Capítulo 5

5000 Palavras
Dez anos atrás... Laura Sentei-me completamente rígida durante o quarto tempo inteiro, o meu surto agudo de coragem acabou assim que deixei o refeitório, quase dei com a cara no chão tamanha fraqueza nas pernas. Divino espírito santo! Ele vai acabar com a minha raça. Sem perder tempo fui correndo para a biblioteca, entreguei o livro e fui direto a seção de clássicos, teria que começar a ler o romance, queria acabar com aquele trabalho o quanto antes. Achei Romeu e Julieta rapidamente, ao puxar o exemplar algumas partículas de poeira irritaram o meu nariz, espirrei e senti uma cachoeira jorrando da minha v****a. -Oh. Jesus Cristo. -gemi frustrada, isso era um calvário. Eu não via a hora dessa maldita menstruação ir embora. Fiquei tensa ao sentir a sumidade, olhei de um lado a outro, me virei tentando ver a minha b***a, mas era impossível. -Não está suja. Resfoleguei surpresa, espiei atrás e não havia ninguém, entrecerrei os olhos, olhei através de uma das prateleiras e lá estava o crápula, o meu rosto se contorceu de ódio. Ele me espiava através da fresta que acabara de criar ao tirar o livro. -A sua calça, não está suja. -esclareceu quando não falei nada. -Eu sei disso! -Então... por que está girando a cabeça que nem a garota do exorcista apenas para constatar o óbvio? -Não tem nada de útil pra fazer? -Estou procurando um livro. -afirmou despreocupadamente. -Romeu e Julieta, sabe onde está? Grunhi. -Está deste lado da prateleira. Edu sorriu como se tivesse ganhado a última partida do campeonato, um segundo depois ele surgiu no corredor sorrindo maliciosamente, apontei para o agrupamento de exemplares, ele se aproximou, o braço roçou deliberadamente em mim. -Desencosta. -rosnei. -Vamos ler juntos? -perguntou fitando a prateleira e ignorando completamente meu protesto. -Não. -Pensei que fosse trabalho em dupla. -Exatamente, mas não precisamos ler em dupla. Leia o livro e faça um resumo, discutiremos em cima disso. Me virei para sair, ou tentei, pois, assim que cheguei ao limite das prateleiras ele me puxou pelos ombros, e me encurralou contra os livros. -Hoje. Na minha casa, às 14h. -Eu não vou! -Ah! Vai sim. Ou vou pegar a minha moto de merda e irei buscá-la. E não se atrase, não tem cursinho nem treino de handebol hoje. Ele se afastou e saiu mascando o chiclete como se nada tivesse acontecido. Idiota do c*****o. (...) Para o meu azar, a lista dos times que se classificaram havia sido anunciada e pregada no mural de avisos, respectivamente, os times sub-18 de handebol feminino e Futsal masculino haviam conseguido se classificar para a final do intermunicipal que aconteceria dali a uma semana, se ganhássemos esses jogos, ambos os times ganhariam uma vaga para participar do campeonato interestadual, uma competição que reuniria todos os times da liga de escolas particulares do estado. Isso, claro, surgiu após o campeonato das escolas públicas se tornar famoso. É claro, que o das escolas particulares era muitíssimo mais estruturado, sem falar dos patrocínios dos pais e dos olheiros de alguns times de futebol que vinham uma vez ou outra. Era curioso como o espírito esportivo unia as pessoas, conhecia todos os alunos da minha turma desde o fundamental, falava com a maioria, mas uma amizade floresceu apenas entre mim e Marina. No entanto, durante a temporada de jogos, todos viravam companheiros leais, amigos de bola, e torciam uns pelos outros com afinco, pois "A união faz a força." E modéstia parte, os times de handebol e de futsal da nossa escola eram os melhores, não sei o que seriam deles