Ele não podia permitir que isso acontecesse novamente, que ela fosse embora sem ouvi-lo, então apressou o passo e, antes que ela chegasse ao meio-fio, pegou o seu braço.
— Pare! Desta vez você não vai embora, Amanda... Eu estava literalmente morrendo. Fiz um transplante de coração.
Irritada com o jogo absurdo de Dante, Amanda puxou o seu braço, libertando-se das suas mãos. Sentindo os olhos arderem com a irritação das mentiras dele, ela o encarou erguendo o queixo.
— Sério, Dante? Porque aqui eu te vejo mais vivo do que nunca. Pare de brincar com a morte, você não pode fazer isso.
Fingindo fugir levantando a mão quando um táxi passou, Amanda não quis ouvi-lo e, estendendo a mão para os botões do terno, pronto para dizer a verdade e parar de correr, Dante abriu todos, inclusive a camisa.
— Você acha que é mentira, Amanda? Olha! Olha para o meu peito, diz-me que o que estou a usar foi feito só para te mentir. Diz-me que o que senti quando não conseguia respirar foi uma farsa!
Farta, e atingindo o seu limite, Amanda girou nos calcanhares e colocou as duas mãos no peito de Dante. Ela pretendia afastá-lo, mas quando ele as segurou, ela voltou o olhar para o peito dele, observando a cicatriz que se via nele, apesar da penumbra.
Amanda sentiu as pernas perderem a força, ao mesmo tempo que a sua boca se abriu de espanto.
— Da... Dante
Os seus olhos cristalizaram-se, enquanto ela não tirava os olhos do peito do marido, certificando-se de que não era falso.
— Agora me diz, Amanda... Me diz que sou um mentiroso, diz-me que o que estou a usar no meu peito é tão falso como o que sinto por você.
Amanda piscou algumas vezes, tentando processar o que estava vendo naquele momento, e quando finalmente se deu conta, foi uma cicatriz bem no centro do peito que revelou a verdade das palavras de Dante. Ela balançou a cabeça, confusa, assustada, magoada. Fez isso porque ainda havia muitas coisas que não entendia, então, em voz baixa e sussurrada, perguntou: por que eu nunca soube? Por que eu nunca descobri que você estava prestes a morrer?
Em estado de choque, enquanto uma lágrima tentava escapar dos seus olhos, Amanda queria saber a verdade. Isso não mudou nada. Em vez de esclarecer as coisas, apenas semeou mais perguntas.
Dante, por sua vez, sentindo-se um pouco mais livre por finalmente revelar o seu segredo, apertou as mãos, que ainda estavam no seu peito, tentando contê-la porque, a julgar pela expressão de Amanda, ele sabia que a parte mais difícil ainda estava por vir.
— Porque eu quis assim. Amanda, eu...
A testa de Amanda franziu-se imediatamente com a resposta. A audácia do marido era infinita, e ela confirmava isso naquele momento, então puxou as mãos dele, cheia de ódio, mas também com uma ponta de dor, e acrescentou: então, por que dia*bos você está me procurando?! Por que agora?
Um pequeno pensamento imediatamente lhe passou pela cabeça, quase como se uma lâmpada se acendesse, e abrindo a boca, ela disse o que lhe veio à mente, independentemente de Dante.
— Eu sei, você não precisa explicar, Dante... É para o herdeiro de ambas as famílias. Não é? O herdeiro que Nerio e meu pai querem.
Sem lhe dar tempo para responder, Amanda arquitetou um plano antes de ouvir as razões de Dante. Que, para ser sincera, não eram argumentos válidos para justificar o que ele fez, o seu abandono e os danos causados por Maya e a sua irmã com o seu falso relacionamento.
— Achei que você não pudesse ser pior, Dante Hackett, mas vejo que estava enganada. Você me surpreende cada vez mais.
Girando nos calcanhares, sentindo-se sufocada ao pensar que Dante a via como uma marionete, como um pedaço de lixo a ser usado e descartado, Amanda deu alguns passos para longe do restaurante e, puxando-a pelo braço, pronta para ser ouvida, o marido o deteve.
— Não estou aqui pelos motivos que você pensa, Amanda. Estou aqui por você, porque te amo, porque te quero de volta. É que eu fui uma covarde que não quis te amarrar a alguém que possivelmente morreria, a alguém que não te faria feliz.
Conectando os seus olhares por um momento, Dante conseguiu lançar alguma luz sobre o que aconteceu, sobre os motivos pelos quais ele a deixou, que não são válidos de forma alguma. Muito pelo contrário. Isso decepcionou Amanda ainda mais.
— Você pensou em mim, Dante? E só deixou uma por*ra de uma carta como despedida?! Não mexa comigo! Se você me amasse de verdade, teria me deixado estar com você, ao seu lado, nos seus momentos finais, como juramos diante de Deus. O que teria acontecido se você morresse? Eu receberia as cinzas das mãos da Erika? Você é um egoísta! Você só pensava em si mesmo, alguém que professa amor sem palavras, e não...
Tudo isso começou como uma repreensão, mas conforme as palavras começaram a fluir e a dor tomou conta, Amanda não conseguiu mais se conter, deixando também as lágrimas rolarem, que tentavam dissipar a dor que sentia naquele momento. Ela se sentiu traída, decepcionada, magoada. Agora que sabia a verdade, sentia-se ainda mais ridicularizada.
O seu dedo cutucou repetidamente Dante no peito, que permaneceu calmo, suportando todo o impacto do ataque de Amanda, que finalmente se mostrou vulnerável, o que também o partiu o coração, ciente da dor que isso lhe causava.
— Não estou com vontade de te perdoar por acreditar num amor falso que só renasce temporariamente, que só machuca, que só queima! Me deixa em paz e vai se fo*der!
Perdendo a paciência, ela deixou escapar tudo sem hesitar, sem se importar com o que dizia e, sem mais nada a dizer, simplesmente foi embora. Em vez disso, Dante ficou ali, atordoado, sabendo que tudo havia acabado, que ele precisava lhe dar tempo para pensar, para processar tudo, e que, assim que a sua mente estivesse clara, ela voltaria. Ela faria isso pelo amor que ele sabia que ela ainda sentia, mas se recusava a aceitar.
Amanda, sentindo-se atordoada com a verdade que acabara de descobrir, preferiu ir a pé. Tinha tanta coisa na cabeça que sabia que, se chegasse em casa cedo, não voltaria. Erick estaria esperando por ela e, ao vê-la naquele estado, uma guerra começaria.
Alguns quarteirões à frente, a sua cabeça girava.
Será que ela realmente fez o certo?
Por que ele não lhe contou toda a verdade, deixando-a pensando no pior?
A cabeça e o coração da pobre mulher estavam em polvorosa e, ao atravessar a rua sem ver o sinal, um carro quase a atropelou. Felizmente, o cavalheiro e os seus reflexos prodigiosos o ajudaram a parar.
— Mulher louca!