GABINETE

758 Palavras

O gabinete do deputado Marcelo Alencar ficava no alto de um prédio moderno no centro da cidade. A sala tinha paredes de vidro, cortinas fechadas e um ar-condicionado gelado que contrastava com o calor abafado da rua. Na mesa de madeira maciça, papéis organizados em pilhas, uma garrafa de uísque caro e um cinzeiro limpo, como se esperasse uma visita importante. Às nove horas em ponto, a porta foi aberta pelo assessor, e o comandante da Polícia Militar entrou. Um homem de farda impecável, rosto marcado pela idade e pela carreira, mas com olhos que brilhavam mais pela ambição do que pela honra. — Deputado — disse ele, levando a mão à testa em continência. — Conforme solicitado, trago o relatório da operação no morro. Marcelo Alencar não levantou imediatamente os olhos dos papéis. De cane

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