Ricardo narrando… Cheguei em casa já com a cabeça fervendo, o cheiro dela ainda na p***a da minha mão. Tranquei o portão, subi os degraus devagar, como se cada passo tivesse o peso daquela noite na rua dela. A casa tava silenciosa, do jeito que eu gosto quando preciso pensar. Peguei o copo de whisky, sem gelo, do jeito que desce queimando e limpando o caminho. Fui até a varanda. Lá de cima a Maré é outra coisa. A favela respira diferente quando a noite pega — luz de janela baixa, moto subindo, rádio tocando longe, vida acontecendo na beira do perigo. É meu território. Meu reino torto. E eu sempre soube mandar aqui. Sempre. Apoiei os braços na grade de ferro, olhando tudo. Dei um gole fundo. Ardeu. Era pra arder mesmo. Tentei entender o que diabos tava acontecendo comigo. Vitória. Que

