A moto cortava o morro em silêncio. O som do motor era alto, mas entre nós dois… não havia nada. Nenhuma palavra. Nenhum olhar. Só tensão. Eu segurava na cintura de Barão, sentindo o corpo dele rígido, duro, como se ainda estivesse com a raiva presa dentro dele. O vento batia no meu rosto, mas não conseguia esfriar o que eu estava sentindo. Meu coração ainda estava acelerado. Pelo que tinha acontecido. Pelo jeito que ele reagiu. Pelo jeito que ele me puxou dali. Descemos as ruas do morro sem parar. As luzes ficaram para trás. A música do baile foi ficando distante. Até sumir. Quando a moto parou em frente à casa dele, o silêncio ficou ainda mais pesado. Desci devagar. Ele nem olhou para mim. Só desligou a moto e entrou. Respirei fundo. E fui atrás. Assim que entrei, el

