Sofi nos olhou contente, assim como eu ela havia gostado do sábio.
Quando cheguei à porta, permiti que os lobos pudessem nos escutar novamente. O sábio abriu a porta e encontrei Shawn andando de um lado para o outro quase fazendo buracos no chão. Assim que ele percebeu nossa presença olhou em nossa direção, seu semblante frustrado mudou rapidamente para aliviado.
Ele veio até nós parando na frente do velho.
– Akalet está tudo bem com você? – Shawn se aproximou dele segurando seu braço em um gesto de preocupação.
– Estou ótimo, rapaz. – Ele se soltou da mão do cachorro. – Agora me de a oportunidade única na vida de acompanhar uma dama tão encantadora como essa ao meu lado.
Nunca mais terei uma chance dessas. Agora vá e aproveite para fazer companhia para Sofi. – Ele tirou Shawn da sua frente para voltarmos a caminhar. Ri da cara de desacreditado do Shawn. Realmente gostei de Akalet além de ter ignorado Shawn ajudou-o para fazer companhia para Sofia.
Olhei-a pelo canto do olho e vi minha filha nervosa, mas acompanhou Shawn que correu ao seu lado sem pensar duas vezes. Fomos caminhando para a fogueira, por incrível que pareça Sofia começou a conversar com Shawn, não prestei atenção na conversa dos dois, fui conversando com o velho sobre as lendas que ele já contou aos garotos, as que eu não sabia ele disse que quando eu quisesse saber eu poderia procurá-lo para contar a mim.
Pelo caminho fui admirando a beleza do céu escuro, ele estava limpo de nuvens então era possível ver muitas estrelas. Pelo visto amanhã faria sol.
Tive todo o cuidado do mundo para o senhor ao meu lado não tropeçasse uma vez sequer, humanos eram tão frágeis.
Pude ouvir ao longe as vozes dos meninos e dos adultos provavelmente o conselho. O tempo da minha caminhada foi o suficiente para os lobos se transformarem em humanos novamente e esperar nossa chegada até a fogueira.
Assim que perceberam a nossa presença, viraram o rosto para nos olharem. Ignorei todos os seus olhares e conversei com o velho até chegar próximo a eles, pude sentir a tensão dos lobos assim que nos aproximamos. Apesar de permitirem nossa entrada nas suas terras eles não estavam muito contentes e muito menos confiavam em nós ainda.
Levei Akalet até a única cadeira vazia ali.
– Espero que as madames não se incomodem de sujar suas roupas por sentar no chão. – Um dos lobos falou sarcástico. Os outros lobos riram.
Ouvi Shawn rosnando para eles, mas não foi o suficiente para impedi-los a pararem de rir. Eu nem fiz questão de abrir a boca estava ali como convidada e eu não queria que a festa deles acabasse em velório, não com Akalet aqui.
– Calado, Paul! – Akalet esbravejou.
Assim que ele utilizou esse tom de voz todos ficaram instantaneamente em silêncio. – Se desrespeitá-las estará desrespeitando a mim.
Os lobos se mantiveram calados.
Observei de relance ele e o conselho olharam decepcionados para os garotos, pelo visto eles já deviam saber das lendas que serão contadas hoje.
Akalet olhou para mim e sorriu amigavelmente.
– Não se preocupe, Mila. Paul e Keaton darão seus lugares para vocês duas sentarem. – Ele disse.
Os garotos resmungaram, mas fizeram o que ele pediu e se sentaram ao chão. Não me importei nenhum pouco com a presença dos garotos desde a gracinha do tal de Paul. Para mim suas presenças poderiam ser facilmente ignoradas. Voltei atenção ao velho e o ajudei a sentar na cadeira, mas para isso tive que inclinar meu corpo levemente para baixo. Quando eu fiz esse movimento escutei alguns suspiros, não acredito uma hora os lobos estão rindo de mim e na outra já estão olhando para meu corpo? Mais são muito caras de paus mesmo.
