Pov Camila Cabello
Eu e Sofia fomos até uma árvore a nossa esquerda e sentamos encostando as nossas costas no tronco. Como minha filha estava de saia, ela deixou as perna esticadas e cruzadas, alheia a volta deixou exposto uma boa parte da sua coxa.
Olhei em direção ao cachorro que secava descaradamente suas pernas despidas. Como se ele estivesse sentindo que alguém o olhava, ergueu um pouco a cabeça e encontrou meu olhar o encarando. Sorrindo mandei uma piscada e vi suas bochechas corarem nítidas, segurei a risada, não queria deixá-lo sem graça mais do que já estava.
Eu não ia contra essa história de imprinting por dois motivos. Primeiro eu não me meto nas relações que Sofi tem com os homens, a não ser que o cara não vale nada, aí eu não só interfiro como mato o infeliz que fazê-la sofrer. Minha filha nunca sequer foi contra com os homens que interferi na relação dela, a maioria das vezes até mesmo me apoiava e me ajudava. Eu sei que é loucura, vai entendê-la.
Segundo, pois sei que Shawn jamais machucaria Sofi faria de tudo por ela, então não preciso me preocupar com ele. Só tinha dó, pois ele vai ser um p*u mandado dela.
Desde que nos sentamos mais alguns lobos se transforam em humanos, creio que Shawn mesmo inconsciente está adquirindo confiança em nós duas graças à Sofi, se não fosse por esse motivo aposto que não deixaria nenhum lobo voltar à forma humana para se protegerem melhor.
- Como eu tinha dito antes, vou falar recentemente sobre os lobisomens que até há pouco tempo estavam extintos. - Fechei os olhos e apoiei a cabeça no tronco da árvore. Sofi aproveitou e encostou seu rosto em meu ombro não pude deixar de evitar um sorrisinho de satisfação, eu estava morrendo de saudades dela. - Os lobisomens se transformam na lua cheia e são um pouco difíceis de matá-los e não existe essa conexão mental como vocês transmorfos, entre eles ninguém consegue ler a mente um do outro. Não me levem a m*l lobos, mas vocês não conseguem matar facilmente um vampiro e sim com dificuldade, lutarem sozinhos é perigoso. Vocês têm chance sim de vencer, mas também tem chances de morrerem rapidamente, porém tenho que admitir vocês são um dos transmorfos mais poderosos que conheci. - Pensei. - Continuando, os lobisomens sozinhos tem uma luta de igual para igual com os vampiros, o problema é que eles não raciocinam e seu único desejo é matar primeiramente o perigo eminente a sua volta. Ele tentará acabar com o que pode prejudicá-lo se não houver o perigo ele mata para se alimentar, resumindo utilizam apenas seus instintos animais. - Abri os olhos e olhei para os Jauregui. - Eles usam só a força para atacar. Quando transformados, eles são como os recém-criados, a força deles é superior a nossa dos vampiros, mas como disse agem por impulso. A nossa vantagem é que conseguimos pensar e agir, se não formos imprudentes conseguimos matar um lobisomem sem morrermos.
- O que você quer dizer com "conseguimos matar um lobisomem sem morrermos"? - Abri meus olhos e encarei Michael.
- Uma mordida de lobisomem é fatal para nós vampiros. Depois da mordida, é só questão de minutos ou horas para que o vampiro morra.
Vi os olhos de todos se arregalarem assustados, encontrar um inimigo a sua altura não é nada agradável para alguém, ainda mais para um vampiro.
- Por que eles não raciocinam? - Inquiriu Michael.
- Porque quando eles se transformam na lua cheia, seu raciocino vai embora junto com a sua forma humana, deixando apenas o predador de si livre.
- Mas nós também somos inimigos dos vampiros, nossa febre só começa a acontecer quando estão pertos de nós. - Shawn interferiu.
- Os Quileutes vêm de uma magia muito antiga, vocês foram criados para proteger sua tribo de tribos inimigas e como os vampiros apareceram demonstrando um perigo para vocês sua magia até então não era capaz de protegê-los, contudo, ela se modificou para criar uma proteção possível para sua aldeia, mas não vocês não são nossos inimigos imortais.
- Cara, é impressão minha ou ela sabe algumas coisas a mais que o conselho? - Perguntou um garoto empolgado.
