YOU

2187 Palavras
Conferi minhas coisas na bolsa pequena, calcei meus coturnos de salto e observei meu reflexo no espelho. Eu realmente não entendia o clima californiano, estava fazendo um calor absurdo naquela noite.  Ao contrário de toda romanização que eu mesma havia criado antes de me mudar para Los Angeles, as pessoas não iam super arrumadas para festas de escola, muito pelo contrário, não era difícil encontrar alguém de pijama.  Algumas semanas atrás, Krystian espalhou para os quatro cantos que seus pais iriam passar duas semanas trabalhando em Pequim e que toda escola estava convidada para a festa que faria assim que eles colocassem os pés na China.  Ele, além de podre de rico, era o maior festeiro. Mesmo que não fosse do meu grupo, nós nunca perderíamos a oportunidade de uma noite como aquela e apesar de Noah ter combinado de nos buscar às 8, nós ainda faríamos um pequeno esquenta, como de costume.  O Wang tinha marcado a iniciação para esse mesmo horário, mas nós sabíamos que a primeira hora não era das mais agitadas.  -Pronta para sua primeira festa estando solteira em sei lá, um século?- abracei Sofya de lado, encostando em seus cabelos. Ela, que tinha pintado os fios de rosa nessa tarde, vestia saia jeans preta, tênis da mesma cor e blusa de malha cinza, com um lobo desenhado na frente.  -Para falar a verdade, estou meio desanimada.  -Isso vai passar rapidinho, assim que você virar a primeira dose de tequila.  -É, só é... estranho- respirou fundo- Sabe o que me deixaria animada? Saber que aceitou o convite de Vanessa! -Tudo bem, tudo bem. Eu aceitei, mesmo tendo certeza que vou me arrepender disso.  -Jura? -Uhum, mandei mensagem confirmando há umas meia hora. -Isso é ótimo.  -O que é ótimo?- Josh saiu de dentro de casa e se juntou a nós, enquanto esperávamos por Noah.  -Joalin aceitou o convite de Vanessa- a caçula respondeu por mim. -Vai passar o fim de semana inteiro transando com Bailey?- ele riu. -Não, não mesmo- afirmei, revirando os olhos- Você que deveria procurar alguém, está com o humor oscilante e eu não aguento mais o Josh rabugento.  -Isso é porque você costuma ser a gêmea rabugenta. O jogo virou, maninha- passou o braço pelo meu ombro- Lide com as consequências.  -Vamos, Noah chegou- Sofya apontou para a BMW se aproximando.  -Porque nossa casa é sempre a última?- reclamei, abrindo a porta de trás e me apertando ali, junto com as outras três garotas, enquanto Josh sentava na frente.  -Ninguém mandou morar perto de tudo- Sabina deu de ombros. Encarei a mexicana, usava short jeans, blusa de malha preta e um r**o de cavalo no topo da cabeça, enquanto Sina estava com um vestido branco, com estampa preta e uma blusa com nó na barriga, por cima.  -Vamos todos usar blusa de malha e não contar para Joalin- revirei os olhos, depois de encarar o garotos.  -Na verdade, acho que você que esqueceu de vestir a blusa- o loiro debochou da minha roupa, ou da falta dela.  -Como os gêmeos Loukamaa são chatos- Noah brincou, dando um t**a no pescoço de Josh.  -Aceitou o convite de Vanessa?- foi a vez da alemã. -Sim, aceitei. Agora vamos esquecer esse assunto por um tempo, por favor.  -Querem fazer um lanche, antes de irmos para a casa de Krystian?- O Urrea perguntou. -Vamos de uma vez, quero beber hoje tudo que não vou beber no fim de semana- falei.  -Eu e Noah combinamos de voltar para casa meia noite- Sina falou, direcionando o olhar em minha direção, como se quisesse dizer que "Se voltar com a gente, podemos acabar na mesma cama, como na outra noite".  -Mandem mensagem no grupo antes de saírem, assim podemos ver quem volta junto e quem vem mais tarde- Sabina falou. -Eu provavelmente vou voltar nessa hora- Sofya deu de ombros. -Eu também- a Hidalgo também disse- Não posso perder a hora porque amanhã tenho prova.  -Eu não sei ainda- Josh e eu falamos ao mesmo tempo.  -Tudo bem, a gente vai se falando- o americano concordou, estacionando na primeira vaga que achou.  Descemos todos e esperamos que Sabina tirasse a tequila de dentro da mochila, para começar nossa pequena festa privada, antes de adentrarmos à mansão dos Wang.  Já se passava das 9, quando decidimos iniciar a festa oficial. É claro que, como já estávamos todos bêbados (com exceção de Noah), nosso primeiro destino foi a pista de dança improvisada.  