Um silêncio se instalou na clareira. Só se ouvia os sons da respiração dos lobos e mais nada. Vislumbrei seu semblante em choque ainda tentando digerir o que acabei de dizer, era difícil de acreditar que ela era minha filha?
– Agora, saia da minha frente! – Falei perigosamente para ela. Minha paciência estava ficando curta, se eu atacá-la com o meu temperamento posso simplesmente matá-la.
– Lauren filha, já chega! – Ouvi uma voz temerosa ao meu lado, não fiz questão de olhar quem era.
Vi ela sair do seu estupor, agora meio hesitante, mas ignorou a voz de seu pai.
– Eu não vou permitir que você a machuque! – Falou tentando se conter e a raiva voltar.
Me surpreendi, por que ela achava que eu iria fazer isso com Sofia? Fiquei furiosa com sua suposição, me acusou sem ao menos saber o que faria e pelo amor de Deus eu sou mãe dela, isso não significava nada?
– Eu nunca a machucaria. – Falei entre dentes.
– Irmã, isso não é de nosso assunto. – Falou uma outra voz. Dito essas palavras a vampira a minha frente antes com feições furiosas mudaram subitamente para tranquila.
Que louca!
– Eu não posso, o que ela fará? Se ela foi capaz de matar um vampiro do seu próprio clã sem o consentimento dos outros Estrabão. O que você acha que ela é capaz de fazer a Sofia, por ter ido contra a opinião dos outros ? – Sua voz saiu calma como se não estivesse irritado há segundos atrás.
Ela achava que eu era da guarda Estrabão? Mesmo eu não sendo, eu não iria falar nada, ela nem ao menos perguntou se eu fazia parte ou não da guarda e já tirava conclusões precipitadas vou deixar que as imaginações de todos ali rolassem. Quando me perguntarem eu direi parte da verdade, não tenho nada a esconder e muito menos a temer.
Eu estava preste a atacá-la por sua petulância mesmo sendo linda não suportava quem falava aberta suas acusações sem ter certeza, tem certos pensamentos que você deve guarda para si mesmo para não jugar antes, quando Sofi tirou minha atenção.
– Não ligue para eles, mamãe. – Passou por eles e me abraçou apertado, só assim que eu consegui me tranquilizar, ela era uma das únicas pessoas que me faziam mudar meu humor rapidamente. Eu retribui o abraço de bom grado. – Senti saudades sua!
O amor que sentia por ela era intenso e poderoso eu só existo por ela e pelo meu irmão eles eram o motivo da minha existência. Eu nunca encontrei um motivo para existir por mim. Eu existo por eles, pois faria qualquer coisa por eles. Não que eu não faria nada pela minha família que tenho, logicamente eu morreria para salvar qualquer um deles se for preciso, eu os amo muito. Mas a questão é que Sofi e Christopher sempre estarão em primeiro lugar.
– Eu também, meu anjo. – Sorri a afastando um pouco de mim para encarar aqueles olhos brilhantes.
– Desculpe eu interromper esse momento de mãe e filha. – Falou Naia irônica, mas a verdade era que ela estava super feliz. – Mas posso saber o que decidiram?
– Claro, Naia. – A encarei. – O fato é que esses lobos não são aqueles que atacaram a guarda Estrabão.
– E como você sabe? – Perguntou ela de olhos arregalados.
– Eu imaginei que Sofi perceberia isso sem eu ter que interferir, porém não foi o que aconteceu. – Falei tirando os olhos de Naia e pousando na vampira que acabei discutindo. – Era por isso que chamei para ela vir comigo, esse assunto não desrespeita a você e ao seu clã, mas só interessa aos lobos daqui.
– Desculpe me intrometer e perdoe pela falta de educação da minha filha. – Falou um vampiro, se aproximando de nós. – Mas é que nós temos uma aliança com os lobisomens e não podíamos permitir de serem acusados de algo injustamente.
– Isso é interessante não é mesmo Naia, vampiros e lobos em uma aliança? – Falei para ela e a mesma assentiu séria, não gostando nenhum pouco. – Pois bem, eu aprecio o seu pensamentos justos e não aceito suas desculpa, pois você não é o culpado pelo comportamento da sua filha. Como estamos falado do certo e errado não é você quem deve se desculpar.
