Episódio 19

1669 Palavras
No dia seguinte, assim que o sol atingiu o seu auge, Dante, ao chegar à empresa, pediu para falar com Amanda. Amanda recusou terminantemente e enfaticamente, mas, Dante mantendo as suas esperanças, esperaria o anoitecer para falar com ela, e manteve a calma. — Dante queria te perguntar se eu poderia ir ao jantar com os Reeds no seu lugar, sabe, para não chatear a Amanda. Dante não era estúp*ido o suficiente para abrir mão da única oportunidade que tinha de falar com a esposa, então, levantando-se, respondeu a Atlas sem hesitar, sem ter que pensar muito a respeito. — Não. Você não pode. Você sabe que sempre fui eu quem fez negócios com eles e conheço o mercado internacional como ninguém. Lembre-se de que a expansão para a América Latina será discutida. O maxilar de Atlas imediatamente se contraiu com a resposta. Ele, como qualquer homem interessado numa mulher, nunca perdia uma oportunidade de estar ao lado dela e conquistá-la, e desta vez, um jantar de negócios em um dos melhores restaurantes da cidade não seria exceção. Erguendo uma sobrancelha, Dante ficou esperando por uma resposta que nunca veio. Em vez disso, Atlas balançou a cabeça algumas vezes, contendo-se para não discutir com o irmão e, sem mais delongas, simplesmente saiu do escritório, batendo a porta. Dante achou a audácia do irmão incrível: saber a verdade sobre eles e, ainda assim, insistir em Amanda, que ainda estava unida a ele pelo sagrado matrimônio. **** Concentrada no trabalho, o resto do dia passou e, quando a lua nasceu, Dante já estava na recepção esperando que ela combinasse o jantar, que seria em duas horas. — Amanda! Posso ter um minuto com você? Assim que saiu do elevador, o marido a interceptou, causando-lhe certa irritação. Mesmo assim, como ainda havia alguns funcionários lá, ela simplesmente parou de andar. — Me diga... estou com um pouco de pressa. O motorista está me esperando para ir para casa. Preciso me trocar. Não posso ir ao jantar assim. Apontando para o traje dela, que consistia num terno rosa de três peças, ele sorriu de lado e balançou a cabeça diante da aparência perfeita dela, com a classe e a elegância que a caracterizavam. — Eu só queria saber se você tinha como voltar para casa. O seu carro teve alguns problemas, e não sei se já foi consertado. Enfiando as mãos nos bolsos da calça, Dante abaixou o rosto quando ela respondeu à sua pergunta. Umedecendo os lábios, sentindo-se um pouco desconfortável ao lembrar que, durante o jantar, seriam apenas os dois com os Reed, acrescentou: espero que não se atrase. Lembre-se, a Sra. Karlota é bastante pontual. Dante, imediatamente familiarizado com o local do evento, dirigiu-se à mansão Hackett para se vestir para a ocasião, que seria formal. — Espero que não desperdice as oportunidades que se apresentarem. Chegando ao pé da escada, quando Dante começou a descer, vestido com um smoking preto, Nerio ofereceu este conselho de forma amigável. Para Nerio, a única pessoa que deveria esclarecer toda a questão era ele mesmo. Primeiro, porque quando a sua doença começou, foi o próprio Dante quem insistiu em esconder tudo de Amanda. E segundo, quando decidiu se manter afastado, nunca o consultou. Simplesmente fez o que achou melhor, sem se importar que os rumores de um caso com Erika tivessem se dissipado como fumaça... Ou pelo menos Nerio achava que Dante sabia. Dante, ponderando as palavras, desta vez sabendo que estava certo, assentiu e, ajeitando a gravata, simplesmente se despediu do patriarca, pois se ficasse ali mais um instante, chegaria atrasado. Ao chegar ao estabelecimento de luxo, Dante permaneceu em silêncio, observando a mobília requintada, que incluía mesas de cristal e lustres pendurados no teto, feitos do mesmo material. — Sr. Hackett, gostaria de pedir algo enquanto espera? Aproximando-se dele, um dos garçons perguntou educadamente, e balançou imediatamente a cabeça, pretendendo esperar pelos Reeds. Ele permaneceu o mesmo. Os primeiros a aparecer, alguns minutos depois, foram os convidados de honra, ninguém menos que o casal Reed, Karlota e Dominik, que administravam a maior parte dos investimentos estrangeiros na América Latina. Ela, especialista em marketing e publicidade, e ele, um investidor que se comparava ao Rei Midas. Tudo o que tocava virava ouro. Sentados, o casal, casado há mais de 20 anos, começou a conversar com Dante, sobre coisas sem importância, e quando Amanda finalmente chegou, Dante ficou sem palavras. Ver o seu belo corpo envolto num delicado vestido verde, de um tom estranho, com a parte inferior coberta por delicadas penas, não foi pouca coisa. — Boa noite, Sr. e Sra. Reed, desculpem a demora. Constrangida com o atraso de 5 minutos, Amanda se desculpou e, iniciando a conversa de negócios que durou mais de 4 horas, durante a qual chegaram a um acordo, Dante acrescentou: agora, na revista, estamos