FRIDAY

2552 Palavras
Batidas. Batidas insistentes na porta, batidas que faziam o meu cérebro tremer.  Ressaca, como eu odiava aquilo.  Apertei os olhos com força e me encolhi, sentindo o peso de uma perna por cima de mim, assim como um braço em volta da minha cintura.  -Noah- abri os olhos, devagar.  Merda, não era o Urrea.  Ew, dormir abraçados era definitivamente mais íntimo que t*****r. Perdi todo o juízo que restava em minha mente, na última noite.  Será que ele ficaria muito puto por ouvir eu o chamar por outro nome? De qualquer forma, ainda bem que eu não tinha acordado.  Esperava que ele não fosse uma daquelas pessoas que escutam as coisas mesmo dormindo. Mas quer saber, f**a-se. Não me importava com ele, em agradá-lo ou em nenhuma dessas merdas.  -Bailey- ouvi a voz de Shivani do outro lado da porta.  O dia m*l tinha começado e eu já estava odiando.  Merda Joalin, você só faz m***a. Catei todas as minhas coisas espalhadas pelo chão e joguei o edredom por cima de Bailey, que estava devidamente sem roupa.  É claro que antes disso lhe dei uma boa encarada, porque ninguém é de ferro. Eu podia até me lembrar dos detalhes da noite passada, mas uma visão mais nítida e sobrea para guardar na memória, não era de todo r**m.  -Ei, ei- o sacodi, apressadamente, até que conseguisse o acordar. -Bailey, posso entrar?- que p***a, era por isso que eu e meus irmãos não tínhamos o costume de transitar pelo quarto um do outro em qualquer momento, principalmente em manhãs pós festas.  -Sua irmã vai entrar aqui- sussurrei, para o garoto ainda sonolento- Dá um jeito nisso, vou me esconder no banheiro- ordenei, correndo até a porta do outro cômodo.  Me encarei no reflexo do espelho e respirei fundo, eu estava acabada, destruída, atropelada. Pelo menos não tinha sido pega no flagra, nem feito ninguém me olhar com toda essa aparência de morta viva, já que o garoto pelado à uma porta de distância m*l tinha aberto os olhos antes que eu me escondesse, como uma amante.  Ew, amante. Eu realmente tinha perdido todo o senso do ridículo, me expondo e me enfiando nessa situação em troca de s**o casual com alguém que eu odeio.  -Shiv- ouvi a voz rouca e matinal de Bailey- Acho que perdi a hora, pode conseguir carona com alguma amiga? Vou no segundo horário.  -Está de ressaca? Vi que bebeu demais, ontem a noite. Posso te trazer um remédio, se quiser.  Fofa, Shivani era mesmo prestativa. Me perguntava porque passei tanto tempo a encaixando em seu grupinho sujo, quando ela certamente se destacava de uma maneira boa.   -Sim, minha cabeça está me matando. Acho que prefiro tomar um banho e comer, antes de tomar um analgésico.  -Tudo bem, só não fica resistindo até não aguentar mais a dor. Use a d***a ao seu favor e tome uma aspirina depois do café- tapei a boca, evitando uma risada. Ela não o conhecia mesmo. Sobre as dores de cabeça, a minha não estava diferente. Lembro bem de ter pego no sono por volta das cinco e, pegando meu celular na bolsa, descobri que era pouco mais de nove da manhã, o que justificava a minha cara de zumbi.  Revirei minhas coisas. Eu sempre, sempre carregava uma calcinha limpa e uma escova de dentes. Espalhava por todas as minhas bolsas para situações de emergência, ou noites fora de casa.  Eu era daquelas que pensava 80 vezes antes de vestir uma calcinha velha, grande, bege ou furada. Já pensou se sofro um acidente e preciso ser levada para o hospital nessa situação vergonhosamente deplorável?  Com relação as minhas roupas íntimas, podia dizer que a minha prevenção ultrapassava os 100%.  Abri a torneira e procurei pela pasta, escovei os dentes rapidamente, tirando minha roupa e entrando no chuveiro logo em seguida, largando minhas coisas e roupas sujas pelo balcão da pia.  