Pov Camila Cabello
Passamos a tarde juntas. Normani ficou impressionada com o modelo do carro, descobri que ela era obcecada por carros e seus detalhes desde a parte mecânica até o designer assim como eu. Troy não parava de ligar para Ally, teve uma hora que eu me estressei, então eu peguei o celular da mão dela que no momento falava com Troy e joguei-o pela janela do carro.
Ela ficou chocada e começou a brigar, mas se acalmou quando prometi comprar um novo. Não levou muito tempo e o celular da Normani começou a tocar, só foi dar um olhar severo para ela e a mesma desligou o celular no segundo seguinte.
Ao final da tarde fui até a casa dos Jauregui para deixar as duas. Quando eu vi a mansão era realmente linda, eles sem duvidas tinham um ótimo gosto. Logo que o carro foi estacionado. Troy apareceu correndo tirando a Ally do carro, abraçando-a apertado.
– Está tudo bem com você? – Ele perguntou preocupado.
Ela bufou e revirou os olhos.
– Claro que sim, Troy. – Ela murmurou.
– E por que desligou o celular? Digo o mesmo para você Normani. – Troy falou exaltado.
– Por favor, né Troy. Você não parava um segundo sequer de ligar para Ally, aquilo estava ficando insuportável para qualquer um. – Mani resmungou.
– O que aconteceu para você não atender ou pelo menos retornar minhas ligações? – Ele continuou a conversa ignorando completamente o que Mani disse.
Aquilo estava ficando irritante e Ally parecia injuriada com a situação.
– Eu joguei o celular dela fora. – Eu disse simplesmente.
Ele virou para me encarar primeiramente incrédulo para depois me olhar irado.
– E posso saber por que fez isso? – Sua feição não era nada agradável, mas não me intimidei nenhum pouco.
– Sua irmã já respondeu só que você preferiu ignorá-la.
– Não me venha com essa. Você não tem o direito de me impedir de falar com ela quando eu quiser!
Estreitei os olhos o encarando, eu estava começando a ficar impaciente com ele.
– Não, não tenho mesmo, mas suas ligações intermináveis estavam me dando nos nervos, então fiz o que achei melhor não só para mim como para todas que estavam no carro.
– O que? – Não acreditei que ele ficou furioso só por eu ter jogado o celular fora. Por algum motivo comecei a ficar assustada, estranho eu nunca me intimidei com ninguém antes e agora esse sentimento de apreensão estava me fazendo ficar desconfiada. Isso não era normal. – Ora sua...
Antes que ele continuasse alguém o cortou.
– Troy Jauregui! – Ouvi a voz autoritária de Clara na escada. – Cuidado com as palavras que saem da sua boca.
Virei meu rosto em direção à mulher que estava parada em frente à entrada da sala com a expressão decepcionada.
– Não é assim que tratamos as visitas. – Disse Clara. – Agora peça desculpa a ela.
Uou! Isso começou a ficar interessante.
Os outros parentes de Troy apareceram ao lado de Clara e pareciam se divertir tanto quanto eu com a situação.
– É melhor obedecer nossa mãe, irmãozinho. – Dinah riu alto.
Troy olhou colérico para Dinah, mas por fim suspirou e voltou a me olhar.
– Desculpa, Mila! – Ele murmurou contrariado. Não pude segurar um sorriso zombeteiro no rosto, aquela sensação estranha tinha desaparecido como se nada tivesse acontecido.
Eu não respondi apenas dei de ombros e voltei a olhar Clara que vinha na minha direção.
– Desculpe pelo modo do meu filho. – Ela falou enquanto se aproximava de mim com um sorriso carinhoso.
– Não se preocupe Clara, eu sei bem como são difíceis de lidar com
crianças . – Falei de propósito a última palavra e ouvi um pequeno rosnado sair da boca de Troy. – Bem, vamos indo Sofi já está na hora.
– Ah não, Mila. Fica, por favor?– Ally se afastou de Troy e veio até mim. – Fica só um pouco, por favor.
