O dia amanheceu abafado no morro, o céu cinzento parecia refletir o peso que caía sobre os ombros de todos. Desde o desaparecimento das meninas, nada mais tinha paz. O som das motos, das conversas e até dos rádios de pilha nas janelas soava estranho, como se cada barulho denunciasse a ausência de Laura, Letícia e Bianca. Na boca, Coringa, Charada e Naipe estavam reunidos desde cedo. As olheiras fundas e os rostos tensos mostravam que ninguém havia dormido direito. A noite havia sido de vigília, de pensamento acelerado, de planos que iam e vinham sem solução. — Não dá mais pra esperar, p***a. — Coringa murmurou, passando a mão no rosto. — Já sabemos que a Milena tem coisa nessa história. A hora é de agir. Charada, que não desgrudava do notebook havia horas, levantou os olhos. — Concor

