Capítulo 43

360 Palavras

Ricardo narrando A boca já estava viva quando chegamos. Uma multidão de gente espalhada pelos becos e vielas, carregando caixas, conferindo mercadoria, e tentando manter o ritmo da rotina sem que a polícia percebesse. O cheiro da favela se misturava com o vapor das máquinas de fumaça que a gente usava pra mascarar o movimento, fumaça de charutos, de gasolina, suor e cheiro de comida quente. Um calor pesado, uma pressão constante no peito. A boca era assim: barulho, confusão, vida e perigo misturados em um mesmo lugar. Vitória andava do meu lado, mas percebi que ela ficou tensa. O olhar dela escaneava cada rosto, cada sombra. Ela parou um instante, e vi quando os olhos dela se fixaram em alguém no meio da multidão. Minha atenção seguiu a direção dela… e lá estava a mãe dela. Cambaleando,

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