quando todos nós concluíssemos o ensino médio, a nossa geração do time feminino foi a mais promissora em dez anos, isso em grande parte se deve a liderança rígida da nossa capitã. Bianca me odiava, mas acontecia uma trégua anual durante o campeonato municipal e o Interestadual. Isso significava dois meses de paz entre nós, já que ela era capitã do time de handebol e eu era a única goleira decente do time. Karen era a reserva, por algum motivo que não conseguia entender, ela havia ganhado uma vaga no time, o que era estranho diante do seu quadro de asmático, mas já que apenas eu sabia disso, dava para entender por que ninguém havia protestado sobre a permanência dela no time. Era mais um dia infernal na escola quando ela teve uma crise no banheiro, eu estava lá trancada tentando evitar Edu e a sua turma, e entrei em pânico quando ela entrou ofegando como um cão tuberculoso, m*l conseguia falar e foi com muito custo que conseguiu me dizer onde estava a bombinha. Após ajudá-la coloquei uma placa de “em manutenção” do lado de fora e tranquei a porta. Fiquei sentada com ela no chão, já havia visto os meninos mexerem com ela, Gabriel não a deixava em paz, e se tivesse de montar um grupo de "Perdedores", ela estaria nele junto comigo. Não perguntei nada, não foi preciso que ela me pedisse para manter aquilo em segredo, depois daquele dia no banheiro ela sempre me deu um sorriso complacente, como se fossemos cúmplices ou algo assim, mas nunca nos aproximamos mais que isso, exceto nos treinos, quando tentava treiná-la e melhorar ao menos um pouco o seu desempenho, já que se algo acontecesse comigo ela teria que segurar a bucha. Um time com goleira meia-boca era sinônimo de goleada. -A excursão da sua turma não é daqui a três meses? -Lou perguntou fingindo desinteresse. Suspirei e encarei a pia da cozinha. -É sim. -Mainha não disse nada. -comentou ao enxugar outro prato, a nossa avó estava sentada na sala escutando o jornal do meio-dia na rádio. -É porque ela não sabe. -Não avisou a ela?! Mas tem que comprar as coisas, se falar em cima da hora não vai dar. -Eu não vou, Louisa. -cortei, entreguei o último prato e comecei a limpar a pia. -Como assim, Lau? Você estava ansiosa pra ir. -Isso foi antes do ventilador e da geladeira quebrarem. -Lau... -Está tudo bem. -disse ao terminar de limpar a pia, me virei para olhar em seus olhos castanhos desconfiados. -Não é tão importante assim, de qualquer forma, eu já vou pra Teresina com o time, é um campeonato, mas ainda dá pra passear. -Uau, vocês ainda têm que ganhar o jogo da semana que vem. -repreendeu brincando. Sorri. Nós vamos ganhar, isso é fato consumado. -E nós vamos. -comentei presunçosamente e ela revirou os olhos. -Mesmo assim, tu é mais do tipo “paisagens do interior” do que da cidade. Sorri e dei um peteleco na sua testa. -Que menina sabida. -O que foi que tu fez na cantina hoje? Todo mudo estava falando disso na escola. Sorri, então a minha reputação havia alcançado o pessoal do fundamental? Nada m*l. -Nada de mais, apenas jantei um zé mané. -Esse zé mané se chama Eduardo? Não respondi, ao invés disso me concentrei em limpar a mesa. -Tu sempre se deu bem com o Heitor, não entendo essa sua picuinha com o irmão dele. -Heitor é completamente diferente do irmão. -Em quê, por exemplo? -Ele não é um babaca escroto. -disse, mas não senti a mesma firmeza nas minhas opiniões. Algo havia mudado depois do que ele fez por mim. Poderia um ato de bondade apagar cinco anos de maldade? Eu sabia muito bem a resposta, e não me senti m*l por não esclarecer a ela sobre o que havia