Ele assentiu e olhou para sua filha.
– Me desculpe! – Murmurou a vampira à contragosto, olhando para o lado sem me encarar.
– Mesmo não sendo com vontade eu aceitarei.
– Agora que está tudo bem, você poderia me dizer como sabe que não são os mesmos lobisomens? – Perguntou Sofi.
– Ora Sofi, não sei como não percebeu ainda, mas esses lobos não são lobisomens. – Falei olhando-a.
– O quê? – Escutei varias exclamações.
– Aquele dia que você me ligou avisando sobre ser atacado por lobisomens não notou nada faltando?
– Eu não... acho que não. – Ela respondeu em dúvida.
– E a lua cheia? – Vi a compreensão em seus olhos. – Como não percebeu isso antes?
– Oh! – Ela abriu a boca e me olhou com os olhos arregalados. – Eu não tinha me lembrado disso. – Respondeu dando de ombros.
Olhei chocada para ela. Como assim não lembrou, onde estava essa sua cabeça?
– Você não pode me culpar, nem mesmo os Estrabão perceberam! – Ela disse sem se preocupar como se fosse óbvio. Eu estava desacreditada por ela estar tão desligada.
Ouvi bufos dos Estrabão que estavam afastado. Eles estavam indignados e surpresos com a falta de atenção de Sofi, ela geralmente é bem perceptiva nos assuntos a sua volta, ai tinha alguma coisa, só tenho que saber o quê.
– Sofi hoje é lua cheia! – Ela arregalou os olhos e olhou para cima atrás da lua as nuvens de Forks a cobria quase por completo, mas com nossa visão se prestar bem a atenção dá para ver o brilho da lua escondida. – É por isso que eles acharam que se tratavam de lobisomens.
Ela ficou sem graça e abaixou a cabeça envergonhada. Coloquei minhas mãos em seu queixo e levantei para olhar a mim.
– Não precisa ficar assim, esta tudo bem. – Sorri confortando-a. – Mas acho que precisamos conversar depois.
Ela deu um meio sorriso e acenou com a cabeça. Não podia julgar Haille, pois ela nunca sequer viu um lobisomem e era séculos mais nova depois da extinção deles então, nunca se aprofundou no assunto.
– O que tem a lua cheia? Isso não é só lenda? – O vampiro loiro falou curioso.
Observei os lobos a alguns metros de mim que me encaravam atentamente curiosos a conversa.
– Não, pela sua pergunta deduzo que você nunca viu um. – Olhei para ele e o mesmo assentiu. – Os lobisomens se transformam na lua cheia e são mais assustadores que esses lobos.
Ouvi rosnados creio que indignação em minha direção, acho que eles não gostaram de serem considerados fofinhos com a comparação que fiz.
– Então o que eles seriam?
– Além do que está na cara, são transmorfos. – Encarei os lobos.
Os lobos ficaram agitados depois de tudo, mas ninguém falou nada eles estavam perdidos em seus pensamentos.
– Então é isso? – Perguntou Naia.
– Sim, eles não têm o porquê de serem julgados. Diga aos reis que eu me responsabilizo pelos lobos.
– Mas...
– Simplesmente diga ao Simon que se ele tiver algum problema quanto a isso, basta me procurar.
Sofi riu da cara indignada da minha prima, fazendo-a fechar a cara para minha filha. Era sempre assim quando uma encontrava a outra.
– Se é assim que deseja. Porém antes de permitimos isso, podemos conversar em particular? – Falou séria.
– Certamente. – Olhei para os lobos, mas falei para todos ali. – Se me derem licença tenho um assunto para tratar, creio que vocês transmorfos tem algumas dúvidas, se quiserem uma explicação voltarei daqui a pouco.
Vi o lobo que tinha ficado entre mim e Sofi acenar com a cabeça.
– Vamos? – Perguntou Noah tentando disfarçar a ansiedade.
