Uma Relação Complicada

1256 Palavras
Bom, embora o livro seja narrado pelo Nano, esse capítulo em especial será narrado pela Hannah, pois embora ela não seja uma personagem recorrente na história eu achei importante vocês conhecerem um pouquinho mais sobre ela e seu relacionamento com o Nano, então espero que curtam o capítulo. Boa leitura a todos! Hannah Assim que cheguei em casa avistei meu pai sentado no sofá de casa tomando sua latinha de cerveja, era a tradição dele, beber enquanto assistia as notícias do dia. - Onde você estava? - Largou a latinha em cima da mesinha de centro, e se levantou vindo em minha direção. - Eu falei que ia à casa da Júlia. - Argumentei. - Engraçado… - Colocou as mãos para trás, segurou uma delas com a outra, e começou a caminhar de um lado para o outro. - Eu recém liguei pra ela para dizer para você não demorar, e adivinha… - Engoli em seco já imaginando o que viria pela frente. - Ela me disse que você não estava lá, e que não tinha te visto desde hoje na escola. Merda! Eu havia esquecido de pedir pra Ju me acobertar, como fui dar um vacilo tão grande desses? Papai me olhou bravo e se aproximou de mim, ficou um pouco em silêncio, o que me causou um certo medo. - Vamos, fala logo, você estava com aquele garoto, não estava? Por um momento eu pensei em mentir, mas ele já tinha descoberto minha mentira, não adiantaria muita coisa, eu não tinha muita saída a não ser falar a verdade e rezar pra ele entender e aceitar meus sentimentos, o que eu sabia que não aconteceria tão fácil como eu gostaria. - Aquele garoto é meu namorado, pai! - NAMORADO? VOCÊ É UMA CRIANÇA. - Não, não sou, eu já tenho 16 anos. - Não importa, você poderia ter 30 anos, que continuaria sendo meu bebê, e enquanto morar comigo você não vai namorar. - Mas eu amo ele, tenta conhecer o Nano, ele é um cara muito legal, você iria adorar ele. - MAS QUE ASNEIRA, VOCÊ ESTÁ DIZENDO, HANNAH? - Ele respirou fundo. - Já chega desse assunto, você não vai namorar e pronto. - Então eu vou fugir de casa, ou vou me mudar, você não disse que não vou namorar enquanto morar contigo? - O desafiei. - BASTA! Ele me deu um t**a com toda sua força em meu rosto, comecei a chorar e coloquei a mão na face machucada, ele me olhou meio sem crer no que havia feito. - EU TE ODEIO! EU TE ODEIO! QUERIA QUE VOCÊ TIVESSE MORRIDO, E NÃO A MINHA MÃE, ELA SIM ME AMAVA. Sai aos prantos e batendo o pé, fui para meu quarto, me joguei em minha cara e comecei a chorar. Papai sempre foi um pai muito bom, preocupado, zeloso, cuidadoso, mas desde que eu havia começado a me relacionar com o Stéfano, ele estava diferente, passou a controlar meus passos, só deixa eu ir na casa das minhas amigas, controla a roupa que eu uso, não posso nem pensar em colocar uma saia acima do joelho ou blusa com um decote mínimo que seja, e maquiagem só se for leve. Cada dia que passa, eu sinto mais falta da minha mãe, ela morreu faz cinco anos em um acidente de carro, um caminhoneiro embriagado foi com tudo para cima do carro da minha mãe, que morreu no local, não tem um dia que eu não pense nela. Algum tempo depois, papai bateu na porta do meu quarto, não respondi, estava chateada, mas mesmo assim, ele entrou vagarosamente, se sentou do meu lado, e disse: - Desculpa, eu não queria ter te batido, mas você me irritou. - Não é a primeira vez, sempre que eu falo do Nano você me bate. - É que eu te acho muito nova pra namorar. - Falou calmamente. - Pai… Desculpa, eu não quis dizer aquilo. - Eu sei. Mas tenha a certeza que eu preferia ter morrido no lugar da sua mãe, com certeza ela te entenderia melhor do que eu. Ele saiu do meu dormitório e eu fiquei pensando em tudo o que havia acontecido, eu odiava esse controle que ele tinha sobre mim, mas também não achei certo a maneira que eu falei com ele, não era justo, ele sempre foi um bom pai. Stéfano e eu nos conhecemos na escola, éramos colegas e logo que eu comecei a namorar, papai quis me trocar de escola, a escola que eu estudava desde os meus 6 anos, obviamente eu não aceitei, e como ele trabalhava muito, geralmente eu ficava o turno integral no colégio, ou seja, passava mais tempo com meus colegas do que na minha própria casa, e eu acabei dizendo para seu Durval (meu pai) que se ele me tirasse da escola eu iria morar com a minha tia, que vive em Bogotá, na Colômbia, e por mais que ele quisesse me separar do Nano, obviamente ele não queria que eu fosse morar longe, afinal, ele sempre disse que já tinha perdido minha mãe e que não queria me perder também, sendo assim, ficou decidido, que ele ‘’apenas’’ me trocaria de turma, o que já era menos pior. (...) 11 de outubro de 2017 Logo que cheguei na escola, avistei Nano sentado em um banco e mexendo no celular, cheguei por trás dele, o pegando de surpresa. - Trouxe um presente pra você. - Ah, oi. - Sorriu e me deu um selinho. Me sentei do lado dele e já fui logo abrindo minha mochila, enquanto notava seu olhar curioso. - Pra você. - Falei ao lhe entregar meu presente. Ele abriu o embrulho, e então viu que se tratava da camisa que ele namorava há meses na vitrine de uma loja de roupas masculinas. A vestimenta era azul claro e tinha a imagem de um mar, Nano nunca tinha ido pra praia, acho que era por isso que ele era fascinado com o mar. - Caraca, não acredito, isso é alguma espécie de pegadinha? - Olhou para os lados como se buscasse as câmeras. - Mas como? Essa camisa era muito cara Definitivamente temos conceitos de ‘’caro’’ muito diferentes, porque para mim 40,00 não é nada caro. - Eu amei. - Falou. - Muito obrigado. - Você merece. Parabéns, meu amor. O abracei, ele me deu um selinho, olhou mais um pouco a camisa deslumbrado e em seguida me beijou, e para acabar com nossa alegria, o sinal da escola tocou. - Vem comigo. - Falou. - Mas vamos perder o primeiro período. - Quem se importa? Hoje é meu aniversário, nem era pra eu estar aqui, minha mãe queria que eu ficasse em casa, mas eu quis vir só pra te ver. Vem comigo. Saimos correndo e fomos na direção dos banheiros, ele entrou no masculino enquanto eu o aguardava do lado de fora. - Como estou? - Perguntou ao sair do banheiro. Ele estava usando a camisa que eu recém havia lhe dado e tinha lhe caído tão bem, estava mais gato do que nunca. - Gostou? - Você tá lindo. - Sorri e o beijei. Nano era a única pessoa capaz de me fazer feliz em qualquer situação, ele era o meu porto seguro, quando eu brigava com meu pai, era ele que me acalmava e fazia eu ter fé que as coisas iria melhorar, eu não podia nem pensar na hipótese de perdê-lo, e pensar que meu maior medo acabaria se tornando real.
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