Fechei os olhos e deixei a água escorrer pelos meus fios embaraçados. Abri os olhos apenas quando ouvi a porta ranger, alguns segundos depois.  Bailey parou em frente da pia, fez uma careta para seu reflexo, o que não significava que ele estava f**o, na verdade, bem longe disso.  Ele se virou para mim, em seguida.  -Minha irmã vai sair de casa em uns 10 minutos, temos que ser rápidos se quisermos chegar no segundo tempo.  -São nove, temos uma hora e meia- dei de ombros, ainda faltava muito. Pelo que eu me lembrava, a casa dele ficava a menos de cinco minutos de carro da escola.   O filipino revirou os olhos, colocando a escova de dentes na boca. Observei os produtos que ele tinha dentro do box, ok, até que ele tinha bom gosto em questões capilares. Vai ver era por isso que ele estava sempre com os cabelos hidratados e brilhantes.   Peguei o shampoo e esfreguei minha cabeça, enquanto o encarava tirar a boxer preta e caminhar em direção ao chuveiro. Aquilo parecia uma marcha, mas ao mesmo tempo um desfile, não importa, era sexy das duas maneiras.  -Não lembro de ter te dado tais liberdades- falei, travando sua passagem pela porta de vidro, pelo menos por alguns segundos.  Ele me mediu de cima a baixo e eu poderia até mentir dizendo que fiz o mesmo, mas a verdade é que eu que comecei com o joguinho de encarar. Me soou tão divertido.  -A casa é minha, também não me lembro de ter deixado que usasse meu shampoo, mas você usou mesmo assim.  Revirei os olhos, sem acreditar no que havia me sujeitado, em troca de s**o. Eu sei, estava falando disso a cada cinco minutos, mas normalmente os meus padrões são mais altos e menos problemáticos. Então inimigos nunca tinham entrado em minha listinha, até o presente momento.  Ok, não era tão r**m assim, eu sabia que muita gente já tinha se colocado em situações terrivelmente piores por conta de s**o, talvez eu devesse só aceitar, até porque não tinha como voltar atrás.  A única coisa em jogo ali era as nossas reputações, de nós dois. Mas como eu havia ouvido da boca da minha própria irmã, era mais fácil eu balançar a reputação dele do que ele estragar a minha.  E, se quer saber, talvez tenha valido a pena. Se tratando da incrível experiência s****l que esse ser desagradável me proporcionou.  -Está em que planeta?- ele estalou os dedos na frente dos meus olhos, entregando o pote de condicionador na minha mão, assim que eu, em modo automático, coloquei o sabonete no lugar.  -No planeta "fiz m***a ontem a noite".  -Achei que não se importava com s**o sem compromisso.  -Não me importo, mas é você- revirei os olhos. -Você acha que é a única que jurou nunca fazer isso, Joalin? Seus amigos não foram os únicos a perceberem a "tensão s****l", Any me encheu de perguntas e não acreditou quando eu disse que nunca teria nada contigo.  -Até minha mãe percebeu isso- deixei escapar, querendo me m***r por ser tão boca aberta e metida a franca. -O que? -Nada- desconversei.  -Se explique.  -Depois que seus pais foram embora lá de casa- d***a, eu odiava o que esse garoto me fazia fazer e falar- Quando minha mãe estava cochichando comigo, era exatamente isso que ela estava falando.  -É, então acho que não tinha para onde a gente correr.  -Se já completamos a "missão do destino", já podemos decretar um fim. Nunca vai acontecer de novo, May.  -Se você diz- deu de ombros-Falei que precisamos ser rápidos porque você provavelmente vai querer passar na sua casa e pegar uma roupa. Também não acredito que vai gostar de ser vista descendo do meu carro.  -Você acha que eu sou i****a?