– Desculpa Ally, mas já está ficando tarde...
– Não vem com essa para nós isso não faz diferença. – Ela me cortou.
– Outro dia quem sabe. – Falei.
– Fazemos questão que você entre. – Disse Clara educadamente.
Então elas começaram a pedir, até Sofi começar a choramingar e eu tive que ceder.
Entrei na casa e ela era incrivelmente linda, a decoração era esplendida.
Ally e Sofi evaporaram para o quarto da baixinha para verem as roupas do seu closet. Conforme eu observava a sala pude ouvir os gritos animados das duas no andar de cima.
– Lauren filha, por que não apresenta o resto da casa para Camila? — Clara pediu polida demais.
– Claro. – Ela respondeu e prontamente apareceu ao meu lado com um belo sorriso no rosto. – Venha, Mila. – Ela estendeu a mão na minha direção, mas eu recusei pegá-la. Não queria aquele momento constrangedor de hoje de manhã. Seu sorriso foi desmanchando quando percebeu que eu não ia pegá-la e uma expressão triste invadiu seu rosto.
Ela deu um suspiro e foi caminhando na minha frente apresentando toda a casa. Quando passei pelo quarto de Ally, vi pilhas e pilhas de roupas jogadas sobre a cama.
– Coitado de Troy. – Comentei.
Lauren virou na minha direção com as sobrancelhas levantadas pedindo uma explicação.
– Ele vai ter que ter paciência para guardar tudo aquilo de volta. – Expliquei. Ela deu um leve sorriso e concordou.
– Sorte que não sou eu quem está na pele dele. Aquela anãzinha pode ser um furacão quando quer – Lauren riu. Ela subiu mais um lance de escadas até parar em frente à última porta do corredor no terceiro andar. – Esse é meu quarto.
Ela abriu a porta e eu pude olhar dentro era elegante, mas não tinha muitos móveis. O que mais destacava era a cama King, não contive um sorrisinho satisfeito. Desviei o olhar da cama e olhei para a enorme janela que dava direto para a floresta.
Adentrei o quarto sem mesmo pedir, a paisagem era bonita. Fiquei observando-a por alguns minutos. Até sentir a respiração de Lauren na minha nuca.
Virei abruptamente para sua frente.
– O que você está fazendo? – Perguntei séria, mas eu sabia exatamente o que ela estava fazendo.
Porém ela parecia ter feito isso inconsciente, pois arregalou os olhos e se afastou de mim um pouco aturdida. Apesar de ela ter feito isso, eu já estava acostumada com a maioria dos vampiros me cortejando, eram pouco aqueles que não me olhavam com desejo.
– Eu... desculpa. – Ela não sabia o que dizer parecia chocada com sua própria atitude. – Eu não sei. – Sussurrou.
Entrei na mente daqueles que estavam pela casa e impedi-os de escutar o que fosse vindo do quarto.
– Você tem certeza que não sabe? – Perguntei sorrindo maliciosa enquanto me aproximava dela. Ela me encarou com os olhos arregalados.
– Talvez... Sim. – Ela tentou balbuciar umas palavras, porém não conseguiu.
Quando eu cheguei até ela coloquei minha mão em sua camisa por cima do seu peito e fui empurrando-o delicadamente para a cama, forcei mais um pouco fazendo com que ela caísse nela.
Seu rosto estava completamente abismada.
Subi em cima do seu corpo, com cada perna em volta da sua cintura sentando em cima da sua barriga. Deitei-me lentamente sobre ela colando nossos corpos.
Eu pude sentir seu corpo tremer em contato ao meu e sua excitação evidente me cutucando, sorri prazerosa ao saber as reações que eu podia causar nela. Eu não estava muito diferente, mas como era eu quem o provocava consegui controlar melhor o estado que me encontrava.
Nossos rostos estavam centímetros um do outro. Pude vê-la engolir em seco.
– Se você me dissesse o que quer facilitaria as coisas. – Eu sussurrei em seu ouvido para depois mordiscar o lóbulo dela.