- Não seja e******o Seth, não tem ninguém que sabe mais lendas que o conselho. - Shawn terminou a frase murmurando e me encarou em seguida. - Tem?
- É claro que não, tenha a certeza que o conselho sabem muito mais coisas que eu não saiba. - Fiz uma pausa antes de continuar. - Então... voltando, os lobisomens vêm da mesma origem dos vampiros, os dois existiram para criar digamos que um equilíbrio na natureza.
- E como sabe que vocês lobisomens e vampiros vieram da mesma origem? - Questionou.
- Como vocês, nós também temos as nossas lendas. - Dei de ombros como se não estivesse falando nada demais.
- Você conhece essas lendas? - Ouvi a voz de Michael me chamando a atenção, mais uma vez.
Encarei-o e vi seus olhos brilharem com a chance de saber algo sobre nossas origens. Ah se ele soubesse que tudo estava embaixo do seu nariz...
- Você nunca ouviu sobre elas? - Perguntei.
- Sim, só uma coisa ou outra.
- Podemos falar sobre isso outro dia, hoje já tivemos um dia cheio. - Encarei o céu que clareava com o amanhecer que aproximava. - Eu contarei o que quiser saber, mas não agora.
- Você conheceu outros transmorfos? - Perguntou Shawn.
- Sim, existe mais alguns espalhados pelo mundo como por exemplo na Índia, África, Caribe, Brasil ou Ásia. Eles também mantem seus segredos do mundo.
- No que eles se transformavam? - Perguntou Seth.
- Os que eu conheci se transformavam em águias, tigres, ursos, leões e vocês lobos. Ainda existem muitos mais por aí.
- Os melhores foram às águias, lutaram com todas as suas forças contra nós e no fim acabou sendo ótimos anfitriões. Achavam que nós éramos Deuses das suas lendas - Falou Sofia sorridente.
Ri lembrando. Eles não nos conheciam e nos atacaram, mas quando viram nossa força sobre-humana e mais forte que eles, se ajoelharam diante de nós. Foi incrível a recepção deles depois. Contei para eles o que éramos. No começo ficaram apreensivos, mas no fim fizemos amizades e até falaram que nós fazíamos parte de sua tribo.
- A melhor parte foi o ritual de passagem que fizeram nós passarmos para sermos considerados membros da aldeia e protetores do povo. Foi simplesmente incrível. Eles falaram que nós éramos as únicas que não precisava fazer isso, mas como insistimos eles cederam. - Conseguia sentir o seu tom de voz maravilhada.
Aquelas foram as melhores épocas mesmo.
- Vocês viveram com eles? - Michael estava maravilhado com o assunto.
- Não só vivemos com eles como nós viramos um deles, não literalmente obviamente. Ficamos com esse povo durante anos e não precisávamos nos esconder deles, o único momento que tínhamos que nos afastar muito da tribo era para nos alimentarmos. Mesmo que tínhamos contado a eles sobre a nossa espécie, eles começaram a imaginar que talvez fossemos Deuses pagãos que através do sacrifício, ou seja, nossa alimentação eles teriam que se entregar para oferenda. Eles achavam que estávamos lá em forma de humanos para testar sua fé perante a nós.
Explicamos várias vezes que estavam enganados, em voz alta disseram que acreditavam em nós, porém calados ainda acreditavam que nós éramos seus Deuses. Expliquei a eles que não era preciso se sacrificarem que jamais mataríamos alguém da tribo. - Dizia me lembrando daquele tempo, foi uma das melhores épocas da minha existência.
- Inacreditável, deve ser fabuloso conhecer pessoas assim. Você mantem contato com eles ainda?
- De tempos em tempos eu os visito para saber se está tudo em ordem, pois ainda protejo aquela aldeia no que for preciso.
Todos se surpreenderam com as história, não imaginavam que havia transmorfos pelo mundo. Poucos sabiam das existências deles.
- Karla Camila, quem é você? - Perguntou Seth de boca aberta com tanta descoberta. Sorri com a sua cara.
- Você acabou de dizer quem eu sou, mas pode me chamar de Camila ou Mila.
Ele bufou.
- Eu sei que qual o seu nome, mas quem é você para saber tantas histórias?
- Vou deixar a imaginação de vocês florarem.
Todos ficaram quietos.