Sofi veio junto comigo e nós com os Estrabão saímos correndo dali. Nos afastamos o suficiente longe dos ouvidos dos vampiros.
Naia encarou os soldados Estrabão.
– Vocês podem ir indo, temos um assunto em particular para resolver com elas. – Falou grossa.
Os vampiros não se opuseram e saíram rapidamente dali. Ficando ali Sofi, meus primos, Haille e Demitri.
Assim que estávamos sozinhos me lembrei da vidente, ela provavelmente tentaria ver algo sobre agora. Eu ainda não confiava em nenhum daqueles lobos ou vampiros para compartilhar a notícia que eu e Sofi éramos parentes dos Estrabão, mas não havia jeito de impedi-la de ver, a não ser que eu desligasse todos os sentidos dela, não iria prejudicá-la é como se ela fosse desmaiar. Mas por algum motivo meu subconsciente me dizia para não tentar nada contra ela, mesmo que não fosse machucá-la. Eu, no entanto nunca o ignorei, ele sempre me ajudou e não seria agora que eu iria contra, então eu consciente dos meus sentidos que me alertavam não fiz nada. A única coisa que eu podia fazer para evitar segredos expostos é mandar uma mensagem para eles.
“Sem citações familiares” alertei por pensamentos. Eles me olharam curiosos, mas não questionaram, eles sabiam que eu tinha motivos para falar isso.
– Você não faz a ideia da saudade que sentimos de vocês. – Naia correu para me abraçar fortemente.
– Nem ao menos nos dão mais notícias frequentemente. – Falou Noah correndo e abraçando Sofi.
– Nós também estávamos morrendo de saudades de vocês, gêmeos. – Falou Sofi.
– Nos desculpe por demorar dar notícias, mandaremos com mais frequência. – Falei sorrindo.
Soltei do abraço de Naia e baguncei o cabelo de Noah. Ele bufou indignado tentando arrumá-los com as mãos, mas logo sorriu e me abraçou apertado.
– Tudo bem que não nos vemos há séculos, mas pelo menos notícias décadas em décadas poderiam nos mandar e agora com a tecnologia tudo é simples. – Falou Felix sorrindo.
Ele, Haille e Demitri se aproximaram de nós e todos nos cumprimentamos.
Os únicos dos Estrabão que eram meus parentes eram Simon, Antônio, Marcus, Laura, Ariadne, meus tios e Júlio, Regina, Felix e Chelsea meus primos. Chelsea era filha de Marcus, só saia de Volterra se fosse para recrutar novos vampiros para guarda. Os vampiros da guarda principal, somente, eles sabiam sobre nós sermos parentes e sobre eu ser a primeira vampira, eles só sabem porque são de estrema confiança, são considerados parte da nossa família mesmo não sendo de sangue. Como eu sabia que eles eram de confiança? Simples, eles eram leais e não há como nos trair sem eu saber.
Raramente invado a mente dos outros para saberem tudo sobre eles, eu não gostaria que invadissem a minha por isso não faço o mesmo se desnecessário, mas quando o assunto era de extrema importância onde muitas coisas haviam em jogo eu não me arriscaria em deixar de saber quem era a pessoa.
– Eu sei, mas até algumas décadas atrás essas coisas não existiam, passem os números de todos e os meios de contatos que vocês tiverem. – Falei.
– Eu já tenho tudo anotado mamãe, peguei tudo com Haille.
– Ótimo, sobre os lobisomens conversarei com Christopher para saber o que anda acontecendo, mas de qualquer jeito vou investigar sobre isso e manterei vocês informados.
– Muito obrigada Camila, por sua ajuda. – Naia sorriu para mim.
– Não tem o que agradecer, mas por que não me avisaram antes sobre a volta dos lobisomens?
– Não sei se você sabe, mas quando vocês duas se escondem é difícil de achá-las.
– Tem razão. – Ela estava certa. – Diga aos três o que eles precisarem é só me chamar.
– Sim, digo o mesmo.
