Nada mais do que uma refeição I

1626 Palavras
Pov Camila Cabello Eu tinha contado horas atrás para Sofia o motivo por ter me atrasado uns dias até minha chegada a Forks. Ela compreendeu, mas estava bem preocupada com o tio para falar a verdade eu também estava, era impossível não se preocupar com meu irmão e sua família mesmo que não fosse necessário, porém eu evitava transparecer algo em meu rosto. Eu estava em meu quarto e tinha acabado de me arrumar daqui a pouco iria para a aula novamente. Desci as escadas a procura de Sofi e a encontrei deitada no sofá com as pernas balançando no ar sobre o encosto do mesmo. Sorri vendo-a desse jeito nem parecia uma vampira de milênios de existência. Apoiei uma das mãos no encosto do sofá e pulei sentando ao lado de sua cabeça. Ela esticou o olhar para cima me fitando com um sorriso triste que surgiu de seus lábios, jogou seu corpo um pouco pra trás deitando sua cabeça em meu colo. – Por que está assim? – Falei enquanto acariciava seus cabelos sedosos. – Nada demais só pensamentos longe. – Desviou o olhar do meu, mas eu capitei a preocupação em seus olhos. Suspirei e com a mão livre ergui seu queixo para fazê-la me encarar novamente. – Você sabe que não precisa se preocupar com seu tio ele sabe se cuidar muito bem. – Eu sei, mas não posso evitar. – Se quiser e se for deixá-la mais feliz posso ir atrás desse vampiro. Seu sorriso agora era feliz. – Isso seria bom. Quando iremos atrás dele? – Perguntou animada. Estreitei o olhar para ela e a encarei séria. – Quando eu for, te aviso. – Enfatizei bem a palavra eu. – Como assim? – Ela se levantou do sofá, me encarando do mesmo jeito. Aposto que nossas expressões estavam idênticas. – Você só pode estar de brincadeira! – Exclamou desacreditada. – Não estou brincando, não deixarei que você vá comigo atrás desses vampiros. – Tentei encerrar o assunto, mas como estamos falando da minha filha, ela não facilitaria as coisas pro meu lado. – Por que isso agora? Sempre que temos que fazer algo do tipo como investigar ou matar algum ser, você sempre me deixa ir com você. – Ela exigiu. – Eu sei que deixo e vou continuar a deixar, mas a questão é que enquanto eu não souber quem são. Não deixarei que você chegue perto. E quando deixo é porque eu sei que não vai ter problemas comigo ao seu lado. – Falei nervosa. Só de pensar nela perto de alguém que não conheço me assustava. – Então problema resolvido mamãe, estarei ao seu lado e nada irá acontecer. – Filha, por favor. Você tem noção como ficaria m*l se algo acontecesse a você, jamais me perdoaria. – Falei com expressão triste. Sua expressão se suavizou. Ela pegou minhas mãos com as suas. – Relaxa mãe, não vai acontecer nada. – Falou calma. – Não? – Sorri sarcástica. – Lembra-se o que aconteceu da última vez que permiti você ajudar com aqueles que não conhecíamos? Ela estremeceu levemente, mas não impediu que um bufo saísse de sua boca. – Eu me lembro, mas não aconteceu nada comigo, estou vivinha sentada aqui do seu lado, bem... não exatamente viva, mas ainda sim estou aqui. – Você acha que somente morta que eu me sentiria m*l? – Falei ríspida e me levantei com tudo assustando-a. Em pé a olhei irritada. – Como pode pensar nisso? Só de imaginar a dor que você sentiu naquele dia eu me remoí e me senti completamente m*l, abalada e culpada aquela foi a pior dor que já senti em toda a minha existência. Se algo pior acontecesse a você eu não suportaria e me entregaria à morte de braços aberto. – Disse a última frase em desespero. Ela se levantou e me abraçou com força. – Por favor, nunca mais repita isso de novo. – Sua voz soou sofrida. – Mamãe você me salvou, não pode se culpar você sabe muito bem que não teve culpa se eu não saísse àquela noite atrás dos lobisomens sem você nada teria acontecido. – Sou culpada sim, se eu não a tivesse levado comigo até a cidade que eles estavam nada teria acontecido. – Apertei-a firme contra meu corpo enquanto sussurrava as palavras. – E nada teria acontecido mesmo se não fosse por minha culpa. – Ela se separou do meu abraço para me encarar. – Escute! Como você mesma disse enquanto estiver ao meu lado não deixará que nada aconteça comigo. Eu prometo que vou obedecê-la e ficar ao seu lado o tempo todo. Suspirei cansada, não adiantaria nada discutirmos agora. – Vou pensar e depois eu te falo. – Ela deu pulinhos e voltou a me abraçar. Olhei no relógio na parede da sala e vi que estava quase na hora de sair. – Agora vá se arrumar se não chegaremos atrasadas. Sofi subiu a escada eufórica, para ela minha resposta para sua falação toda era uma vitória praticamente ganha. Eu teria que pensar muito no assunto não era simples assim