acontecido entre mim e Edu ontem. Louisa tinha apenas 12 anos, mas eu compartilhava tudo com ela, bem... quase tudo. Estava determinada a não contar nada sobre ontem. -Tem certeza de que não gosta mais do Heitor por que ele tem uma paixonite por ti? -Isso é uma teoria tua. -Não é teoria, ele vive atrás de ti quando vai trabalhar na padaria. -Isso não quer dizer nada. -Claro que não, vamos fingir que a terra é quadrada e que Heitor não tem uma obsessão pela antiga babá dele. -zombou e revirou os olhos. -Exatamente, ele tem 15 anos, não sou papa-anjo. -Ele é apenas um ano mais novo, Lau. -Quase dois anos, na verdade. E ele continua sendo mais novo, os garotos da minha idade já são idiotas o suficiente. Terminei de arrumar a cozinha, me despedi da minha avó com um beijo na testa, era o único momento em que conseguia chegar perto dela sem receber uns cascudos, já que ela cochilava na cadeira de balanço, fui para casa tomar banho e trocar de roupa. -Pra onde vai? -Tenho que encontrar um i****a. -Um encontro? -perguntou incrédula. - do tipo amoroso? -Não seja ridícula, tenho um trabalho da escola pra fazer. -Como quem!? -perguntou eufórica quando abri o portão de casa. -Com o rei dos idiotas. -grunhi e subi as escadas ouvindo a sua risada escandalosa. Tomei um banho relaxante, queria vestir uma roupa mais fresca, mas com receio de acontecer algum acidente sanguinolento, optei por um shorts preto e uma regata apertada que mantinha os meus p****s no lugar, calcei as minhas muito brancas chinelas dupé, eu adorava chinelos brancos. Peguei meu material, meu celular e tranquei a casa. Avistei minha irmã e pedi que avisasse a nossa mãe do trabalho, ela odiava quando eu saia sem avisar, subi a ladeira enfrentando o sol de uma hora da tarde, deveria arrancar as bolas daquele i*****l, me fazendo andar em baixo de um sol desses e no meu estado! Quando terminei de subir a ladeira, fiquei realmente com receio de passar m*l, não pelo calor, mas por quem estava lá, do outro lado da rua estacionando a moto em baixo da sombra de um pé de figo, e com minha mãe na garupa. Praguejei entredentes. -O que está fazendo aqui? -sibilei, ele sorriu ao receber o capacete da minha mãe em silêncio. -Isso é lá jeito de falar menina! Reprimi a vontade de revirar os olhos, sabia que minha mãe seria capaz de me bater na frente dele, atravessei a rua e ela desceu da moto dele com algumas sacolas. -O Dudu me deu uma carona, ele falou que vocês têm que estudar. O encarei em silêncio, a raiva nublando meus sentidos, o vapor subindo do asfalto me fez entrecerrar os olhos, ele estava me encurralando, era isso, e queria usar minha mãe para que eu fizesse exatamente o que ele queria. -Ainda bem que vão estudar juntos, se conhecem desde que usavam fraldas, sabia que seriam amigos... Nós não éramos amigos, parei de ouvir a ladainha da minha mãe, nós dois apenas nos encarávamos, ele parecia concordar com o fato de que não éramos amigos, mas eu realmente odiava como ele fazia papel de bom moço na frente dela. -Tá bom, mãe. -a cortei sem paciência. -Vão estudar, então! Toma conta dela, Dudu. Ela atravessou a rua e desceu a ladeira sem nem olhar pra trás, sempre me surpreendia com a confiança cega que ela tinha nele. -Vim apenas garantir que iria cumprir o nosso combinado. -ele disse me oferecendo o capacete. -Não vou a lugar algum com você. -declarei bufando. Se ele pensou que o fato da minha mãe saber iria me influenciar de alguma forma, ele se enganou. -Não precisa bancar a difícil, sei que odeia sair de casa esse horário, ainda mais nas condições que se encontra. -Não