Conversamos mais um tempo tentando colocar os assuntos em dia, eles não se incomodaram por eu ter me intrometido no meio de seus “julgamentos”, mas ficaram chateados, pois eles contavam poder matar uns lobos para se divertirem um pouco. Mas apesar de tudo não se importaram, a decisão final sempre era minha em relação aos vampiros e para meu irmão em relação aos lobisomens mesmo extintos agora nem tanto. Se caso um de nós dois tivéssemos que interferir no assunto um do outro, sempre era bem vindo.
Eu não gostava cuidar do nosso mundo e como os meus tios se interessaram pediram permissão minha e a de meu irmão que prontamente cedemos eu não me importava nenhum pouco, pelo contrario agradecia por eles o fazerem, mas se algo fosse importante eu poderia interferir e a decisão final é a minha. A última vez que eu tive que decidir alguma coisa foi sobre a exterminação dos lobisomens que prontamente teve a decisão de meu irmão, já que estava relacionado a sua espécie.
Mesmo com toda essa burocracia eu não fazia parte dos Estrabão, eu não queria me envolver em toda essa democracia, muito dos guardas dos Estrabão's me conhecem, porém não sabem nada sobre mim eles achavam que eu era só mais uma guarda dos Estrabão a serviços deles para resolver os problemas distantes de Volterra, pois eu quase nunca aparecia em suas terras. Mas todos pensam que eu sou uma “joia” preciosa de Simon para ter tanta liberdade em minhas opiniões em público.
A questão é que eu não sou Estrabão, porque amava ser livre sem obrigações, porém se eles pedirem ajuda eu resolvo de bom grado o que é muito raro de se acontecer.
Nos despedimos e ficamos de entrar em contatos uns com os outros. Eu e minha filha corremos de volta a clareira e antes que ficássemos a vista daqueles desconhecidos fomos caminhando a passos humanos tranquilamente.
Todos estavam lá e pararam suas conversas assim que nos viram, mas agora tinha um garoto branquinho alto, forte e lindo para um humano, ele não usava uma camisa deixando amostra seu musculoso peito nu muito tentador, mas ele não era meu tipo ou de meu interesse.
Enquanto me aproximava deles reparei pela primeira vez nos vampiros ali presentes, tinha aquela vampira tremendamente sexy e o vampiro loiro um pouco alto junto à um homem um pouco gordinho e com uma barba bem feita, ao seu lado tinha uma vampira nos olhando curiosa com certeza era sua companheira altura mediana e cabelos castanhos. Depois vinha uma vampira alta e musculosa com um sorrisinho de covinhas estava com os braços em volta dos ombros da vampira morena extremamente linda uma das mais belas que já vi, mas seu olhar superior demonstrava sua arrogância, ignorei-a completamente e continuei minha avaliação, mas deduzir serem um casal quando vi suas mãos entrelaçadas.
Viva a comunidade LGBT!
Assim que abaixei meu olhar para uma vampira baixinha que estava abraçada ao lado do vampiro observador me espantei quando a vi, seus olhos curiosos fixos em mim me avaliavam tentando decifrar algo.
Eu não acredito que havia a encontrada novamente e ainda mais como vampira, pensei que estivesse morta por causa do tempo que passou. Uma intensa felicidade tomou conta de mim o vampiro ao seu lado estreitou os olhos em minha direção, eu teria prestado atenção nesse simples comportamento se não estivesse tão feliz agora, pois olhá-la ali na minha frente ainda mais viva era uma das melhores coisas que me aconteceu nesse último século, como eu não tinha percebido que a vidente poderia ser ela, a pequena tinha me prometido, era tão óbvio e deixei isso escapar, não pude evitar um meio sorriso para ela que prontamente fui recebida com um sorriso tímido, era fato que ela não se lembrava de mim, mas na hora certa eu conversaria com ela sobre esse assunto.
Me lembrei da sorte por não ter entrado na sua mente há quase uma hora atrás, já basta uma vez de novo não, mesmo que da outra vez tenha sido seu pedido. Escutei um pigarro tirando minha atenção da Ally, sim jamais poderia esquecer o nome da criatura mais bondosa que conheci uma pessoa que foi a causadora de aparecer uma pequena parcela de humanidade em mim.
