Cristian* Perdi a noção do tempo ali dentro. A dor latejava nas costelas quebradas. Meus pulsos estavam marcados pelas cordas. A umidade do chão impregnava minha pele, e o gosto de ferro e saliva seca colava na língua. Mas nada era mais insuportável do que o som da porta abrindo. De novo. E, como das últimas vezes, era ela. Mas agora… sem o disfarce. Helena. Os cabelos soltos, a boca dura, os olhos escuros como aço forjado em ódio. Ela entrou com a mesma calma de quem está prestes a assistir a queda de uma torre que ela mesma implodiu. Parou a poucos passos de mim, braços cruzados. — Está confortável, senhor Muller? — Já passei por reuniões mais desconfortáveis — respondi, com a voz rouca, mas firme. Ela sorriu. Breve. Gélida. — Ainda encontra espaço para piadas? Impressionant