estou aleijada. -Ótimo, suba na moto. -disse me empurrando o capacete, o segurei atordoada e ele colocou o dele, deu a partida e me encarou. -Suba. Hesitei, já havia visto muitas garotas no carro dele, mas nunca vi ninguém na sua garupa, bom, minha mãe não conta já que ele sempre quer fazer bonito na frente dela. E se eu fosse com ele e alguém da escola visse, iriam começar a falar. Odiava o design daquela moto do c*****o, a parte traseira do banco era mais elevada, o que me faria inclinar e me encostar nele, sem contar que estavámos em cima do morro, na parte alta da cidade e ele morava na parte baixa, teríamos que descer um bocado de ladeiras. -Laura. -chamou irritado e rosnei. -Já vou! Notei pela tensão no seu maxilar que ele estava apertando os lábios quando coloquei o capacete, estava achando graça o infeliz. Ele firmou os pés no chão, me esperando subir atrás dele, ajeitei a mochila nas costas e subi na maldita moto praguejando, ele começou a gargalhar, me ajeitei no banco tentando ficar distante dele. -Chegue mais perto. -disse, o riso em sua voz era nítido. Acalmei-me por um minuto e fiz como pediu, mas segurei nos puxadores laterais, ele não se moveu e exalou audivelmente. – Esqueceu como montar, pitchula? Grunhi irritada, do jeito que ele era um babaca escroto, era capaz de passar por cada buraco e lombada do caminho apenas com a intenção de me jogar para fora de sua garupa. -Abrace minha cintura e não se incline para o lado oposto nas curvas. -Sei andar de garupa, i*****l! -Laura. -chamou impacientemente, ignorando minha explosão. Sabia o que ele estava esperando, não pude evitar de ficar constrangida quando rodeei meus braços ao redor de sua cintura estreita. Ele estava com uma camisa preta, cheiroso demais para o meu azar, identifiquei imediatamente o perfume que usava, eu adorava esse perfume e era um dos mais caros que minha mãe vendia, ela era revendedora de perfumes nas horas vagas. Pude sentir cada saliência de seus músculos abdominais, cada vale e ondulação, fechei os olhos, frustrada comigo mesmo. Odiava motos, elas proporcionavam muito contato corporal incoveniente -Pode tirar uma casquinha, não direi pra ninguém. -acrescentou ao se afastar do meio-fio. -Canalha. -xinguei ao apertar mais meu agarre em sua cintura quando a moto arrancou. Por incrivel que pareça, a viagem foi rápida e nem um pouco desprovida de segurança, já havia visto Eduardo fazer barbaridades em cima daquela moto, mas o trajeto todo foi tranquilo, era curioso. Sempre odiei andar de moto, já havia tido minha cota de experiências desastrosas nesse veículo com meus primos, geralmente nas férias que passava no interior, mas acredito que cair no asfalto deve ser muito mais desagradável do que cair na piçarra. No entanto, eu me sentia segura com ele, apesar de ele não pilotar tão rápido quanto costuma pilotar quando está sozinho e se aparecendo na frente dos outros, não estavamos indo devagar, de forma alguma. Respirei aliviada apenas quando chegamos, e não era nem um pouco por medo da moto, era medo de mim e de minhas mãos inquietas, ele parou em frente à casa imponente de mármore branco. Qual o problema dos ricos com essa cor? Fiz menção de descer, mas ele segurou minha coxa com firmeza me mantendo no lugar e apertou um controle que puxou do bolso da calça, o portão automático se abriu e entramos na garagem, havia apenas o carro dele estacionado. Supus que seus pais ainda estivessem na padaria, ele estacionou e desligou a moto, desci e tirei o capacete. Conhecia aquela casa de cor e salteado, havia ajudado na faxina