FARM

1814 Palavras
Me revirei na cama e peguei meu celular. Eu tinha ido dormir pouco após às três da manhã e mesmo com apenas três horas de sono, não conseguia me manter dormindo.  Odiava isso, tinha tido uma semana agitada e pouco consegui descansar, exatamente por isso, não conseguia ter uma boa noite de sono. Eu sabia que isso só ia acontecer quando eu voltasse para minha casa, tomasse um bom banho de banheira, extremamente relaxante, bebesse um chá e me cercasse dos travesseiros da minha cama. Por hora, a situação não era tão r**m, eu teria energia suficiente para o dia de sábado, apenas com aquelas poucas horas de sono.  Rodei meus stories, vendo que a última postagem da noite era uma foto no espelho do quarto, onde era possível ver minha cama vazia e Shivani e Bailey dividindo a cama ao lado. Quis postar isso, quando vi os vários boatos que estavam se espalhando pelos alunos da escola, tudo culpa daquele i********: de fofocas da escola. Era bom deixar nítido que não estávamos dormindo juntos, dividindo o mesmo colchão ou qualquer outra porcaria do tipo.  Fiz questão de escrever "Todo fim de semana uma viagem de trabalho, saudades de dormir 8 horas". Por mais que fosse uma mentira, pelo menos iria abafar um boato, digamos que meio verdadeiro, certo?  Mandei bom dia no grupo, sabendo que Noah provavelmente responderia em pouco tempo, já que estava no hospital. Pelos meus cálculos, Sina deveria voltar para casa em pouco tempo, enquanto Josh chegaria para passar o dia.  Não podia me esquecer que estava uma hora na frente deles. Pensando bem, era cinco da manhã na Califórnia, nem o Urrea deveria ter acordado ainda.  Vanessa tinha me mandado uma mensagem pedindo para que encontrássemos ela e Matt, para o café da manhã, às sete. Depois disso, faríamos um passeio pela fazenda.  Me levantei da cama tentando ser o mais silenciosa possível. Peguei minhas coisas na mala aberta, no canto do quarto, e entrei no banheiro. Escovar os dentes e tomar um banho rápido, eu não tinha muito tempo, já que os outros dois também precisavam se arrumar.  Peguei a escova de cabelo, para dar um jeito em meus fios secos e bagunçados, um corretivo e máscara de cílios. Saí do banheiro e joguei os objetos na cama, me aproximando dos dois irmãos dormindo.  -Bailey- me abaixei no chão, sacodindo os ombros dele de leve- Bailey- chamei de novo.  Depois ele fala que Shivani que tem sono pesado.  -Uhmm- ele tentou virar para o outro lado, mas segurei seu braço.  -Eu sei que você está acordado, temos que descer daqui a 40 minutos- avisei, voltando para a cama ao lado, para terminar de me arrumar.  -Bom dia- ouvi sua voz soar extremamente rouca, quando com muito esforço, ele se levantou da cama.  -Bom dia- respondi em um sussurro, com medo de acordar sua irmã, que poderia aproveitar mais alguns minutinhos de sono.  Terminei de me arrumar pouco tempo depois. Quando ouvi que o chuveiro tinha sido desligado, decidi acordar Shivani para adiantar o processo, assim, ela entrou no banho logo depois que seu irmão deixou o cômodo.  Enrolei com o celular na mão por certo tempo, antes de sentar na ponta da cama e começar a vestir meu sapato, enquanto ele me encarava pelo reflexo do espelho.  Era impressão minha ou esse garoto passava muito tempo se admirando? Esse tinha autoestima alta, isso era incontestável, ao meu ver.  -Quem trás uma galocha para viagens?- ele se virou para mim, me encarando como se eu fosse um alíen. -Pessoas que estão viajando para uma fazenda no interior do Arizona- respondi óbvia.  -Achei que você não era do tipo fazendeira... -Tem muitas coisas sobre mim que você não sabe, May. -Você não me deixa descobrir- ele rebateu na hora. Eu até pensei em dar uma resposta malcriada, mas Shivani saiu do banheiro na mesma hora.  A menina tinha voado ou eu que tinha perdido tempo fazendo nada? -Nunca tomei um banho tão rápido- ela suspirou, calçando o tênis rapidamente- Minha mãe falou que a programação da fazenda acontece em conjunto, então que não podemos nos atrasar porque o tempo do café da manhã é curto.  -Então vamos? Estou animada para conhecer esse lugar- destranquei a porta, esperando os dois irmãos passarem por mim, antes de fechá-la.  -Vai montar querer montar em um cavalo ou algo do tipo?- O filipino continuou implicando. Será que era contagioso? Porque eu achava que tinha o infectado com todo o meu senso de humor e ironia.  -Uhmm quem sabe em um touro- respondi séria, vendo ele arregalar os olhos enquanto eu caminhava até a escada- Se bem que- parei, olhando em seus olhos- não estou afim de montar em suas costas!  Shivani gargalhou alto, ela estava um degrau a minha frente.  -Você é incrível, Joalin- ela colocou a mão na barriga, de tanto rir.  -Não achei a mínima graça- seu irmão mais velho revirou os olhos.  Assim que cheguei no andar de baixo, percebi que todos na sala de jantar relativamente cheia, nos encaravam. Matt e Vanessa já estavam ali, assim como o casal de idosos e o de meia idade, com os filhos.  -Bom dia- falei junto dos dois, me sentando em uma das três cadeiras vazias. Bailey ocupou a do meu lado, enquanto Shivani se sentou na da frente, ao lado de seus pais.  -Bom dia crianças- o May mais velho respondeu, depois que todos da mesa já haviam o feito.  -Dormiram bem, crianças?