Simples gestos trazem novas amizades I

4805 Palavras
Pov Camila Cabello Como eu imaginei o dia hoje estava ensolarado, cheguei de madrugada depois de uma noite com os lobos. Realmente fiquei surpresa com eles, todos foram bem receptivos depois que souberam mais sobre suas lendas. Eu pensei que levaria tempo para eles se acostumarem comigo e minha filha, mas eles aceitaram tudo numa boa. Achei que por terem ódio pelos vampiros eles demorariam a confiar em nós, mas talvez algo que tenha influenciado na decisão repentina deles seria o motivo da aliança que eles têm com os Jauregui. Isso pode ter ajudado a eles lidarem bem com a situação. Mais eu tenho certeza que eles ficaram mais ao meu lado do que ao dos Jauregui. Os Jauregui nunca fizeram muito por eles, ao contrario de mim que fui amiga de um dos guerreiros mais importantes mencionados nas suas lendas, o primeiro homem a se transformar em lobo gigante, sem falar que eu salvei a tribo, tornei-os mais forte e de bônus o lobo alfa da matilha tinha um imprinting com minha filha. Eles pensariam muito se tivessem que ir contra nós por motivo que seja. Eu também os protegeria se precisassem pela memória de um velho amigo, eu zelaria o bem estar deles. Sofi estava afim de ir ao shopping de Port Angeles, eu a acompanharia até lá, mas não para ficar muito tempo no shopping e sim para me alimentar. Aproveitaria que estava sol hoje e sairia da cidade mais cedo. Duvido que os Jauregui saiam nesse sol, então não me preocuparia em ver a cara deles, caso resolvessem novamente me encher o saco. Seria impossível para eles saírem à luz do dia sem serem refletidos pelo sol, diferente de mim não importava o sol de rachar que tivesse não me afetaria pelo meu dom. Lembrei quando um aluno que tentou conversar comigo, falou sobre a família Jauregui sair para acampar em dia de sol. Era uma boa desculpa, assim Michael não precisaria aparecer no trabalho. Pelo visto o patriarca da família conseguia fazer seus horários no trabalho. Já era tarde, o sol aparecia bem nítido no céu nenhuma nuvem se quer para cobri-lo. Fui trocar de roupa. Sofi estava encostada no batente da porta da sala me esperando para irmos. Eu peguei a chave em cima do balcão assim que desci as escadas e joguei-a em sua direção. Sofia esticou os braços para pegar e me olhou arqueando uma sobrancelha. – Hoje você dirige! – Falei enquanto saia de casa e pegando meu óculos de sol para colocá-lo, minha filha fez o mesmo com o dela. – Por quê? – Ela me questionou. – Talvez eu não volte tão cedo. – E aonde você vai? Não posso ir com você? – Ela perguntou fazendo bico. Revirei os olhos. Esperei ela destrancar a porta do carro e entrei pela porta do passageiro. Quando ela deu a partida continuei a conversa, seu bico ainda estava no seu rosto. – Se você quiser perder a aposta pode ir comigo, vou aproveitar o dia hoje para me alimentar. Olhei pelo canto do olho e sua expressão voltou ao normal. – Então fique a vontade, mas você vai ficar comigo no shopping. – Ela exigiu. Soltei uma risada irônica. – Ficarei só um pouco até o sol abaixar tenho que me precaver com você caso saia no sol, mas assim que o sol se pôr vou deixar sozinha. – Mas isso só dará uma hora até o sol se pôr. – Ela disse indignada. – Exato! Não ficarei horas no shopping, na próxima você deveria ir com Ally fiquei sabendo que ela é fanática por compras. – Sugeri. Ela freou o carro bruscamente me fazendo apoiar a mão no painel para que não fosse para frente. Olhei-a incrédula, por que ela fez isso? – Você é maluca? – Falei entredentes. – Por que você não me disse que a pequena Allycat é apaixonada por compras? Eu teria uma companhia para ir comigo ao shopping. – Ignorei seu comentário. Ela tinha que ter parado o carro desse jeito só por que não falei sobre Allyson? – Agora escute, Sofia Isabela! – Ela arregalou os olhos quando a chamei pelo seu nome, e era bom que se assustasse, eu só a chamava assim