Um gemido baixo escapou dos seus lábios.
Vi realizada seus pêlos arrepiarem. Só que aparentemente ela estava sem palavras para dizer qualquer coisa.
Afastei meus lábios de sua orelha para olhar em seus olhos. Lauren me encarava extasiada, talvez.
Segurei seu maxilar com a minha mão e sorri.
– Foi o que eu imaginei. – Dei dois tapinhas de leve em seu rosto e me levantei.
Ela balançou a cabeça como estivesse acordando de seus pensamentos.
– Espera. – Ela segurou meu braço. – Aonde você vai? – Perguntou desesperada.
Pelo visto suas reações voltaram.
– Fui ignorada praticamente o tempo todo. – Falei fingindo estar chateada. – Então vou lá para baixo.
– Não! Fique? – Ela implorou.
– Desculpe Lauren, mas sou um pouco impaciente e não gosto de ser ignorada. – Eu escondia minha diversão através do meu rosto desinteressado.
– Não te ignorei de propósito. – Esperei ela continuar coisa que não aconteceu.
– Então por quê? – Sim eu já sabia o motivo e tinha certeza que ela não iria confessar no momento que estava interessada em mim. Essa seria a minha deixa na maneira mais educada que encontrei.
Como esperado ela não teve coragem de dizer a verdade. Deixei o som voltar ao normal, e sai caminhando tranquilamente do quarto com um meio sorriso. Pude ainda ouvir Lauren praguejando baixinho.
Desci as escadas e Clara apareceu na minha frente.
Troy, Dinah e Mani estavam sentados nos sofás, na verdade só Troy e Mani, porque Dinah estava esparramada no outro. Ninguém parecia ter percebido o silêncio que ficou dentro do quarto de Lauren.
– Então, Mila o que achou? – Clara perguntou ansiosa pela resposta.
– Sua casa é linda, Clara. – Comentei enquanto via o seu designer e a decoração. – Foi você quem fez? – Perguntei enquanto olhava ao redor.
– Obrigada, Mila. Foi sim, adoro mexer nessa área. – Ela me puxou para fora da casa e apontou para a casa. – Está vendo aquelas estruturas e esses detalhes? – Foi apontando para a arquitetura da casa. – Eu desenhei e pedi para que fizessem exatamente igual ao desenho.
Ela não falava para se exibir, mas sim pelo orgulho que tinha do seu trabalho.
Tenho que confessar era incrível sua habilidade de designer. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa pude ouvir um carro se aproximando, não levou muitos minutos e vi que era Michael chegando.
Quando ele me viu assim que saiu do carro pareceu surpreso. Ele não imaginava que eu estaria aqui
– Mila! – Ele estendeu a mão em cumprimento. – Boa noite.
Cumprimentei-o de volta.
– Querido, demorou hoje. – Michael deu um rápido beijo nele.
– Tive pacientes que tiveram de ser atendidos até agora. – Ele me olhou. – Que surpresa vê-la aqui Mila.
– Para mim também é. – Eu sorri. – Porém quem consegue dizer não para todas as mulheres dessa casa?
Ele riu divertido.
– Com certeza não há quem contraria. É um prazer em tê-la aqui.
– Obrigada. – Agradeci educadamente.
Era bem cômico o fato do Michael exercer a profissão de médico sendo um vampiro.
Eles me levaram para dentro da casa novamente. Lauren já estava na sala ao lado de Troy e Mani, mas eu fingi não vê-la. A última coisa que eu queria agora era ver ela em um pedido silencioso para conversar comigo.
– Clara, se você quiser posso te mostrar umas arquiteturas de alguns dos meus imóveis que fiz. – Sugeri.
– Eu iria amar. – Seus olhos brilhavam empolgados. – Se quiser posso mostrar a pasta dos desenhos que fiz de outros imóveis da família.
– Então vocês têm muitos? – Perguntei curiosa.
– Sim, alguns espalhados por aí. – Ela comentou.
– Imóveis são ótimos negócios. – Disse Michael.