Quando o velho já estava sentado me virei rapidamente para os garotos.
Todos estavam inclinados para frente me olhando de boca aberta, mas assim que me viram os encarando, voltaram rapidamente para a posição inicial quase se desequilibrando e desviaram seus olhares constrangidos para outros lugares. Dei um sorrisinho debochado e me sentei no lugar que antes era de Paul ao lado do velho.
Sofi sentou ao meu lado irritada, ela não gostou da maneira que os lobos fizeram piadas, se não estivéssemos aqui em gesto de paz provavelmente ela faria eles engolirem suas palavras ou eu mesma faria.
Akalet apresentou cada um das pessoas, eram dois senhores e uma senhora que fazia parte do conselho, sendo também pais dos garotos e no total de oito lobos o que me chamou atenção era que um dos lobos era mulher. Realmente eu não sabia por que dela ter se transformado sendo que eu nunca vi ou ouvi isso ser possível, todos os guerreiros que conheci que se transformavam em lobos eram homens. Encarei a loba por um bom tempo, quando a mesma percebeu meu olhar concentrado nela se sentiu desconfortável, mas me encarou de volta com o queixo erguido como se me desafiasse se eu tentasse algo. Sorri e balancei a cabeça.
Desviei meu olhar para não incomodá-la mais.
– Bom, creio que muitos de vocês devem estar se perguntando por que as duas tem permissão para entrar em nossas terras e estão juntamente hoje aqui conosco. – Todos olharam concentrados Akalet falar. – Então acho que não há ninguém melhor para contar as histórias de hoje do que a pessoa que presenciou e faz parte de uma das nossas lendas que vocês não ouviram inteiras antes.
Então ele me olhou e sorriu. Muitos ali se engasgaram, paralisam ou me olharam incrédulos. Ninguém imaginava que isso fosse possível e tenho certeza que não passaram isso pelas suas cabeças.
– Isso é piada, né? – Paul falou ainda meio em choque.
– Olha o respeito garoto! – Akalet o repreendeu. – Se vocês estão aqui hoje é graças a essa garota.
Agora sim, todos estavam paralisados me olhando embasbacado.
– O que você quer dizer com isso Akalet? – Shawn perguntou depois de alguns minutos dirigindo as informações.
– Que tal deixar a Camila contar a história, para vocês saberem? – O velho me encarou e sorriu para mim. – Nos daria essa honra?
– Claro!
Olhei para todos antes de começar a história.
– Akalet me contou que vocês conhecem algumas lendas sobre os frios, mas não contou sobre o primeiro vampiro que seus ancestrais tiveram o primeiro contato. Bem... Eu conheci TahaAki. – Eles me olharam surpresos. – Quando eu o conheci ele ainda era jovem e de fato ainda era solteiro, mas casos como imprinting já existia antes mesmo de eu conhecê-lo e não era assim que se chamavam suas amadas e sim companheira espiritual. Eu conheci TahaAki quando estava em uma viagem para casa. Sofia não chegou conhecer ninguém da tribo, pois já estava onde iriamos morar. Mas no meio dessa viagem que eu fazia, encontrei cinco guerreiros que foram atacados por um grupo enorme de mercenários da outra tribo. Quatro deles estavam mortos em compensação quase um exército de trinta pessoas da outra tribo estavam mortos. O único guerreiro que havia sobrevivido era TahaAki, ele estava quase morrendo. Não me juguem, mas eu estava com fome e todos os humanos exceto TahaAki estavam mortos e eu não me alimento de pessoas mortas, então vamos se dizer que para acabar com minha fome e acabar com o sofrimento do guerreiro resolvi me alimentar dele.
Escutei vários rosnados. Não podia criticá-los se eu conhecesse alguém que tivesse matado alguma pessoa que foi importante para mim mesmo que indiretamente, não pensaria duas vezes e acabaria com o infeliz.