- É simples, ela é um dos Estrabão que provavelmente extinguirão os lobisomens e tem esses transmorfos para benefícios próprios. - Ouvi a voz irônica de Lauren.
Definitivamente aquela vampira queria morrer hoje, se é o que ela quer é o que eu darei.
- Não sabia que vocês tinham uma suicida na família. - Sofi sorriu cínica para os vampiros.
- Ninguém é... Por quê? - Perguntou Michael sem entender.
Sofi desencostou a cabeça do meu ombro para se apoiar na árvore.
- Por... - Antes que ela terminasse sua frase em único movimento rápido sem ninguém perceber me levantei e corri até Lauren que estava um pouco próxima de mim e sem antes que pressentisse que eu estava nas suas costas a peguei pelo pescoço e chutei atrás de suas pernas fazendo com que ela caísse de joelhos no chão. Atrás dela ajoelhei-me com uma das pernas prendendo suas panturrilhas, com uma mão segurando seu pescoço e a outra na nuca eu estava preparada para um único gesto arrancar sua cabeça, por um instante senti um arrepio diferente, mas que prontamente foi ignorado por minha raiva. Esse meu movimento foi tão rápido que só depois de parada ouvi uns gritos e rosnados. - Isso! - Sofi completou sua frase.
Os vampiros tentaram se aproximar, mas os impedi.
- Se vocês mexerem um só músculo, eu a matarei sem ela saber o motivo de sua morte.
Ela tentava se debater para sair do meu aperto, mas estava imobilizada e minha força era muito maior que a sua.
- Por favor, solte-a! - Ouvi a voz suplicante que achava ser de Clara.
- Não faça nada, Lauren não fez por m*l. - Ouvi seu pai dizer.
- Não fez, me desculpe, sei que Lauren tentou me defender mais cedo, mas sua filha está afrontando-a desde hoje mais cedo, só falando absurdos. Onde que uma mãe puniria sua filha por querer tentar defender alguém? Ela achou que ela faria isso sem ao menos conhecê-la, e outra vocês nem sabiam sobre os lobisomens e ela já foi condenando os Estrabão pelo ocorrido. Se não fosse por ela, provavelmente todos vocês agora estariam mortos, eu liguei para ela no mesmo dia que vocês vieram conversar comigo pedindo que esclarecesse aos Estrabão que os lobos não eram aqueles inimigos que procuravam, ela é a única que sempre consegue argumentos para impedi-los de continuar e é assim que agradecem? Ela poderia nem ao menos se incomodar em livrar a pele de vocês, mas foi o que ela fez e... - Interrompi a fala de Sofi.
"Chega filha, esses vampiros não merecem suas explicações. Eles têm que aprender suas atitudes sozinhos, mesmo que seja do modo doloroso." referi por pensamentos.
Sofi compreendeu o que eu disse, ela também queria poder arrancar a cabeça de alguém. Todos presentes escutaram o que minha filha acabou de dizer, a mais pura realidade e ainda assim essa vampira em minhas mãos agia como uma i*****l.
Sofi olhou pra mim curiosa.
- Estou tentando entender por que não a matou hoje mais cedo? Você geralmente mata no momento que alguém a ofende. - Ela falou.
Meus olhos não saíram do rosto de Lauren, que tentava de algum jeito sair dali sendo impossível, mas não deixei de estar atenta a tudo a minha volta, pela minha visão periférica vi suas irmãs se posicionando para o momento certo me atacar.
- Hoje estava de bom humor. - Dei de ombros "estava morrendo de saudades de nossa família, foi a minha alegria do dia" completei por pensamento para ela. Aproximei meus lábios da orelha dela, inalando seu cheiro maravilhoso. - Vocês jugam os Estrabão sem conhecê-los realmente, sabe o que realmente aconteceu para ter causado a extinção dos lobisomens? - Questionei e ela deu um leve negativo com a cabeça. Sua respiração estava entrecortada. Mudei meu tom para sussurro e perigoso. - Os lobisomens que os Estrabão mataram foram aqueles que estavam expondo nosso mundo aos humanos e destruindo centenas de vilarejos e milhares de humanos, ai vocês deveriam perguntar e não acusar: Foram os Estrabão que extinguirão os lobisomens? Para a resposta da sua pergunta inexistente é NÃO, eles nunca chegaram a matar tantos lobisomens assim, o problema foi que muitos vampiros pelo mundo aproveitaram os ataques dos Estrabão contra esses lobisomens inconsequentes e começaram a matança contra todos os lobisomens existente, quando os Estrabão descobriram sobre esses ataques os lobisomens já estavam basicamente dizimados, mas pelo visto rola ainda a história de que foi culpa dos Estrabão.