depois da obra, e havia vindo em uma das festas de confraternização para os funcionários da padaria, ela era luxuosa, repleta de mármore e vidro e era enorme. -Já almoçou? -perguntou ao entrar na sala. -Sim. Podemos começar o trabalho. -Quer uma água, suco ou comer um lanche? - ofereceu educadamente, franzi o cenho surpresa. -Não. -entreguei o capacete. – Quero apenas começar o trabalho, quanto antes começarmos, mais rápido iremos terminar e mais rapido ainda irei para casa. -Quer mesmo se livrar de mim, não é? -Vou indo pro seu quarto, quando terminar de bancar o magnânimo dono do universo, suba. Ignorei sua risada nasalada, subi as escadas e entrei no quarto dele, não estava tão bagunçado quanto achei que estaria, havia diversos pôsteres de motos, e de algumas bandas de rock, fui direto pra poltrona e me sentei pegando o livro e o caderno da mochila, folheei o exemplar e assim que começei a ler o prólogo, ele entrou. -Como iremos fazer isso? -Iremos ler e discutir a respeito. É fácil. Você foi alfabetizado ou pagou propina para passar de ano na primeira série? -Alguém já te disse que é uma cretina de vez em quando? -Como se me importasse com a opnião alheia. -resmunguei e voltei a ler. Tentei esconder o sorriso quando ele pegou o livro da mochila e se sentou resignado na cama. Bom menino. (...) -Tá certo... eu já li 20 páginas e não entendi bulhufas, que d***o de texto é esse!? Bufei exasperada. -Admito que é um avanço que saiba ler, e seria realmente um milagre se soubesse interpretar um texto. -debochei. -Isso não é um texto, é uma peça de teatro. -Isso é obvio gênio. O texto é escrito dessa forma, com atos e falas. As maioria dos livros não é escrito assim, mas Romeu e Julieta é uma escrita cinco estrelas e foi criado por um gênio. Declarei ao virar a página, sentia que ele estava me observando, me empertiguei, o olhar dele me lançando labaredas e me queimando a ponto de não consegui entender o que estava escrito na página seguinte, ergui o olhar, ele me observava como um maldito urubu. -Perdeu alguma coisa? -Você gosta disso. -afirmou e franzi o cenho despreocupadamente. -Especifique “disso”. -Ler, você gosta de livros. -Algumas pessoas encontram outras serventias para um livro além de roubá-lo para pentelhar os outros. -Não estava te pentelhando. -Não? -fechei o livro bruscamente, tendo o cuidado de manter um dedo na página em que parei. – O que estava fazendo então? -Queria chamar sua atenção. Sibilei irritada, o encarei. Ele estava sério enquanto me observava com o livro dele aberto no colo. -Não estamos no fundamental, onde você batia nas meninas para se aparecer e era ovacionado por isso. -Não havia meninas, era apenas você. E nunca te bati. -Me lembro de ter puxado minhas tranças, mais de uma vez. -Não gostava delas. -Não tinha que gostar de nada, o cabelo era meu. -Você também não gostava. -suspirei fechando o livro de vez. -Ao contrário de certas pessoas, eu não tinha alguém para arrumar meu cabelo todos os dias, ele é cacheado e dá trabalho, uma trança o mantinha domado e no lugar por alguns dias. Então, tranças me serviam bem, obrigada. -Ele é lindo. -declarou e fiquei confusa. -o seu cabelo, é lindo. Disse com uma voz mansa que me deixou sem palavras e toda errada, segundos se passaram e ainda não sabia como reagir ou responder àquilo. -Vamos terminar de ler o livro. -sugeri. -Tem mais de cem páginas! -protestou. -Dá pra terminar em um par de horas. -Tu é uma traça de livro ou algo assim? -Continue lendo. -murmurei ao abrir o livro novamente. -Por que não lê pra mim? -sugeriu, abaixei o livro