O Assassinato

1330 Palavras
Nano Eu estava fazendo 16 anos, e como em todo o aniversário, eu havia feito uma lista das coisas que eu queria fazer agora um ano mais velho, a lista desse ano era: 1-Conhecer o mar 2-Arrumar um trabalho para ajudar no sustento da casa 3-Ter um cachorro junto com a Hannah 4-Passar de ano na escola 5-Dar uma bicicleta nova para a minha irmã É, a lista era curta, mas com certeza era o essencial para mim. Ah, se eu soubesse que nunca realizaria nenhum desses desejos, não nessa vida, pelo menos. Eu tinha tantos sonhos, sonhos esses que não me deixaram realizar. Como meu aniversário caiu em uma quarta - feira, a comemoração dele seria na sexta, meus pais estavam planejando fazer uma festinha para mim com meus amigos mais próximos, seria algo bem simples, já que não tínhamos dinheiro para uma festa maior, mas estando com as pessoas que eu mais amava o resto não importava. Era em torno de 20h, eu estava deitado lendo um livro quando de repente bateram na porta do meu quarto. - Entra. - Falei. Era Haley, minha irmã. Sem dizer nada, ela se aproximou de mim e sentou na ponta da minha cama. - Eu ainda não te dei o meu presente. - Falou docemente. - O que é? - Guardei o livro na escrivaninha. - Abre. - Me entregou um embrulho. Abri e de repente tive uma enorme surpresa, era uma sunga, o que de fato era estranho, já que não tínhamos piscina e a praia era muito longe, em outra cidade, o que impossibilitava a nossa ida até lá, já que não tínhamos carro e a passagem de ônibus para quatro pessoas sairia muito caro. - Gostou? - Abriu um sorriso amarelo. - Gostei. É mó da hora. Mas… - Eu não estava entendendo nada. - Eu não sei quando vou usar. - Mas eu sei. Olhei para minha irmã em busca de respostas, minha cabeça estava virada em confusão. O que Haley sabia que eu ainda não? E então, ela chamou nossos pais, que entraram imediatamente em meu quarto. - Bom… - Mamãe começou. - Seu pai e eu planejávamos isso para o ano passado, mas não foi possível. - Meu coração acelerou só de pensar no que eu achava que eles diriam. - E finalmente conseguimos juntar um dinheiro para irmos pra praia. - Sério? - Abri um imenso sorriso por imaginar que finalmente meu sonho se realizaria. - É sim, campeão. - Disse papai. - Nós vamos pra praia, tá feliz? - Muito. E quando nós vamos? - No sábado. - Meu pai disse. Nossa, eu estava tão feliz, iria finalmente conhecer o mar, seria a realização de um sonho, uma viagem para o litoral com minha família, era o melhor presente de aniversário que eu poderia ganhar. Ah, se eu soubesse que isso nunca chegaria a acontecer. No dia seguinte, dia 12 de outubro, não tivemos aula, pois era feriado. Dormi até mais tarde naquela manhã e até ser acordado com minha irmã pulando em cima de mim. - Acorda Belo Adormecido. - Falou. - Ai, me deixa. - Joguei meu travesseiro nela. - Não deixo, não. Levanta dessa cama, que nós vamos sair. - Não quero ir. - Resmunguei. - Tá bom, vou falar pra Hannah. - Se pôs a sair do meu quarto. - Como é? - Dei um pulo da cama. - Ah, mudou de ideia, é? - Cruzou os braços e ficou me encarando. - Talvez. Mas o que tem a Hannah? - Ela quer te ver, pediu para eu acobertar vocês, porque se o pai dela descobre que ela saiu pra te ver... - Já sei, sou um garoto morto, e Deus me livre morrer antes dos meus 90 anos. - Brinquei. - Acho bom mesmo, porque eu não saberia viver sem o meu irmão implicante que eu tanto amo. Sorri e a envolvi em um abraço, ela me deu um beijo no rosto e logo eu fui me arrumar para ver a minha namorada. Haley, Hannah