Olhei irritada desfazendo o meu meio sorriso em direção ao som e vi o vampiro loiro que atrapalhou meu contato com Ally. Assim que ele viu minha expressão engoliu em seco.
Revirei os olhos e me acalmei.
Lembrei e dei uma olhada na mente de Ally, não gostava de ficar para trás em ponto cego se tenho chance de saber o que a pessoa sabe, só invadi para ver se viu a conversa com os Estrabão por ser um assunto importante de meu interesse, mas ela nem sequer tentou olhar o futuro de pouco tempo atrás sai de sua mente antes que invadisse seus outros pensamentos, a respeitava muito para fazer algo do gênero.
O garoto moreno se aproximou de nós duas.
– Prazer eu me chamo Shawn Mendes! – Ele estendeu a mão meio hesitante para mim.
Encarei-a, mas não estendi minha mão, eu não apertaria a mão de alguém que realmente não queria.
– Igualmente, Camila Cabello. – Falei fitando-o. Ele ficou uns segundos com a mão estendida e ficou sem jeito por eu não retribuir, coçou a cabeça tentando disfarçar o constrangimento e voltou o olhar para cima encarando Sofi. – Esqueci-me de apresentar essa é minha filha, Sofi Cabello!
Ele a encarou e vi seus olhos brilharem e o coração disparar quando seu olhar cruzou com o de Sofi. Olhei para ele curiosa, ele não desviou seu olhar dela.
Ele a observava com carinho?
Adoração? Amor? Não é possível, o rapaz teve mesmo um imprinting com minha filha? Eu não sei quanto aos dois, mas seria hilário ter um casal como eles, seriam os únicos e exclusivos. Não pude evitar e gargalhei com a nova descoberta.
Espantados com minha risadas quebraram o contato dos olhos e me encararam como se eu fosse louca, na verdade todos ali me encaravam.
– O que foi? – Perguntou ele me olhando com a cabeça um pouco inclinada para o lado.
– Eu não acredito que você teve um imprinting com minha filha! – Tentei conter a gargalhada, mas não consegui a ideia era absurda demais, porém como estamos falando de nós duas, não era impossível. Sofi cruzou os braços e bufou olhando para outro lado.
Shawn me encarou seus olhos se arregalaram espantados quando disse a minha descoberta.
– Como... como você sabe? – Perguntou nervoso.
– Eu conheço esse olhar! – Me referi ao jeito que ele a olhava, agora minhas risadas estavam mais controladas.
Sofi me encarou emburrada. Qual é, que culpa eu tenho? Isso é um pouco bizarro de se imaginar.
– Como assim conhece? – Ele estreitou os olhos para mim.
– Outra hora eu explico... – Dei de ombros.
Ele não insistiu, pois percebeu que agora eu não comentaria como eu sabia.
– Então você sabe como é possível? – O vampiro parceiro de Ally encarava entre Shawn e Sofi. – Você sabe o que quero dizer... o imprinting entre duas espécies diferentes?
– Certamente que sim.
– Como? – Perguntou duvidando.
– Esse assunto não lhe diz respeito, eu muito menos tenho a obrigação de contar a você... Esse é um assunto dos lobos eu não tenho o direito de lhe contar, se eles quiserem falar depois a você ou a qualquer outra pessoa será escolha deles. – Respondi seca para o vampiro o mesmo me encarou irritado, mas não pronunciou nada.
Encarei Shawn.
– Antes de contar o que quer saber Shawn, tenho que falar com alguém superior a você, você sabe quem estou me referindo.
Ele e os lobos ainda transformados me olhavam espantados e desconfiados com tanta informação que eu sabia.
– Como sabe tanto sobre nós? – Perguntou se referindo também sobre o conselho.
– Sei muito, mas do que possam imaginar, porém como eu disse na hora certa saberá e será logo. – Respondi impaciente.
– Tudo bem. Mas você poderia contar essa história de lobisomens e de nós não sermos...
Agora todos prestavam atentamente atenção em mim, os lobos e os vampiros.
