Nunca serei seu

2135 Palavras
Kestra estava na banheira quando Dael entrou em seu quarto trazendo um lindo vestido. Kestra caminhou para o centro de seus aposentos após sair da banheira e a empregada começou fazer comentários a respeito do casamento da jovem, que àquela altura toda Haia já estava sabendo. ― O senhor Willy vai se sentir o homem mais satisfeito do mundo por se casar com a senhorita! ― Dael comentou sorrindo. ― E por que você está dizendo isso? ― Kestra perguntou dando uma pausa na secagem de seus cabelos com a toalha. ― Por que a senhorita é muito bonita e os homens gostam disso. Gostam de mulheres que mexem com a imaginação deles. ― a jovem respondeu toda tímida. ― É, você que o diga! ― Kestra sendo irônica. ― Eu vi você debaixo da escada mexendo não só com a imaginação do Levi De Vries! Dael ficou vermelha igual pimenta ao ouvir a revelação de Kestra. ― Por favor, senhorita, não conte nada para sua mãe senão ela vai me pôr para fora da fazenda. ― a jovem implorou, Kestra gostou do que viu. ― Fica tranquila, se eu tivesse de contar alguma coisa eu teria feito naquela mesma noite, mas não fiz. ― falou enquanto se levantava da cama. ― Agora me responda uma coisa. É verdade que dói fazer aquelas coisas com os homens? ― perguntou parando e virando-se para Dael. ― Não! Não dói. Quero dizer, da primeira vez dói, mas depois não dói mais não! ― respondeu sorrindo envergonhada. ― Interessante. Mas por que você não ficou grávida do Levi? Já que é assim que são feitos os bebês? ― novamente Kestra deixando Dael sem saber o que dizer. ― Ah senhorita, isso eu não sei dizer, pois é uma coisa que só os homens sabem fazer e nenhum deles nunca me contou. ― com as bochechas rosadas, Dael respondeu. Kestra seguiu com a enxurrada de perguntas. ― Mas você tem certeza que não sabe? Sim por que você diz que já teve tantos homens, o que eu acho muito errado. Você deve ter visto alguma coisa! Dael ficou sem saber o que dizer e sugeriu que a jovem perguntasse ao seu marido quando ela se casasse, pois ele teria as respostas certas para dar a ela. Kestra rebateu dizendo não saber se teria coragem de fazer tais perguntas a um homem que ela m*l conhecia. Dael replicou que quando uma mulher se casa com um homem eles passam a ser um só e isso seria o mesmo que Kestra fazer a pergunta a ela mesma, só que na forma de homem. Kestra coçou a cabeça sem entender nada, ela alegou que as respostas de Dael a deixaram ainda mais confusa e que a mesma não conseguiu ajuda-la em nada. Ela então mandou a moça amarrar os cordões do seu vestido e comunicou que iria se divertir um pouco com Willy antes do casamento. ― Se divertir? Como assim senhorita? ― Dael dando pausa na amarração. ― Eu já coloquei todos os meus pretendentes anteriores para correr com o r**o entre as pernas e como esse não será diferente. Se bem que meu pai disse que mesmo se eu sair voando numa vassoura, ainda assim vou me casar com ele. No entanto, mesmo que ele aceite se casar comigo, vai ter que beber do mesmo cálice que os outros. ― falou de forma assustadora. ― Minha nossa! O que a senhorita pretende fazer com o coitado? ― Dael perguntou espantada. ― Ainda não sei, mas vou preparar algo bem especial para ele e você vai me ajudar. ― comunicou deixando a jovem empregada se borrando. Dael pediu que Kestra a deixasse fora da brincadeira, pois uma vez seu pai avisou que iria punir quem a ajudasse aprontar com um pretendente novamente. Kestra rebateu dizendo que caso Dael não a ajudasse ela contaria para sua mãe o que viu na noite do casamento de Sonja. A pobre mulher ficou sem chão e Kestra foi ainda mais convincente. ― Eu posso livrar você do meu pai, mas ninguém pode livrar você de mim, Dael. ― falou fazendo cara de malvada, Dael engoliu seco e concordou com Kestra. ꙳꙳꙳ Em Amsterdã Luuk se preparava para ir até o banco onde Hendrick esperava por ele. A casa ainda estava vazia de móveis, mas Hendrick já havia entrado em