se decidir ainda mais para colocar a vida da pessoa que você mais ama nessa existência em risco. Se dessa vez ela fizer tudo o que eu mandar, pode ser que eu a deixe mesmo ir comigo, mas que merda já estou quase cedendo. Não! Vou pensar com calma no assunto é a segurança de Sofi em jogo. Em poucos minutos ela estava pronta, saímos de casa e fomos para a escola. O humor de Sofi mudou completamente depois da conversa, nem parece que há minutos ela estava preocupada e triste. Estávamos quase chegando ao colégio quando minha filha começou a falar. – Quando você vai começar a investigar? – Perguntou enquanto enrolava a ponta do cabelo no dedo e o vento que entrava pela janela do carro atingia seu rosto. – Não sei. – Dei de ombros. – Você vai me avisar, né? Revirei os olhos. – Claro que vou. – Encarei-a e sorri. Ela me olhou atenta por alguns segundo com uma leve ruga entre os olhos era uma expressão preocupada dela. – Seus olhos estão mais escuros que o normal, pelo visto faz tempo que não se alimenta. – Para mim isso é de menos, posso conseguir me alimentar em qualquer lugar. – Você não sabe a saudade que sinto de beber sangue humano, só de pensar me dá água na boca. – Por que não desiste de uma vez, e ajudárei-la encontrar um ótimo lanchinho de primeira? – Falei rindo. – Muito tentador, mas não. E pensar em dar o gostinho da vitória para o tio Chris? Nunca! Aguentei por muitos meses e agora que falta pouco não vou me render. – Mas filha, vocês fizeram essa aposta através de um celular. Entrei com o carro no estacionamento e o estacionei. – Pode ser ao vivo, por celular, e-mail, ou seja, lá o que for, porém ainda é uma aposta. – Tudo bem, você é quem sabe. – Toquei em seu ombro. – Pode deixar que me alimento por mim e por você. Hum... já até imagino aquele sangue maravilhoso doce e quente direto da fonte descendo pela garganta saciando a sede. Sinta! – Falei com os olhos fechados e inalando os cheiros da variedade de sangues naquela escola um banquete para ser exata. Minha boca salivava. – Por que é tão má comigo? – Falou choramingando. Ri quando abri meus olhos e vi um bico formado em sua boca. – Não estou sendo má, só estou mostrando o que está perdendo. – Obrigada. – Falou irônica. – Mas não precisa ficar me lembrando. Saímos do carro e seguimos em direção à aula, como ontem muitos alunos faziam comentários sobre nós ignorei-os completamente hoje, não estava a fim de ficar me estressando com eles. A conversa que tive com minha filha abriu meu apetite. – Espere eu completar a aposta. – Encarei-a enquanto ela dizia - Você verá o banquete de especialidades que vai ter, já digo para não se alimentar durante um mês se possível até o encerramento da aposta, pois vamos nos fartar como nunca antes. – É uma promessa? – Sim. Sorri concordando e quando voltei meu olhar para frente encontrei os olhares frustrados e furiosos dos Jauregui. De fato eles não gostaram nenhum pouco da nossa conversa. Sorri mais ainda e passei a língua entre os lábios demonstrando o quanto apreciava esse tipo refeição. [...] As primeiras aulas passaram normalmente, alguns alunos se arriscaram vindo falar comigo e com Sofi, porém sem sucesso algum para falar a verdade à maioria ficaram irritados por não termos dado atenção a eles. Conversei normalmente com Ally e ela não tocou no assunto de ontem, esperaria ela me procurar novamente para esclarecer suas dúvidas. Eu sabia que em breve ela voltaria a questionar sobre o assunto e assim que fizesse falaria pouco a pouco com calma e o necessário. Agora eu estava na última aula antes do intervalo infelizmente não consegui me sentar com Sofi. Eu tinha demorado no banheiro e quando cheguei na sala o lugar ao lado de Sofi já estava ocupado ela me encarou séria com os braços cruzados, pois é, ela não gostou muito por eu ter pedido que fosse direto para sala e nos encontrássemos aqui. Me sentei atrás dela. “Desculpa, na próxima não deixarei você sozinha” enviei pensamentos enquanto eu olhava para a janela ao meu lado. – É bom mesmo. – Resmungou baixinho. Ao me virar para ver quem estava sentado ao meu lado, um garoto loiro com cara de bebê estava me encarando com um sorrisinho malicioso. Pelo seu jeito de me encarar e maneira de sentar parecia um daqueles garotos cínicos e principalmente idiotas com ar de superior. – Oi gata, meu nome é Mike Newton. Encarei o garoto e lembrei-me da minha conversa mais cedo que tive com minha filha. Vi que ele estava entregue de bandeja para mim. – Newton. – Sussurrei e sorri torto. Sofia se virou para mim e sorriu debochada sabendo o que eu faria. Ele não sabia o que o aguardava.
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