– Alunos, hoje a turma do terceiro ano terão aula com vocês. Eles estão sem professor então se à juntarão com vocês. – O professor de Educação Física gritou cortando o burburinho dos alunos.
Eu e Sofi estávamos sentadas em uma das arquibancadas. Eu estava olhando especificamente para dois alunos do terceiro ano; Dinah e Normani. A loira fazia gracinhas com a bola de basquete que tinha acabado de pegar de um garoto. Já Normani estava de braços cruzados com a cara fechada tentando ignorar as meninas falando m*l dela.
– Não acredito que essa p*****a está na nossa turma! – Ouvi a Stanley num tom um pouco mais alto que o normal.
– Ela não passa de uma coitada, veja só não tem nenhum amigo, porque não a suportam a não ser os irmãos dela. – Disse Lucy debochada.
O grupinho das meninas riu. Normani fingia não se importar com a conversa delas, mas eu percebi a fúria e a magoa em seus olhos. É chato ser tratado desse jeito pelos outros, eu parcialmente não gosto e quando isso acontece comigo eu realmente não me importo, mas se eu estiver em um dia estressante ou se fizerem isso com minha filha eu simplesmente não perdôo e acabo com o infeliz que seja.
– Aposto que nem mesmos os irmãos dela suportam-na. – Falou uma menina do terceiro ano que eu não conhecia fazendo todas ali rirem.
Ouvi um pequeno rosnado surgir pelos lábios dela. Dinah ao perceber correu até Normani e deu um beijo rápido sussurrando um “eu te amo” e palavras acolhedora para logo em seguida voltar ao jogo que iria começar.
– Muito bem, meninas. Como hoje tem bastante mulher vocês vão jogar queimada. Cabello venham jogar! – O professor gritou e assoprou aquele apito irritante.
Eu e Sofi nos levantamos e aproximamos enquanto o professor separava a equipe. Normani ficou na mesma equipe que eu e Sofi.
– Acho que talvez esse jogo pela primeira vez será divertido. – Sofi comentou enquanto olhava aquele bando de fofoqueiras no outro time.
Ela também não tinha gostado do jeito que trataram Normani.
– Tenho certeza que sim. – Dei um sorriso cínico e ela retribuiu entendendo.
O jogo começou e eu não pegava na bola, apenas desviava com movimentos simples, ora inclinando o corpo para um lado ora para outro, porém parecia que muitas meninas mais prestavam atenção nas fofocas do que no jogo. Um péssimo erro.
– Olha só a gostosa da Dinah jogando. – Falou maliciosamente uma das meninas.
Pelo canto do olho vi Normani as encarando irritada. Aposto que ela só não matava aquelas meninas por causa da sua família.
– Ela tá precisando de uma mulher de verdade ao lado dela. – Falou outra.
Agora sim as coisas iam ficar divertidas.
– Aposto que aquela dali não consegue dar conta. – Riu Stanley.
Dessa vez eu peguei a bola quando a mesma passou perto de mim. Ouvi a leve risadinha que Sofi deu. Normani olhou-a curiosa, seu olhar foi de Sofi para mim ao perceber que minha filha me observava.
Eu brincava com a bola jogando-a para cima e pegando-a na mão repetitivamente.
– Coitada aquela não passa de uma v***a mal... – Inesperadamente para as garotas acertei a bola com uma força um pouco mais que humana, porém nada demais. Apenas o suficiente para que a bola acertasse em cheio na cara de Lucy e derrubá-la no chão.
Sua cara de i****a foi impagável.
Escutei a risada estrondosa de Dinah. Sofi que estava afastada ao meu lado esquerdo não aguentou e caiu na gargalhada também, eu me segurava para não rir, deixei simplesmente o meu sorriso debochado no rosto.
– Ai. – Lucy gemeu tentando se levantar. – Quem foi a i****a que fez isso?
– Foi a Mila. – Sussurrou Jéssica ajudando-a se levantar.
Vi Lucy me encarar com o olhar furioso.
– O que você pensa que tá fazendo garota? – Ela gritou chamando atenção de algumas pessoas próximas.
– Eu? – Perguntei me fazendo de ingênua. – Nada, apenas jogando. Agora eu não tenho culpa se você se preocupa mais em falar dos outros do que em jogar. – Dei de ombros.
Ela me olhou irritada.
– Escuta aqui sua vagab... – E novamente antes dela completar sua frase levou outra bolada na cara caindo no chão.
Dessa vez não aguentei e deixei escapar um risinho. As pessoas aos poucos foram parando os jogos e viam a cena.
– Olha o respeito com a Kaki. – Sofi falou ríspida, seu humor tinha mudado completamente. – Ela só respondeu sua pergunta.
– Ela não falou com você sua desmiolada. – Stanley gritou.
Tá agora a brincadeira tinha acabado. Ninguém ousa falar assim da minha filha. Parei a brincadeira e caminhei até aquele bando de galinhas, eu tinha a expressão fria.
Vi elas hesitantes quando me viram aproximando aos seus lados. A Stanley estava com os olhos arregalados, peguei seu braço e puxei-a bruscamente, por alguns segundos ela ficou desnorteada. Eu encarava aquelas víboras de merda.
