A madrugada já havia ido embora. Era manhã quando Milena despertou. Os olhos pesados demoraram a se acostumar com a escuridão do cômodo. O ar era úmido, impregnado pelo cheiro de mofo, ferro e sangue seco. Ao tentar mover-se, percebeu que estava amarrada a uma cadeira, os pulsos presos por cordas grossas que cortavam sua pele. O coração disparou, acelerado. Tentou puxar o ar fundo, mas o pânico engasgava sua respiração. Então ouviu passos. A porta de ferro se abriu com um rangido agudo. A luz do corredor invadiu o quarto e revelou três figuras entrando. Coringa à frente, com o semblante carregado de ódio; Charada atrás dele, calmo, os olhos atentos como se analisasse cada detalhe; e Naipe fechando a porta, o corpo enorme preenchendo o espaço, silencioso como uma sombra. Milena engoliu

