Thales
Nathaly não estava no quarto e me preocupo com o que possa acontecer. Sei que está escondendo alguma coisa de mim e não tenho como descobrir o que é.
- Bri, chame todos e mande procurar por ela. Olhe as câmeras e me avise se encontrar alguma coisa.
Sai do hotel e andei pelos arredores já em desespero, não devia ter deixado ela sozinha. Meu telefone toca e atendo na esperança de terem encontrado ela. Mas o que ouço é a voz preocupada de Brigitte.
- Senhor, ela saiu há mais de duas horas. Só vestiu o casaco e saiu do hotel, nem a bolsa levou.
- Continuem à busca. Peça aos seguranças para olharem tudo, Hospitais, aeroporto, rodoviária. Liga para o Ted, peça para mandar mais gente.
Desligo e vou para meu carro com dois seguranças junto. Saio pela rua atrás do hotel dirigindo como um louco, seguindo as margens do Rio Hudson em direção a NY.
- Sr pare o carro! Acho que encontramos.
Meu coração dispara e olho para a direção que Noah aponta. Surpreso, vejo Nathaly sentada na praça ao lado de uma criança e outra mulher. Provavelmente a mãe da criança.
Desço do carro e me aproximo. Feliz vejo minha esposa conversando e brincando com a criança que deve ter uns cinco ou seis anos. Fico de longe observando, o importante é que ela está bem e não me parece deprimida, já que está sorrindo e abraçando a menina.
Com certeza Nathaly será uma excelente mãe. Me deu uma vontade louca de ter um filho com ela.
Depois de uns dez minutos, Nathaly percebe minha presença e vejo ela se despedir da criança e da mulher antes de andar em minha direção.
- Oi. Você está bem?
- Estou sim. Está me procurando?
Dou um beijo em seus lábios antes de pegar sua mão e a conduzir ao carro.
- Fiquei preocupado quando não te encontrei.
- Eu precisava ficar sozinha, colocar a cabeça em ordem e respirar um pouco.
- Eu sei. Só poderia ter avisado, quase enlouqueci quando não te encontrei.
Abri a porta do carona para ela, não precisei dizer ao Noah que ia dirigir. Antes que me sentasse ao volante, ele já estava indo em direção ao carro atrás do meu.
- Quer ir a algum lugar?
- Não. Me sinto melhor agora.
- Podemos ir aquela churrascaria que você gostou. Você se distrai um pouco ouvindo música e saboreando a culinária do Brasil.
- Hoje não. Vamos para casa.
É incrível a força que ela tem, não parece que estava desabando há poucas horas atrás. Ao mesmo tempo que sinto orgulho, tenho medo. Nunca sei o que esperar dela, sempre contida e sua calma nos momentos de crise me apavora. Meu maior medo é ela me abandonar, já decidi que vou fazer de tudo para mantê-la ao meu lado. Não me importo se ela quer dinheiro, eu tenho muito, sou jovem e posso ganhar mais. O que minha mulher quiser eu darei a ela, em troca só quero que fique ao meu lado.
- Sra Nathaly, não sabe como estávamos preocupados. Todos os seguranças saíram à sua procura.
- Eu sinto muito Bri. Não queria preocupar vocês, apenas precisava espairecer um pouco.
- Fico feliz que esteja bem. Vou terminar o jantar, quer que prepare alguma coisa?
- O que fazer está ótimo. Obrigada!
Ela sobe para o nosso quarto e fico indeciso se vou junto.
- A Sra Nathaly é muito boa. Não gosto de ver ela triste.
- Você gosta muito dela, não é Bri?
- Sim! Ela é muito fácil de lidar. Mesmo eu insistindo para não fazer, ela faz as tarefas da casa e nunca reclama de nada.
Me admiro com essa informação. Sei que sai pouco de casa e ainda não trouxe Lana para ser sua assistente.
- O que mais ela gosta de fazer?
- Ela lê, fala com o pai ou se senta lá fora e fica pensativa. Outro dia ela me falou que iria arrumar um emprego. Mas eu disse a ela que o Sr não ia gostar.
- Ela ficou brava?
- Ela nunca fica! E sempre calma e educada, não posso desejar patroa melhor.
- Que bom. Obrigado por cuidar dela, Bri.
Eu não entendo como uma pessoa que conquista todos, se envolveu em um esquema tão grande. Não consigo acreditar que ela possa ser tão dissimulada. Tem alguma coisa errada ou Nathaly é uma grande atriz.
Pego meu celular e ligo para o Ted.
- Quero falar com você! Me encontre no lugar de sempre.
Desligo e vou ao quarto ver Nathaly. A encontro saindo do banho.
- Vou sair um pouco. Tenho um assunto para resolver com Ted. Você vai ficar bem?
Ela me olha sem expressão e continua a pentear os cabelos.
- Estou acostumada.
Me sinto um cretino. Ela está me dizendo de forma velada que eu a deixo sozinha.
- Tudo bem, vou dizer a ele para deixar para amanhã no escritório.
- Não tem necessidade. Você não precisa me dar satisfação. É livre para fazer o que quiser.
- Eu não quero ser livre, eu quero ser feliz com você. Nathaly eu te amo.
Me aproximo e a puxo para meus braços, seu cheiro após o banho me deixa muito e******o. Mas tenho que ser paciente, ainda não ganhei a confiança dela.
- Eu quero estar ao seu lado e te apoiar em tudo que precisar. Quero ter filhos com você e sermos uma grande família. Podemos trazer o seu pai para cá.
- Deixa meu pai fora disso. Ele acha que somos um casal apaixonado e feliz, não quero ele nessa bagunça que é nossa vida.
- Podemos ser um casal feliz, isso é tudo que quero meu amor.
- Melhor ir para seu compromisso. Não deixe seu amigo esperando.
- O assunto pode esperar, você é mais importante para mim. Eu não deixaria ter marcado com ele, não posso te deixar nesse estado.
- Eu estou bem. Não vou fugir nem cometer nenhuma insanidade.
Sua voz e séria, mas tem um tristeza que me incomoda.
- Eu sei que não, mas quero ficar com você. Mesmo que queira ficar só, vou estar em casa para você. Se quiser sair e dar uma volta, eu te acompanho.
Mando mensagem para Ted e desmarco o encontro. Realmente não quero ficar longe dela.