– Escutem bem que eu vou falar uma única vez. – Falei ríspida, contendo toda a minha fúria para não mata-la ali mesmo. Só não disse com minha voz mortal, porque talvez fosse demais, sei disso por experiência própria. – Se eu ouvir alguma de vocês falando m*l de mais alguém vocês irão se arrepender, mas se vocês falarem de Sofi. – Falei essa parte olhando especificamente para Stanley e Lucy que não sabiam medir suas línguas. Pude apreciar vê-la engolir em seco. – Eu simplesmente acabo com a pessoa. – Terminei num tom baixo, porém perigoso.
Elas tinham paralisado no lugar, seu olhos estavam arregalados de medo pude me deliciar com os seus corações disparados, talvez tenham entendido o que quis dizer, pelo menos por hora.
– Entenderam? – Perguntei. Elas assentiram impossibilitadas de soltar um som sequer. – Muito bem agora saiam daqui.
Não precisei pedir duas vezes e elas sumiram da minha vista.
– Isso foi incrível! – Sofi falou assim que se aproximou de mim. – Mas só fiquei insatisfeita porque achei que ia acabar com pelo menos uma delas.
– Temos que dar uma chance para os humanos. – Falei suavemente me recompondo.
Olhei em volta e muitos alunos presenciaram a cena, apesar de todos estarem assustados alguns tinham a expressão satisfeita no rosto.
O professor parecia alheio a sua volta escrevendo em sua caderneta.
– Você não é de dar segunda chance pelo menos não para humanos. – Ela me observou atenta. – Está num bom dia hoje?
Eu assenti.
– Está explicado. – Ela balançou a cabeça em compreensão.
Saímos do jogo e fomos nos sentar na arquibancada.
– Finalmente alguém colocou aquelas de lá em seus devidos lugares...
– Já estava mais do que na hora. Camila foi incrível...
Vários sussurros de alunos contentes com o acontecimento invadiu o ginásio. Após uns minutos Normani deixou ser acertada por uma bola e veio na nossa direção.
– Por que você fez aquilo? – Ela perguntou irritada.
– Aquilo o quê? – Me fiz de desentendida.
Ingrata, nem se quer agradece.
– Você sabe do que eu estou falando. – Olhei-a fingindo confusão.
– Eu só estava jogando. – Comentei casualmente.
– O que eu estou querendo dizer é... – Ela bufou e me olhou frustrada. – Obrigada!
Pela sua maneira de agir isso devia ser muito difícil dela fazer. Normani é uma vampira com um gênio forte, mas só não era boa em expressar seu sentimento.
Eu sorri para ela.
– Viu, não foi tão difícil. – Sofi comentou. – Você nem morreu.
Normani revirou os olhos, mas logo sorriu e Sofi chamou-a para sentar conosco.
Ficamos o restante da aula conversando sobre varias coisas.
Normani parecia mais solta depois de uma boa conversa. Ela era legal, apesar do seu jeito. Quase no fim da aula Dinah entrou na conversa e fazia palhaçadas.
Depois do sinal nós fomos juntos para o estacionamento.
– Mila, me diz uma coisa? – Mani falou atenta em algo na sua frente. – Como você conseguiu esse carro? Ele é para ser lançado só daqui a dois anos no mínimo!
– Conheço pessoas que me vendem o que eu quero comprar. – Ela arqueou uma sobrancelha me fitando. – O que espécies como a nossa não consegue facilmente.
Ela acenou em concordância. Seus olhos brilharam quando chegamos perto do meu carro.
– Gosta de Mercedes? – Perguntei curiosa.
– Com certeza, mas prefiro BMW. – Ela deu uma olhada no designer exterior do carro. – É impressionante! Esse modelo classe E é simplesmente lindo.
– Que tal uma volta? – Sugeri enquanto jogava a chave na sua mão.
– Você está falando sério? – Ela estava fascinada com a possibilidade.
– Claro. Só vamos ver se Ally vai querer ir. – m*l tive tempo de terminar a frase que já ouvi o gritinho da Ally.
Ela correu até nós.
– Não precisa nem perguntar! – Ally falou.
– Mas e eu? – Dinah falou fazendo beiço e cruzando os braços.
– Dessa vez não, amor. Hoje iremos apenas nós. Você, Lauren e Troy não estão inclusas. Coisas de meninas. – Normani falou dando um beijo na grandona e foi rapidamente para o banco motorista.
— Ei, Dinah e eu somos mulheres! — Lauren disse e eu sorri maliciosamente mordendo meu lábio inferior.
Olhei para o meu de suas pernas e ela acompanhou meu gesto.
— Fica pra uma próxima. — Pisquei um olho para ela que engoliu em seco.
– Meninas. – Me despedi enquanto dava as costas para Dinah e Lauren e seu irmão que chegou em seguida.
Sentei-me ao lado de Normani, e Sofi com Ally animadas atrás já voltando no assunto sobre moda. Pois é, as coisas com a família Jauregui estavam começando a mudar.