ARIZONA

1513 Palavras
Bailey -Só uma foto, Bailey- Shivani me puxou para o lago. Como se não bastasse ter sido excluído das conversas durante o almoço, já que meus pais animadamente dialogavam com Joalin e ela fazia questão de me ignorar,  agora eu teria de servir de fotógrafo para elas duas.  Cedi às suas vontades e permiti que ela continuasse me arrastando, até o lugar onde Joalin estava. Como ela aguentava ficar tanto tempo com um biquíni tão pequeno? Quer dizer, ela precisava ajeitá-lo de 5 em 5 segundos, se não quisesse ficar pelada na frente de todo aquele povo.  Minha irmã entregou seu celular em minhas mãos e se aproximou da loira, pulando em suas costas. Como elas tinham virado tão amigas tão rápido?  Eu confesso que, de certa forma, invejava um pouco. Qual é, eu estava tentando entender qual era o problema de Joalin comigo, já que ela parecia não me suportar de forma alguma.  Eu podia tratar ela muito bem. Não funcionava.  Podia tratar ela exatamente do jeito que ela me travava. Não funcionava.  Podia ignorar sua presença. Não funcionava.  Só tinha um lugar que funcionava: na cama.  Talvez fosse assim, a minha existência a incomodava e eu acho que não tinha mais nada que eu pudesse fazer para concertar isso. Nunca havia nem dirigido uma palavra em sua direção, quando soube que ela me odiava, anos atrás.  -Por que está me encarando?- ela levantou as sobrancelhas, enquanto colocava minha irmã no chão, após meia dúzia de fotos.  -Se não percebeu, estou tirando fotos de vocês duas.  Joalin me deixava confuso, irritado e louco. Eu simplesmente não sabia como agir com ela, ou o que fazer para ela não me tratar da forma que tratava.  Ela gritava comigo sem nenhum motivo e eu, que deveria estar chateado com todos os xingamentos desnecessários e querendo me afastar, parecia gostar dessa pequena insanidade do dia a dia, que ela me trás.  Eu só deveria seguir um caminho diferente do dela, mas durante anos eu ouvi seus insultos de cabeça baixa. Sem coragem para revidar, deixei que ela revirasse minha vida de cabeça para baixo, descobrisse segredos e achasse que poderia zoar meus amigos de todas as formas possíveis.  E agora ela era amiga de alguns deles. O mundo dá voltas.  E eu tinha me aproximado e ido para cama com ela, coisa que jurei nunca fazer. O mundo realmente girou.  Mas talvez eu realmente devesse tratar ela com a mesma ironia, falta de paciência e importancia que ela me trata. É, esse poderia ser meu jogo a partir de agora.  Contanto que eu pudesse beijá-la mais vezes, parecia ótimo...  -BAILEY- minha irmã me gritou, me fazendo sair do transe. -O que?- olhei para os lados, a procurando.  -Vamos nadar até aquela pedra- ela apontou para a direção certa, mais ou menos no meio do lago- Você vem?  -Sim. Você não é uma das melhores nadadoras. -Para- ela riu, revirando os olhos.  -Está gelada- Joalin reclamou, enquanto eu apenas me joguei na água e mergulhei de uma vez.  -Mudança de planos- Shivani caminhou de costas, de volta para a superfície- Realmente está muito gelada. Estou voltando para nossos pais.  Ótimo, só porque eu tinha gostado da ideia de nadar até a ilha.  -Eu também vou- Joalin ia sair da água, mais fui mais rápido que ela e a abracei por trás, a pegando de surpresa e deixando completamente molhada.  -EU VOU TE m***r, BAILEY MAY- ela gritou, chamando atenção das pessoas que estavam em volta.  Sorri e comecei a nadar, em direção à ilha. Se ela quisesse mesmo me m***r, teria que nadar até lá comigo.  -Vai?- olhei para trás, rindo.  -QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA ME ABRAÇAR?- gritou mais uma vez, antes de começar a nadar atrás de mim.  Então o problema era esse? Não era a água e sim o abraço?  Ok, ela realmente era intolerante à mim, como disse mais cedo.  Merda, Joalin.  Neguei com a cabeça e comecei a nadar mais rápido, focando em chegar na ilha com um certo tempo de vantagem. Dei braçadas largas e respirei fundo, enquanto a água batia no meu rosto e eu a ouvia logo atrás de mim.  Assim que coloquei meus pés na areia, saí correndo para me esconder por entre as pedras que tinham espalhadas por ali. Eu sabia que a loira vinha atrás de mim, assim como sabia que o "EU VOU TE m***r, BAILEY MAY" não significava brincadeira.  