Era fim de tarde no morro. O céu se pintava de um laranja pesado, como se refletisse o peso que pairava sobre todos aqueles que ainda aguardavam um desfecho. Dentro da sala estreita onde Coringa e Naipe passavam horas discutindo estratégia, o ar estava denso, impregnado pelo cheiro de cigarro e pela ansiedade que nenhum ventilador antigo conseguia dispersar. O advogado, um homem de meia-idade de terno amassado, tinha acabado de chegar. Colocou a pasta de couro sobre a mesa improvisada de madeira e olhou para os dois com a gravidade de quem carrega uma bomba prestes a explodir. — Eu segurei o quanto pude… — disse, tirando os óculos para esfregar a ponte do nariz. — Mas as pressões estão aumentando. Estão tentando me comprar, intimidar, me cercar de todos os lados. Esse material já não é