e eu fomos a uma praça da cidade, onde aproveitamos cada minuto daquele dia, minha irmã detestava ficar de vela e por respeito a ela, eu evitava beijar Hannah toda hora, no entanto, Haley volta e meia inventava que ia ao banheiro ou beber água para poder nos deixar a sós, e assim aproveitávamos para namorar, confesso que eu estava com um pouco de medo do seu Durval (meu sogro) acabar nos encontrando, por isso minha irmã havia ido junto, qualquer coisa eu me escondia como se nunca tivesse estado com elas, era o jeito pra eu poder ver minha namorada. Mais tarde, após ela ter que ir pra casa, eu fui jogar bola com meus amigos, aproveitei ao máximo cada dia, eu estava em uma felicidade tremenda desde que meus pais me avisaram que iríamos pra praia, estava contando os dias para isso, m*l podia esperar. (...) 13 de outubro de 2017 Era uma sexta - feira, o dia que eu comemoraria o meu aniversário e também o dia que antecedia a nossa viagem para a praia, ou seja, era felicidade em dobro. - Você vai hoje à noite, né? - Não sei amor. - Falou cabisbaixa. - Eu vou inventar para meu pai que vou dormir na casa de uma amiga. Ainda bem que as mães das minhas amigas sabem da minha situação e sempre mentem que eu vou dormir lá mesmo. - Você tem ótimas amigas. - E um ótimo namorado. - Falou me fazendo sorrir. Meus pais ficariam o dia todo planejando a festa, uma amiga da minha mãe, que me viu crescer e era minha madrinha de batizado, trabalhava fazendo salgadinhos, docinhos e bolos para aniversário e todos os anos ela fazia de graça pra minha irmã e pra mim, pois sabia que as nossas condições financeiras eram muito precárias. Apenas uma hora antes da festa eu havia ficado de me encontrar com a Hannah em uma praça que tinha no meio do caminho entre a casa dela e a minha. Já passava das 19h, estávamos caminhando a caminho da minha casa, tudo estava muito bem até que três garotos armados nos cercaram. - Passa tudo, passa tudo. - Falou um deles. - Ai, meu Deus! - Disse Hannah apavorada. Ela entregou o celular novo que seu pai recém havia lhe dado e mais uma carteira com dinheiro. - Agora você, vamos lá, passa rápido. - Me disse um dos garotos. Mas eu não tinha nada para entregar, meu celular era daqueles que só dava para telefonar e mandar SMS e eu ainda havia o deixado em casa. Dinheiro? Será que eles aceitariam 5 reais? - Eu só tenho uma nota de 5. - Falei ao mostrar para eles. - Acha que temos cara de o****o? - Perguntou o que parecia ser o líder. Ele apontou o revólver para mim, me assustando, e nisso pude notar a Hannah aos prantos. - Deixem ele, por favor. - Pediu Hannah. Mas os bandidos pareciam não escutar o pedido da minha namorada. - Cidadão sem celular e dinheiro, é cidadão morto. - Disse um deles. Sem dó, nem piedade ele me deu um tiro, senti algo furando meu corpo e uma sensação de queimação se fez presente. Hannah gritou de desespero e os três bandidos saíram correndo. Coloquei a mão onde doía e vi a quantidade de sangue, estava doendo muito, acabei caindo no chão da calçada. - Você vai ficar bom. - Hannah dizia. Minha visão começou a ficar turva, mas percebi quando ela ligou para o hospital pedindo uma ambulância. Após fazer isso, me olhou enquanto seu rosto ficava molhado por conta das lágrimas. - Hannah… - Balbuciei. - Não, não fala nada, você vai ficar bem. Eu te garanto. Você é forte. Você não me disse que ia conhecer o mar? Pensa nisso. - Eu… Consegui ouvi-la gritar ‘’fica comigo, por favor’’, e então tudo ficou escuro.
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