quando estou brava com ela. – Se você estragar o meu carro ou um arranhãozinho que seja na pintura. Você vai se ver comigo. – Ai mamãe, não precisa falar desse jeito. Parece que você gosta mais do carro do que de mim. – Ela falou ultrajada enquanto voltava a dirigir. – Ele não me dá dor de cabeça como você. – Falei mais calma observando a estrada. – Exagerada! – Ela mostrou-me a língua. – Como se vampiros pudessem ter dor de cabeça. – Acredite, querida... Você consegue fazer esse milagre. – Eu ri da sua cara. Fomos o resto do caminho conversando normal até chegar a Port Angeles. Sofia comentou que na próxima vez faria questão de chamar Ally. Assim que saí do carro usei meu dom e ilusionei a mente das pessoas que podiam nos enxergar mostrando-as nossa aparência normal sem que vissem nossos corpos brilhando. Fiquei olhando em volta para ver se não tinha nada que nos entregasse até entrarmos no shopping. Agora sim que estava livre da luz do sol dentro do shopping desliguei esse dom, aproveitei e tirei o óculos também. – Esse shopping é muito pequeno. Não levará tanto tempo para passar em todas as lojas. – Sofi comentou decepcionada. Conforme andávamos pelo shopping, muitas pessoas nos olhavam impressionados, era normal isso em qualquer ambiente, muitos homens nos olhavam com desejo, um ou outro até tentou falar conosco, mas é só dar um olhar frio para eles que desistiam rapidamente. Humanos, como se eu desse bola para algum deles. Fiquei durante um bom tempo com Sofi andando pelo shopping, minha cabeça parecia explodir. O shopping até podia ser pequeno, mas dependendo da loja minha filha ficava mais de meia hora dentro dela. Ela era muito exigente fazia as atendentes mostrarem todas as roupas da loja, mas no fim elas pareciam não se incomodar já que minha filha dava um lucro altíssimo para elas. Eu aproveitei e comprei uma roupa ou outra para deixar Sofia feliz, porém tenho certeza que quando eu fosse embora ela compraria muito mais para mim. Sempre era assim. O sol tinha acabado de se pôr essa era a minha deixa. – Eu vou indo, Sofi. – Me aproximei dela para me despedir. – Ah não vai não, fica mais um pouco. – Ela fez birra. – Eu não quero ficar muito tempo sozinha em casa. – Exagerada, às vezes você fica anos sem ficar perto de mim. – Eu falei. – É diferente, já que eu fico com o tio Chris e Nate enquanto você está fora. – Tudo bem! Se você não quiser não precisa ficar sozinha. – Comentei casualmente. – Então você vai ficar comigo? – Ela abriu um sorriso. Peguei o celular e procurei o número do Shawn. – Eu não, mas tenho certeza que Shawn adoraria fazer companhia. – Sorri erguendo as sobrancelhas sugestivamente. – O que? – Coloquei o celular no ouvido assim que apertei o botão para fazer a ligação. Por sorte Shawn passou seu número ontem para mim. – Para quem você está ligando? – Como se ela não soubesse mesmo para quem eu estava ligando. Ela me observou com os olhos arregalados. No segundo toque ele atendeu. – Shawn? – Perguntei. – Sim... – Antes que ele continuasse Sofi tirou o celular da minha mão e o desligou. – Por que você fez isso? – Questionei me fingindo de brava, mas estava morrendo de vontade de rir. – Você sabe que é falta de educação fazer isso, não eduquei-a dessa maneira. – Ah, por favor. Acha mesmo que vou acreditar em você? – Eu ri. – Por que você ligou para ele? – Filha, você disse que não queria ficar sozinha só liguei para Shawn porque tenho certeza que ele não iria se importar de fazer companhia para você depois de ontem. – Me fiz de ingênua. Ela bufou. – Você sabe que não aconteceu nada entre nós, só foi um passeio na praia. – Não aconteceu por que você não quis, mas já está cedendo. – Sorri. Ela deixou escapar um meio sorriso, mas assim que percebeu que se entregou, mudou sua expressão para séria. Aproveitei esse momento de distração e peguei meu celular da sua mão. – Não estou cedendo nada! – Ela desviou os olhos do meu. O celular