Ótimo, cercados de mauricinhos e patricinhas. Me enfiei no meio do grupinho de Bailey, me posicionando bem no centro do lugar.  Sina parou ao meu lado, abraçando minha cintura. Para minha surpresa, sua irmã se aproximou, junto com Shivani.  -Olá Joalin, achei que não ia te ver por aqui- a indiana se aproximou de mim, me abraçando.  -Pois é, nós não tínhamos planos então decidimos vir- dei de ombros.  -Vai viajar conosco, no fim de semana?  -Vou, sua mãe falou comigo- dei um sorriso agradável. -Isso é ótimo- ela retribuiu, antes que nossas atenções fossem voltadas para Sina e Savannah.  -Eu vim com seu carro- a mais nova praticamente gritou, por causa do som alto.  -Tá, eu vou embora com Noah- ela respondeu.  -Vocês estão de bem?- me meti na conversa, mesmo sabendo que a australiana não ia muito com a minha cara.  -Acho que sim- ela deu de ombros. -Ótimo!- puxei a mão da Deinert, começando a dançar na batida da música. Para minha surpresa, Shivani e Savannah se juntaram ao nosso grupo, ao contrário de seus amigos que permaneciam dançando juntos ao nosso lado.  -Tem certeza que não quer se esforçar para ir embora comigo e com Noah?- ela sussurrou no meu ouvido, enlaçando minha cintura e juntando nossos lábios.  -Acho que não vão precisar de mim- pisquei para ela, me atirando no meio de nossa rodinha.  -É estranho te ver assim, em uma perspectiva não alcóolica- Noah se aproximou de mim.  -Você vai agradecer mais tarde, pelas memórias que vai ter e pela falta da ressaca- sorri, seguindo os passos criados pelo meu irmão.  Sabina e Sofya se divertiam e gargalhavam juntas, o que era bom. Eu sabia que a mexicana não ia ficar com ninguém por causa de Pepe, assim como imaginava que a festa não seria das melhores para Sofya, então elas poderiam aproveitar a companhia uma da outra, não tinha risco de ficarem sozinhas ou "sobrando".  Sina e Noah foram até a cozinha, buscar bebidas, e sumiram. Josh também não demorou para desaparecer, com uma garota desconhecida. Shivani e Savannah voltaram para seu grupo e assim, sobramos nós três.  -AND EVERYBODY'S WATCHING HER, BUT SHE'S LOOKING AT YOU- elas gritaram, pulando e dançando sem parar.  Acompanhei o ritmo e antes que o próximo refrão pudesse chegar, olhei por cima dos ombros de Sofya. Bailey e Shivani cochichavam alguma coisa e para minha falta de sorte, ele percebeu meu olhar, assim como a letra da música fez o favor de se encaixar perfeitamente no momento.  Olhei em volta, três ou quatro caras realmente me encaravam. Falta de sorte e vergonha alheia ativados com sucesso.  -Tenho certeza que eles não vão voltar com a bebida que eu pedi, então vou pegar eu mesma- falei com as duas.  -Daqui a pouco eles devem aparecer para a gente ir embora- a mais velha disse. Olhei o relógio, onze e quarenta e oito da noite- Você vai com a gente? -Vou, mas me mandem mensagem- confirmei, as deixando para trás e atravessando a multidão, até a cozinha.  Entrei no corredor, iluminado unicamente pelas luzes dos dois cômodos que conectava. Me encostei na parede, arrumando minha bota no pé.  Uma mão segurou meu braço, antes que eu pudesse voltar a andar. Me virei para trás e para minha surpresa: Bailey May.  -O que foi?- questionou. O garoto estava ficando doido? -O que foi, o que?- franzi o cenho, completamente confusa.  -Me olhou, falou com suas amigas e saiu. O que quer comigo?  -Nada?- disse óbvia- Acho que você não está em perfeito estado, foi o t**a que te dei? Coitadinho- ri sem graça, antes de dar as costas.  Finalmente consegui andar até a cozinha, que estava um caos, por sinal. Tinham poucas pessoas por ali, mas o ambiente estava uma verdadeira zona. Abri a geladeira, tirando uma garrafa de cerveja de lá de dentro e dando um gole.  Caminhei até o outro lado do cômodo, abrindo uma porta desconhecida. A Joalin bêbada conseguia ser extremamente curiosa e bisbilhoteira, mas assim que dei dois passos para dentro e percebi que se tratava de uma dispensa, me virei para sair, não tinha nada de interessante ou um ambiente secreto por ali.  Mas antes que conseguisse o fazer, trombei em algo, ou melhor, alguém.  -Porque está me seguindo, garoto?