Os dias no morro estavam mais tensos do que nunca. Desde a invasão sob ordens do deputado Marcelo Alencar, Coringa, Charada e Naipe não dormiam direito. Eles se revezavam nas madrugadas, vigiando a boca, checando movimentações estranhas e cobrando informações dos contatos espalhados pelo asfalto. O silêncio pesado que pairava sobre eles era mais perigoso que o barulho dos tiros. Charada, como sempre, era quem mergulhava de cabeça nos papéis, celulares clonados, contas bancárias, rastros digitais. A mente dele não parava. Ele passava horas trancado na salinha dos computadores, mergulhado em pastas velhas e documentos esquecidos. E foi justamente numa dessas noites insones, já com o sol surgindo por trás dos barracos, que encontrou algo que lhe gelou o sangue. Um recibo. Simples, antigo,

