Eu não sei exatamente quando tudo começou a dar errado. Talvez o erro tenha sido desde o início, no dia em que cruzei aquela porta de vidro fumê, ainda com o meu currículo na mão e o coração acelerado, achando que aquele emprego seria minha chance de ter uma vida melhor. O escritório do deputado era imponente — mesas de madeira escura, cheiro de café forte no ar, paredes forradas de quadros e prêmios que ele fazia questão de exibir. Eu tinha 23 anos, recém-formada em Secretariado, e estava ali para ser assistente. O trabalho era bom, o salário melhor ainda, e eu me orgulhava de estar naquele lugar. Ele… o deputado… tinha um jeito cativante. Sorriso fácil, voz firme, presença que fazia qualquer um prestar atenção - sendo homem ou mulher. Nos primeiros meses, era só profissionalismo. C

