Início do Flashback
Caminhando timidamente pelo mesmo quarto dos Hackett, já que haviam se passado apenas três dias desde o seu casamento com Dante, Amanda fingiu subir para o seu quarto naquela mansão.
O quarto onde dormia sozinha, já que Dante não queria consumar o casamento, então pediu para dormirem separadamente.
Delicadamente, Amanda colocou o pé no primeiro degrau da escada e, ao ver Erika emergir sorrindo do escritório onde Dante estava "trabalhando", enrijeceu-se para ver o que a mulher descarada faria. Ao notar a presença da garota a alguns metros de distância, fingiu ajeitar o vestido e limpar os lábios de uma maneira muito peculiar.
Mexendo os quadris sensualmente, Erika se aproximou dela e, apoiando a mão no corrimão, olhou ao redor antes de falar, apenas para se certificar de que ninguém estava vindo.
— Espiando, Amanda? Você não acha que já se humilhou o suficiente ao se casar com um homem que não te ama? Você ainda quer ficar bisbilhotando... Eu sei a verdade agora, Dante não te tocou, não tocou e não vai tocar. Quando você vai entender que era apenas aquela cláusula que ele tinha que cumprir para receber a sua herança?
Os lábios de Amanda se franziram ao ouvir a cr*uel verdade. Ela sabia que ele não a amava. Aliás, no jantar de noivado, ele lhe disse isso quando ele a repreendeu por perder Erika por sua causa.
Levantando o olhar vidrado para Erika, que sorriu ma*quiavelicamente ao ver que as suas palavras doíam e, ajeitando o corpete do vestido, continuou semeando discórdia, algo que penetrou fundo na alma da pobre Amanda.
— E você sabe por que ele nunca vai te tocar? Por mim, porque enquanto você está aqui cumprindo o papel de esposa submissa, dona da casa, ele desconta a sua luxúria em mim, algo que você nunca experimentará.
Algumas lágrimas bobas caíram dos olhos de Amanda ao ouvir essas palavras. A maneira como ela arrumava as roupas, enxugando o canto da boca, revelava o que aquele casal estava fazendo naquele lugar, sob o mesmo teto, na mesma casa em que ela morava, doía. muito, já que o amor dela por ele era puro, real, algo que ele não entendia nem apreciava.
Olhando para o lado, Amanda expirou o ar dos pulmões e, alguns segundos depois, reunindo coragem, respondeu.
— É possível, que eu nunca seja amada... Mas Dante Hackett é meu marido, e enquanto você e ele chafurdam como porcos num chiqueiro, toda vez que eu quiser, ele terá que se pendurar no meu braço, e você será apenas a outra, que nos verá através de óculos escuros.
Erika, furiosa, tentou levantar a mão para bater em Amanda, furiosa com as suas palavras. O próprio Dante, que havia saído do escritório e estava no corredor, agarrou a sua mão.
— Erika...
Os seus olhos estavam vermelhos de raiva instantânea, que o atingiu não porque amasse Amanda, mas porque sabia que, se ela a agredisse, ele teria sérios problemas com o avô e Erick, que a adorava e a havia imposto como esposa.
Jogando a sua mão para o lado, Dante, com o maxilar cerrado, fixou o seu olhar cinzento nela e, com uma voz longa e cortante, a mulher sentiu as pernas tremerem.
E por mais apaixonada que Erika fosse, se havia uma coisa que ela tinha certeza, era que Dante não era para brincadeiras. Assustada, a mulher abaixou o rosto e, passando pelos dois, saiu da mansão o mais rápido que pôde.
— O que foi isso, Dante? Você e Erika... Contendo um soluço e contendo as lágrimas que queriam rolar, Amanda deixou a pergunta sem terminar e, voltando o olhar para ela, apenas franziu a testa.
— Não sei o que você quer dizer.
Com a mesma expressão no rosto, respondeu Dante, alheio ao que Erika acabara de confessar e, soluçando, Amanda não conseguiu continuar.
— Esqueça, fui uma to*la.
Deixando a conversa sem terminar, Amanda começou a subir as escadas e, chegando à porta do seu quarto, abriu-a e mergulhou na escuridão.
Ela não tinha motivos para brigar. Ela mesma sabia que isso poderia acontecer quando se casasse, e não estava errada, pois, algum tempo depois, ele foi embora com a mesma mulher.
Fim do Flashback
O rosto de Atlas estava triste. Durante quatro anos, ele se acostumara à presença de Amanda em casa, aos seus bons dias, às suas longas conversas antes de dormir, que agora só terminariam com a sua partida, para o retorno de Dante.
Segurando a mão dela, ele se recusou a aceitar a ideia, que lhe parecia muito injusta.
— Você não pode ir, não pode me deixar, Amanda.
O que mais aterrorizava Atlas era o medo do abandono, de que ela fosse embora e não voltasse, de que ela apenas destruísse a parceria entre as famílias e o descartasse, algo para o qual ele não estava preparado.
Amanda, por sua vez, sorriu com certa tristeza ao ver a melancolia de Atlas e, após avaliar o seu rosto, acrescentou: não pense que vai se livrar de mim. Nos veremos diariamente na empresa e prometo que vou resolver isso.
Um ano atrás, com aconselhamento jurídico, Amanda encontrou uma maneira de se livrar de Dante, e agora que ele finalmente estava de volta, o momento havia chegado.
Depois de conversar por alguns segundos, Amanda subiu para o seu quarto e, antes de cair num sono profundo de exaustão, conseguiu pegar o telefone para fazer a ligação que marcaria uma virada para o casal.
— Chegou o momento. Preciso dos documentos até amanhã. Agora Dante vai descobrir que eu não sou uma piada.
E, de fato, seria assim. Dante Hackett descobriria que Amanda Granfort não era a mesma mulher idi*ota que ele havia deixado.