Lauren se remexeu mais um pouco para se soltar, mas vendo que era inútil desistiu.
- E o que aconteceu com os vampiros que causaram a extinção, quer dizer eles foram descobertos? - Ela falava com a voz abafada por conta do meu aperto no seu pescoço.
Estreitei meus olhos, por que ela estava tão interessada? Ah, me lembrei ela é leitora de mentes. Olhei pelo canto do meu olho a minha volta e vi suas irmãs se aproximando de mim cuidadosamente para tentar me pegar desprevenida, permaneci atenta a tudo.
Elas provavelmente estavam armando um plano para me distrair e me atacar.
- Esses vampiros tiveram o que mereciam, foram todos exterminados por sua ganancia ao poder que nem ao menos puderam saborear. Estou curiosa, agora que você sabe da história o que faria com esses vampiros que além de acabarem com os lobisomens, deixaram cair a culpa para cima dos inocentes?
- Deviam ser punido.
Sorri vitoriosa.
- Agora vendo os fatos de tudo o que aconteceu hoje, não se acha muito julgadora daquilo que não sabe, Jauregui?
Ela parou para pensar em minhas palavras, pensei que ela fosse falar qualquer coisa, mas ela abaixo a cabeça como se sentisse envergonhada de sua atitude. Por um segundo hesitei em matá-la, e esse fato me assustou eu nunca tive compaixão por algum vampiro que não conhecesse antes. Esse único segundo foi o suficiente para me desconcentrar e suas irmãs agirem, não o suficiente para chegarem até mim, mas o suficiente para eu me colocar em alerta e me posicionar para matar todos. A raiva tomou conta de mim por minha falta de atenção que essa vampira me causou, quando pressionei com forças minhas mãos em seu pescoço ouvi um grito agoniado e desesperador.
- NÃO! - Ouvi o som da voz de uma das pessoas ali presentes que eu realmente importo. As irmãs de Lauren pararam no lugar e olharam para Ally.
Olhei para a baixinha e sua expressão era de dor, me senti extremamente culpada por ser a causadora daquele sentimento que ela sentia no momento.
- Por favor não faça isso, eu não sei porque mais você não ia mais matá-la, mas alguma coisa a confundiu e mudou seu pensamento no último segundo. - Ela pedia desesperadamente, não seria nada bom ver as pessoas que você ama morrer, principalmente sendo as pessoas que ela ama. - Eu sei que você desistiu de matá-la seja lá o motivo que a tenha a repensar, estou te parando para recobrar sua decisão eu te imploro não faça isso. - Eu não sabia que já havia tomado minha decisão.
Olhei fixamente em seus olhos e nunca imaginei que a poderia ferir desse jeito. Meu rosto desmoronou misturado com o sentimento intenso de culpa.
A vampira que eu segurava tentou virar seu rosto confuso, mas não conseguiu com minhas mãos em volta do seu pescoço. Suspirei derrotada, me levantei trazendo a vampira junto comigo e a virei para ficar de frente comigo, sua expressão era um misto de confusão e curiosidade, mas não havia nenhum ressentimento naquele momento. Encarei seus olhos fixamente e disse com a voz ríspida sentindo agora raiva pela minha culpa.
- Você tem sorte por ter uma família que te ama tanto.
Empurrei-a para perto de sua família que a agarraram abraçando-a fortemente. Desviei meus olhos e fui até Sofi. Ela vendo meu estado me abraçou me reconfortando.
"Não fique assim mamãe, seja lá o motivo para estar desse jeito se anime e vamos embora para nos afundar no sofá, assistir um filme e tomar drinks de sangue." pensou ela e arqueou as sobrancelhas de uma maneira divertida. Não pude deixar de sorrir, ela me acalmou um pouco.
Beijei sua testa.
- Então vamos mamãe, estou cansada. - Sofi bocejou. Que dramática! Como se ela pudesse mesmo ficar cansada.
Revirei os olhos.
