Episódio 21

1558 Palavras
Depois do incidente, ela atravessou em segurança para o outro lado. Uma vez lá, encostou as costas na primeira parede que encontrou e afundou no chão. — Por que você fez isso, Dante? Por quê? Completamente imersa nos seus pensamentos, alheia ao mundo exterior, alguns segundos depois, um carro parou a poucos metros de distância. Atlas, ao sair, a viu desorientada, destruída, com o coração partido. — Amanda! O jovem Hackett agachou-se à sua frente, apavorado ao vê-la naquele estado e, segurando-a pelos ombros, tentou fazê-la voltar à razão. — Amanda, por favor, me diga o que há de errado! Como o destino quis, dirigindo por aquela rua a caminho de casa, Atlas ouviu o cavalheiro à frente do seu veículo insultar uma mulher que quase atropelou. Percebeu, ao tentar passar, que era Amanda, a mulher que ele alegava amar, e parou. — Amanda, reaja! Amanda estava em estado de choque, em transe, então não conseguia coordenar os seus movimentos com os seus pensamentos. Desesperado para não ver nenhuma reação dela, Atlas a tomou nos braços e a levou a um hospital próximo. — Eu sei a verdade agora, Atlas. Eu sei por que Dante foi embora. Murmurando essas palavras com o rosto enterrado no peito de Hackett, Amanda recuperou a sanidade. Atlas sabia que esse momento chegaria, mas nunca imaginou que chegaria tão cedo. Engolindo em seco, ele depositou um beijo suave na sua testa e, conduzindo-a até o carro, entrou em completo silêncio. Eles não disseram mais nada a caminho da mansão Granfort. Os dois permaneceram em silêncio, perdidos nos seus pensamentos, imaginando que tempos difíceis se aproximavam. **** Assim que Atlas levou Amanda para a mansão Granfort, ele a deixou aos cuidados de Erick. Voltando para casa, cheio de dúvidas, já que a pobre mulher não lhe dera mais detalhes sobre o ocorrido, Erick explodiu ao encontrar Nerio na espaçosa sala de jantar. — Agora você deveria estar feliz, Nerio... Dante, seu neto favorito, teve finalmente a coragem de contar toda a verdade para Amanda. O homem mais velho, permanecendo inexpressivo, balançou a cabeça imediatamente, levando uma xícara de café fumegante à boca. Deixando-a de lado após tomar um gole, respondeu: não é que Dante seja meu neto favorito, mas você sabia que esse momento chegaria. Minha intenção, Atlas, não é começar uma guerra entre os dois irmãos. A minha intenção é criar homens responsáveis que assumam as consequências dos seus atos. Imediatamente, ao terminar, o jovem Hackett soltou um bufo que irritou um pouco o avô. Caminhando até a cadeira à sua frente, sentou-se sem avisar. — Você não quer começar uma guerra, Nerio? Você que arranjou um casamento entre Dante e Amanda, sabendo que ele a amava. O homem mais velho franziu os lábios enrugados, confirmando que o seu ódio por ele permanecia intacto. Ele o escondeu por um tempo após a partida do irmão, mas agora que ele retornou, seu desprezo também. Com um pouco de arrependimento, o senhor idoso soltou um suspiro e, olhando o neto nos olhos, acrescentou: você sabe que não tínhamos outra escolha. Dante, sendo o mais velho de vocês, era quem herdaria tudo, portanto, ele era o escolhido. Atlas estava cansado daquela desculpa absurda, então, sentindo que a frustração o estava fazendo perder a cabeça, levantou-se para pensar um pouco enquanto andava de um lado para o outro na sala. — Escolhido, Nerio? Não mexa comigo! Dante sempre foi seu protegido. Não se tratava de herança, mas sim de você tê-lo escolhido em vez de mim. O homem, à beira de perder a paciência, franziu a testa enquanto balançava a cabeça. Olhando para ele mais uma vez, respondeu: você sabe que não é assim, Atlas. O casamento entre eles surgiu de um acordo com Erick, apenas para salvar a empresa, que me meteu em problemas com o meu vício em jogos de azar. Com um sorriso irônico, isso não foi motivo suficiente para Atlas se resignar. Ele chegou à mesa mais uma vez e colocou a mão sobre ela para falar. — Não importa o que você diga, você sempre escolhe Dante. Claro, já que ele é quem mais se parece com você. O Vovô Hackett chegou ao seu limite depois disso. Ele colocou a mão em concha, sentindo que aquele homem era um descarado, e disse: Dante é quem mais se parece comigo? Meu protegido? Nunca levantei um dedo para esclarecer a situação com a esposa dele, sabendo a verdade... Nunca contei a Amanda sobre a doença dele. E você diz que estou protegendo-o? A pessoa menos provável de dizer algo assim é você aqui. Você! Eu te protegi