para encara-lo, ele parecia estar falando sério. -Não estou entendendo muito bem, talvez se tu ler entre na minha cabeça. Suspirei exasperada, não era o tipo de livro que gostaria de ler na frente dele, de ninguém na verdade. Ler em voz alta era algo estranho, era como mostrar para o mundo algo que deveria ficar guardado a sete chaves na sua mente, era assim quando se tratava de meus livros, dos que eu gostava pelo menos. -Tá! Eu leio uma parte e tu lê o resto. -Combinado. Então, eu li. Não, eu declamei aquela leitura. Não era uma fã de poesia, mas até mesmo eu me dobrava feito seda diante da escrita profunda de Shakespeare, era superficial dizer que aquela história era dramática demais por conta dos personagens serem adolescentes. Criaturas que não tinham uma bagagem de vida acumulada, que m*l haviam saído das fraldas. Mas o que torna um sentimento verdadeiro não é a profundidade com a qual o sentimos? Não é a nossa crença de que ele existe, de fato, e que acreditamos nele, que o torna real? Vendo dessa forma, não houve pessoas mais crentes no amor do que Romeu e Julieta. Eram tolos, de fato. Mas tolos apaixonados. -Repete essa parte. -pediu e franzi o cenho a procura do trecho que ele queria, começei a reler a cena II na fala de Romeu. -“Só ri das cicatrizes quem ferida nunca sofreu no corpo.” É essa? -Sim, parece algo que diria pra mim. Congelei, passei os olhos no contexto da fala. -Continue. -pediu. Continuei a ler, agora com um pouco de vergonha, pois sabia que ele estava ouvindo tudo atentamente, me senti ridícula ao ler cada fala enamorada de Romeu para Julieta, um receio de que, talvez, Edu pudesse pensar que queria falar aquilo pra ele começou a crescer em mim, era como no fundamental. Quando tinha medo de que qualquer olhar ou provocação fosse m*l interpretado, o maior medo de uma menina de dez anos é ser acusada de gostar de alguém, eu havia me tornado uma menina novamente. Estremeci quando ele arrastou a poltrona para perto, como que para me ouvir melhor, m*l consegui respirar ao notar que estava praticamente enclausurada por suas pernas compridas. Parei de ler, ele havia abandonado o livro, suas mãos se apossaram dos braços da poltrona, não quietas, mas empertigadas, como se quisessem tocar algo que não deviam, demorei tempo demais para perceber, talvez por ser modesta ou avessa demais, sonsa parecia uma definição mais adequada. Edu queria me tocar, e estava com medo, eu deveria ser como um bicho pra ele e qualquer outro garoto, como um marruá ou uma onça, arisco e selvagem. -Por que parou? -perguntou baixinho. Ergui o olhar temerosa, seus olhos estavam semicerrados, como se ele estivesse de ressaca e com uma baita dor de cabeça, aquilo era esquisito, e achei a coisa mais linda e charmosa do mundo, meu coração palpitou, um suspiro trémulo escapou ao notar para onde aqueles pensamentos estavam me levando. Isso não é importante, eu não devia me importar. Voltei minha atenção para o livro, minhas mãos começaram a suar e minha garganta oscilou. -“Ai! Em teus olhos há maior perigo do que em vinte punhais de teus parentes. Olha-me com doçura, e é quanto basta para deixar-me a prova do ódio deles.” Suas mãos chegaram as minhas coxas, estremeci, fiquei ofegante quando ele me puxou para a beira da poltrona e tirou o livro de minhas mãos, queria xingá-lo ao vê-lo dobrando a página para marcar onde havíamos parado, mas perdi a voz quando ele se inclinou até que estavámos dividindo a mesma respiração ofegante. -Meu olhar é perigoso? -O quê? -perguntei sem folêgo. -Eu sinto quando está me olhando, mas às vezes