bc

Vendida ao dono da Maré

book_age18+
4.7K
SEGUIR
86.9K
LER
HE
amigos para amantes
badboy
máfia
drama
bxg
inimigos para amantes
musculoso
like
intro-logo
Sinopse

📖 Vendida ao Dono da MaréPor VFrancoQuando Vitória chegou em casa, tudo que queria era um banho quente, um pão com ovo e um pouco de silêncio.O que encontrou foi o som da música alta, risadas masculinas e a porta da sala escancarada.Ela congelou no batente.Três homens armados, camisas sem manga, olhares pesados. Sentados no sofá de dois lugares onde ela costumava dormir. E no centro da sala, a mãe. Cambaleando, com o olhar perdido, cheirando a álcool, a roupa colada demais no corpo magro.— Mãe? — Vitória chamou, a voz já tremendo.A mulher nem virou o rosto. Só ergueu o copo e riu, como se a filha fosse só mais uma visita.Foi então que ela o viu.Encostado na parede, braços cruzados, expressão vazia, o boné preto cobrindo parte do rosto. O relógio grosso no pulso, a corrente brilhando no peito. E a arma…
A arma pendurada com naturalidade na cintura.Ricardo.O nome não precisava ser dito. A favela inteira conhecia. O dono do Complexo da Maré.
Quem devia, pagava. Quem não pagava, sumia.— O que tá acontecendo aqui? — Vitória perguntou, o coração disparado.Ricardo deu um passo à frente.— Tua mãe tem dívida comigo. Alta. Três meses sem pagar.— Eu… eu não sabia. — Ela sussurrou, olhando pra mãe. — Mãe, é sério isso?A mulher largou o copo no chão, os olhos vermelhos, vazios.— Eu não vou morrer, Vitória. Cê não entende? Ele ia me matar.— Você… — a voz dela falhou. — Você me usou?— Ele quer uma mulher. Você serve.As palavras bateram como tapa.
Vitória perdeu o chão.
As lágrimas vieram quentes, silenciosas, sem aviso.
Ela tentou segurar, tentou não quebrar na frente deles. Mas doía. Como nunca tinha doído antes.— Eu fiz tudo por você… tudo — ela chorou. — Deixei de viver, de amar, de sonhar… e é assim que você me paga?Ricardo ergueu a mão, mandando os homens dele saírem. Eles obedeceram sem questionar.— Pega tuas coisas. Tu vai comigo.— Eu não sou mercadoria! — Vitória gritou, com a voz rasgada de dor.Ele se aproximou devagar. E quando parou de frente pra ela, o tom foi gélido:— Se eu quisesse, matava tua mãe aqui mesmo. Mas tô sendo justo. Tô levando você e esquecendo a dívida.Ele olhou pra mãe dela, caída no chão, rindo sozinha, perdida no próprio mundo.— Da próxima vez, não tem acordo. Eu volto e limpo essa casa no tiro.Vitória tremia.
Com raiva. Com medo. Com nojo.
E, mesmo sem entender, com um arrepio que não era só pavor.Ela foi até o quarto. Pegou a mochila velha, o celular quebrado, uma blusa larga. E respirou fundo.Saiu pela porta com o rosto molhado, os ombros retos e o coração em pedaços.Ricardo nem olhou pra trás.
E Vitória não teve coragem de olhar também.