– Sim, mas antes de explicar acho que como os vampiros ficaram aqui até agora é porque irão ouvir a história então poderiam ao menos se apresentar. – Olhei-os com uma sobrancelha arqueada.
– Claro, desculpe a nossa falta de educação. – Falou o vampiro robusto. Balancei a cabeça mostrando que não havia problema. – Nós somos os Jauregui. – Ele se apresentou e disse o nome de todos.
– Michael Jauregui? – Perguntei me lembrando quando Simon me contou sobre ele. Michael assentiu. – Oh sim... o vegetariano, não?
– Sim, como sabe? – Perguntou interessado.
– Simon me falou de você, parabéns, nunca tomou sangue humano.
– Simon te contou? Por que não me disse nada? – Perguntou Sofi fazendo bico.
Revirei os olhos.
– Você nunca se interessou sobre as histórias dos vampiros da guarda dos reis e muito menos se interessaria sobre uma alimentação diferente da que está acostumada.
– Mas agora me alimento igual a eles. – Ela descruzou os braços ainda com bico.
– Por causa de uma aposta que assim como eu, nunca recusa uma. – Ela sorriu concordando. – E quando acabar voltará sua alimentação ao normal.
– Despois que eu ganhar a aposta não tenha dúvidas. – Falou ansiosa pela volta da alimentação.
Escutei um suspiro resignado vindo de Shawn, não dei bola se ele quisesse Sofi teria que gostar dela pelo que ela é.
– Tenho certeza que sim, animal não é uma comida apetitosa. – Disse com desdém e meus olhos passaram pelos Jauregui parando na vampira morena que me olhava contrariada.
– Vai tirar uma com a nossa cara também? – Falou irritada.
Olhei confusa para ela.
– Por que diz isso?
– É o que os vampiros como sua alimentação fazem, riem de nós por conta do nosso modo de alimentar. – Ela ainda mantinha seu tom ríspido.
– Eu jamais faria isso. – Me senti ofendida.
– E posso saber por que não?
– Porque vocês tem que ter muita força de vontade para não se alimentar de humano, pelo contrario admiro muito vocês por isso não é qualquer vampiro que consegue essa mesma alimentação. – Não diria que sinto uma pequena inveja por eles conseguirem esse fato e eu não.
Por eu ser a primeira vampira, de algum jeito meu corpo rejeita qualquer tipo de sangue que não seja sangue humano, eu às vezes penso que é porque antes de eu ter sido morta desejei arduamente a morte dos humanos que nos condenaram e comigo de volta, ela voltou sendo minha maldição sem que eu pudesse ter escolha, talvez seja um fardo que eu tenha que carregar comigo para sempre, não que eu me importasse com a vida humana, longe disso, todos para mim eram insignificantes não passavam de uma alimentação. A única humana que me fez sentir um carinho especial, estava como vampira com feições de uma fadinha encantadora. Uma vez ou outra já tentei me alimentar de sangue animal para ver como meu corpo reagiria e sempre dava no mesmo resultado: eu vomitando.
Normani, eu imagino, procurou um sinal de mentira em meu olhar, mas assim que ela somente encontrou sinceridade bufou e virou a cara, mas vi-a me encarando disfarçadamente pelo canto dos olhos. No fundo ela havia gostado do elogio, porém tentava disfarçar.
“ Mamãe” ouvi os pensamentos gritantes de Sofi chamando minha atenção encarei-a para saber o que queria “Não vai contar sobre os lobos?”
“Interessada sobre os lobos ou um lobo?” sorri para ela e a mesma fez uma careta.
“Credo, Nunca! Só estou curiosa como todos” ela revirou os olhos.
“Tudo bem, o que me faz lembrar que temos que conversar quando chegar em casa!” falei séria lembrando do seu desligamento de hoje cedo.
Ela desviou o olhar do meu e acenou com a cabeça.
Voltei a olhar para as pessoas a nossa frente e todos nos encaravam curiosos, devem ter desconfiados de algo já que nós olhávamos uma para outra em uma conversa interna, provavelmente não sabiam ainda o que exatamente significou isso, mas estavam desconfiados.
– Bem vamos para o que interessa! – Falei sorrindo.