Vitória narrando O dia tinha sido longo. Meu primeiro dia acompanhando Ricardo no trabalho, dentro daquela sala que cheirava a cigarro, dinheiro e poder. Eu ainda sentia as mãos trêmulas, como se tivesse errado alguma coisa, mesmo sabendo que não tinha. Pedro tinha tentado ser paciente comigo, explicar cada detalhe da contagem, mas no fundo o peso de estar naquele lugar me deixava sufocada. Quando voltamos para casa, eu só queria uma coisa: tomar um banho e esquecer o cheiro da boca de fumo que tinha grudado na minha pele. Subi as escadas em silêncio, com os passos leves, e fechei a porta do quarto atrás de mim. A água quente caiu sobre o meu corpo e parecia levar junto um pedaço de todo o medo, todo o suor, toda a confusão. Fechei os olhos e respirei fundo. Eu não sabia como tinha ido

