Movendo-se com elegância e delicadeza, Amanda chegou ao enorme edifício H&G e, observando a recepção, um sorriso se abriu nos seus lábios quando Ibbie, a sua melhor amiga e aquela que se tornara a sua confidente mais próxima, levantou-se de um dos assentos reservados para o visitante.
Estendendo os braços de forma sensual, ele se aproximou dela e, após apertá-la com força, gritou: você não imagina quanto tempo esperei por este dia. Finalmente, aquele rato peludo do Hackett vai pagar pelo que fez.
Dizer que isso deixava Amanda feliz era mentira. No fundo, ela sabia que isso lhe traria problemas, problemas que lhe custariam não apenas dinheiro, mas também a sua sanidade, que levaria muito tempo para recuperar.
Se desvencilhando da amiga maluca, Amanda assentiu e, pegando a sua mão, ambas pegaram o elevador até o último andar. Assim que as portas se abriram, elas notaram todos correndo de um lado para o outro, ofegantes, nervosos, temendo por seus empregos.
O mensageiro parou no seu caminho, sorriu um pouco nervoso e, após cumprimentá-la, acrescentou: com licença, senhora, mas o Sr. Dante voltou... E, nossa, ninguém o suporta.
Desculpando-se, afastou-se dos dois amigos e, olhando um para o outro, Amanda franziu os lábios, um pouco incomodada com a audácia dele.
Ela trabalhava sozinha na revista há anos, com a ajuda apenas de Atlas, que sempre respeitou as suas decisões, que nunca ousou desafiá-la, e em apenas um dia ele estava deixando os seus funcionários em polvorosa.
Apressando o passo, Amanda chegou à sala de reuniões e, ao encontrar o marido revisando o panfleto para a próxima edição, sentiu que ia morrer de raiva.
— Este relatório? Saiu... É absurdo, desnecessário, para não mencionar estúp*ido... Isto! Uma seção de fofocas? Quem dia*bos coordena isso?!
Desperdiçando página após página do trabalho que levara semanas, Dante rasgou o trabalho de Amanda, fazendo-a abrir os olhos, irritada.
Aproximando-se dele, a loira platinada ficou ao seu lado e, antes que ele pudesse arrancar outra página da pasta, ela o bloqueou colocando a mão na frente dele.
— Não se atreva!
Sem expressão, e sentindo que explodiria em chamas se ele não parasse, Amanda pressionou a mão contra a dela. Desviando o olhar, Dante levantou-se.
— Você não tem ideia de quanto custou fazer todo esse design. Então, não se atreva! Você não vem aqui há anos, então pare.
Por um instante, Dante Hackett sentiu uma pontada de medo ao ver Amanda transformada numa fe*ra e, escapando do seu alcance, permaneceu em silêncio por um instante.
— É verdade, estive ausente por muitos anos, mas isso não significa que o que você está fazendo seja certo... Você encheu a minha revista de bobagens, artigos inúteis que só ocupam espaço valioso... Amanda, o que di*abos você está fazendo?
A sala inteira, lotada de funcionários, caiu num silêncio profundo durante a discussão. Eles não sabiam se corriam ou ficavam ali, então fingiram que não estavam ali, permanecendo estáticos, enquanto Dante não conseguia parar de olhar para Amanda, que parecia muito mais bonita do que se lembrava.
E apesar de não amá-la, o homem não era cego o suficiente para reconhecer a verdadeira beleza quando a via à sua frente.
Exalando um pouco de ar, ele baixou a guarda por alguns segundos, o que foi um erro grave, pois, levantando a mão, quando menos esperava, Amanda a bateu na sua bochecha, causando uma sensação de queimação insuportável.
Chocado e com a bochecha corada, Dante levou a mão até o rosto, ainda em choque, e depois de se acariciar, afastou-se para ver se era um sonho.
— Que esta seja a última vez que você interfira no meu trabalho! Eu administro esta revista, e o que eu ordeno é a lei.
O verdadeiro motivo pelo qual Amanda deu um tapa em Dante não foi por ousar desafiá-la, mas pelo que acontecera na noite anterior, por entrar na sua vida daquele jeito e destruir o que ela tanto trabalhara para construir. Agora que estava mais calma e os seus nervos acalmados, estava pronta para lutar.
Ofegando por ar, ainda sem acreditar no que sentia, Dante pediu a todos que saíssem da sala. Assim que ouviram a sua voz, saíram correndo, empurrando todos no seu caminho, exceto Ibbie, que permaneceu como se nada tivesse acontecido, atrás de Amanda.
O olhar raivoso de Dante mudou de Amanda para Ibbie e, depois de levantar a mão, tentou expulsá-la, mas Amanda não deixou e se colocou no seu caminho.
— Vou deixá-los sozinhos em breve, para que você possa fazer o que achar melhor... Mas primeiro, preciso que você veja isso.
Estendendo a mão para a amiga, Ibbie tirou uma pasta da maleta, que segurou e entregou a Amanda para que ela a entregasse a Hackett.
A testa do homem franziu-se por um instante, enquanto na sua bochecha, a marca da mão de Amanda começou a aparecer, o que lhe causou desconforto, mas que ele não expressou.
— O que é isso, Amanda?
A mulher ergueu o queixo, determinada a começar uma guerra, e prendendo a respiração, expressou o que esperara por anos, mas não conseguira fazer.
— Divórcio, Dante... você tem duas opções... Uma, você assina, dividimos as ações ao meio e terminamos o casamento em bons termos. Ou eu o processo por abandono, uma ação judicial para a qual tenho provas suficientes, e você e os Hacketts ficarão sem nada... A escolha é sua.
O olhar cinzento de Dante, tomado pelo horror, desviou-se da pasta nas suas mãos para Amanda, e, depois de abrir a boca, tentando dizer algo, ela o interrompeu.
— Assine agora, ou amanhã o processo estará no tribunal e os Hackett perderão tudo.
Hacket ficou sem palavras e, ao pensar que não tinha mais saída, uma ideia lhe ocorreu. Pegando a pasta, rasgou-a, espalhando os papéis atrás de si.
— Vamos ver, Amanda, mas você não vai se livrar de mim tão facilmente.
E sem mais delongas, ele foi embora, deixando Amanda atordoada, perplexa, parada na sala de estar ao lado da amiga, que não conseguia acreditar no que estava vendo.
Dante Hackett era descarado, tentando amarrar Amanda a ele, quando ele nunca a amara, ou pelo menos era o que pensavam.