Tentei fazer o mínimo de barulho possível, observando de longe o lugar por onde eu passei e a vendo chegar até ali. Ela tossiu, tossiu, tossiu e se jogou no chão.  -Joalin?- chamei, saindo de trás da pedra e correndo em sua direção- m***a! p***a, você não engoliu água, não é?- Me ajoelhei do seu lado e a sacodi, mas a finlandesa parecia estar desmaiada.  Me desesperei, teria que fazer respiração boca a boca. Ela deve ter engolido água.  Assim que me aproximei de seu rosto, de maneira nervosa, ela me beijou.  Ela me beijou.  Ela não estava quase morrendo? Aquilo era um joguinho para eu me aproximar?  Sua mão me puxou para mais perto, segurei em sua cintura e senti as unhas arranhando meu abdomen, enquanto nossas línguas se conectavam de forma apressada e faminta.  Me afastei quando precisei de ar, senti meu corpo entrar em combustão e minha respiração estava completamente pesada.  -Você não perde a oportunidade de se aproveitar da minha boca, não é mesmo?  -O que? Eu estava tentando te manter viva. Você que deveria saber que não se brinca com essas coisas.  Me levantei e saí pisando firme, por entre as pedras.  -Quais são os seus interesses em me manter viva? Achei que eu te irritava suficientemente- ela veio atrás de mim, mexendo nas unhas.  -Em primeiro lugar: uma acusação de assassinato seria péssima para o meu currículo. Em segundo lugar: ao contrário de você, que não me suporta, eu sou um cara educado e quis ajudar.  -Você é patético- bufou.  -Engraçado, Joalin, que você também não é perfeita como acha que é.  -Eu nunca disse que sou.  -Você vive esbanjando superioridade por aí e sabe de uma coisa? Eu não fico apontando os seus defeitos o tempo todo. Então se eu sou tão chato, insuportável e todo errado, como você pensa que eu sou, por que não tira meu p*u da boca?  -Você está falando sério?- ela riu sem graça.  -Você sabe muito bem que eu quis dizer sobre ficar falando de mim. Se eu sou tudo isso, preciso te avisar que ninguém tá te obrigando a conviver comigo.  -E se eu não estiver afim?- sua postura cresceu, na minha frente.  -Ah, c*****o. É impossível para nós dois, convivermos juntos- revirei os olhos- Eu digo um "a" e você já está gritando comigo como se eu fosse o culpado pelo aquecimento global.  -Na hora de "colocar o p*u na boca", eu sou chata e não te deixo em paz. Agora na hora de você meter seu p*u dentro de mim, aí eu sirvo, não é?  -Esse é o seu problema! Quando eu te disse que você não servia? Quando eu fui desrespeitoso com você? Quando eu te tratei de forma r**m? Me diz. Isso tudo aí é uma conclusão que você criou, porque por mim, nós viveríamos em paz. Mas você não quer- apontei para ela- Você prefere gritar, brigar e me odiar. Então se a gente se entende na cama, é porque nós dois estamos com a boca ocupada demais para perder tempo falando ou discutindo.  -Então admite que você tem sua parcela de culpa? -Todo mundo tem sua parcela de culpa, sobre qualquer coisa. Até o aquecimento global- revirei os olhos- Mas entre nós... Você é o impasse e sabe muito bem disso.  -Isso é porque eu te odeio. -Eu sei que sim, mas eu não ligo. Sabe porque, Joalin? Por que eu não sou do tipo de pessoa que nutre ódio pelos outros. Você pode me odiar, mas eu não te odeio e estou com a consciência limpa.  -É?- sorriu irônica. -Se você quer me odiar, odeie. Se você quer t*****r comigo, transe. Se você quer me beijar, me beije. Se você quer fingir que nada aconteceu, finja. Mas depois, não venha me dizer que a culpa disso tudo é minha, porque por mim, nós seríamos bons amigos e isso seria o suficiente para resolver qualquer outro ponto. Mas se você não quer ser minha amiga, f**a-se.  Ela se ajoelhou no chão, logo em seguida.  Eu estava vivendo em uma realidade paralela ou tudo aquilo estava mesmo acontecendo? -Obrigada Deus, ele se posicionou e brigou de volta- levantou as mãos na direção do céu- Achei que isso nunca fosse acontecer, até que enfim ele deixou de ser p*u mandado e disse o que pensa e o que sente. -Não fale como se eu não estivesse aqui. Nunca falei nada, antes, porque não queria ser desrespeitoso com você, mesmo com você sempre me enxergando como um cretino.  -Bailey, Bailey- ela riu- Parabéns, merece um b*****e!  -O que?- a encarei, assustado. -O que foi, não quer?
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