- Se me derem licença eu tenho que arrumar ainda minhas coisas já que acabei de chegar e vim direto para cá. - Transpareci como se estivesse entediada com todo esse melodrama.
Me virei de costas para os vampiros e olhei para Shawn que estava paralisado e assustado com tudo que aconteceu.
- Shawn diga ao sábio da sua tribo o meu nome. - Ele sem entender assentiu. O sábio da tribo fazia parte do concelho e era o homem mais velho que conhecia todas as lendas. As lendas dos Quileutes eram muitas, mas sempre o conselho tem que estar por dentro do máximo o possível das lendas, caso o velho morra terá os outros para dar continuação das histórias e assim passando de geração a geração.
- Karla Camila? - Falou Michael.
Eu olhei sobre meus ombros.
- Só Camila, por favor.
Ele assentiu.
- Camila, aquilo que Sofi disse agora pouco sobre, se não fosse por você nós estaríamos mortos. Por que os Estrabão permitiram você se responsabilizar pelos Quileutes?
- Pois se acontecer qualquer problema, eu estarei encarregada de punir ou absolve-los. Eles permitiram porque sou capaz de fazer isso sem dificuldade alguma. - Respondi.
- Compreendo. Então acho que os problemas que todos escaparam hoje foi graças a você e Sofia. - Ele parou de falar e me encarou dei meu consentimento dele continuar a falar. - Eu gostaria de agradecer, por ter salvado minha família e não ter feito nada à minha filha.
Pelo menos tinha alguém sensato ali.
- Não precisa agradecer. - Sorri debochada. - Além do que é errado agradecer para se arrepender depois, pois eu ainda quero arrancar a cabeça de alguém. - Me deliciei com os olhos arregalados de Lauren.
Estava caminhando para fora da clareira com Sofi segurando minha mão quando Ally me chamou atenção.
- Obrigada. - Ouvi seu sussurro.
Não pude evitar e me virei para olhá-la, ela tinha um sorrisinho nos lábios, contente por seu humor ter melhorado, sorri de volta e acenei com a cabeça. Lauren ainda me encarava, mas a ignorei, por culpa dela quase fiz Allyson sofrer.
Sofi deu um tchauzinho para todos e corremos rumo para nossa casa.
Aquela tinha sido uma longa noite.
Assim que chegamos, nós duas nos jogamos no sofá, Sofi olhou em volta curiosa procurando por algo, como não encontrou olhou para mim.
- Cadê suas coisas? - Murmurou. - Não vai se mudar ainda?
- Mandei alguém trazer para mim junto com o carro. - Falei tranquila. - Chegará ainda hoje.
- Falando em carro temos que devolver aquele Jaguar alugado, Haille não sabia que você vinha. Então não deu tempo de devolver. - Pegou o controle da TV e a ligou. - Ela já fez nossas matriculas e as aulas começam daqui a pouco.
- Sem problemas, vamos entregar o carro e vamos para a aula amanhã.
Ela me olhou.
- Os Jauregui também estudam lá. - Bufei com a notícia, teria que conviver com eles no dia-a-dia. - Por que agiu daquela maneira hoje?
Questionou-me encarando.
- De qual momento exato você está falando? - Arqueei a sobrancelha, foram várias coisas que aconteceu na última hora.
- Por que desistiu de matar Lauren quando a vidente pediu para que você não o fizesse?
- Acho que você não se lembra dela, já que você a viu só quando ela era uma criança.
Seus olhos se arregraram.
- Eu a conheço?- Perguntou interessada.
- Claro que sim. Ela é a garotinha que fiquei a acompanhando durante uns anos no sanatório.
- Oh. Meu. Deus! - Ela gritou em choque, seus olhos estavam arregalados. - Ela é a pequena Allycat?
- Sim, a própria.
Depois de alguns minutos digerindo a informação, ela abriu um sorriso maravilhoso.
- Como não liguei os pontos antes? - Bateu a mão na sua testa. - Era óbvio que só podia ser ela... Claro o mesmo nome, a aparência parecida e o mesmo dom quando ainda humana.