– Vocês utilizam algumas outras formas de negócios? – Eu estava interessada.
– Bolsas de valores com Ally por perto é um ótimo investimento também.
– Tenho certeza que sim. – Concordei.
– E você Mila, disse que tem alguns imóveis que você mesma desenha. São muitos? – Clara perguntou curiosa.
– O suficiente... Desde o início da minha eternidade, mas nem todos sou eu quem arquiteta alguns, compro prontos como esse de Forks.
– E como conseguem manter sua renda? – Dessa vez quem entrou na conversa foi Troy, mas ele não foi arrogante e nem nada, apenas curioso.
– Como vocês, através de negócios. – Eu sorri.
Ele esperou minha explicação, mas antes que eu continuasse eu ouvi os passos de Sofi e Ally descendo as escadas, e não fui eu quem continuou a conversa e sim minha filha que tinha ouvido.
– Mamãe tem vários tipos de negócios espalhados pelo mundo e é dona de coisas surpreendentes. – Ela falou enquanto sentava ao meu lado e Ally toda sorridente no colo de Troy.
– Como o que, por exemplo? – Michael indagou entretido.
Ela segurou minha mão com a sua.
“Posso falar?” ela perguntou através de seu dom.
“Sim, mas não exagere e cuidado para não citar nomes.” — respondi-a sem olhá-la.
– Coisas simples como dona de construtoras ou dona de empresas até mais interessantes como dona de shopping ou dona de vinhedos na Itália.
– O QUE? Dona de shopping???? – Ally gritou se levantando do seu lugar.
– Não. Quem é dona do shopping é Sofi.
– Eu não acredito. – Ally disse boquiaberta e se virou para Troy cruzando os braços e fazendo beiço. – Troy, eu também quero um shopping!
Os vampiros pareciam surpresos com as descobertas.
– Como você consegue cuidar de tudo se não está presente? Ninguém desconfia de nada? – Michael continuou com o interrogatório como se Ally não tivesse dito nada.
– Eu tenho meus representantes. Eles só me mandam os relatórios para mim, eu raramente apareço nas minhas empresas e em relação ao fato de não descobrirem que eu envelheço faço a mesma coisa que vocês para manter seus imóveis em seus nomes, mas a única diferença é que ser dono de uma empresa é, digamos... Um pouco mais burocrático, porém nada que eu não consiga resolver. – Falei explicando apenas o necessário.
– E você não tem medo que esses representantes consigam pegar sua empresa ou consigam extraviar seu dinheiro? Quero dizer, você está longe e hoje em dia é muito fácil humanos conseguir roubar por serem gananciosos pelo dinheiro. – Michael estava muito intrigado, não só ele, mas toda sua família.
– Em relação a isso não tenho nenhum problema. – Obviamente já que eu tenho acesso na mente deles e manipulo facilmente, mas isso é um detalhe importante que deixei de fora.
– E nunca aconteceu algo do tipo?
– Não. – Respondi. – Digamos que sou muito cautelosa nas minhas escolhas.
Minha última frase encerrou qualquer tipo de continuação desse interrogatório. Eu não podia dar os detalhes agora. Um novo assunto surgiu e todos entraram nele. Passou um bom tempo enquanto conversávamos. Eu sentia o olhar constante de Lauren em mim, mas não olhei uma vez sequer para ela.
Sofi e Ally estavam em uma entretida conversa até que minha filha cometeu um pequeno deslize.
– Maravilha, pequena Allycat. – Sofi falou inconsciente.
Eu gelei no lugar.
– Pequena Allycat? – Ally perguntou curiosa.
Droga, Sofia! Olhei-a e vi seus olhos arregalados me encarando como um pedido de desculpa. Pude ver os olhos estreitos de Troy e Lauren observando nós duas.
– É só um apelido que dei. Ele combina com você. – Minha filha transpareceu calmaria.
– Tem certeza que é só isso? – Perguntou Troy desconfiado.
– Sim, por quê? – Falou relaxada.
– Não é o que parece. – Sussurrou ele.