começou a tocar. Olhei e vi o nome do Shawn brilhando na tela. Ela me encarou estreitando os olhos, provavelmente esperando que eu não atendesse, doce engano. – Oi, Shawn! – Saudei-o. Sofi me olhou indignada. – Oi Mila, está tudo bem? – Ele perguntou preocupado. – Está sim. – Confirmei. – Precisa de alguma coisa? – Queria saber se você passaria em casa hoje. – Pedi. – Claro, mas aconteceu algo? Olhei para Sofi que estava com vontade de cruzar os braços, mas não podia por estar segurando varias sacolas em uma das mãos. Ela não me impediu de falar com ele, então já havia aceitado mesmo sem perceber. – Vou voltar tarde para casa e não gostaria de deixar Sofi sozinha. Você poderia fazer companhia para ela até eu voltar? – Perguntei meiga. – É cla-cla-cla-claro que sim... seria uma honra poder... te ajudar. – Ele gaguejou. – Ótimo! Daqui umas duas horas você pode passar em casa. Se não incomodar. – De jeito nenhum, estarei lá. – Ele falou sem hesitar. – Obrigada pelo favor, Shawn. – Imagina Mila, eu que agradeço. Desliguei o celular e Sofi olhava para o outro lado evitando me olhar. – De nada. – Murmurei. Ela me encarou assim que disse. – Por que fez isso? – Ela questionou. – Você sabe que eu te conheço melhor que ninguém filha, não faria nada que fosse contra sua vontade. – Não é o que parece. – Murmurou. – Se você acha mesmo que eu não soubesse que você não queria, você acha que eu iria chamá-lo para fazer companhia a você? – Ela não respondeu porque sabia que eu estava certa. – Então ótimo, se vira você! Não vou me meter mais. Se me der licença tenho mais o que fazer. Virei e saí dali, mas antes de ir embora procurei um homem alto e forte e quando encontrei ordenei para que carregasse as compras da minha filha até em casa e saísse logo em seguida. Deixei Sofi pensando sozinha, do jeito que eu a conhecia logo ela iria me pedir conselhos e ajuda novamente. Saí do pequeno shopping e segui a rua, apesar de escuro estava bem movimentada por causa da é noite mais fresca que normalmente. Algumas pessoas passavam me encarando, mas ignorei-as. Passei um bom tempo caminhando para achar um cheiro apetitoso, estava com fome e queria me alimentar de algo que valesse a pena. Até que finalmente um cheiro delicioso me atraiu, segui seu rastro até a pessoa. Era uma mulher de meia idade, ela estava sentada no ponto de ônibus com algumas sacolas ao lado olhando para seu relógio. Andei até ela e me sentei ao lado que não tinha sacola alguma. Ela parecia ser uma mulher inocente, então não daria o trabalho de matá-la. Assim que me olhou ficou surpresa ao me ver. Encarei-a e ela desviou os olhos um pouco intimidada. Não era uma mulher linda, mas era bonita. Tinha os cabelos pretos preso em um r**o de cavalo, com um perfil magro. – Está indo para casa? – Perguntei casualmente. – Si-Sim... – Ela me respondeu um pouco hesitante. – Sabe, é perigoso ficar até essa hora na rua, ainda mais sozinha. – Eu sei... mas é o único horário livre que eu tenho para passar no mercado. – Ela disse mais calma. Observei as sacolas e vi que era de um mercado que eu tinha passado alguns minutos atrás. Ela me viu olhando para as sacolas. Não entendia como humanos conseguia comer essas coisas fedorentas. – Está com fome? – Perguntou tentando ser educada. Olhei dentro dos seus olhos e sorri. Vi-a tremer e sua expressão se tornar um pouco nervosa. – Ah, eu estou! – Tem... alguma coisa que... que eu possa oferecer? – Seus olhos assustados abaixaram para a sacola na procura de algo que pudesse me dar. – Com certeza tem. – Sorri mostrando meus dentes assim que ela voltou a me encarar e vi-a engolir em seco. – Você pode me acompanhar em uma volta? – Falei na expectativa. Seus olhos estavam arregalados e o medo era evidente. – Eu... não posso. Meu ônibus já está passando. Ela tentou se levantar, mas eu segurei seu braço. – Vamos fazer o seguinte você me acompanha e assim que voltarmos ficarei com você