– Como ousa? – Gritou um dos lobos.
– Meninos, por favor. Deixe-a terminar. – Quil Ateara pai de um dos lobos pediu antes de suspirar.
Eu continuei com a história:
– Assim que me aproximei dele para me alimentar senti um cheiro diferente, não era um cheiro comum, tinha alguma essência diferente em seu sangue. Quando o olhei seu coração ainda batia, mas bem fraco. Olhei em volta e foi aí que minha fixa caiu, tinha alguma coisa de errado. Como apenas cinco humanos conseguiram matar um exército daquele tamanho? Eis o fato era intrigante demais para matá-lo a minha curiosidade foi maior. Decidi então levar TahaAki comigo em uma cabana abandonada que encontrei próximo daquele local. Fiquei pensativa com o rapaz, cuidei-o durante semanas até ele se recuperar e me surpreendi com sua capacidade rápida de cura, não era como hoje que em questão de minutos ou horas já estão bem, mas era muito rápido até mesmo para um humano. No começo ele ficou assustado com minha presença, mas quando percebeu que eu estava cuidando-o se tranquilizou e foi assim que surgiu início da nossa amizade. Eu sabia que ele era diferente então pedi para que ele me contasse o que era, porém no começo ele relutou um pouco, mas acabou contando. Por fim ao descobrir que não era humano eu acabei contando o que eu era, ele não era um humano para que eu não contasse sobre minha espécie. No começo o jovem ficou tenso, mas se acostumou com a ideia e acabou me aceitando como eu sou. Se não fosse por mim, ele estaria morto.
Eram poucos aqueles que se tornavam lobos e eles não eram como vocês que se transformam em lobos gigantes, se transformavam apenas lobos normais, porém perigosos. Ele me guiou até sua tribo e contou a todos o que eu era, mas assim que contou para todos da tribo que fui eu quem o salvei me receberam de braços abertos ou quase isso. Tive que sair da aldeia e avisar minha filha que passaria um tempo fora eu queria muito saber mais sobre essa nova espécie. – Olhei para Sofia que sorriu para mim. – E você nem estava afim de vir comigo! – Ela fez careta, mas concordou. – Então comecei a passar o tempo nessa aldeia só que por conta daquele ataque contra os guerreiros da tribo, mataram praticamente metade daqueles rapazes de se transformarem e foi nesse curto período de tempo que a tribo do exército que enfrentaram juntamente com uma outra decidiram atacar os Quileutes.
“Eles queriam matar todos da tribo para que não houvesse mais alguma geração que pudesse se transformar na criatura que temiam. Era um exército grande e seria incapaz dos guerreiros conseguir matar todos. Eu nunca me envolvo em guerras de humanos, mas deixei esse meu conceito de lado quando meu amigo, TahaAki e a aldeia precisavam de ajuda. Sem falar também que são guerreiros espirituais o que diferenciam dos humanos, não poderia assistir acabarem com a aldeia, vocês são os primeiros transmorfos que conheci. Eles estavam sendo covardes por não só acabar com a vida dos guerreiros, mas como toda a vida dos homens, mulheres e crianças da aldeia. Todos faziam parte da proteção espiritual. Então eu fui o ataque surpresa, pedi para que TahaAki que ficasse longe e protegesse seu povo, ele nunca tinha visto o que eu era realmente capaz de fazer, então ele ficou ao meu lado. Eu não permiti que ele ou os guerreiros participassem da briga para que não houvesse mais morte ao seus lados, então eu os impedi do meu jeito. Assim que o exército chegou eu matei todos aqueles humanos, não permiti que nenhum sobrevivesse, foi um m******e aquele dia. TahaAki e os guerreiros ficaram surpresos, eles não enxergavam nada além de um borrão e um a um que fizera parte do exército caindo no chão. Quando matei todos, eles ficaram assustados e temerosos, levei um tempo para mostrar a eles que eu estava lá para protegê-los e não exterminá-los. TahaAki apesar do medo por nunca conhecer alguém como eu confiou em mim. Ele ficou ao meu lado o tempo todo e nos tornamos grandes amigos.”