- precisei ficar na ponta dos pés, para encarar Bailey- Já não falei que não quero nada com você? -Não me pareceu convincente o suficiente. Minha irmã acaba de me contar que vai viajar conosco no fim de semana- mudança de assunto assim, tão rapidamente?  -Pois é, você é o único em sua família que não me ama- sorri cínica- Também é o único que não é super divertido. Quer dizer, sobre a primeira parte, já que está me seguindo pela casa, estou começando a desconfiar que tem uma paixão platônica por mim, até me agarrou no armário do zelador.  -Você não conhece diversão, garota! À propósito, você bem que gostou de me agarrar de volta. -Jura?- revirei os olhos gargalhando- Pensei que minha mão na sua cara tivesse sido bem clara, sobre meus sentimentos.  Meu celular vibrou no bolso, duas ou três vezes.  Levantei as sobrancelhas, quando vi Bailey fechando a porta atrás de si.  Puxei o aparelho em minhas mãos, digitando a senha e abrindo o aplicativo de mensagens.  LUH Gang  23:30- Joshua: Já estou em casa  23:30: Não entrem no meu quarto 23:31: Estou ocupado 23:52- Sininho: Eu e Noah estamos indo para o carro 23:53- Noahot: Quem vem com a gente? 23:53- Sabi: Eu e Sofya estamos indo Encarei o garoto na minha frente, dando um longo gole na minha garrafa.  Respirei fundo e ele deu um passo em minha direção.  -O que foi?- respirou perto do meu pescoço.  Por que eu era tão fraca? Por que me submetia em certas situações, apenas por prazer? Quer saber, f**a-se!  Coloquei a mão em seu ombro e o empurrei, até que seu corpo estivesse colado na porta. O May me encarou confuso, mas respirou pesado.  Mordi os lábios e senti todo calor que ele parecia exalar. Eu realmente não julgava as garotas emocionadas que faziam de tudo por uma noite com ele.  E m***a, ele nem saia transando com todo mundo, por aí. O garoto era certinho, o que era um certo desperdício.  Encarei seus olhos e corri meus dedos por dentro de sua blusa, tocando seu abdomen sarado e colando seu corpo ao meu. Dentre seus muitos defeitos, em minha visão, o seu beijo era a maior qualidade de Bailey May.  Beijo esse, que na presente situação, molhava minha calcinha.  Mas é claro que aquilo nunca estaria acontecendo, se não fosse o álcool correndo no meu sangue. Era loucura demais, até para mim.  Meu celular vibrou mais uma vez e, sem descolar nossos corpos, observei a tela.  23:55- Soso: Joalin?  23:56: Você vai?  Rapidamente digitei um "não", mesmo sabendo que no dia seguinte, teria um profundo arrependimento sobre minha resposta.  O arrependimento também viria junto de um milhão de perguntas, que eu precisaria pensar no que responder e como lidar.  Será que valia mesmo todo esse esforço, por uma transa?  Acho que eu só teria a resposta depois de provar de seu corpo nu.  -c*****o, hoje de manhã eu jurei que nunca transaria com você, nem morta- outro defeito de bêbada, falar coisas que penso e não deveria dizer.  -Pretende t*****r comigo agora?- ele sorriu s****o, se aproximando ainda mais. Se é que isso era possível- Porque acho que você está bem viva! -m***a- respirei fundo e me aproximei de seu rosto, mantendo meus lábios a milímetros do seu- Eu nunca ficaria contigo. -Também achava isso, até dois dias atrás.  -Eu nunca ficaria contigo existindo a mínima possibilidade de sermos flagrados- ele levantou as sobrancelhas- Seria vergonha e humilhação demais, estar com um filhinho de papai gostoso como você. -Gostoso, é?- ele só escutava o que era conveniente, isso era fato.  -Então se você me quiser- ignorei sua última fala- Vou estar do lado de fora, perto do seu carro. -Pensei que tinha sido muito claro sobre o que eu quero ou não- ele ainda estava se referindo ao outro dia? Supera, garoto.  Tudo bem que minhas atitudes provavam que eu também não tinha esquecido e engolido aquela história.  -Se eu estivesse no seu lugar, andava logo e não demorava. Você sabe, posso perder a coragem e o t***o, desistir dessa loucura em um estalar de dedos- empurrei seu corpo para o lado, abrindo a porta e saindo do cômodo, em passos firmes.  Mas que m***a eu estava prestes a fazer?  Naquelas horas, talvez fosse melhor nem pensar. Com certeza não seria algo que a Joalin sobrea aprovaria. 
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