Depois de escolher as joias, Barão fechou a última maleta com um gesto impaciente.
O homem da joalheria recolheu as peças que sobraram, contando o dinheiro que Barão tinha jogado sobre a mesa. Eu ainda estava parada ali, sentindo o peso do cordão no meu pescoço.
Era pesado de verdade.
Não era só impressão.
Barão pegou as chaves da moto que estavam na mesa.
— Bora.
Olhei para ele.
— Agora?
— Vou te levar em casa.
O homem da joalheria levantou a cabeça quando Barão passou por ele.
— A gente se fala depois — disse Barão, já caminhando para a porta.
Saí atrás dele.
Do lado de fora o sol da tarde ainda iluminava o morro, mas já começava a baixar no horizonte. Algumas pessoas estavam sentadas nas portas das casas, outras conversavam nas esquinas.
Barão ligou a moto.
O motor roncou alto.
— Sobe.
Subi atrás dele.
Dessa vez segurei na cintura dele.
Era impossível não segurar.
A moto arrancou.
Descemos a rua principal do morro devagar. O barulho do motor chamou atenção antes mesmo de passarmos.
As pessoas olhavam.
Sempre olhavam quando Barão passava.
Mas daquela vez os olhares demoravam mais.
Porque eu estava ali.
Na garupa.
Segurando nele.
Passamos pela primeira boca.
Os rapazes que estavam ali endireitaram a postura imediatamente.
— E aí, patrão!
Barão apenas levantou dois dedos do guidão.
Os olhos deles vieram para mim.
Um deles deu um sorriso de canto.
Outro assobiou baixo.
Continuei olhando para frente.
Mas sentia os olhares nas minhas costas.
Descemos mais um pouco.
Passamos por um grupo de meninas sentadas na escada de uma casa.
Uma delas parou de falar quando nos viu.
Outra cochichou alguma coisa.
A terceira apenas me olhou de cima a baixo.
O cordão de ouro no meu pescoço brilhava sob a luz do sol.
Eu sabia o que elas estavam pensando.
O morro inteiro estava vendo.
Barão.
E eu.
Juntos.
A moto continuou descendo devagar.
Quando chegamos perto da minha rua, ele diminuiu a velocidade.
Parou na frente da minha casa.
Desci da moto.
Por um segundo ficamos em silêncio.
Barão me olhou.
O olhar dele desceu até o cordão no meu pescoço.
Depois voltou para meu rosto.
— Não tira.
— O quê?
Ele apontou com o queixo.
— O cordão.
Passei a mão no ouro frio.
— Tá.
Ele deu partida novamente.
Antes de sair, disse:
— Sexta eu te busco pro baile.
Assenti.
A moto arrancou e desceu a rua levantando poeira.
Fiquei parada na frente de casa por alguns segundos.
Sabendo que várias janelas estavam abertas.
Várias pessoas tinham visto.
E naquele momento…
o morro inteiro já sabia.
Cristal…
andava na garupa do Barão.