aqui no ponto para que não fique sozinha e que ninguém lhe faça m*l. Ela iria se recusar, mas antes que dissesse uma palavra sequer entrei em sua mente e fiz com que me obedecesse. – Tudo bem. – Ela respondeu calma. – Perfeito. – Sorri satisfeita. Me levantei e ela fez o mesmo. Pegou suas sacolas e seguiu comigo em direção a uma rua mais deserta. Assim que nos afastamos verifiquei se não tinha ninguém ali, que pudesse me atrapalhar. Quando vi que estava tudo livre me virei para olhá-la. – Por favor, faça silêncio! - Pedi. Não deu nem tempo dela assentir e já mordi seu pescoço suguei seu sangue e ele era delicioso, mas controlei e tomei o máximo possível sem fazer m*l nenhum a ela. Assim que terminei apaguei sua mente e levei-a de volta ao ponto de ônibus e como havia prometido fiquei com ela até seu ônibus chegar. Durante o resto da noite cacei mais dois humanos para me satisfazer o suficiente. Esse era o problema de me alimentar sem matar nenhum humano, um não era o bastante. Eu gastava mais tempo procurando fontes de alimentação quando não matava a não ser quando pego aqueles humanos que não merecem viver aí sim me alimento deles até a morte. Era de madrugada quando voltei para casa, pude sentir o cheiro do cachorro perto da entrada de casa. Abri a porta e entrei, quando me virei para olhar em volta da sala não acreditei no que estava vendo. Sofi e Shawn estavam se pegando no meu sofá. Tudo bem que eu concordo que minha filha tenha relacionamentos, porém ver aquela cena não era nada agradável para uma mãe, ainda mais no meu sofá e para piorar hoje ela brigou comigo por ter chamado Shawn para vir aqui em casa. Me arrependi de ter feito isso, eles podiam pelo menos usar o quarto dela e não meu sofá onde sento todos os dias. Pigarreei alto. Os dois se viraram abruptamente e me encaram em choque, minha expressão era séria, mas tive vontade de rir assim que me viram com os braços cruzados abaixo dos s***s e nariz empinado. – Posso saber o que está acontecendo aqui? – Arqueei uma sobrancelha. Shawn desesperado levantou-se com tudo derrubando minha filha no chão. Ela caiu de b***a. – Ai. – Ela resmungou não de dor, mas por impulso. Me segurei muito para não gargalhar da cena, porém mantive minha mascara. – Sofi, me desculpa! – Shawn me olhou de novo assustado. Ele não sabia se tentava me explicar algo ou se ajudava Sofi a se levantar. – Ajude-a se levantar? – Pedi a ele. Ele por fim ajudou. Shawn estava sem a camisa, mas por sorte minha filha estava de roupa. – Pode me explicar o que está acontecendo aqui? – Questionei me segurando para não demonstrar a diversão que estava presenciando. – Eu sinto muito, Mila... e-e-eu não queria desrespeita-la... Eu... – Antes que ele continuasse a justificar Sofi bufou alto. – Me poupe, mamãe! – Ela disse cruzando os braços igual a mim. – Sabe, não é legal chegar em casa e ver sua filha agarrada com o namorado ainda por cima no meu sofá. – Ah, mamãe! Não me venha com essa. Você sabe como no começo foi frustrante ver você se agarrando com os vampiros pelos cantos da casa. – Ela jogou na minha cara. – Como diz o ditado: Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço! Ela estreitou os olhos em minha direção. – Eu sou sua mãe, eu posso! – Tentei mais uma vez manifestar meus direitos, mesmo sabendo que não tinha nenhum. – Não me venha com essa! – Ela começou a bater o pé no chão. – Você tem sorte por eu ter pego essa cena, imagina se fosse seu tio? Shawn não estaria mais neste mundo. – Balancei a cabeça. Ouvi Shawn se engasgar. Ela gargalhou alto. – Como daquela vez que o tio pegou você com um vampiro? Sobrou só o pó do vampiro literalmente. – Ela disse rindo. – Fazer o que, temos uma família ciumenta. – Eu sorri. Olhei novamente para Shawn que nos encarava boquiaberto ele está perplexo primeiro com nossa mudança de humor repentino e segundo pelo rumo da nossa conversa. – Shawn, acho melhor você ir agora, já está