você desvia. Como se estivesse olhando pro d***o. -Você é o d***o. -E bastaria um olhar doce pra me amansar, sabe disso, não é? -disse ao erguer a mão para acariciar um cacho que escapou do meu coque. -Um olhar doce, e eu estaria recitando essas merdas como um i****a feito Romeu. Não consegui me afastar, nem queria. Aquele magnetismo dele me impediu de fazer qualquer coisa. -Só que não escalaria sua varanda apenas pra recitar palavras, eu te beijaria a noite inteira, acariciaria teu rosto e teu cabelo, e diria algumas palavras sujas em seu ouvido... você iria gostar. -Pare com isso... -sussurrei. O medo, a vergonha e a curiosidade serpentearam em minha barriga como uma cobra de gelo e fogo. -Eu te ensino... – sussurrou contra meus lábios. -Posso te ensinar tanta coisa, pitchulinha. Odiava aquele apelido. Mas, meu Deus, como gostei de ouvi-lo naquela voz rouca, meu corpo se arrepiou inteiro e eu perdi o juízo. -O que faria? -perguntei curiosa, ele parecia surpreso. -O que faria se deixasse fazer essas “coisas” comigo? -Lamberia cada gota de suor do seu corpo. -arfei, aquilo deveria ser nojento. Mas de alguma forma, não era. Nem um pouquinho. – Começando por essa gotinha solitária que está escorrendo pelo meio dos teus p****s agorinha mesmo. Jesus, ele estava olhando para os meus p****s o tempo todo? Aquilo me deixou com vergonha, eles não eram lá grande coisa, mas estavam um pouco inchados por causa do meu período e eu não estava nem usando sutiã. Ele parou de falar, como se estivesse arrependido do que disse, culpa transparecia em seus olhos, ele achava que eu era uma criança? Pelo amor de Deus, ele era só alguns meses mais velho que eu. -Continue, sou virgem, mas não sou inocente. – ele arregalou os olhos e me controlei para não mostrar surpresa com o que havia acabado de falar. -É mesmo? -zombou. Seus olhos incendiaram e antes que pudesse protestar, ele me puxou pro colo e chutou a poltrona pra longe agarrando minhas coxas com firmeza enquanto me encaixava em seu quadril. - Quero lamber cada pedacinho desse seu corpinho quente, te comeria com tanta intensidade até que gozasse em minha boca, e nem precisaria tirar sua calcinha pra isso. -Jesus cristo. -Já gozou, Laurinha? -balancei a cabeça envergonhada, sabia do que ele estava falando. -Imaginei que não, já que é a primeira vez que menstrua. Queria perguntar o que tudo tinha a ver, mas honestamente, estava claro que ele sabia muito mais coisas sobre isso que eu. -E depois? – perguntei querendo espantar a vergonha. -Depois? – ele sorriu presunçosamente. Edu me ajustou em cima dele, arregalei os olhos ao sentir sua ereção embaixo de mim, bem na junção da costura do meu short que friccionou deliciosamente em mim, me arrancando um gemido. Deus do céu, eu estava gemendo pra esse filho da p**a e ele nem tinha me beijado ou tirado minha roupa. Que merda era essa? Eram os hormônios, apenas o hormônios, não é? -Te comeria enquanto engole meu p*u com essa boquinha suja, acho que iria gostar disso. Algumas meninas não gostam, mas você... -ele me esfregou em cima dele e suspirei, aquilo era tão gostoso. -Você gostaria de pagar um boquete, pior, ficaria tão boa nisso a ponto de usar como arma, como sempre faz com qualquer coisa que goste em você. Eu sorri, eu faria isso mesmo. Usaria qualquer coisa contra ele, parei de respirar quando ele ficou ereto e se inclinou mais, como se fosse me beijar, mas não o fez, ele parou a centímetros, malditos centimetros que me fizeram agonizar. Ele não queria? Eu não sabia fazer, mas ele me ensinaria, não? Ou estava com bafo? Chupei uma