Encarei-o intrigada, ele parecia ter certeza no que dizia, mesmo que o rosto de Sofi parecia sereno e escondia tão bem seus sentimentos.
Quando Sofi quer, ela consegue ser uma ótima atriz, mas parece que com Troy e isso não colou. Achei estranho agora reparando bem ele parecia sempre saber o que sentíamos ou quando aquelas mudanças repentinas de humor surgiam enquanto estávamos com a família Jauregui.
Foi então que a minha ficha pareceu cair rapidamente. Espera! Não podia ser, podia?
Entrei em sua mente e verifiquei se ele supostamente poderia ter um dom e me surpreendi que ele podia sentir e controlar as emoções das pessoas. Eu já ouvi falar de um vampiro que era capaz de fazer isso.
– O que foi? – Ele perguntou me observando cauteloso.
Inclinei meu corpo para frente desencostando minhas costas do sofá, observando-o atentamente com um sorriso no meu rosto.
– Qual o seu sobrenome? – Perguntei direta.
– Jauregui. – Pude sentir uma certa hesitação quando ele falou.
– Estou falando do seu verdadeiro sobrenome. – Falei calma.
– Eu já respondi. – Falou nervoso. Oh sim, pelo seu jeito tenho certeza que era ele.
– Eu acho que não, Ogletree. – Sorri brilhantemente ao comtemplar seus olhos se arregalarem.
Voltei a minha posição anterior encostando meu corpo no sofá. Coloquei minha mão esquerda sobre o encosto dele e deixei meus dedos tamborilar ali.
Sua família toda também estava surpresa que eu descobri sobre a origem de Troy. Se eu não tivesse deixado de invadir suas mentes para saber sobre todos eu teria descoberto isso mais cedo, mas eu não me importei antes porque não estava com pressa. Detalhes assim não posso deixar passar, é importante saber os dons de outros vampiros.
Principalmente desse clã que é grande.
– Como você sabe? – Ele questionou tentando conter seu susto.
– Pelo seu dom. – Falei. – Quando eu estou perto da sua família, às vezes minhas mudanças de humor mudam rapidamente. Eu desconfiava que tinha algo de errado, mas nunca dei importância, não imaginei que seria um dom.
– E o que exatamente me entregou? – Rá! Essa era fácil responder.
Ele não aparentava mais estar assustado. Só que decepcionado por não ser discreto a ponto de algum vampiro descobrir.
Eu teria que ser mais cuidadosa para não demonstrar meus sentimentos tão claramente.
– A mudança de humor que você fez quando cheguei aqui hoje. – Ele me olhou confuso. Dei um sorriso sarcástico. – O seu erro foi me fazer sentir medo de você. – Ele parecia começar a compreender, mas esperou eu continuar. – Como você deve ter percebido, eu nunca senti medo de ninguém.
– Vai dizer que nunca sentiu medo de algo antes? – Dinah debochou desacreditada.
– Eu disse que não sinto medo de ninguém e não que eu nunca senti de algo. Em situações que já vivi tive medo do que fosse acontecer.
– Como perda você quer dizer? – Troy falou compreensivo.
– Exatamente. – Assenti com pequeno sorriso.
Percebi que toda a sua família observava-o... Espantados? Franzi o cenho, não entendendo. O que ele fez de errado? Bem não interessa, dei de ombros e voltei a olhar para Troy.
– Você me conhece? – Troy perguntou.
Eu assenti.
– De onde?
– Eu conheço muitos vampiros por aí pelas suas histórias, e a sua Troy é mais uma que eu ouvi. – Eu disse.
– Por um momento agora eu achei que você era uma vampira atrás de vingança, você sabe pelo que eu já fiz. – Eu assenti. Ele tinha razão vampiros são muitos vingativos quando querem.
Achei melhor contar sobre o que eu sabia e algumas coisas a mais, sendo assim os Jauregui começaria a confiar em mim achando que estou me abrindo com eles.