chap-preview
Pré-visualização gratuita
Capítulo 1
📖 Capítulo 1 Vitória Meu nome é Vitória dos Santos, tenho vinte e cinco anos… e sou filha de uma usuária de drogas. Não é bonito de dizer, mas é a verdade. E a verdade, por mais suja que seja, é a única coisa que eu tenho. Nunca ouvi minha mãe dizer “eu te amo”.
Nunca senti um abraço de boa noite.
Nunca tive alguém penteando meu cabelo antes de ir pra escola.
Nunca soube como é ter alguém pra se preocupar comigo. Cresci num barraco de dois cômodos, enfiado no meio de uma das ruas mais estreitas do morro. Um sofá que afunda, um fogão que vive com duas bocas queimadas e uma geladeira que grita toda vez que liga. E a minha mãe… sempre com o olho vermelho, rindo de coisa nenhuma ou berrando por coisa nenhuma. Aprendi cedo que carinho não era pra mim.
Aprendi cedo que dependia só de mim pra sobreviver. Eu sempre quis estudar. Sempre. Olhava as meninas com mochila nova, livros na mão, falando sobre faculdade, e sentia um aperto no peito. Mas a vida nunca me deu essa escolha. Aos quatorze anos já trabalhava. Primeiro lavando roupa pra vizinha, depois cuidando de duas crianças que não eram minhas, e agora… agora sou faxineira num mercado aqui mesmo no morro. O salário é pouco, mas paga o arroz, o feijão e, de vez em quando, o botijão de gás. O resto… a gente improvisa. Moro só eu e a minha mãe. Digo “moro” porque é a palavra certa, mas a verdade é que a gente divide o mesmo teto como estranhas. Ela vive no mundo dela, cercada por amigos que só aparecem com pedra no bolso e nóia no olhar. Homens que entram e saem da minha casa sem nem perguntar meu nome. Homens que me fizeram aprender a me esconder. Sempre usei roupas largas, feias, masculinas até. Camisetas de homem, calça de moletom, tênis velho. Não por gosto, mas por medo. Por proteção. Eu sei que meu corpo chama atenção… e não é o tipo de atenção que eu quero. Eu nunca namorei.
Nunca saí pra dançar.
Nunca tive um homem me olhando de verdade.
E não porque eu não queira… mas porque o mundo onde eu vivo não é seguro pra isso. O que eu cuido é da minha saúde. Sempre tento comer direito, beber água, dormir quando posso. É a única forma que encontrei de me manter inteira. Mesmo que por fora ninguém perceba, por dentro eu me esforço pra não me perder. O mercado onde eu trabalho fica no alto do morro, perto de onde os homens armados ficam, olhando quem sobe e quem desce. Eu já me acostumei com o som dos tiros. Já me acostumei a ver crianças brincando ao lado de homens com fuzil. Aqui, ou você se acostuma, ou enlouquece. O meu dia começa cedo. Acordo às cinco, arrumo a casa — ou pelo menos tento —, faço um café preto e passo pano no chão pra limpar as marcas de lama que a minha mãe deixa. Depois, visto o uniforme azul do mercado e começo a subir a ladeira. No caminho, todo mundo me conhece, mas ninguém realmente me vê. Sou só “a filha da Marlene”, aquela que vive de cabeça baixa e roupa larga. Eu carrego essa rotina como uma cruz. Não reclamo, não peço nada, não espero nada. Mas às vezes, quando estou sozinha, me pego sonhando. Sonhando que um dia vou conseguir guardar dinheiro, entrar numa faculdade, sair desse lugar. Sonhando com uma vida que eu nunca tive. O problema é que no morro, sonhar é perigoso.
Aqui, um sonho pode ser roubado no mesmo ritmo de um celular na esquina.
E, naquela semana… o meu foi arrancado de mim à força. Tudo começou numa quarta-feira. Era começo do mês, dia de entrega no mercado, e eu estava exausta. Passei a manhã inteira carregando caixas, limpando corredor, ouvindo música r**m no rádio que o açougueiro deixava ligado. Quando o turno acabou, eu só queria chegar em casa, tomar um banho e comer qualquer coisa. Mas quando dobrei a viela que leva ao meu barraco, vi algo diferente. Dois homens armados estavam na porta. Reconheci um deles: Léo, um dos vapores do Ricardo. O outro eu nunca tinha visto. Eles me olharam como se já soubessem quem eu era. Meu coração acelerou. Subi os últimos degraus com as pernas pesadas. O som da minha respiração era alto demais. No corredor, vi a porta de casa aberta e, lá dentro… ele. Ricardo. O nome dele corre pelo morro como um aviso. Dono da Maré. Dono da vida e da morte. Frio. Implacável. Um homem que ninguém ousa olhar nos olhos por muito tempo. Ele estava sentado na minha cadeira, de boné preto, barba cerrada, fuzil encostado na parede ao lado. O olhar fixo na minha mãe, que estava desleixada, rindo, com o corpo mole. Eu sabia que aquilo não ia terminar bem. — Você tá devendo demais, Marlene — ele disse, com a voz calma, mas cortante. — E você sabe como eu resolvo dívida. Minha mãe não respondeu. Só pegou um copo e virou o resto de cachaça.
Foi então que ela olhou pra mim e disse, sem tremer:
— Leva ela. Resolve aí. Eu gelei.
Olhei pra ela, esperando que fosse uma piada.
Não era. E naquele momento… eu soube que a minha vida ia mudar pra sempre.

editor-pick
Dreame-Escolha do editor

bc

A Vingança da Esposa Desprezada

read
4.7K
bc

Amor Proibido

read
5.4K
bc

Primeira da Classe

read
14.1K
bc

O Lobo Quebrado

read
128.0K
bc

De natal um vizinho

read
14.0K
bc

Meu jogador

read
3.3K
bc

Menina Má: Proibida Para Mim

read
1.7K

Digitalize para baixar o aplicativo

download_iosApp Store
google icon
Google Play
Facebook