O gabinete estava silencioso, exceto pelo leve zumbido do ar-condicionado e o tilintar dos cubos de gelo girando no meu copo de whisky. Olhei pela janela do meu escritório, lá no alto, vendo a cidade iluminada como um tabuleiro. Eu sempre gostei dessa visão — lembrava que, lá de cima, eu decidia quem ganhava e quem perdia. Até que ela apareceu. Amélia. Uma menina linda, elegante, inteligente, recém formada, em busca de uma vida melhor. Tinha algo nela, uma determinação, uma força e eu gostei disso… por um tempo. O tipo de desafio que massageia o ego de um homem como eu. Seduzi-la foi quase natural. Uma conversa prolongada no corredor, um convite para jantar “para falar de trabalho”, um toque na mão, um olhar sustentado, uma carona... Ela caiu, e eu também, de certa forma. Mas não o