Eu conheci Allyson quando ela ainda tinha 11 anos, fazia dois anos que ela estava naquele sanatório, foi através de um amigo meu que conheci a garotinha empolgante dos olhos curiosos. Ela me encantou no primeiro momento que pus os olhos nela, foi através dela que conheci a compaixão por alguém desconhecido, um humano. Meu amigo já a conhecia ela fazia um ano, ele fingia ser o zelador. Antes de eu entrar em sua vida, os humanos nojentos a machucavam sempre fazendo testes achando que ela tinha algum problema mental, eles a maltratavam fisicamente e mesmo assim ela continuou uma garotinha feliz mesmo no meio daquela podridão do lugar.
Depois que fiz amizade com ela, cuidava dela como uma irmãzinha e um sentimento de amor fraternal surgiu entre nós duas. Assim que esse sentimento surgiu, foi por ela que parei de matar os humanos enquanto me alimentava, sim, só tirava o sangue necessário para me satisfazer, deixando os humanos vivos quando mereciam, claro.
Sofi a conheceu pequena, mas estávamos prestes a se mudar para casa de Chris. Não querendo deixar Ally fiquei com ela lá e me tornei funcionária do local. Minha filha passou um tempo com Chris porque estava com saudades do primo ou melhor da bagunça que faziam juntos.
Ally sempre era divertida, feliz, alegre, carinhosa e preocupada comigo, nos tornamos grandes amigas. Ofereci a ela muitas vezes para irmos embora daquele lugar imundo, mas ela nunca aceitava falava que aquele lugar era o lugar onde devia ficar, pois foi lá que me conheceu e quando fosse a hora ela sairia. Poderia fazê-la vir comigo se eu entrasse em sua mente e fazer o que eu quisesse, porém jamais a obrigaria fazer algo que não quisesse, prometi a mim mesmo nunca invadir sua mente para interferir nas suas escolhas, lógico que a protegi e nunca mais, nenhum humano a machucou.
Um certo dia contei uma parte do que eu era e o que podia fazer, fiquei com medo dela me rejeitar, mas não foi o que aconteceu Ally me abraçou e me agradeceu por fazer parte de sua vida. Nós nos tornamos melhores amigas e irmãs, Tadeu meu amigo vampiro era apaixonado por Allyson e sempre estava cuidando dela junto comigo.
Depois que contei sobre o que era e algumas coisas que podia fazer, a pequena sempre perguntava curiosa sobre o meu mundo e contei o que pude, cortando fatos que não queria contar. Ally ficou feliz por não ser a única diferente, no caso podia ver o futuro e ficou emocionada quando descobriu que eu acreditava nela e disse que era uma garotinha muito especial.
Allyson era minha.
Cuidei dela até seus 19 anos, mas com suas feições tão delicadas, inocentes e infantis daria uma idade mais nova para ela. De uns tempos depois Ally ficou meio estranha, mas fosse o que tivesse passando em sua cabeça eu iria esperar que ela me contasse, fiquei com medo que fosse por ela ter visto eu fazer algo r**m no futuro. Um dia eu ia sair, para me encontrar com Sofi que estava vindo me visitar, já que estava com saudades de mim e da pequena Allycat. A baixinha antes de se despedir de mim, pediu para que eu apagasse sua memória, absolutamente tudo, toda a sua memória humana. Não entendi o porquê do seu pedido. Tadeu não suportou a ideia no começo e muito menos eu, mas Ally tentou nos acalmar, eu me senti culpada eu devia ter feito alguma coisa ou ia fazer algo diabólico para querer esquecer-se de mim. No entanto, Ally me garantiu que não tinha nada haver com as bobagens que passava por minha mente, mas que era necessário, pois ela disse que isso era preciso para encontrar o seu lugar e o meu também. Não entendi o que quis dizer, mesmo morrendo de curiosidade em entrar na sua mente e descobrir tudo aquilo, não fiz porque era sua decisão se ia me contar ou não. A única coisa que me esclareceu é que iriamos nos encontrar em um futuro próximo e assim que nos encontrássemos eu poderia fazê-la se lembrar de tudo. Mesmo contragosto eu fiz, eu fiz porque ela me pediu desesperadamente.
Apaguei suas memórias.
Flashback On
Depois de três dias sem saber notícias dela, não resisti e fui atrás vê-la se estava tudo bem, mas quando eu cheguei ao sanatório descobri que ela e Tadeu desapareceram. Fui até o quarto dela, ver se encontrava alguma pista, quando encontrei um papel amassado escondido embaixo de uma tabua solta na lateral da janela. Foi fácil encontrar, pois uma pequena mancha de sangue seca estava ali, ela era esperta fez isso para eu encontrar. Abri o papel e comecei a ler.
