Tiros

986 Palavras

A madrugada parecia ter prendido a respiração. Por alguns segundos, depois da última troca de tiros lá em cima, o morro ficou em silêncio. Não era um silêncio tranquilo — era aquele silêncio tenso, pesado, que sempre vem antes de mais barulho. Valente ficou parado no meio do beco. Os olhos dele estavam voltados para o alto da favela, onde as casas se empilhavam uma sobre a outra, iluminadas por lâmpadas fracas e televisões ligadas atrás de cortinas. Ele conhecia cada pedaço daquele lugar. Cada escada. Cada viela. Cada telhado. Tinha crescido ali. Sabia onde qualquer pessoa podia aparecer. Sabia também onde qualquer um podia se esconder. Mais dois disparos ecoaram. Secos. Curtos. Agora definitivamente mais perto. Dioguinho soltou um assobio baixo. — Isso tá subindo. Valente

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