Nathaly
Depois que Thales saiu, eu peguei o celular e o liguei pela primeira vez. O iPhone é de última geração e a qualidade da tela é inegável.
Verifico que na agenda tem quatro números de telefone.
Brigitte - Governanta
Elizabeth - Secretária
Marido e meu pai.
Fico surpresa que tenha o número do meu pai, eu nunca dei a ele. Mas me lembro que ele deu meu aparelho a Lana, ou ela deu ou ele pegou antes de passar para ela.
Não penso muito no assunto e ligo para meu pai imediatamente. Isso deixou meu humor muito aquecido ao escutar sua voz.
- Papai sou eu.
- Onde você se meteu, Nathaly? Quer me matar do coração?
- Estou bem, não se preocupe.
- Mas filha, o casamento é hoje. Você já devia ter voltado ao hotel.
Meu coração se aperta por deixar o meu velho preocupado.
- Eu não vou voltar papai. Para falar a verdade, estou casada agora e fora do país.
Sinto o choque na voz dele que foi pego de surpresa. Mas preferi dizer a verdade de uma vez. De um jeito ou de outro ele iria descobrir.
- De que bobagem você está falando? Casou com quem?
- Com o irmão do Renan. O senhor o conheceu no hotel.
- Meu Deus, Nathaly, estamos acabados. Os Alcântara não vai deixar por isso mesmo. Porquê fez isso?
Não posso dizer ao meu pai que foi por ele, também não vou perguntar sobre os desvios de dinheiro nas empresas. Não quero que meu pai se preocupe comigo, então resolvi mentir para ele. Por mais que odeio, era necessário.
- Me apaixonei por ele assim que o vi. O Sr sabe que não morria de amores pelo Renan. Não resisti!
- Isso é insanidade, você se iludiu com um homem que conheceu nas vésperas do casamento.
- Na verdade, eu o conheci na viagem a NY. Me perdoa pai, mas não iria dar certo com o Renan. Não depois que conheci o Thales.
- Espero que não se arrependa, Nathaly. Ele te trata bem?
- Sim, ele cuidou de mim quando passei m*l no hotel. Foi aí que percebi que o Renan não se importava comigo, já estava com dúvidas a respeito do casamento.
- Eu sinto muito filha. Espero que seja feliz com a sua escolha.
- Eu estou feliz papai. O Thales me trata muito bem e realmente se preocupa comigo. Quando o conhecer, tenho certeza que vai gostar muito dele.
Conversei mais um pouco com meu pai antes de desligar. Após o deixar tranquilo, me dei conta que nem tudo era mentira. Thales realmente se preocupava comigo mais que o Renan. Se não fosse sua desconfiança e me ameaçado, talvez, a gente poderia ter dado certo. Ele foi o único que despertou o desejo em mim, mas não sei se é amor. Desde muito nova, minha vida foi muito limitada ao Renan e não tive contato com outros homens.
Olho o relógio do celular e já são quase onze da manhã. Como não tem ninguém no apartamento, resolvo fazer o almoço. Afinal, precisamos comer de qualquer forma.
Me aventuro na cozinha que é enorme, com uma estrutura com o melhor que o dinheiro pode comprar. Abro os armários e vejo que tem praticamente de tudo.
Separo os legumes para uma salada, Bifes e batatas fritas. Como não sei o gosto do meu marido, vou fazer picadinho com legumes. Acho que é uma refeição para todos os gostos.
Estou terminando de fazer a salada quando ele entra na cozinha. Me sinto insegura, de repente estou preocupada se ele vai gostar.
- O cheiro está muito bom!
Escuto sua voz e um arrepio passa pelo meu corpo quando ele deposita um beijo em meu rosto.
- Precisa de ajuda?
- Não, já está quase pronto.
- Eu pedi almoço, não tinha ideia de que você iria cozinhar.
- Que bom, se não gostar da minha comida terá outra opção.
Enquanto termino, ele me oferece ajuda e diz que não quer que eu tenha trabalho. Não consigo entender ele, saiu furioso e voltou dócil e amoroso. Não sei como vou lidar com ele, quando se comporta assim, me desarma totalmente.
A campainha tocou e o almoço que ele pediu chegou. Me sinto decepcionada, com certeza vai comer o que chegou e a comida que fiz vai para o lixo. Ele pediu carne assada ao molho, salada e peixe ensopado. O cheiro era delicioso.
Para minha surpresa, ele comeu bem a comida que fiz e m*l tocou na que comprou.
- Não precisa comer minha comida. Não vou ficar chateada se não quiser.
- Está louca? Seu tempero é muito bom. Está tudo delicioso. Comida assim lembra a minha infância. Não precisa cozinhar se não quiser. Mas vou ficar feliz se fizer outras vezes.
Acho que disse para me agradar. Mas não levo a sério, sei que não passou nem perto da refeição que ele pediu. Mas ele realmente comeu bem.
- Se você quiser, farei sim. Você é quem manda Sr meu marido.
Thales pega minha mão e faz um carinho.
- Não te quero como cozinheira, embora tenha gostado muito. Te quero como a minha mulher Nathaly, quero que seja a dona dessa casa em todos os sentidos. Quero estar ao seu lado e viver muitos momentos como vivemos há dois meses atrás.
Depositou um beijo em minha mão e confesso que fiquei mexida com as suas palavras. Thales é ótimo em oratória, sabe dizer as palavras certas no momento certo. Mas também tem a língua feroz, e fere profundamente.
Entre nós a atração é forte, o sexo é intenso, mas, não existe amor, que é o principal para um casamento dar certo. Não posso me iludir com belas palavras e me entregar a esse sentimento que me confunde, tenho certeza que sairei quebrada se não tiver respeito e confiança. Com o Renan, eu sabia onde estava pisando e tinha os limites estabelecidos, agora estou perdida sem saber o que fazer nem como agir.
Não entrou na dele e mudo de assunto.
- Já que cozinhei, a louça é sua.
Tento me afastar e ele me puxa fazendo com que me sente no seu colo.
- Está me dando ordens Sra Orsini?
- Não, apenas acho justo dividir as tarefas.
Consegui dizer antes de ter meus lábios esmagados por ele.