- foi a vez de sua esposa.  -Pouco, mas muito bem- Bailey respondeu.  -Nem ficamos tanto tempo na rua, você quase arrastou nós duas de volta para cá- Shivani argumentou- Acho que ele não estava se aguentando de sono.  Eu já falei que Shivani é completamente diferente de tudo que imaginava? Ela é doce e gentil, mas ao mesmo tempo é engraçada e adora se juntar comigo para brincar com seu irmão. Eu realmente achava que ela era metida e que exalava superioridade, mas dentre as poucas coisas boas que toda essa aproximação com os May me trouxe, uma delas com certeza era a amizade que eu tinha construído com as duas mulheres da família.  -Ou estava com vontade de fazer xixi- falei, não podia perder a piada com a "hidratação excessiva", até porque sabia exatamente suas intenções com a volta repentina. Bailey me encarou com sua maior cara de deboche, que eu respondi dando língua. -Vocês dois não tem jeito- Vanessa disse, entre risadas- Mas então, como passaram a noite? -Eu tive um sonho h******l- Shivani se remexeu na cadeira, comecei a me servir como todos os outros já tinham feito- Não sei onde vocês dois tinham se metido, mas eu estava sozinha no quarto e estava tudo muito escuro. Um barulho estranho de algo se chocando e de água estava vindo do banheiro, algumas vozes sussurravam coisas que eu não conseguia entender, pensei que estava em um verdadeiro filme de terror.  -Isso que é um pesadelo!- afirmei com toda minha falsidade, é claro que ela não estava sonhando, estava mais acordada do que podia imaginar e os barulhos constrangedores, provavelmente eram causados por mim e seu irmão mais velho.  -É- o filipino deu um tosse sem graça, que me fez chutar sua perna por debaixo da mesa.  Preferi não me arriscar em mais assuntos perigosos e tratei de focar em minha comida, me enfiando na conversa que Vanessa iniciou e manteve com a mulher e a senhora, ambas desconhecidas.  Quando todos nós terminamos o café, a equipe do hotel nos colocou em uma espécie de ônibus jardineira, já que o passeio pela fazenda era feito daquela forma. Me sentei ao lado de Shivani, seus pais ficaram um pouco distantes de nós e Bailey ocupou o banco da frente sozinho.  Três segundos depois, a menina que ontem estava jogada no chão da sala, com o celular na cara, surgiu correndo e se sentando ao lado do filipino. Encarei Shivani com um sorriso travesso, que foi rapidamente retribuido.  Peguei meu celular, tirando algumas fotos da paisagem, assim que o ônibus saiu. O garoto que havia ficado com Shiv, na última noite, narrava pacientemente todo o trajeto, mostrava os lugares e respondia perguntas. Ela me chamou em seguida, apontando para frente onde a garota parecia tentar manter uma conversa com Bailey. Ri, ela era bonita, mas ainda assim era muito nova, uma criança.  -Assusta ela- Shivani me pediu, com um olhar apelativo.  -Não sei se sou uma boa influência para você, Shiv- pensei no que fazer por uns segundos, rindo.  -É sim!- afirmou com certeza.  -Bay- cutuquei o garoto na minha frente, já com o plano perfeito montado- Quando você vai contar para os seus pais que eu estou grávida?  -Você o que?- essa definitivamente não era a reação que eu esperava. Enquanto a garota teve seus olhos arregalados e bochechas avermelhadas, Bailey praticamente deu um pulo do banco.  Ele era doido ou o que? Nós tínhamos transado pela primeira vez apenas dois dias atrás.  -Ai Meu Deus- Shivani segurou uma risada.  -Você está grávida? De mim?  Ele tinha estragado todo o meu raciocínio de que isso funcionaria, que m***a.  -Eu estou brincando, i****a- falei de uma vez, tentando justificar para a indiana- Como eu posso estar grávida de você se nós dois nunca- mas ela me cortou.  -Não precisem mentir para mim, eu ouvi vocês dois ontem a noite. Não foi bem um pesadelo, foi mais para vida real! Sei que estão transando.  Merda, mil vezes m***a. Mas que p***a, c*****o!  -Nós não estamos transando. Nós transamos, fim- foi a primeira coisa que saiu da minha boca.   Eu definitivamente não me ajudava, não era melhor ter negado e dito que ela deve ter sonhado com tudo isso?  -Duas vezes- ele tinha que piorar tudo?  -Mas não vai acontecer nunca mais- afirmei, com certeza.  -Vocês que sabem- ela deu de ombros- Desde que me expulsem do quarto antes...  -Eu falei que ela ia ouvir- disse para Bailey, com raiva.  -Ela tem o sono pesado- ele deu de ombros, a menina desconhecida ainda estava assustada.  -Não falem de mim como se eu não estivesse aqui. Eu tenho sono pesado mas vocês são barulhentos demais, até quando estão tentando fazer silêncio.  -Desculpa- sussurrei.  -Ligando os pontos, aquela barulheira lá em casa, duas noites atrás... É claro que eram vocês dois, depois da festa.  -Pois é- mordi o lábio, nitidamente constrangida.  -Me surpreendo que Bailey tenha te levado para o quarto dele, de qualquer forma, você guarda o segredo da minha vida e eu jamais deixaria de fazer o mesmo por você. Pode ter certeza que essa história morre aqui!  -Obrigada Shiv, isso nunca mais irá acontecer. Você sabe que seu irmão é um i****a. -Ele é- ela concordou rindo.  -Se transamos pela primeira vez dois dias atrás, como eu estaria grávida?  -Eu só... Fiquei nervoso- tentou se justificar, me fazendo revirar os olhos. 
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