- Passei uns dois anos com ele e sua tribo, eles eram muito bondosos e generosos, mas eu tinha que ir embora e voltar para minha família e principalmente para minha filha. – Sofi sorriu e deu um beijo em meu rosto. – Porém não podia deixá-los desprotegidos caso um outro vampiro invadisse a aldeia, então propus algo para TahaAki disse que através de mim sua magia poderia torná-los mais fortes, ele aceitou prontamente e ele fez a magia necessária para se tornar mais forte que fosse capaz de poder matar alguém da minha espécie. Foi através dele que surgiu o primeiro lobo gigante na presença de um vampiro.
– Espera, você quer dizer que você foi a responsável por nos transformar no que somos? – Perguntou Shawn incrédulo.
– Quase isso, por vocês serem descendentes dele e dos guerreiros vocês certamente herdariam o gene de continuar a se transformar, eu apenas aprimorei os tornando mais fortes. – Respondi normalmente.
– Você quer dizer que ajudou ele com a magia? É possível os vampiros se envolver com esse tipo de coisa?
– Não, é impossível para qualquer vampiro, menos para mim.
– Por que justo você? – Perguntou desconfiado. Todos prestavam atenção nessa resposta.
– Não que eu consiga fazer feitiços, é por causa da minha origem, mas este é um assunto meu.
Eu não contaria a nenhum deles que sou a primeira vampira, não que eu não confiasse neles, tá eu não confiava mesmo, mas não era essa a questão e sim que mesmo eles não quisessem contar a alguém, não poderia me arriscar para que outros soubessem.
Provavelmente contariam sobre isso nas suas lendas nas próximas gerações e neste caso seria perigoso.
– Então foi por isso que como Akalet me contou, TahaAki explodiu se tornando um grande lobo e mais poderoso quando viram a vampira na aldeia. – Comentou Shawn mais para si mesmo
Todos se mantiveram calados por um bom tempo, até Seth cortar o silêncio.
– Cara, sem duvida está foi a melhor de todas as lendas eu não acredito que eu estou aqui vendo a criadora do que somos. – Seth pulou de seu lugar e correu até mim. – Obrigado, Mila por nos tonarmos fortes e obrigado por salvar todos da aldeia. Tenho certeza que esses manés aqui que não acreditavam em você depois dessa história passaram a acreditar.
Ele dava socos no ar como se estivesse em uma luta imaginaria.
– Mas como podemos ter certeza que você é a mesma da história? – Questionou Austin.
– Simples, porque seu nome consta na lenda, por isso quando Shawn falou seu nome pedi que a chamasse até aqui e outra sua aparência é descrita da mesma maneira que eu vejo. “O ser mais belo e poderoso deste mundo não é um homem e sim uma mulher destemida e guerreira de cabelos mognos, dos incríveis olhos castanhos chocolates e a pele pálida de uma beleza inacreditável e inalcançável por qualquer um que já existiu.” – O velho sussurrou palavras da lenda. – Vocês conhecem algum vampiro com o mesmo nome que o dela e principalmente com esta bela cor dos olhos?
De fato isso já provava realmente quem eu era para todos.
– Sinto muito por questionar você, Mila. – Brandon falou cabisbaixo. – Espero que você entenda, porque é muita informação para digerir.
– E eu peço desculpas pelas minhas gracinhas. – Paul murmurou.
Que avanço agora todos os lobos me respeitava, pois é, o que uma história não muda. Seth que até então estava em pé se jogou para sentar entre mim e Sofi. Nós duas nos afastamos um pouco para aquele enorme menino caber no meio.
Eu ri da sua empolgação ele era um garoto divertido.