tarde. E obrigada por... – Observei-o mais uma vez antes de continuar. – Deixa quieto estamos quites. Volte outro dia. Ele abaixou para pegar sua camisa e fitava os pés ao invés de me olhar. – Eu sinto muito, Mila... Nos vemos outro dia. – Ele olhou para Sofi uma última vez e sorriu. – Obrigado, Sofia! Então saiu correndo de casa. – Por que o mandou embora? – Ela questionou chateada. – Se quiser pode chamar ele de volta, mas usem seu quarto. Por sorte, eu cheguei a tempo de salvar meu sofá. Saí caminhando para a cozinha. Eu tinha sentido cheiro de comida humana vindo de lá. Ao chegar lá vi pratos usados, copo, outras coisas e uma caixa de lasanha congelada. – Bem, pelo menos alguém usou a cozinha! – Comentei. – Mamãe? – Sofia me chamou, virei em direção à entrada da cozinha onde ela me encarava sem graça. Não disse nada só esperei ela continuar a falar. – Me desculpe por hoje mais cedo. Como sempre você sabia o que estava fazendo, eu só... não quis admitir que queria ver ele. – Ela sussurrou. – Tudo bem! Está perdoada, mas não se preocupe eu não vou mais me meter. – Não. – Ela quase gritou. Sofi correu até mim e me abraçou. – Por favor, eu sei que fui i****a se não fosse você não teria acontecido nada hoje e eu preciso sempre dos seus conselhos. Por favor, mãezinha linda me desculpe e não me ignore. Abracei-a de volta. Virei meu rosto em direção a pia e fiz careta ao ver a louça suja, fazia décadas que eu não lavava uma louça e não seria agora que eu ia lavar. Então uma idéia surgiu na minha cabeça. Delicadamente me afastei do braço de Sofi e dei as costas para ela indo em direção a pia. – Filha, foi chato a maneira que falou comigo essa tarde. – Procurei uma esponja por ali até achar uma ainda fechada dentro da gaveta. Eu me virei para Sofia enquanto abria a embalagem e ela me encarava curiosa. – Então como forma de castigo. – Joguei a esponja para ela que pegou-a surpresa. – Você limpa essa bagunça que Shawn fez. Sua cara foi impagável, ela me olhava abismada. – Como é que é? – Ela perguntou tentando se recompor. – Você ouviu muito bem. – Eu tinha um sorriso zombeteiro nos lábios. – O detergente está por ai em algum lugar e lave-os direito. Eu fui caminhando tranquilamente para fora da cozinha. – Você tá brincando comigo, né? – Ela murmurou cética. – Eu nem me lembro quando foi a última vez que lavei uma louça. Acho que nunca lavei uma louça. – Sinto muito, mas é problema seu sem falar que quem fez essa bagunça foi seu namorado, na próxima vez peça para ele limpar... Ah, e antes que eu me esqueça é bom que você não jogue essa louça no lixo se não vou fazer você pegar de volta e limpar de onde você tirou. – Continuei minha caminhada até o quarto com um sorriso satisfeito no rosto. Eu fui direto para o banheiro e deixei a banheira enchendo enquanto pegava uma roupa no closet para a escola, encontrei as sacolas das compras que minha filha fez na noite anterior. Nem fiz questão de olhá-las depois eu as guardaria em seus devidos lugares. Tirei a roupa pelo caminho e entrei na banheira. Relaxei com a temperatura gostosa da água em meu corpo. Fiquei lá por pelo menos meia hora, até a água começar a esfriar. Saí e me arrumei. Nesse curto tempo o dia já havia amanhecido. Ao passar pelo quarto de Sofi ouvi a água do chuveiro caindo. Ela devia ter se atrasado para tomar banho. Fiquei no sofá até a hora de sairmos. Chegando ao colégio, vi uma Ally saltitante correndo até mim. – Mila! – Ela pulou em cima de mim me dando um abraço apertado. Era a primeira vez que ela tinha essa atitude comigo desde o dia que nos reencontramos. Fiquei surpresa e pelo visto não era a única, sua família nos encaravam boquiabertos, e Sofi tinha um sorriso no rosto, ela sabia que isso era importante para mim. – Posso saber por que essa euforia? – Arqueei uma sobrancelha afastando-a um pouco do meu corpo. – Er... me desculpe por isso. – A ficha dela só caiu agora compreendendo sua