Arturo O caminho de volta pra casa nunca pareceu tão longo. O céu estava cinza, como se soubesse. A moto rugia sob mim, mas meu peito estava mudo. Cada quilômetro entre o hospital e minha casa parecia arrastar um pedaço da minha alma. Quando finalmente estacionei e vi a porta da frente — aquela porta onde Sarah costuma correr pra me receber, onde Emilly sorri antes mesmo de eu descer do banco — senti um nó na garganta. Entrei com passos pesados. Emilly estava na cozinha, de avental, cortando morangos com delicadeza. A barriga ainda pequena, mas presente. Uma lembrança viva do futuro que a gente estava construindo. Ela se virou ao ouvir o barulho da porta. — Você demorou, amor. Aconteceu alguma cois... — ela parou no meio da frase quando viu meu rosto. Largou a faca e veio até mim. —