– Então Mila, por que seus olhos são castanhos?– Ele perguntou enquanto pegava uma salsicha, espetava no galho e a estendia em direção ao fogo para assar. – Todos os vampiros que encontramos tinham olhos vermelhos ou dourados iguais ao dos Jauregui.
— E tem Lauren com os verdes. — Brandon lembrou.
– Digamos que meus olhos são assim porque tive uma transformação diferente dos vampiros. – Comentei o básico escondendo toda a história por trás dessas palavras. — Vai ver tenha acontecido o mesmo com ela. — Dei de ombros.
– O que os vampiros sentem quando estão se transformando?
Por sorte ele mudou a pergunta distraído.
– Durante a transformação é uma dor insuportável é como se você fosse queimado vivo, só que uma dor muito pior. – Comentei.
– Nossa deve ser horrível. – Seth estremeceu e eu assenti. – Por sorte vocês não voltam a existir torrados. Já pensou se vocês saem por aí como cadáveres queimados isso seria assustador e nojento demais. – Ele fez careta.
Eu ri da sua imaginação.
– Ah, me lembrei você disse que sabia porque Shawn teve uma imprinting com uma vampira. – Ele me olhou curioso. – Então?
Percebi que as pessoas pararam de conversar para prestar atenção até Sofi que estava conversando com um dos lobos também prestou atenção.
– Eu já respondi essa pergunta. – Ele me olhou confuso. – Vocês se tornaram o que são através de mim, isso deve ter aberto alguma exceção para o imprinting, e minha filha tem o meu gene, então provavelmente isso foi permitido pra ela.
– Então é possível que alguém da nossa aldeia sofra um imprinting por você? – Sam falou comigo pela primeira vez.
– Talvez sim, mas como vocês sabem eu teria que ser a alma gêmea dele. – Fiz questão de enfatizar essa última parte para Sofi ouvir.
– Ah que droga, eu queria ser o lobo que sofresse um imprinting por você. – Seth disse chateado. – Mas um mulherão como você, não tem quem não se apaixone.
Ele arqueou as sobrancelhas sugestivamente e eu ri.
– Você tinha comentado que fazia parte da tribo de outros transmorfos. – Comentou Sam se lembrando do primeiro dia que nos viu.
Eu asenei para ele continuar, porém outra pessoa cortou-o.
– Shawn, tinha comentado sobre isto. Então existe mais transmorfos pelo mundo? – Billy - pai de Shawn - estava curioso.
– Sim. – Confirmei.
– E eles também são fortes como os lobos? Quero dizer... vocês os ajudaram da mesma maneira que a nossa tribo? – Ele questionou.
Eu olhei para Sofi permitindo que ela contasse, ela adorava os outros transmorfos não tem ninguém melhor que ela para responder.
– Mamãe além de vocês só ajudou mais uma tribo. Eles e vocês são os únicos, já os outros transmorfos que conhecemos não, então a maioria não são tão fortes como vocês.
– Como Sam comentou, vocês fazem parte da tribo deles. Não me entendam m*l, mas como eles permitiram... Aceitaram vocês na tribo? – Billy perguntou.
– Nós chegamos a comentar isso com os lobos. Resumindo eles acharam que nós éramos suas Deusas, independente do que dissemos que éramos. Mesmo depois de tudo, todos da aldeia nos aceitaram e pediram para que fizéssemos parte da tribo. Fomos bem recebidas por todos então aceitamos. – Vi os olhos de minha filha brilharem enquanto contava.
Billy acenou, pelo seu olhar percebi que ficou fascinado pelas descobertas e era um cara legal, mas observava tudo com cuidado e, além disso, ele era muito supersticioso. Sempre iria se precaver para tomar cuidado com suas palavras. Ele de certa forma era igual a mim, apesar de ter amigos e todos fossem leais a mim eu preferiria desconfiar deles a não ser minha família dos Estados Unidos ou da Itália, esses sim eu confiava plenamente.