atitude um pouco inesperada. Não me contive com o seu jeito meio sem graça e a puxei de volta para um abraço. A falta que eu sentia desse pequeno gesto me fez sentir maravilhada era muito bom ter a baixinha em meus braços novamente. – Está tudo bem, mas por que disso? – Perguntei curiosa. – Eu tive uma visão de você voltando a conversar comigo e não me contive. – Ela disse com um sorriso enorme. – Adiantada como sempre! – Comentei. Ela assentiu. – Sofi, vou adorar fazer compras com você na próxima vez. – Ela disse eufórica. – Ahhh!! – Sofia soltou um gritinho. – Não acredito, vou ter alguém sem reclamar para me acompanhar nas compras. As duas saltitavam enquanto falavam de modas e shoppings, essas atitudes delas me assustou um pouco. Balancei a cabeça. Imagine o que seria do shopping com elas juntas? Pelo canto do olho vi os Jauregui se aproximando. – Estou até com medo. – Disse Dinah. – Se Ally, sozinha no shopping já é um buraco n***o que suga tudo o que vê pela frente não quero nem imaginar como será ela com Sofi. Dinah parecia assustada e eu tinha que concordar não queria nem imaginar o que aconteceria. – Cala a boca Dinah! – Ally disse revoltada. – Se for um shopping grande não vai ter nenhum problema. – Desculpa Ally, mas tenho que concordar com Dinah. Não quero nem estar por perto quando vocês forem fazer compras. – Discordei de Ally. – Que horror mamãe, até parece que nós somos viciadas por roupas. – Sofi disse chateada. Não acredito que ela faz um comentário assim ainda, como se ela não fosse algo do tipo. – Camilinha! – Dinah deu um tapinha em meu ombro. Tá legal, agora esse povo resolveu falar comigo como se fossemos amigos de muito tempo. Esse pessoal só pode ser doido. Fitei-a tentando entendê-la. – O dia que essas duas resolverem sair para fazer esse negócio de meninas. Passe o dia em casa, vai ser bom ter você com a gente. – Vou pensar no seu convite. – Falei educadamente. – Obrigada! Qualquer coisa nesse mundo era melhor que entrar em um shopping com as duas, até mesmo passar o dia na casa dos Jauregui. – Vamos, Sofi? – Chamei-a enquanto caminhava para dentro da escola. Fomos todos caminhando juntos e ignorei os restantes dos Jauregui. Pude ver os olhares surpresos e indignados dos alunos por nos verem juntos. – Então um shopping bom, mas próximo de Forks é o de Seattle? – Perguntou Sofia. – Sim. Lá tem muitas escolhas. – Os olhos de Ally brilhavam na expectativa da sua próxima viagem para lá. Quando deu o sinal cada um foi para suas respectivas aulas, até que foram tranquilas. Não teve aquele bandos de alunos puxa sacos querendo se enturmar comigo ou Sofi, talvez por nos verem com os Jauregui não tenham gostado muito da ideia. As aulas antes do intervalo foram normais, voltei a falar com Ally e uma coisa que ela disse me chamou atenção. Ela contou que não sabe o por que, mas se sentiu agoniada por não ter falado comigo no resto da semana e muito menos por me ver no fim de semana que infelizmente sua família não deixou-a vir me visitar. Interessante, será que seus sentimentos permaneceram mesmo eu tendo apagado sua memória? Não sei, porém eu fiquei feliz sabendo que ela queria me ver. Durante o intervalo eu com a minha filha não fomos para o refeitório, fomos para o carro. Sofi queria mostrar umas roupas para Ally que sempre deixava dentro dele para caso precisasse usar em uma emergência. O companheiro da baixinha foi junto, sempre atento a cada passo nosso. Ele era um vampiro super protetor em relação a sua companheira. Fiquei encostada no carro até o intervalo acabar. Tive até mesmo que brigar com Sofi que não queria de jeito nenhum entrar para a próxima aula. Quando entrei na aula de biologia Lauren já estava sentado no seu lugar. – Então Ally anda te enchendo muito por causa de roupas? – Perguntou ela assim que me sentei. – Nem me fala, sua irmã e Sofi juntas são o próprio caos. Nunca imaginei que iria existir alguém parecido com