contato com os bancos assumindo as dívidas dos De Vries e assim eles não foram despejados e as outras fazendas continuavam a produzir. Luuk foi até o quarto de Willy e o convidou para ir com ele. ― Não, obrigado. Eu vou ficar por aqui mesmo. ― respondeu prontamente enquanto lia um de seus livros favoritos. ― Mas seria muito bom que você fosse para ficar um pouco seu futuro sogro. ― sugeriu Luuk. Willy interrompeu sua leitura e olhou para seu pai. ― Papai eu terei o resto da minha vida para ficar perto do meu futuro sogro. Não seria legal aproveitar o pouco tempo que tenho para ficar longe? A resposta de Willy soou como uma espécie de revolta, o que fez Luuk optar por deixar o filho em seu momento de paz. ― Está bem, faça como quiser. ― concluiu Luuk e saiu. ꙳꙳꙳                                                                    Duas semanas depois, Hendrick já havia resolvido quase toda a situação de Luuk e então a família decidiu fazer uma visita à família da noiva antes do casamento, era tudo o que Kestra queria. ― Você trouxe tudo o que te pedi? ― a jovem perguntou. ― Minha nossa, senhorita. Tem certeza que a senhorita quer mesmo fazer isso? Se isso der errado eu estou perdida! ― lamentava Dael enquanto ajudava Kestra a se preparar. ― Deixa de ser medrosa, Dael! O único que vai se borrar de medo aqui será aquele loiro branquela. Agora vamos para a entrada da fazenda. ― ordenou Kestra. A jovem ficou escondida atrás de uma árvore quando viu a carruagem dos De Vries se aproximar. Ela então se preparou e quando eles já estavam bem perto, Kestra foi para o meio da estrada. O cocheiro quase desmaiou ao ver uma figura anormal gritar “vocês estão perdidos” enquanto eles se aproximavam. Ele então puxou as rédeas dos cavalos duma vez fazendo todos dentro da carruagem saírem de seus lugares. ― Mas o que foi isso? ― Willy perguntou com a mão na testa, pois havia batido com a cabeça. ― Senhores e senhora, não saiam. Tem uma assombração aqui fora! ― gritou o pobre cocheiro. ― Eu vou ver esse negócio direito. ― Willy sacou sua arma para verificar o que estava de fato acontecendo. Quando olhou para frente viu uma figura vestindo um traje preto com partes rasgadas e o rosto estava encoberto por uma espécie de véu e uma máscara por baixo. Maria ao ver a figura levou as mãos ao peito na direção do coração e começou a sentir-se m*l, mas Willy não se deixou enganar e caminhou rapidamente na direção da pessoa estranha e apontou a arma para ela. ― Mostre seu rosto agora ou eu atiro! ― gritou. Kestra vendo que Willy não estava para brincadeira, ergueu as mãos pedindo para que ele não atirasse, mas ele não conseguia identificar sua voz por causa da máscara. No mesmo instante Dael saiu do meio das árvores implorando para que Willy baixasse a arma, pois era sua patroa quem estava ali. Hendrick ouvindo aquele barulho todo, montou em seu cavalo e com mais dois serviçais foram até a entrada da mansão para ver o que estava acontecendo ali e ao chegar se deparou com uma figura estranha e Willy apontando a arma para ela. ― Ah não! De novo não! ― exclamou Hendrick já sabendo do que se tratava. ― Não se preocupe senhor Willy, pode abaixar sua arma. Eu assumo daqui! ― falou descendo de seu cavalo. Hendrick chegou bem perto da figura e retirou o véu juntamente com a máscara revelando o rosto de Kestra. Maria e Luuk ficaram pasmos, Willy ficou sem palavras diante de tamanha meninice. ― Vá para casa Kestra, agora! ― falou Hendrick com a respiração ofegante. Kestra sem dizer uma única palavra, deu meia volta juntamente com Dael e retornou. A empregada chorou durante todo o percurso, porém Kestra lhe disse para ficar calma, pois ela diria a Hendrick que a havia obrigado a fazer a brincadeira. ― E a senhorita não vai mentir, pois me obrigou a fazer isso! Só espero que ele não me mande embora mesmo assim! ― e desabou a chorar. Hendrick ficou parado olhando para a família de Willy por alguns instantes e