Alerta vermelho

940 Palavras
NARRAÇÃO DE KAITO... Eu não sabia o que esperar, mas estava disposto a enfrentar mais um dia naquela mansão. Quando o motorista estacionou o carro em frente à mansão, descemos segurando o riso, mas meu sorriso sumiu quando meu celular tocou. Era meu pai. Pedi para ela entrar enquanto eu atendia aquela ligação. — Oi, pai? — suspirei ansioso, sentindo o vento se tornar mais gelado. — Onde você está? Estão anunciando a chegada de um tornado na cidade. — Eu estou seguro na casa de um colega, pai. — Eu acho mais seguro você debaixo do meu teto. Venha pra casa. Respirei fundo ao olhar a mansão. Bela estava na varanda, me esperando ansiosa; ficava mais charmosa com o meu casaco. — É uma casa segura. Preciso terminar o trabalho de ontem, ainda não concluímos... — Kaito?! Eu não estou te entendendo. Passei vários anos pedindo pra você sair um pouco, se abrir mais, mas nunca quis. Agora que a cidade está em alerta vermelho, você está preocupado com um trabalho escolar i****a?! Eu posso pagar alguém pra terminar isso. Mas volte pra casa! Meu peito incendiou. Bela me aguardava ansiosa, sacudindo as pernas; meu casaco era tão grande que escondia suas mãos. — Eu que não te entendo, pai. Sempre me incentivou a ser mais entrosado, mais simpático com as pessoas. E agora que consigo, você briga? Eu disse que a casa é segura e eu vou ficar bem. Meu celular estará com bateria e pode me ligar o quanto quiser... Quer dizer, mande mensagem que eu te respondo no mesmo segundo, assim não atrapalha o meu trabalho. Pode ser...? — Sua mãe está preocupada, Kaito! É um tornado! — Pai, quando eu estiver saindo, eu te aviso, e se o tempo piorar eu dou um jeito. Desliguei sem esperar sua resposta. O que não faço por uma garota? Eu quero ela... O carro do Dom Dawson não estava no estacionamento. Me sinto mais à vontade assim, e já tenho em mãos o passaporte falsificado. Guardei o celular e sorri mais animado. Entramos juntos. Na sala estava a senhorita Dawson, mãe da Sara. Ela sorriu com gentileza ao se aproximar. — Seja bem-vindo novamente, Seo-Jun. Meu marido falou pra ficar à vontade. Ele deve demorar um pouco; essas reuniões são sufocantes. Sorri. Bela comemorou discretamente atrás dela, mas lembrei do aviso preocupante do meu pai. Ele é fascinado por notícias e sabe de quase tudo antes de todos. Bateu uma enorme preocupação com Dom Dawson, mesmo sendo inimigo declarado do meu pai. — Ham, senhora Dawson... Eu recebi uma notícia de que um tornado passará pela cidade. Creio que seja seguro ele retornar o quanto antes. É perigoso dirigir após algumas horas. O sorriso das duas evaporou. Dona Sara tocou o peito, angustiada. Encarou Bela, que estava nervosa, preocupada com o pai. — Mãe, ligue pra ele, mande voltar! Sem precisar responder, ela correu ao subir as escadas. Bela puxou meu braço e me levou até a biblioteca. Entramos e, quando fechou a porta, se virou e me abraçou apertado. — Obrigada pelo aviso, Kaito. Mesmo... Eu sei que ele não é... — Seo-Jun, e não Kaito. Eu gostei dele, é um bom conselheiro e quer me dar roupas novas. Bela riu, mais tranquila. Deu um tapa em meu braço. Caminhou pelo corredor lentamente, olhando as fileiras da biblioteca tomadas por livros. Era maior do que a própria biblioteca da escola. — Acho que você vai viver até os cem anos e não vai conseguir ler tudo o que tem na biblioteca da sua família — falei, tocando em um livro. — Não vou mesmo... Eu nunca consigo ler depois do terceiro capítulo de qualquer livro. Fiquei m*l-acostumada; meu pai é quem escolhia os livros de contos pra ler para mim e minha irmã. Ela se aproximou e pegou o livro da minha mão. Olhou dentro dos meus olhos, agora sem risos, apenas olhos nos olhos. — Temos pouco tempo pra ficarmos a sós. O que pretende fazer? Pesquisar mais da história...? Procurar algum livro relacionado...? — Quero te beijar, Bela — sussurrei, uma confissão perigosa. Meu coração disparou só por assumir. Ela respirou fundo, olhou meus lábios; fiz o mesmo, admirando sua boca. — Eu nunca fiz isso... — assumiu, seus olhos subindo para o meu rosto. — Me ensine. Eu quero... muito, mas estou nervosa. Segurei sua mão, que tremia e suava, e a conduzi para dentro de uma das fileiras. Seu corpo se estremeceu quando a coloquei contra os livros. — No começo pode ser assustador, mas apenas faça o que eu fizer. Você vai gostar. Ela sorriu. Peguei seus braços e os enrolei sobre minha nuca, segurei sua cintura fina e a trouxe mais para mim. Sua respiração quente tremia; ela umedeceu os lábios. Primeiro beijei sua testa, depois a bochecha, e com cuidado meus lábios encontraram os dela. Um beijo lento aconteceu. Deixei que ela sentisse primeiro meus lábios; aos poucos, Bela foi relaxando, confiando mais no beijo. Abriu mais os lábios e sugou meu lábio inferior; fiz o mesmo. Então abri um pouco mais a boca e lhe apresentei minha língua. Ela respirou fundo quando nossas línguas se encontraram. A puxei mais para mim, deixando seu corpo colado ao meu, e ali nos entregamos ao primeiro beijo. Apesar de ser o seu primeiro beijo, ela beijava gostoso, sugava língua e lábios, intercalando os movimentos. Meu corpo se arrepiou; segurei sua nuca, onde tanto desejei, e movi nossos rostos de um lado para outro. Estar ali, escolher ficar naquele lugar, foi a melhor decisão feita na minha vida... E eu só queria mais.
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