Depois de um tempo Sofi voltou a falar com Shawn, ele a convidou para dar uma volta pela praia e para a surpresa não só dele, mas de todos ela aceitou. Antes dela sair para acompanhar Shawn, ela me olhou, e eu pisquei sorrindo para incentivá-la a continuar. Ela me retribuiu com um pequeno sorriso e seguiu para a praia.
Olhei em volta e vi o velho acendendo uma daquelas coisas que os humanos usam para fumar... Qual era o nome mesmo? Talvez um cigarro? Eram tantos tipos de substancias de fumo que só vendo eu não sabia qual era qual, quando ele percebeu que eu o observava me encarou.
– Te incomoda se eu fumar um pouco?
– Não, de forma alguma. – Respondi.
Ele ascendeu o cigarro e deu uma tragada para depois soltar a fumaça pela boca. O cheiro era horrível, ainda mais para alguém como eu que tem um olfato mais aguçado, porém não reclamei. Pelo cheiro senti a essência de nicotina, e o tipo de fumo que tem essa substancia era o cigarro.
Através das informações sobre o cigarro sabia que não fazia bem.
– Sabe, você não deveria ficar fumando, essas coisas faz m*l para sua saúde. – Sugeri.
Ele deu uma gargalhada batendo na perna.
– Oh menina, quando eu for morrer não será por causa de um desses aqui. – Levantou o cigarro para mostrar sobre o que falava.
– Não sei. Já ouvi falar que essas coisas já mataram muita gente. – Ainda tentei expor a minha visão.
– Não se preocupe. Nessa minha idade a qualquer momento posso morrer, não me importo com isso.
Eu não tinha palavras para questioná-lo de fato ele não teria muitos anos de vida pela frente, mas queria que pelo menos ele passasse o resto dela com saúde.
Conversei um pouco com o conselho.
Comecei a conversar com todos os lobos até mesmo Leah que estava receosa acabou conversando comigo.
Todos eram legais e divertidos, fazia tempo que não convivia com pessoas tão tranquilos como eles. O que uma lenda não muda!
Eles eram o mais próximo dos humanos que provavelmente eu iria conviver por um tempo. O primeiro e único humano que eu fui muito próxima e me apeguei era a baixinha que se encontrava alguns quilômetros daqui.
– Então Mila que tal dar uma volta comigo pela praia também? – Olhei para Paul que deu um sorriso malicioso.
– Não, não. Mila vai comigo. – Exclamou Seth.
Austin entrou no meio da briga e começaram a discutir cada um dizendo que iria sair comigo. Era incrível que eles pareciam nem ligar agora pelo fato de eu ser vampira, depois de saberem o que eu fiz pelos seus ancestrais mudaram completamente a maneira de pensar e se tornaram bem receptivos, pelo visto não haveria mais nenhum problema entre nós.
Para falar a verdade seria interessante sair com algum deles, já me envolvi com um transmorfo que faço parte da aldeia e eles são bem resistentes por serem mais fortes que os humanos. Será que um deles seria tão resistentes como o outro? Seria uma experiência em tanto.
Antes que eu me aprofundasse nessa ideia. Leah se levantou do seu lugar e me puxou tirando dali.
– Não incomodem a Mila. – Ela me olhou. – Vamos sair daqui antes que uma de nós duas arranque a cabeça deles. – Antes de sair com Leah só para provocá-los um pouco pisquei e dei um sorrisinho malicioso para os garotos.
Eles ficaram parados no lugar me olhando de boca aberta. Quando recobraram os sentidos tentaram correr na minha direção, mas como os três vieram ao mesmo tempo um começou a puxar o outro e assim acabaram entrando em uma briga entre eles.
Realmente valeu a pena vir aqui e conhecer todos. E como uma promessa para meu amigo TahaAki que fiz há muitos séculos atrás, protegeria o povo da reserva principalmente os lobos Quileutes custe o que custasse.