O Deputado acordou cedo naquela quarta-feira como se fosse acordar sempre: olhando o telefone antes de abrir a cortina, vasculhando mensagens, analisando o noticiário com os olhos de quem procura falhas alheias para preencher. O gabinete ainda cheirava a café requentado e ambição. Para ele, o escândalo não era apenas uma ameaça — era uma oportunidade de mostrar força, esmagar quem tentasse desafiá-lo e, de quebra, punir aqueles que ousaram mexer com seu nome. A estratégia foi montada em camadas, fria e metódica, por uma equipe enxuta que sabia transformar pânico em controle. Não era apenas refutar; era enterrar qualquer possibilidade de investigação. E, acima de tudo, promover a narrativa que lhe convinha: “tudo forjado, tudo político, todos perseguidores”. Na coletiva que convocou para

