversaria tranquila, poderia usar meu dom, mas seria informação demais muito cedo, tudo tem o seu tempo. Assim que saímos coloquei a bandeja de comida em cima do lixo, Sofi fez o mesmo e seguimos em direção ao estacionamento. Agora eu poderia usar meu dom e camuflar nossa conversa, os Jauregui provavelmente iriam pensar que estávamos afastados do colégio. – Pronto, Chris pode falar. – Eu descobri algumas pistas sobre Riley. – Ouvi seu suspiro. – Eu encontrei um vampiro quando voltei na cidade era um dos capangas de Riley, ele sabia que estava o procurando, então mandou esse vampiro até mim. Ele mandou um recado, disse que não adiantaria procurá-lo, porque ele já conseguiu o que queria de mim. – O que ele quis dizer com isso? – Questionei intrigada. – Eu não faço ideia, mas seja lá o que for não está me cheirando muito bem. Fiquei curiosa com o recado que meu irmão recebeu. Por algum motivo eles estão atrás do meu irmão, mas a questão é por quê? Será que sabem sobre meu irmão a origem dele. Era improvável, mas não impossível, poucas pessoas sabem sobre nossa verdadeira identidade quando digo pouco é só minha família, porém dependendo do dom do vampiro, não é difícil acabar descobrindo segredos, seria possível? Bom pode não ser isso, é uma suposição, talvez estejam atrás de vingança ou por meu irmão ser lobisomem, mas se fosse algo assim por que não o mataram? Realmente como Christopher me disse isso não está me cheirando bem. – Acho que está bem. Só está com a mente longe. – A voz de Sofi me tirou dos pensamentos. – Chris, não acho bom você ficar sozinho. Com esses vampiros por ai. – Falei um pouco nervosa. – Relaxa, irmãzinha eu sei me cuidar.. – Eu aposto que ele deve ter revirado os olhos. – Eu sei que você pode se cuidar, mas não sabemos com que estamos lidando, e não é exatamente sobre você não conseguir se cuidar sozinho que estou me referindo. O que quero dizer são três palavras: Claire e Nate. – Eu disse preocupada. Meu irmão tinha notado a seriedade de minhas palavras. Nós dois podíamos nos defender facilmente, mas não nossa família, eles podem até serem fortes só que não o suficiente e ele afastado deles como iria protegê-los? – Você tem razão, Mila vou voltar agora mesmo! – Se souber de mais alguma coisa me informe, vou começar a investigar também. – Tio. – Gritou Sofi. – Mande um beijo para tia e um chute na b***a para Nate. – Só faltava essa, eles recebem beijos e chute na b***a e eu fico como aqui? – Ele soou com a voz ofendida. – Para você mando o segundo. – Ótimo, igualmente pirralha! Então vou desligar, qualquer coisa ligue para mim. – Até mais, te amo. – Falei. – Também te amo, baixinha. Guardei meu celular de volta ao bolso. – Esqueceu de falar com ele sobre o ataque dos lobisomens contra os Estrabão? – Perguntou Sofi. – Não. Eu só quero processar sobre as novidades que ele me passou. Depois eu ligo para ele e falo o que aconteceu. Parei de usar meu dom. O sinal bateu, nós tínhamos que voltar para sala. Fomos caminhando em direção ao prédio das aulas. – Que história é essa? Quem é Riley? Eu ainda não tinha contado para minha filha o motivo de ter ficado uns dias a mais com seu tio, não achei que fosse importante, mas acho melhor contar. – Quando chegarmos em casa eu vou te contar, agora vamos para a aula. Ela não questionou, cada uma seguiu para sua sala. Quando cheguei todos já haviam entrado, agora seria aula de biologia. Bati na porta chamando a atenção do professor e de todos os alunos. – Suponho que seja a nova aluna. – O professor disse me olhando debaixo para cima. Assenti e ele veio em minha direção me cumprimentando demorado demais com um aperto de mão e me devorando com os olhos. – Sou Mr. Banner. – Estendeu sua mão. Eu o cumprimentei de volta. – Camila Cabello. – Sorri sendo simpática, fingi não ter prestado atenção na sua reação. – Muito bem Camila, está com o formulário? – Eu peguei o formulário e entreguei a ele que pegou e assinou me dando de volta. – Muito bem Srta. Cabello, pode se sentar ao lado de Lauren Jauregui. Não acreditei quando o professor disse. Olhei em volta e encontrei Lauren me encarando incrédula. Não sei se isso era bom ou r**m, mas certamente seria divertido. Sorri debochada e sua expressão também mudou tomando um sorriso. Cheguei ao lado da bancada e me sentei. O caderno que estava em minhas mãos joguei em cima da mesa e relaxei na cadeira. Lauren me encarava então virei meu rosto em sua direção e a encarei desinteressada. Ela ainda tinha aquele sorrisinho que aumentou. – Então Camila, seremos parceira? – Perguntou. – Pelo visto sim. O professor começou a falar sobre a matéria e ignorei Lauren ao meu lado. Mr. Banner explicou a experiência e mandou fazermos em duplas. – Vamos ajudar uma a outra a partir de agora? – Ela tentou soar suave, mas percebi certa hesitação na sua voz. Eu entendi o duplo sentido de sua pergunta, inclinei meu corpo mais para frente, apoiei meus braços cruzados em cima da bancada e olhei para ela. – Não sei, mas para houver ajuda entre nós devemos confiar uma na outra. – Podemos aprender isso com o tempo. – Ela respondeu se apoiando na mesa também. Encarei-a séria, com uma leve expressão de curiosidade. – Você se acha capaz disso? – Inquiri levantando as sobrancelhas. – Claro que sim. – Falou prontamente. – Sabe, queria saber sua resposta se sua cabeça estivesse em minhas mãos. – Comentei sarcasticamente. Ela arregalou os olhos. Deixei-a de lado e dei atenção na experiência que teríamos de fazer. Lauren entendeu o que eu queria dizer até ontem ela só souber julgar e não ouvir os fatos antes. Como pode querer dizer para agora confiarmos uma na outra? E vindo com esse papo de parceira, ajuda e confiança como se nada tivesse acontecido. Sinceramente ou ela era louca ou ela queria eu do seu lado e de sua família, pois percebeu que pode ser perigoso me enfrentar. Bom, acredito que seja as duas suposições. A aula inteira nós permanecemos quietos. Lauren não pronunciou mais nenhuma palavra para mim, assim como eu e não fiz questão de tentar falar alguma coisa estava bom assim. Quando deu a hora peguei minhas coisas para sair da sala, mas antes de me levantar ouvi a voz de Lauren. – Camila, espera. – O que há agora, Jauregui? – Perguntei impaciente. – Eu... – Ela engoliu em seco e olhou em meus olhos. – Eu queria pedir desculpas. Encarei seus olhos e vi a sinceridade neles. Fiquei um pouco surpresa, mas ainda mantive a cara impaciente eu achei que ela tinha deixado esse assunto de lado. – Eu sei que agi errado com você, não vou mentir pode ser que eu a critique de novo. – Sorri diante de suas palavras. – Mas eu espero mesmo que possamos pelo menos ter paz entre eu e minha família com você e sua filha. – A última palavra dela saiu em sussurro. – Está perdoada. – Agora ela colocou um sorriso em seu rosto deixando de lado sua expressão triste. – Sei que somos capazes de viver em paz. Ela assentiu e nos despedimos com um aceno. Quem sabe Lauren Jauregui começa a rever seus conceitos, a questão é que eu não sei até quando isso iria durar.
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