bala de canela antes... e então me toquei, ele olhava pra minha boca como se estivesse faminto, mas não faria nada sem minha permissão. Interessante. -Eu deixo. -murmurei segurando seus ombros, ele ficou tenso. -Me ensine, nunca beijei ninguém. -admiti, um sorriso satisfeito se abriu e me deixou tonta. -Eu sei... -Vai me ensinar? -Vou. -sussurrou e me beijou. Ele tinha gosto de halls de morango e chocolate, e... menta? Me dei conta que era por causa do meu gloss labial, ele largou minhas coxas apenas para colocar as minhas mãos ao redor de seu pescoço, então, ele apertou minha cintura, suspirei, cedendo espaço suficiente para sua lingua invadir minha boca, suas mãos desceram pra minha b***a e recuei alarmada. -O que está fazendo? -perguntei ofegante. -Te beijando, ora. -Não estou falando disso! -protestei e ele apertou minha b***a, me esfregando nele. -Não gosta que eu pegue na sua b***a? -perguntou em tom zombeteiro. -Estava excitada quando disse que te comeria, mas não quer que pegue na sua b***a!? Isso é meio hipócrita não acha? Grunhi, ele tinha razão. O que eu estava pensando? É claro que ele passaria a mão em mim, meu coração veio parar na garganta quando ele me apalpou novamente, mas recuou a mão para minha cintura. -Não farei, se não quiser. -disse ao me dar um selinho -Não farei nada que não queira. -declarou mordendo meu queixo. -Você me deixou babado. Meu rosto queimou de vergonha, ele se afastou sorrindo e através da parca luz que vinha da janela vi que ao redor dos seus lábios estava úmido, me inclinei e passei a língua, ele apertou forte minha cintura, mas não me impediu, encarei aquilo como um sinal para prosseguir, girei minha lingua envolta de seus lábios, ele gemeu. -Merda. -O que foi? Isso é nojento? -Não, só é gostoso demais. -grunhiu. – Faça isso quando me beijar, só que mais devagar. Pode chupar minha língua também. Puta. Que. Pariu. Empolgada o puxei para perto e grudei minha boca na dele, ignorei o choque dos nossos dentes e fiz como ele mandou, seguindo seu ritmo, devagar, até que peguei as manhas e puxei seu cabelo, ele quase rosnou contra mim e sorri, mordi sua boca como ele fez comigo, suas mãos me apertaram e as conduzi para minha b***a novamente, ele sorriu contra meus lábios e me beijou com vontade. Aquilo era tão gostoso, ele devia ser bom no que fazia, não era atoa que as meninas viviam atrás dele. Chupei sua lingua com força, me dando conta que ele já devia ter feito aquilo com muitas, ele se afastou xingando. -p***a. -Que foi? Forte demais? -Não. Sim. -ele passou a mão no cabelo, e fiquei confusa, queria deixá-lo com raiva, mas ele não parecia irritado, exatamente. -Sim ou não? -pressionei, ele parecia confuso e olhou para a janela. -Não era pra fazer isso? -perguntei, a vergonha já se entranhando em mim. -Não.- suspirou.- Não se não quer t*****r com alguém. -O quê? -murmurei lívida, t*****r ainda parecia uma blasfêmia aos meus ouvidos. - Merda, isso foi bom. Quer dizer, c*****o. Você me sugou feito um aspirador de pó e imaginei imediatamente fazendo isso no meu p*u. -Jamais colocaria a boca aí. -declarei com uma careta de desgosto. Ele me encarou, os olhos em chamas. Ah, adorava irritá-lo. -Há poucos segundos parecia prestes a cair de boca nele. -Não se iluda. -disse tentando sair de cima dele, mas suas mãos me impediram. -Aonde vai? -perguntou arqueando uma sobrancelha. -Já me ensinou o que eu queria. Perdi o interesse. -Não, pitchulinha. Agora, vamos praticar. Seus braços me enlaçaram como cabos de aço, e ele me beijou.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR