capitulo111

587 Palavras

Arturo O hospital tem aquele cheiro que me embrulha o estômago. Limpeza misturada com silêncio. Com espera. Com medo. Passei pela recepção como da primeira vez, acenei para a enfermeira de plantão que já me reconhecia e subi de elevador até o quarto 307, o quarto onde meu press dormia sem abrir os olhos há dois dias. Do lado de fora, o mundo seguia. No MC, os caras tentavam manter as coisas organizadas. Entre os mais velhos, havia tensão. Entre os mais novos… um silêncio assustado. Mas aqui, neste quarto, só havia ele. O homem que me tirou das ruas. Que me ensinou a segurar o guidão e a vida com a mesma firmeza. Entrei sem fazer barulho. A luz era baixa, a TV desligada, o bip da máquina ritmando o tempo. Ele estava ali. Corpo grande, barba malfeita, pele mais pálida do que deveria.

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