Pré-visualização gratuita Capítulo 01
Maya narrando...
São exatamente 10h da manhã e eu estou sentada na minha cama em meu quarto, correção, antigo quarto, observando tudo e chorando, pensando o quanto eu queria a minha mãe aqui comigo, cerca de três anos atrás eu perdi a mesma, eu sempre senti muito a falta dela, mas de uns tempos para cá, só piorou, meu pai se casou novamente com a Marta, de início ela era a madrasta dos sonhos, mas com o tempo, tudo mudou, ela é a verdadeira bruxa, tão cínica e manipuladora, eu não sei como o meu pai não enxerga as coisas, ela se faz de boazinha, mas é tão podre. Saio dos meus pensamentos com a mensagem que chega para mim do meu pai.
"Espero que quando eu chegue em casa para almoçar, você não esteja mais aí."
Engulo em seco e me pergunto o que o levou a me mandar embora de casa, eu sempre fui uma boa filha, pelo menos na minha concepção sempre fui. Ignoro a mensagem dele e começo a arrumar o pouco que eu tenho dentro de uma mochila. Meu pai sempre foi um homem maravilhoso, enquanto minha mãe ainda era viva, mas depois que ele se juntou com a Marta, ele começou a mudar, eu juro que eu não entendi nada, quando acordei hoje pela manhã e tinha uma mensagem dele que dizia
"Arrume suas coisas e saia da minha casa, não vou ficar sustentando marmanja"
Eu não trabalho, realmente, mas não é por falta de escolha, eu terminei os estudos recentemente, e eu queria tanto trabalhar para poder dar início há um curso ou até mesmo a faculdade, mas não consegui serviço em lugar nenhum, quem é que quer contratar alguém sem experiência, não é mesmo? Mas tudo que eu posso eu faço dentro dessa casa, mantenho limpa, lavo e dobro as roupas e faço até mesmo comida. A Marta m*l faz as coisas aqui, ela se acha a Rainha e o meu pai ajuda ela à se sentir assim...
Percebo que já é quase 12h e torço que a hora que eu saia daqui eu não cruze com o meu pai, eu respiro fundo e seco minhas lágrimas, saio do quarto e vou em direção a sala, Marta está sentada no sofá, ela me olha com desdém, quando vou em direção a porta escuto sua voz.
Marta: Não irá dar tchau?
Maya: Não finja que não está feliz com isso, eu te conheço o suficiente para saber que se pudesse, até fogos de artifício iria estar soltando. — ela me olha e coloca a mão no peito como se estivesse ofendida.
Marta: Tem razão. — Eu ignoro e abro a porta dando de cara com o crápula que eu chamava de pai, pois apartir de hoje, ele deixou de ser o meu pai.
Luís: Achei que eu tinha dito que queria chegar e não te ver aqui.
Maya: Me atrasei um pouquinho, mas fique tranquilo que eu já estou de saída.
Luís: Ótimo. — ele passa por mim e eu observo o sorrisinho da minha madrasta e agora quem sorri irônica sou eu. — Ainda aqui?
Maya: Quer saber de uma coisa, vocês dois? — eles me olham. — Eu quero mais é que vocês se fodam e tenham uma vida de merda, é isso que vocês merecem, parabéns Luis, pode esquecer que já teve uma filha um dia, minha mãezinha deve tá se revirando no túmulo pela péssima escolha de pai que ela fez para mim. — Quando ele vai falar algo eu aponto o dedo do meio, sorrio e bato a porta com tudo.
Saio do prédio chorando, eu queria entender como uma pessoa pode mudar tanto, meu pai era um cara incrível, hoje em dia eu não o reconheço mais... Minha mãezinha, que saudade, sei que ainda o ponto fraco dele é quando citamos a minha mãe, por isso mesmo falei dela, mas tudo que eu falei, não deixa de ser verdade, Luis não é o mesmo homem que entrou na vida da minha mãe. Vou caminhando sem rumo e quando percebo estou na frente do Complexo do Alemão, já vim aqui umas duas vezes, Sasha nunca quis que eu viesse aqui muito, eu e a Sasha nós nos conhecemos tem cerca de dois anos, somente depois de um ano que ela me falou aonde morava de verdade. Paro na barreira vendo uns meninos armados.
Xx: Tá perdida dona?
Maya: Tô não, estou mandando mensagem para minha amiga, para ver se a mesma desce aqui. — eles me olham com a sobrancelha erguida, então viro o celular e mostro a foto da Sasha, um outro garoto se aproxima.
Xx: Ela não está no morro não, saiu cedo e ainda não voltou. — respiro fundo e mesmo assim continuo a digitar a mensagem para ela, ela visualiza e diz que já está retornando ao Morro.
Maya: Posso esperar por aqui?
Xx: Pode sim, se sentir confortável, tem uma pedra ali ó. — ele aponta em uma pedra pouco mais afastada e já para dentro do Morro, me sento na mesma e fico esperando pela Sasha. — Qual teu nome mina?
Maya: Me chamo Maya, e o seu?
Xx: Mosca. — olho para o mesmo fazendo careta.
Maya: E desde quando isso é nome garoto? — ele dá risada.
Mosca: Não é nome, é vulgo, quando somos embolado, é melhor não darmos nomes.
Maya: Faz sentido, a gente nunca sabe quem a pessoa é, e do que ela é capaz. — digo baixando a cabeça e o mesmo ergue minha cabeça e me olha com a sobrancelha arqueada.
Mosca: Qual foi mina, problema com o namorado? — Sorrio sem som e n**o com os olhos marejados já.
Maya: Antes fosse. — ele me olha intrigado e vejo a Sasha passando pela barreira.
Sasha: Oi amiga, o que faz aqui? O que houve?
Maya: Será que posso ficar um tempo com você? Até eu conseguir um serviço e um lugar para morar? — ela me olha sem entender. — Meu pai me expulsou de casa.
Sasha: Vamos ter que falar com o dono daqui, ninguém entra sem a permissão dele. — eu confirmo e vamos subindo em direção a casa dela, sabe quando parece que a pessoa não ficou muito contente? É assim que eu vi a expressão da Sasha. — Quer ir junto ou prefere que eu vá sozinha?
Maya: Se não se importar, prefiro que vá sozinha. — Ela sabe que sou meio cagona pra esse tipo de coisa, então concorda e sai da casa, me sento no sofá e respiro fundo, torcendo para que ele deixe eu ficar aqui...
Depois de quase 2h a Sasha retorna.
Sasha: Amiga, ele deixou, mas disse que vai puxar teu fundamento e que depois vai mandar o sub dele vir aqui ver quem tu é, pois ninguém fica no morro dele sem ele saber nada da pessoa.
Maya: Tudo bem, eu não tenho nada para esconder amiga, só preciso de um lugar para ficar até eu conseguir me organizar na vida.
Ela senta do meu lado e segura minhas mãos perguntando o que foi que aconteceu e então eu conto tudo para ela que me olha sem reação alguma, eu não a julgo, fiquei do mesmo jeito sem entender.