– Se você não tivesse se afastado dessa vida, provavelmente eu teria lhe matado, Troy. – Confessei. Os Jauregui me olharam abismados ninguém imaginava que algo assim seria revelado. Se para eles já é difícil aceitar um fato simples assim imagina se descobrirem que eu era a vampira original. – Entenda, você estava dando muitos problemas com as batalhas que participava, estava quase expondo nosso mundo de novo aos humanos quando Maria começou a ficar obcecada pelo poder.
Eu tinha que cuidar do mundo que existíamos, não podia deixar sermos expostos. Esse era um assunto que eu sempre interferia e tomava decisões ao poder dos Estrabão: As guerras.
– Maria? – Sofi perguntou feroz. – Aquela maldita?
– Ela mesma. – Disse.
– Ah, mais quando eu colocar minhas mãos naquela ordinária, ela vai se arrepender do dia que se tornou imortal. – Esbravejou minha filha. Eu sorri orgulhosa, Maria era uma inútil deixaria que minha filha acabasse com aquela vampira quando encontrá-la novamente.
–O que Maria fez? O que exatamente ouviu falar sobre mim? – Ele estava entretido. Sua atitude mudou bruscamente de desconfiado para confiar em mim.
Conforme eu fosse contar o que eu sei, eu entraria em suas mentes para saber se eles eram confiáveis. Sempre é bom saber quem está a sua volta.
– Tenho certeza que você conhece melhor do que ninguém as guerras dos recém-criados do sul, creio eu que você deve ter contado para todos da sua família como era.
Troy assentiu assim como todo o resto dos Jauregui.
– Na época dessa guerra, mesmo depois da interferência dos Estrabão. Os vampiros do sul continuaram com a guerra, porém mais discretos. Quando eu ouvi falar sobre um clã que conseguia controlar os recém-criados, mas estava causando grandes destruições eu tive que intervir. Esse clã como você deve imaginar Troy, era no qual você fazia parte. Tenho certeza que você percebeu como as vitórias estavam afetando Maria.
– De fato, ela estava ficando obcecada pelo poder que estava conquistando. Como você interviu se nunca a vi? – Troy confirmou, mas ainda tinha suas dúvidas.
– Eu de inicio não agia com minhas próprias mãos. Você nunca se perguntou por que Keana e Demi viraram contra vocês? – Perguntei com um sorriso cínico no rosto.
– Não. Achei que elas queriam o poder para si. – Ele estreitou os olhos em minha direção ao perceber que aquilo não era a resposta exata para a pergunta que fiz.
Esperei mais um tempo para ele refletir sobre o assunto. Olhei para Sofi ao meu lado e ela tinha um sorrisinho debochado no rosto. Ela tanto quanto eu queria ver se Troy demoraria tanto para descobrir a verdade. Troy olhou para nós duas e como se lesse nossas mentes à compreensão foi surgindo em seu rosto. Ouvi Lauren arfar.
– Você que estava por trás das decisões delas o tempo todo! – Ele me acusou. Eu dei um sorriso largo confirmando suas suspeitas. – Como fez isso?
– Para mim não foi difícil. Você estava certo elas também queriam o poder para elas, só que não tinham coragem de enfrentá-los principalmente com você lidando os recém-criados. Elas apenas precisavam de um incentivo e foi isso que dei a elas. – Dei de ombros. – Mas não imaginei que elas fossem tão ruins, vocês a destruíram facilmente. Pelo menos consegui separá-los e elas destruíram alguns do seu exército.
– Você teve a coragem de fazer isso? – Ele estava indignado.
– Não pode culpa-la. Você sabe muito bem que o errado dessa história não é ela, mas também não posso culpá-lo. – Sofi falou séria. – Entenda Troy, você não conhecia o mundo fora da guerra, Maria escondeu isso de você.
– Como você sabe? – Ele parecia surpreso.
– As duas vampiras lá, contou como Maria manipulava você. – Sofi explicou. – Mas agora você pode enxergar a verdade e saber que o que minha mãe fez era necessário. As guerras tinham que acabar.