limpando a bagunça que você deixou para trás depois de desperdiçar o nosso dinheiro. Você! Você que quase sangrou a revista duas vezes com as suas apostas... Acho que você deveria calar a boca e parar de falar bobagens... Atlas sabia que tudo isso era verdade, que Nerio estava certo em cada uma das suas palavras, e balançando a cabeça freneticamente, sentou-se na cadeira que ocupava alguns segundos antes e levou as mãos à cabeça, como se fosse um garotinho tentando organizar os seus pensamentos. — Quer você goste ou não, você terá que se resignar, já que um herdeiro nascerá dessa união. Você pode gritar Atlas. Você pode berrar. Mas eles estão destinados a ficar juntos, então aceite. Atlas ofegou ao sentir essa verdade lhe dar um tapa na cara, permanecendo em silêncio por alguns segundos, ele considerou as possíveis opções para evitá-lo. — Bem, veremos, Nerio. De jeito nenhum vou permitir que isso aconteça. Amanda será minha, e mesmo que eu tenha que morrer tentando, isso vai acontecer. Levantando-se, Atlas lançou um último olhar ao avô com ar de superioridade e, subindo as escadas, como se nada tivesse acontecido, desapareceu do seu campo de visão, rumo ao seu quarto. Ali, naquele breve momento, foi onde Nerio soube que algo não estava certo com ele. **** **** Assim que o sol se pôs no seu ponto mais alto, Amanda foi para o escritório, com a intenção de clarear a mente após uma longa noite lidando com Erick e os seus sermões. Fingindo serenidade, a mulher chegou ao elevador e, ao entrar no seu elevador particular, sentiu que ia ter um ataque cardíaco ao encontrar Atlas parado num canto, no momento em que ela estava prestes a fechar as portas. — Atlas, você me assustou. Colocando a mão no peito, Amanda Granfort tentou acalmar o coração acelerado, que começara a acelerar quando ele a encontrou inesperadamente ali. Ele aproximou-se dela sem aviso e ela sentiu o cheiro de álcool que emanava dele. — Eu estava só esperando por você. Batendo o peito dele contra as costas de Amanda, ela sentiu que algo não estava certo com ele e, balançando a cabeça em afirmação, permaneceu em silêncio, ouvindo o que ele lhe perguntava. — O que aconteceu com Dante? O que exatamente ele lhe disse? Amanda encheu os pulmões de ar, sentindo-se intimidada pela presença dele e rezando aos céus para que o elevador chegasse ao seu andar, observando os números crescentes rolando pela tela. — Ele me contou sobre a doença dele, o motivo da saída dele, só isso... A raiva de Atlas o tomou novamente, pois ele pensava que seria apenas uma questão de dias até que Amanda perdoasse Dante e voltasse para ele. Ele abriu a boca e quis dizer mais alguma coisa, mas o bipe do elevador chegando ao seu destino não permitiu. Saindo do elevador, tentando esconder o que estava acontecendo, Amanda foi até sua sala, seguida por ele, cumprimentando a todos por onde passava. Ela permaneceu assim até entrar na sala. — Não me diga que você acreditou nele, Amanda? Não me diga que você foi estúp*ida o suficiente para acreditar em algo assim?‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌ Fechando a porta atrás de si, com as orelhas vermelhas de raiva e álcool que consumira a noite toda, Atlas disparou, dando alguns passos em direção a Amanda e continuou. — Eu sabia, mas me recusei a acreditar. Você foi tão to*la que acreditou em tudo o que ele disse. Amanda, você ainda não entende que eu te amo, que só eu posso te fazer feliz, que ele só está te traindo. Avançando na sua direção num acesso de ciúmes, obscurecido pelo álcool, Hackett levantou a mão para acariciar a sua bochecha e, sentindo-se apavorada por estar sozinha com ele, ela desviou o rosto para evitar contato. — Amanda! Pelo amor de Deus, deixe-me provar que posso te fazer feliz! Pensando que ela cederia desta vez, Atlas começou a acariciar o seu rosto delicadamente. Vendo a aproximação abrupta do irmão, Dante sentiu que deveria intervir antes que fosse tarde demais. — Atlas... eu já te disse como me sinto. Com medo e a voz hesitante, Amanda tentou lhe dar algum juízo sem irritá-lo. Aproximando-se dela, colocando os seus lábios a centímetros de distância, ele murmurou contra os seus lábios, fingindo beijá-la. — E eu sei, Amanda. Deixe-me mostrar que posso ser melhor do que ele. Aproximando os lábios, pronto para beijá-la, Atlas segurou Amanda nos seus braços. Abrindo a porta de uma vez por todas, Dante sibilou. Afaste-se da minha esposa! ‍
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