juntamente com Luuk começou a rir da situação. ― Então era disso que você estava falando? ― perguntou Luuk. ― Sim, agora você viu com seus próprios olhos. ― confirmou Hendrick. Willy e sua mãe entraram na carruagem e Luuk montou no cavalo de um dos empregados. Maria por sua vez ficou chocada com a primeira apresentação de Kestra e indagou o filho. ― Que moça mais desequilibrada! Meu filho você tem certeza do que vai fazer? ― perguntou assustada. ― Agora mais do que nunca minha mãe! ― Willy sendo firme. ― Kestra certamente será um desafio que eu vou adorar superar. Mas a senhora está bem depois do susto? ― Sim e confesso que até achei engraçado, mas espero que ela não faça isso quando estiver casada com você. Imagina depois de tudo o que a gente passou as pessoas comentarem que você deu o golpe do baú em uma louca? ― Maria sendo sincera até demais. ― Mamãe, por favor? Não torne isso ainda pior do que já está! ― Willy se sentindo constrangido. Na casa, Helena recebeu os convidados com toda comodidade possível, ela era uma mulher elegante e gostava de tudo muito bem preparado. Maria pôde conhecer melhor a futura sogra de seu filho e desejou que a nora fosse como sua mãe. Os quartos eram todos muito lindos e bem decorados e o quarto de Willy ficava de frente para uma linda cachoeira. Quando Dael foi levar lençóis até seu quarto ele perguntou sobre a mesma. ― Ah, aquela é o cartão postal daqui, a cachoeira dos sonhos! ― respondeu Dael com um sorriso. ― Cachoeira dos sonhos? Como eu não pude ver esse lugar quando estive aqui da primeira vez? E porque desse nome? ― perguntou curioso. ― Dizem que existe uma lenda naquela cachoeira. As pessoas contam seus sonhos para ela e eles são realizados! Agora o senhor me dê licença que eu vou arrumar o quarto de seus pais. ― despediu-se e saiu. Willy ficou fascinado pela cachoeira, ele não parava de olhar para ela quando percebeu que alguém ia a sua direção. ― Ora, mas aquela lá não é... Willy correu na mesma direção e chegando perto confirmou suas suspeitas, se tratava de Kestra. A jovem sentou-se em uma pedra que ficava de frente para a cachoeira e ficou jogando pedrinhas na água, Willy então a surpreendeu. ― Bela apresentação! ― falou quase suspirando em seu ouvido. Kestra virou-se para trás assustada. ― confesso que jamais esperaria por uma coisa dessas, principalmente vinda da mulher com quem vou me casar! Kestra a princípio não respondeu, ela apenas ficou olhando e voltou a jogar pedrinhas na água. Willy sorriu de forma irônica, ele não a amava, mas viu que seu casamento poderia não ser tão entediante quanto ele pensou. ― Que bom que o senhor gostou. ― Kestra falou quebrando o silêncio. ― Uma despedida de solteiro digna de vossa excelência. Willy não resistiu e soltou uma gargalhada. ― Além de extrovertida e maluca você também é comediante. Sinceramente, veio o pacote completo. ― Willy sendo irônico. Kestra olhou para ele com desdenho. Willy então começou a quebrar o gelo de Kestra perguntando se a mesma já havia montado alguma vez, Kestra respondeu que se caso Willy não tivesse notado, ela tinha sido criada em uma fazenda e por tanto seria impossível não saber montar. Cada pergunta vinha seguida de uma resposta firme, o que fez Willy admirar ainda mais a moça e a convidou para cavalgar com ele, Kestra gostou da ideia e disse que ia se trocar enquanto Willy escolhia o cavalo de sua preferência. A moça retornou vestida em um traje de montaria vermelho escarlate e calçando botas pretas, seu penteado era uma trança que caía do lado direito. Willy que também usava trajes típicos de hipismo da época ficou paralisado diante da beleza da jovem, ainda mais pelo fato da calça acentuar as curvas de seu corpo. ― Vai ficar parado ai me olhando ou vai agir? ― ela perguntou desafiadoramente. ― Eu já escolhi o meu cavalo, é o grandalhão marrom ali. ― disse Willy apontando para o seu escolhido.
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