"Querida Camilinha,
Eu queria pedir desculpas por ter lhe pedido isso, mas quando nos encontrarmos novamente e assim que me fizer lembrar te contarei tudo. Não vejo a hora disso acontecer. Você sempre será especial para mim.
Te amo muito.
Com amor Ally."
Ela já tinha tomado sua decisão alguns dias antes de falar comigo, mas o que será que aconteceu? Segui seu rastro e de Tadeu alguns quilômetros do sanatório, quando cheguei ao local senti um cheiro de vampiro o cheiro familiar, mas desconhecido ao mesmo tempo. Olhei em volta e vi uma fogueira apagada.
Caminhei até o local e peguei as cinzas na minha mão, o ceiro nelas era de Tadeu. Fiquei preocupada com Ally. Então segui seu cheiro que ia até a um penhasco e dali sumiu na enorme queda da água que dava diretamente ao mar.
Não pude acreditar que a pequena caiu do penhasco, ela não podia ter morrido. Ela me prometeu que iriamos nos encontrar, eu só quis acreditar nisso, não ousei pensar em uma tragédia, minha mente bloqueou essa hipótese convicta que ela estava viva.
O outro cheiro também seguia até ali, mas o cheiro do desconhecido continuou para a esquerda. Corri ali atrás do maldito vampiro. Mas nunca o encontrei e nem mesmo ela.
Flashback Off
E como prometido, nos encontramos novamente e ela ainda era a mesma só que muito mais encantadora que antes e era uma vampira. Saí dos meus pensamentos e constatei que estava sozinha na sala, Sofi talvez não quisesse me tirar dos pensamentos e me deixou ali para que refletisse um pouco.
Me lembrei que precisava conversar com ela, subi as escadas a passos humanos e entrei no seu quarto, ela estava deitada em sua cama fitando o teto e sorriu assim que entrei.
- Já se lembrou suficiente do passado? - Questionou me dando um espaço e batendo com a mão no espaço vazio da cama.
Sorri e fui até ali deitar ao seu lado.
- Sim, obrigada. Mas me fez lembrar uma coisa também. - Ela olhou com as sobrancelhas arqueadas.
- Que seria? - Perguntou.
- O que aconteceu para você ficar distraída nesses últimos dias?
Ouvi ela engolir em seco.
- Não é nada.
Virei meu rosto para encará-la, é serio que ela ia mentir para mim? Ela bufou e voltou o olhar para o teto.
- Eu não sei, mas quando Dinah contou sobre o imprinting do Shawn comigo, comecei a refletir sobre o assunto, não quero magoá-lo e ferir seus sentimentos por não querer nada com ele. Eu não entendo essa angustia que estou sentindo, por pensar que ele vai sofrer. - Suspirou assim que terminou de falar.
Sofi ainda não tinha percebido, mas depois que ela se transformou em vampira nunca se importou com sentimentos profundos de outros vampiros que já teve algum relacionamento, ela se apaixonou uma vez quando ainda humana por um homem que a fez sofrer, mas se recuperou afinal todos se recuperam e por sorte foi uma paixão e não amor. Já os vampiros ela se apaixonou por um ou outro, mas no fim sempre se cansava deles. Sendo assim não conseguiu seguir em frente a um relacionamento sério, ou seja, não encontrou o seu companheiro, ainda.
A questão é que seu subconsciente estava começando a nutrir sentimentos pelo Shawn, só que ela ainda não descobriu.
Ela voltou a me encarar.
- Pode me ajudar? - Perguntou.
Sorri e toquei minha mão em sua bochecha.
- Não tenho no que ajudar. Você já tem a resposta só não descobriu ainda. - Ela franziu o cenho. - Mais cedo ou mais tarde descobrirá.
Deixei que ela pensasse.
- Vou devolver o carro, quer ir comigo? - Falei enquanto me levantava.
- Claro. - Ela estava novamente animada. - Só vou trocar de roupa.
- Tudo bem, te espero lá embaixo.
Ela correu para o closet e eu saí do quarto.
É Sofi, você logo descobrirá o que é o amor. Um sentimento que nunca senti.