Sofia em questão de roupas. – Falei injuriada. – Pois eu digo o mesmo em relação à Sofia. – Ela riu. – Ally não deixa nenhum de nós repetir mais de uma vez a mesma roupa. – E você não acha que eu não sei disso? – Eu também ri. – Se eu repito as roupas Sofi bota fogo comigo dentro delas! Lauren riu alto. Aquela gargalhada era linda. Fiz questão de ignorar isso. – Sabe, o convite que Dinah fez pra você hoje mais cedo ainda está de pé. Encarei-a e ela estava com aquele sorriso torto. Droga ela era linda demais! Subi meu olhar encontrando o seu que me observava intensamente. Uma sensação estranha passou pelo meu corpo. – Obrigada. – Falei enquanto desviava do seu olhar para o professor. Durante a aula ficamos em silêncio, terminamos tudo o que tinha que ser feito, assim tivemos um tempinho sem fazer até acabar a aula. – Hoje, sobre Ally ter agido daquele jeito... – Ela começou o assunto, olhei para ela me concentrando na conversa. – Não liga para ela não, ela sempre age por impulso. Digamos que ela é energética demais. – Eu sei. – Murmurei baixinho pra mim mesma olhando para frente. Senti o olhar de Lauren em mim eu sabia que ela não tinha escutado, eu falei baixo demais, então virei novamente em sua direção. – Mas eu gosto do jeito dela. – Falei sincera. Ela me olhou intrigada por mais uns minutos antes de falar algo. – Acho que começamos pelo pé esquerdo desde a primeira vez que nos vimos até hoje. – Quem começou foi você e não eu. – Constatei o óbvio. Ela bufou, mas concordou resignada. – Eu sei e realmente quero me redimir por isso, se você me der a oportunidade me deixe começar dessa vez com o pé direito. – Olhei séria, curiosa para saber onde ela ia chegar. Lauren inclinou seu corpo em minha direção e estendeu sua mão para mim. – Prazer eu me chamo Lauren Jauregui. Sou teimosa, mas tento me redimir. – Ela sorriu. Por um momento, eu olhei surpresa para ela. Realmente aquele seu gesto foi simples, porém legal. Apertei sua mão, uma sensação desconhecida por mim ao apertar sua mão me atingiu era como uma corrente elétrica, estranho muito estranho, no entanto era bom. Mesmo eu sentindo isso consegui disfarçar ao contrario dela que também pareceu sentir, ela ficou encarando nossas mãos com os olhos assustados. Tentei desviar sua atenção continuando com as apresentações. – Prazer Lauren, eu sou Camila Cabello, mas me chame apenas de Mila. – Sorri verdadeira apreciando essa nova amizade. Talvez essa palavra seja mais qualificada para o momento. Tentei soltar minha mão, mas ela não largou da minha. Olhei para ela querendo entender sua atitude, mas ela não parecia estar mais me olhando é como se ela estivesse em estado perplexo com a boca levemente aberta. Ela não mexeu um músculo se quer, não tinha entendido sua atitude, mas eu tinha que chamar sua atenção ou se não as pessoas começariam a reparar. – Lauren? – Chamei num tom audível para qualquer humano, mas parece que ela não ouviu. – Lauren? – Chamei mais uma vez dando um aperto mais forte em sua mão, pelo visto funcionou, porque ela piscou algumas vezes. – Está tudo bem? – Perguntei tentando entendê-la. – Seu sorriso é lindo. – Acho que alguém falou demais, pois ela arregalou os olhos assim que disse. Levantei as sobrancelhas em uma forma divertida. Eu poderia provocá-la, mas resolvi deixar quieto. Ela estava tentando começar de novo só que direito dessa vez. – Então será que pode soltar minha mão? – Perguntei contendo o riso. – Oh... Desculpe! – Ela largou minha mão e olhou para frente sem graça. Era estranho, conhecer ela desse jeito com essas atitudes. Lauren parecia ser uma vampira legal, por trás de toda aquela carranca e julgadora como era. Sem falar que também foi muito interessante saber que ela ficou daquele jeito por causa de um sorriso meu. Tive vontade de rir, provocar e irritar ela, porém daria essa trégua para ela agora, só por agora.
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