Ele parou para pensar nas palavras da minha filha. O resto da família não se pronunciou nenhuma vez desde o início sobre essa conversa. Sabiam que esse assunto era de Troy e respeitavam seu espaço.
– Quando percebi que não tinha dado muito certo. Eu tive que agir com minhas próprias mãos. Eu esperei um tempo para agir e por coincidência quando ia agir eu descubro que Ogletree, o senhor da guerra abandonou Maria. Você não faz ideia de como facilitou meu trabalho. – Eu continuei já que ele não falou nada. – Quando Maria descobriu que eu estava indo atrás dela, ela mandou seu exército de recém-criados para matar a mim e a minha filha.
– Sofi também participou? – Normani chocada não conseguiu evitar a pergunta.
– Mais é claro e deixar toda a diversão para minha mãe? – Sofi riu. – Nunca! Destruir os exércitos do sul foi bem legal. Fazia muito tempo que não tínhamos uma boa luta.
– Diversão? Aquelas guerras eram um m******e. – Troy falou descrente.
– Não para nós. – Sofi deu de ombros e deitou a cabeça no meu colo fechando os olhos.
Sorri para minha filha e acariciei seus cabelos.
“Nada de colocar os pés no sofá.” enviei a mensagem para ela. Ela bufou, mas não abriu os olhos.
– Vocês sobreviveram ao ataque dela? – Troy perguntou.
– Hum. – Olhei para mim mesma e depois para Sofi. – Acho que nós não somos fantasmas. – Comentei.
Dinah por sua vez deu uma gargalhada.
– Nossa maninho que pergunta mais i****a. – Ela disse.
Troy revirou os olhos e bufou.
– Você entendeu o que eu quis dizer, Mila. – Troy ignorou o comentário da irmã.
– Eu com Sofi acabamos com o exército de Maria, mas ela fugiu quando percebeu que estava perdendo. Ela abandonou seu exército como uma covarde que ela é, porém o que é dela está guardado e quando eu reencontrá-la...
– Você dará nas minhas mãos para eu mesma acabar com ela. – Sofi se apressou em dizer.
– E eu darei para minha filha. – Falei abanando as mãos. Eu não me importava que fosse mesmo Sofi que iria acabar com Maria.
– Então foi você quem fez a limpeza dos exércitos? – Perguntou Troy.
– Sim, era a minha obrigação.
Troy me olhou atento.
– Sua obrigação? Por quê? – Apesar de às vezes ele não ver o que está na sua frente sempre fazia a pergunta certa.
– Nós nascemos com um propósito na vida, mortais ou imortais. O meu é proteger aqueles que eu amo e a exposição do nosso mundo para os humanos.
Ninguém pronunciou nada pelos minutos seguintes, vi que era hora de irmos embora o dia já havia clareado, havíamos passado a madrugada conversando. Eu e minha filha tínhamos ficado muito tempo com os Jauregui. Essa é a hora da nossa deixa.
– Já ocupamos muito tempo de vocês, é melhor nós duas irmos embora.
– Fiquem. Não há problema algum. – Michael pediu.
– Desculpa, mas não. Deixa para uma próxima, além disso temos que ir para a aula daqui a pouco.
– Vocês podem ir com a gente. – Sugeriu Ally.
– Eu realmente agradeço, mas vamos para nossa casa. E Ally depois eu compro seu celular novo.
Ela assentiu sorrindo.
Despedimo-nos de todos e fomos para casa.
– Que tal faltarmos hoje? – Perguntei com um pequeno sorriso nos lábios.
– Eu iria amar. – Os olhos de Sofi brilharam.
Os Jauregui iriam questionar mais sobre nós, mas agora as coisas estavam mudando eles não nos odiavam mais. No entanto não confiavam cem por cento em nós, ainda. No entanto, era apenas uma questão de tempo. Uma amizade já está surgindo entre nós isso era um meio caminho andado e pelo que vi em suas mentes eles podiam ser sim, confiáveis. Eu só tinha que conquistar a confiança deles e isso não seria difícil.