ULTIMA CONVERSA

928 Palavras

O ar daquela manhã estava pesado, mesmo para uma cidade acostumada com o calor. Eu tinha marcado com Helena num café discreto, afastado das avenidas movimentadas. Era cedo, antes das nove, quando cheguei. O café tinha paredes de tijolos à vista e música baixa, quase inaudível. Pouca gente ocupava as mesas: um casal mais ao fundo, um homem de terno lendo jornal e uma moça sozinha no balcão. Escolhi uma mesa encostada na parede, de onde podia ver a porta e a rua pela janela. Helena chegou minutos depois, de óculos escuros e cabelo preso. Sentou-se sem tirar a bolsa do ombro, como se estivesse pronta para sair a qualquer momento. — Trouxe tudo? — perguntou, antes mesmo de pedir um café. Eu assenti, colocando uma pasta marrom sobre a mesa. O plástico estava marcado pelas minhas mãos sua

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