explorando a moda curvilínea, que eu sei que terá repercussão na América Latina, com a ajuda da Karlota em publicidade e sua experiência. Tenho certeza de que a H&G dominará o mercado. E Dante estava certo sobre isso. A revista H&G era pioneira na moda nos Estados Unidos e na Europa, então tudo o que eles sugeriam esgotava em minutos, conquistando uma reputação invejável. Mas, devido à falta de experiência no mercado latino-americano, eles pediram colaboração ao grupo Reed. — E acho que você tem toda a razão. Adoro o trabalho deles. Aliás, recebo as edições mensais, então parece uma proposta maravilhosa, que aceitarei com a condição de conhecer a sua editora principal. Ela já está na empresa há alguns anos. A mudança foi fenomenal. Então, para mim, essa pessoa merece um prêmio. Sem saber que se tratava de Amanda, a mulher expressou os seus pensamentos, sem perceber que estava bem na sua frente, sorrindo um pouco sem graça diante do elogio de uma especialista em marketing. E, com a experiência de Karlota, ela não sabia o que dizer. — Fico feliz que pense assim. Aliás, decidimos fazer isso, porque Amanda, além de ser minha esposa, como vocês dois sabem, é responsável mês após mês pela produção da revista. Ela faz isso com tanta dedicação que defende os seus ideais, até mesmo de mim. Certa vez, chegou a me dar um tapa por sugerir algumas coisas. Deixando os Reed sem palavras, Dante compartilhou o seu primeiro encontro ao retornar, e guiando o seu olhar, um tanto incomodado pela mentira que ele acabou de dizer, Amanda respondeu. — Você sugeriu, Dante? Ou melhor, você ordenou e gritou com a minha equipe, algo que eu nem permito que Atlas faça... Senhora Karlota, é um prazer para mim que alguém com a sua reputação e conhecimento valorize o meu trabalho. Para mim, essa é a maior recompensa. Feliz em ver que todos, não apenas seus colegas, apreciavam os seus esforços, Amanda sorriu com olhos cristalinos. — E como não poderia, querida? Desde que comecei a ver o seu trabalho, me visto na moda. Não há uma coleção ou estação da Prada da qual eu sinta falta. Adoro o seu estilo, minha querida. Pegando a mão de Amanda para ajudá-la a se levantar e observar a sua roupa, as duas concentraram-se em conversar sobre moda, uma área que ambas amavam. — Vocês estão casados há quatro anos. Não é mesmo? Virando-se para Dante, enquanto a suas esposas conversavam animadamente, Dominik perguntou, fazendo Hackett sorrir tristemente. — Isso mesmo, quatro anos, quatro anos difíceis. Apertando a ponta do nariz com tal resposta, Reed balançou a cabeça e, expirando, disse: e quem te disse que casamento é fácil, Dante? Quem te disse isso mentiu para você: casamento é uma me*rda, é submeter os nossos desejos e sentimentos a outra pessoa, que com apenas um estalo pode te destruir. É uma grande farsa que, embora os romances a pintem como um conto de fadas, não é. Dante abaixou o rosto, concordando com parte disso: os seus sentimentos estão à mercê da outra pessoa, que, com sua rejeição, pode fazer você chorar lágrimas de sangue. Um pouco desanimado, Hackett permaneceu em silêncio, ouvindo Dominik, que pretendia continuar falando. — Mesmo assim, vale toda a vergonha do mundo... Estou com a minha esposa há 20 anos, e só Karlota consegue me fazer passar do riso ao choro em segundos, me levar do céu ao infe*rno num piscar de olhos. E eu a adoro de verdade por isso. Um sorriso espalhou-se pelos rostos de Amanda e Dante ao ouvir essas palavras. A maneira como ele as disse o fez parecer um homem apaixonado, como se fosse a primeira vez e nenhum ano tivesse se passado. Apoiando a cabeça no seu ombro, Karlota fechou os olhos enquanto assentia alegremente. — Meu marido tem razão sobre isso. É incrivelmente complicado. Você chora, você ri... Mesmo assim, vale a pena. Espero que daqui a alguns anos vocês entendam o que estamos dizendo. Dante desviou o olhar para Amanda, que parecia incomodada com essas palavras. Olhando para o relógio, levantou-se naquele exato momento. Dominik se levantou. — É uma pena, mas, devido ao horário, minha esposa e eu precisamos ir. A nossa filha mais nova chega da Espanha hoje à noite e precisamos cumprimentá-la. Um pouco envergonhados porque a conversa estava realmente começando a ficar emocionante, Karlota e Dominik não tiveram escolha a não ser ir embora, deixando Amanda e Dante sozinhos, uma oportunidade que ele não desperdiçaria. — Amanda, você se lembra que tivemos uma conversa para discutir? Sobre o motivo da minha partida. Sem rodeios e apressadamente, Dante imediatamente se aproximou dela e, irritada por ser tudo mentira, Amanda revirou os olhos, levantou-se e foi embora. Ao vê-la fugindo dele mais uma vez, Dante esfregou o rosto e, deixando algumas notas altas sobre a mesa, correu atrás dela. — Amanda!‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‍
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