- entrei debaixo do chuveiro, tirando o condicionador- É mais fácil sair do carro escondida e criar uma mentira sobre o cara qualquer ter me largado lá do que aparecer com meu carro em dia que eu não dirijo. Tem uma calcinha limpa na minha bolsa, só preciso que me arrume uma camisa sua. De preferencia, não muito marcante para que ninguém saiba que é sua, te devolvo na viagem. -Tinha até me esquecido dessa viagem. Tudo bem, vou resolver seu problema de falta de blusa. Deveria ter medo de sair assim na rua, principalmente a noite.  -Meus pais preferiram ensinar ao meu irmão como não ser um a******r, não à mim e Sofya sobre como se defender de um a***o. Até porque, me virar eu sei e muito bem.  -Certos estão eles- Ele tinha concordado? Tão fácil assim? Teria achado mais estranho, se não conhecesse o suficiente de Vanessa para saber que ela jamais criaria um filho machista.  -Uhm- resmunguei. Ele se aproximou de mim, me fazendo dar um passo para trás.  -Está com medo de não resistir? Só estou tentando usar o chuveiro.  -i****a. Se, quando chegarmos na escola, você demonstrar que isso aqui- apontei para nós dois- Aconteceu, você vai ganhar outro t**a e um chute bem dado no meio de suas pernas, forte o suficiente para que você vá fazer exames para saber se um dia ainda poderá ter filhos.  -Tenho tantos interesses em manter isso discreto, quanto você. Nunca deixaria essa noite vazar.  -Ótimo- puxei uma das toalhas penduradas. Me enxuguei e a enrolei no cabelo, parando na frente do espelho e me vestindo, antes de guardar minhas coisas.  Desembaracei meus cabelos com o pente de Bailey, não antes de lavar, vai que ele tinha piolho ou uma doença capilar contagiosa.  Mas que m***a. Meu cabelo demorava séculos para secar naturalmente, não teria nem como fugir do visual pós s**o com a cara limpa, o cabelo pingando, o atraso, a roupa do dia anterior e a blusa masculina. Era o combo perfeito.  No fundo, depois dessa noite, minha vontade era de arrumar uma desculpa para Vanessa e dizer que eu não poderia ir nessa viagem, mas ela parecia tão animada e mesmo não querendo, algo me dizia que aquele fim de semana seria um passo importante na realização de metas pessoais, como a de descobrir mais segredinhos do grupo, ou de me tornar mais íntima da mãe de Bailey.  -Pode pegar qualquer blusa que quiser, no meu closet- ele disse, na hora que desligou o chuveiro. -Generoso da sua parte- revirei os olhos, saindo do banheiro. Abri a porta ao lado e dei de cara com uma gigantesca coleção de tênis- Ele pensa que é uma centopeia?- me perguntei, sozinha.  Como parte do time de futebol, muitas das suas blusas eram propícias para academia, seja por serem regatas, de tecido específico ou de marcas esportivas. Me esgueirei por entre as prateleiras e dei de cara com algumas pilhas de blusas de malha, logo abaixo dos moletons.  Eu amava moletons masculinos, mas por sorte, podia roubá-los de Josh e Noah quando quisesse.  Acabei por pegar uma simples, preta. Sabia que ele tinha mais dessas, então não faria falta, não que eu me importasse. Vesti e me encarei no espelho, dobrei as mangas duas vezes e prendi a parte da frente dentro do short.  Trombei com o filipino na porta do cômodo.  -Pode ficar com a blusa. -O que?- me fiz de desentendida, aproveitando a deixa para observar seus movimentos e ver a toalha indo para o chão.  -Fica melhor em você, não precisa me devolver.  -Ah, valeu- mordi o lábio, sentindo o calor crescer pelo meu corpo- Vou catar minhas tralhas- dei uma desculpa qualquer, para voltar para o banheiro e jogar água gelada no rosto.  -São nove e meia, acho melhor tomarmos café logo- surgiu atrás de mim, vestindo calça apertada preta e blusa branca, com o casaco do time por cima.  Ele era muito adiantado, já estava me estressando.  -Sua empregada não vai me reconhecer?- sussurrei, quando ele abriu a porta do quarto. -Ela não está aqui. Meus pais fazem o café e servem, saem para trabalhar na mesma hora que eu e Shivani vamos para a escola. Ela chega lá pelas dez, toma o café dela e tira a mesa, por isso quero que a gente coma logo. -Ah- então tinha uma explicação. Fazia sentido, já que a teoria da pontualidade era estranha, ele vivia atrasado nas aulas.  Desci as escadas atrás dele, pronta para me esconder se descemos de cara, inesperadamente, com outro m****o atrasado da família May. Quando vi que o caminho estava limpo, me joguei na frente da bonita mesa de café, esperando que ele voltasse da cozinha com a aspirina.  -Aqui- entregou uma na minha mão, agradeci em um murmuro e segui seus passos, me servindo e comendo em silêncio.  -Cindy é muito discreta, não deve chegar antes de sairmos, mas se te ver, não vai contar para ninguém.  -Agora que entendi porque estava com tanta pressa, não sei se quero arriscar- dei de ombros, tomando um gole do café.  E voltando para o silêncio constrangedor, que ainda assim, era muito melhor do que uma conversa forçada. O caminho até a escola foi exatamente da mesma forma, quieto e seco, talvez.  Ok, esse era um péssimo adjetivo porque definitivamente seco não era. Pelo menos não para mim, que ainda lidava com flashes da noite anterior, capazes de transformar minha calcinha em um Oásis.  Era isso, o carro era o deserto.  -Então- me preparei para abrir a porta, descer do carro e vagar disfarçadamente pelos corredores da escola, fingindo normalidade pela próxima meia hora- Ótimo fazer negócio com você, mantenha a boca fechada e... Com azar, voltaremos a nos falar durante a viagem.  -Espera- o encarei confusa, tirando a mão da maçaneta.  -O que?  Sua mão tocou meu braço, fazendo os poucos pelos se arrepiarem. Senti meu corpo ser puxado em sua direção, para um beijo quente. Fui parar sentada no seu colo, menos de três segundos depois.  Ah, a cachoeira no meio das minhas pernas? O negócio tinha inundado, virado um tsunami.  Resisti a tentação de mexer o quadril e apenas o encarei, tentando me controlar.  -Para você não esquecer de ontem- revirei os olhos, mordendo seu lábio e arranhando seu pescoço. Decidi descer pela porta do motorista, rebolando propositalmente em seu colo.  Parei no capô, fazendo sinal de silêncio e piscando o olho.  Caminhei, na minha maior imitação de um desfile, na frente do seu carro e entrei na escola. É óbvio que todos estavam me encarando, porque o que aconteceu na última noite era muito claro para todos, o que eles não faziam ideia, era quem tinha sido a vítima da vez. -Trabalho com nomes- Noah se aproximou, me dando um selinho. Sina fez o mesmo em seguida.  Meus irmãos e Sabina também se juntaram e eu sabia que cada alma viva naquele corredor, prestaria atenção em minhas palavras. Mas não falaria nem se estivesse sozinha com eles. Bailey May havia me desafiado, eu dei minha palavra e não voltaria atrás.  -Se eu te disser que nem eu sei o nome, acredita? Acho que não estuda aqui. Se estuda, nunca vi- me odiei por ter feito isso. Uma noite e ele já estava me induzindo a mentir para meus amigos, ele não queria era virar assunto em nossa rodinha. Eu influenciava, não o contrário. Essa tinha sido a primeira e a última vez que ele me influenciaria em algo, era uma promessa comigo mesma, que eu faria questão de cumprir. Assim como nunca mais ir para a cama com ele! 
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